Seria a lei pecado?

O mandamento não cria o pecado, mas lhe oferece ocasião para se manifestar. Assim, para responder à pergunta — “Seria a lei pecado?” —, é necessário considerar que a lei evidencia a incapacidade do homem e demonstra que aquele que se julgava vivo, ao tentar cumpri-la, descobre-se sob o domínio da morte.
Seria a Lei Pecado?
Epístola aos Romanos – Capítulo 7:7-12
“Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum. Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a concupiscência; porquanto sem a lei estava morto o pecado. E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri. E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte. Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou. E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.” (Romanos 7:7- 12).
Asserções, argumentações, premissas e conclusões
Diante do que foi exposto, o apóstolo Paulo convoca os cristãos ao raciocínio ao formular a pergunta: “Que diremos, pois?”.
Com base no que já foi demonstrado, qual conclusão deveria ser assumida? Seria a lei pecado? A resposta é enfática: de modo nenhum! A lei não é pecado.
Embora Paulo não tenha afirmado, em momento algum da epístola, que a lei seja pecado, seus argumentos poderiam ser distorcidos por alguns — especialmente entre os judaizantes ou mesmo por cristãos oriundos do judaísmo. Ao anunciar que os cristãos foram libertos do pecado e da lei, alguém mal-intencionado poderia interpretar — de forma equivocada — que o apóstolo estaria equiparando a lei ao pecado.
Por isso, Paulo responde de forma incisiva: a lei não é pecado, refutando qualquer conclusão que contrarie a verdade do evangelho. Ele ensinou que os cristãos não devem se submeter à lei como meio de justificação, mas jamais afirmou que a lei, em si mesma, seja pecaminosa.
Esse ponto revela um princípio fundamental para a interpretação das Escrituras: não se deve concluir aquilo que o texto não afirma de modo explícito e categórico. É necessário distinguir corretamente entre argumentação, asserção e conclusão.
Este deve ser um dos cuidados fundamentais de quem interpreta as Escrituras: não extrair, por conta própria, conclusões que o texto não afirmou de modo explícito e categórico. Para isso, é indispensável distinguir corretamente argumentação, asserção, premissa e conclusão.
A argumentação é construída por meio de premissas e de um encadeamento lógico. Entretanto, nem as premissas nem a própria argumentação podem, por si mesmas, ser confundidas com uma asserção. A asserção é uma afirmação posta diretamente pelo autor; já a argumentação é o desenvolvimento racional construído a partir de afirmações e relações lógicas.
Do mesmo modo, a conclusão não se confunde com a asserção, embora dela possa derivar ou com ela se articular. Isso ocorre porque as premissas empregadas numa argumentação que conduz a determinada conclusão, em geral, procedem de asserções previamente estabelecidas. Considere-se o seguinte exemplo:
- Asserção: “Nós, que estamos mortos…” (Romanos 6:2);
- Argumentação: “…como viveremos ainda nele?” (Romanos 6:2);
- Conclusão: “Pois o pecado não terá domínio sobre vós…” (Romanos 6:14);
- Premissas: “…porque não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça” (Romanos 6:14).
Observe-se que as duas condições apresentadas em Romanos 6:14b são mutuamente excludentes. Quem está debaixo da graça não está debaixo da lei; e quem está debaixo da lei não está debaixo da graça.
A partir deste ponto, o leitor deve permanecer atento a essas distinções, sabendo discernir com precisão o que, no texto, constitui argumento, premissa, asserção e conclusão.
Ao questionar seus interlocutores acerca da lei — “É a lei pecado?” — Paulo já espera uma resposta enfática: “De modo nenhum!” Em seguida, apresenta argumentos que desfazem qualquer construção judaizante que vincule a lei ao pecado (Romanos 7:7b-11), conduzindo o leitor à conclusão que ele mesmo estabelece:
“Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom” (Romanos 7:12).
Analisaremos, portanto, os versículos 7b a 11 de Romanos 7, para chegarmos à mesma conclusão apresentada por Paulo: a lei é santa, e o mandamento também é santo, justo e bom (Romanos 7:12). Qualquer conclusão que destoe daquela estabelecida pelo apóstolo no versículo 12 evidencia falha interpretativa por parte do intérprete.
Para alcançar essa conclusão, é necessário examinar cuidadosamente os cinco versículos de Romanos 7:7-11, bem como algumas questões pertinentes à linguagem.
Figuras de linguagem
Durante a leitura da epístola aos Romanos, percebe-se que o apóstolo Paulo emprega recursos linguísticos — isto é, figuras de linguagem — ao tratar do evangelho de Cristo. Observe:
- “… para a obediência da fé entre todos os gentios…” (Romanos 1:5);
- “… porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé” (Romanos 1:8);
- “… para que juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, assim vossa como minha” (Romanos 1:12).
Nesses casos, é possível identificar um recurso semântico – metonímia – em que o termo “fé” é utilizado em estreita relação com o conteúdo do evangelho. Trata-se de uma forma de substituição ou associação de sentido, na qual a “fé” pode representar, por extensão, a mensagem crida — isto é, o evangelho proclamado e recebido.
Assim, o evangelho foi anunciado aos gentios para produzir obediência; da mesma forma, aquilo que era divulgado “em todo o mundo” não era apenas uma disposição subjetiva, mas a fé enquanto realidade confessada — isto é, o conteúdo do evangelho acolhido. Igualmente, Paulo e os cristãos seriam mutuamente consolados por essa fé comum, que tem como fundamento a mesma mensagem do evangelho.
Percebe-se, portanto, que, para evitar repetições excessivas e conferir fluidez ao texto, Paulo utiliza recursos estilísticos próprios da linguagem, substituindo ou associando termos semanticamente próximos.
Uma vez reconhecido esse tipo de recurso, torna-se necessário examinar com atenção toda a epístola, pois determinadas figuras de linguagem ou escolhas estilísticas podem influenciar diretamente a interpretação do texto.
Consideremos, então, a seguinte afirmação:
“Bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade…” (Romanos 2:2).
O apóstolo parte de um conhecimento compartilhado com seus leitores — eles “bem sabem” do que está sendo afirmado. No entanto, à luz do contexto mais amplo, é possível relacionar o termo “verdade” com a revelação do evangelho, conforme se observa adiante:
“…no dia em que Deus julgar os segredos dos homens, por meio de Jesus Cristo, segundo o meu evangelho” (Romanos 2:16).
Dessa forma, há uma proximidade conceitual entre “verdade” e “evangelho”, uma vez que o evangelho é a manifestação da verdade de Deus revelada em Cristo.
Contudo, é importante observar que essa relação não implica uma simples substituição mecânica entre os termos, mas uma convergência de sentido dentro do argumento paulino.
Assim, quando Paulo afirma que o juízo de Deus é “segundo a verdade”, ele indica que esse juízo está em conformidade com a realidade revelada por Deus — realidade esta plenamente manifestada no evangelho.
Além disso, o apóstolo aponta para um dia futuro em que esse juízo será plenamente manifestado (Romanos 2:5), quando Deus julgará os segredos dos homens por meio de Jesus Cristo (Romanos 2:16).
Por outro lado, em Romanos 5, Paulo demonstra que o juízo teve sua origem histórica na ofensa de Adão:
“O juízo veio de uma só ofensa…” (Romanos 5:16);
“…por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens…” (Romanos 5:18).
Dessa forma, pode-se compreender uma distinção entre:
o estabelecimento do juízo na história da humanidade (em Adão);
e a sua manifestação plena e final, quando Deus julgará todas as coisas.
Assim, ao observar o uso de termos como “fé”, “verdade” e “evangelho”, percebe-se que Paulo, por meio de recursos linguísticos e teológicos, constrói uma rede de significados interligados. Tais termos não são meramente intercambiáveis, mas participam de um mesmo campo semântico, exigindo do intérprete atenção cuidadosa para não reduzir ou distorcer o sentido do texto.
A relação entre Pecado, Lei e “eu”
“Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás. Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, operou em mim toda a concupiscência; porquanto sem a lei estava morto o pecado” (Romanos 7:7 – 8).
Para compreender a declaração do apóstolo — “Mas eu não conheci o pecado senão pela lei” — é necessário considerar alguns pontos fundamentais:
- de qual lei Paulo está falando;
- o que ele entende por pecado;
- o sentido do verbo “conhecer”;
- e, por fim, a quem se refere o “eu” presente na afirmação.
A primeira menção explícita à “lei” na epístola aos Romanos ocorre em Romanos 2:12:
“Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados.”
Ainda que esse versículo já tenha sido analisado anteriormente, convém aprofundar sua compreensão.
A partir de Romanos 2:12, é possível inferir que aqueles que pecaram “sob a lei” referem-se aos judeus, enquanto os que pecaram “sem lei” dizem respeito aos gentios. Isso indica que, neste verso, Paulo está tratando especificamente da lei mosaica, uma vez que, historicamente, os gentios não a receberam.
Entretanto, o fato de os gentios não possuírem a lei não os isentava da condenação; da mesma forma, o fato de os judeus possuírem a lei não os livrava do juízo. Em outras palavras, todos pecaram e todos estavam sob condenação, não em razão da transgressão específica da lei mosaica, mas por causa da condição herdada da humanidade – morte -, conforme Paulo desenvolve em Romanos 3:9 e 5:12.
Isso demonstra que a sujeição da humanidade ao pecado não decorre da transgressão da lei de Moisés. Os gentios não receberam essa lei e, ainda assim, estavam sob o pecado. Do mesmo modo, não foi a transgressão da lei por parte de Israel que originou essa condição, visto que a própria lei foi dada em função das transgressões, com o propósito de evidenciá-las.
Assim, a lei não é a causa do pecado, mas o meio pelo qual o pecado é revelado, tornando-se conhecido e manifesto àqueles que estão debaixo da lei (Romanos 3:19).
Com o advento da lei, a jactância dos judeus é eliminada, pois toda boca é fechada diante de Deus. A própria lei evidencia que nenhuma carne — e os judeus não são exceção — será justificada pelas obras da lei.
“Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.” (Romanos 3:19-20).
Adão perdeu a comunhão com o Criador quando desobedeceu à ordenança divina que lhe fora dada no Éden. Por causa dessa ofensa, o pecado alcançou toda a humanidade, de modo que tanto gentios quanto judeus ficaram alienados da glória de Deus. Assim, todos pecaram, não em razão da lei de Moisés, mas em decorrência da desobediência original, pois a morte passou a todos os homens.
Desse modo, tanto os que estavam sob a lei de Moisés quanto os gentios — que não a possuíam — pecaram. Isso evidencia que o pecado não tem sua origem na lei mosaica, mas na transgressão de Adão, cujo domínio se estendeu a todos os homens.
A partir dessa análise, é possível perceber que Paulo faz referência, em sua argumentação, a duas dimensões da lei:
- a lei de Moisés, historicamente dada a Israel;
- e o mandamento divino expressa no Éden, cuja transgressão trouxe a penalidade: “certamente morrerás”.
Dessa última decorre a condição universal de morte. O homem, ao pecar em Adão, passou a estar sob o domínio da morte, ainda que não tivesse plena consciência dessa realidade. Em outras palavras, a humanidade passou a “conhecer” a morte no sentido de estar sujeita a ela, mesmo antes de compreendê-la plenamente.
Nesse contexto, é importante distinguir: a condição universal do pecado — proveniente de Adão — é geralmente descrita por Paulo em termos coletivos, como “homem” ou “velho homem”, indicando a situação comum a toda a humanidade, destituída da glória de Deus.
Entretanto, quando Paulo afirma: “eu não conheci o pecado senão pela lei” (Romanos 7:7), o uso do “eu” não parece referir-se diretamente à humanidade em Adão, mas assume uma função representativa. Trata-se de um “eu” que personifica a persepção que a nação de Israel sob a lei deveria ter.
Essa leitura se harmoniza com o fato de que Paulo era “hebreu de hebreus” (Filipenses 3:5) e, portanto, utiliza sua própria identidade como recurso retórico para representar a experiência do povo judeu. Assim, o “eu” expressa a realidade de Israel que, ao receber a lei, deveria reconhecer a condição de pecadores de forma mais clara e objetiva.
Desse modo, a lei de Moisés não produziu o pecado, mas veio revelar que a impossibilidade de se sujeitavam a lei de Deus decorria da servidão ao pecado. Por meio dela, os judeus tinha os elementos necessários para compreender que eram transgressores e que, portanto, estavam igualmente sujeitos ao pecado, assim como os demais homens.
A lei foi dada justamente por causa das transgressões, confirmando o testemunho dos profetas — incluindo os Salmos —, como o próprio Paulo demonstra ao citar diversas passagens em Romanos 3:10-18, evidenciando que não há justo, nem sequer um, e a nação de Israel não era excessão a regra.
O que é pecado?
Se uma das definições de pecado é a transgressão da lei (1 João 3:4), como explicar que haja pecado mesmo onde não há lei, conforme Romanos 2:14? Afinal, qual lei, uma vez transgredida, constitui pecado: a lei de Moisés ou o mandamento dado no Éden?
O apóstolo Paulo afirma categoricamente que a lei não é pecado (Romanos 7:7). Ao mesmo tempo, declara que os gentios pecaram mesmo sem estarem sob a lei (Romanos 2:12). Essas afirmações indicam que o pecado não tem sua origem na lei de Moisés, mas antecede a sua promulgação.
Assim, é necessário compreender que a lei mosaica não cria o pecado, mas o revela. E, como tudo o que a lei diz, o diz aos que estão debaixo da lei, segue-se que tal revelação, de modo especial, alcança os filhos de Jacó. O pecado já estava presente na humanidade antes da lei, conforme demonstrado por Paulo ao afirmar que todos pecaram (Romanos 3:9) e que a morte passou a todos os homens (Romanos 5:12). Contudo, os filhos de Israel, por descenderem de Abraão e por possuírem a lei, os profetas e o culto, consideravam-se uma exceção.
A definição de pecado frequentemente citada provém de 1 João 3:4:
“Todo aquele que comete pecado também transgride a lei, porque o pecado é a transgressão da lei.”
Entretanto, essa tradução levanta uma questão: como os gentios poderiam pecar, se não estavam sob a lei mosaica?
Ao observar o contexto das cartas de João, percebe-se que o termo mais recorrente é “mandamento”, e não “lei”. Além disso, algumas traduções vertem 1 João 3:4 de forma distinta:
“Todo aquele que comete pecado também pratica a iniquidade; porque o pecado é iniquidade.”
Essa variação revela um ponto importante: o termo traduzido como “transgressão da lei” pode também ser compreendido como iniquidade, isto é, uma condição de desordem moral ou oposição à vontade de Deus.
Dessa forma, o pecado não deve ser reduzido exclusivamente à transgressão da lei mosaica. Antes, trata-se de uma realidade mais profunda, ligada à condição humana caída, que se manifesta tanto na ausência da lei quanto sob a presença dela.
Essa realidade é desvelada por Cristo ao afirmar aos judeus que criam nele:
“Todo aquele que comete pecado é servo do pecado” (João 8:34).
A dimensão mais profunda do pecado, portanto, está ligada à própria condição humana: aqueles que são servos do pecado praticam a iniquidade, isto é, vivem em um estado de desordem moral e de oposição à vontade de Deus. Esse estado é evidenciado pela lei mosaica, que o torna manifesto ao revelar a servidão ao pecado. Tanto que a lei não foi feita para o justo, mas para o injusto (1 Timóteo 1:9); e, se o indivíduo tropeçar em um só ponto, torna-se transgressor de toda a lei (Tiago 2:10).
Assim, o estado de desordem moral não é meramente ocasional, mas expressão de uma condição permanente de sujeição, demonstrando que o homem não apenas peca, mas encontra-se sob o domínio do pecado. Assim, a lei não define a existência do pecado, mas o torna evidente. Ela expõe a condição da nação, evidenciando-a como cobiçosa, idólatra, prostituta, tentadora de Deus, murmuradora, entre outras práticas semelhantes (1 Coríntios 10:6-10; 1 Timóteo 1:9-10).
Inferimos de Romanos 2:12 que é plenamente possível pecar mesmo sem a lei. Muito antes da lei de Moisés, a morte já reinava sobre todos os homens (Romanos 5:13). De Adão até Moisés, a morte exerceu domínio, o que indica que todos pecaram (Romanos 5:14). Assim, evidencia-se que o pecado opera independentemente da lei mosaica e alcança até mesmo aqueles que descendem da carne de Abraão.
Mas como isso ocorre? O apóstolo Paulo afirma que, por meio de um só homem, veio o juízo sobre todos (Romanos 5:18). Logo, se um só pecou e todos pecaram, segue-se que o pecado que subjugou a humanidade não decorre da transgressão da lei de Moisés. Após a desobediência de Adão, Deus não instituiu imediatamente um corpo legal semelhante ao mosaico; ainda assim, todos morreram, o que demonstra que todos estavam sob o pecado.
Assim, o homem não peca primariamente porque transgride a lei de Moisés; antes, ele transgride porque é escravo do pecado.
Resta, então, a pergunta: o que é pecado?
O pecado diz respeito à condição da criatura quando separada do Criador. Trata-se de um estado: estar destituído da glória de Deus (Romanos 3:23), isto é, morto para Deus.
Se o pecado fosse apenas a transgressão da lei de Moisés (cf. 1 João 3:4, em certas traduções), não se poderia afirmar que o homem é concebido em pecado, como declara o salmista: “em pecado me concebeu minha mãe” (Salmo 51:5). Isso indica que o pecado é anterior à prática consciente de mandamentos e revela uma condição inerente à natureza humana.
As Escrituras demonstram que um homem transgrediu e, nele, todos transgrediram. Assim, todos vêm ao mundo separados de Deus, destituídos da sua glória, por serem descendentes de Adão.
O que toda a humanidade passou a compartilhar após a ofensa de Adão? A mesma condenação.
Nesse contexto, é necessário cuidado ao interpretar Romanos 7. Quando Paulo afirma que o “eu” conheceu o pecado, não está descrevendo a origem do pecado — que remonta a Adão —, mas a sua compreensão por meio do evangelho de qual era o papel da lei. O “eu” não surge da ofensa de Adão, mas representa aquele que, estando sob a lei (isto é, Israel), deveria reconhecer o pecado de modo mais claro.
Enquanto muitos judeus entendiam que o pecado estava vinculado à ausência da lei ou ao não compartilhamento da descendência de Abraão, as Escrituras mostram que a condição pecaminosa é universal. O salmista evidencia que até mesmo os judeus são transgressores diante de Deus, pois transgridem sem causa aparente, algo que lhes é próprio desde o nascimento (cf. Salmo 25:3; 58:3).
Considerando que Paulo se dirige, em grande parte, a cristãos de origem judaica, seu argumento visa desfazer a confiança na lei como meio de justificação. Ele procura dissuadir aqueles que permaneciam apegados à lei, como se ela fosse essencial para serem justificados (cf. Gálatas 5:4).
A concepção humana tende a associar justiça à lei, como se a lei fosse essencial à justiça. Contudo, a justiça de Deus não se fundamenta em sistemas legais, mas no seu próprio poder.
Como Deus perdoa pecados? Não com base em um código legal, mas em seu poder. Ao curar o paralítico, Jesus demonstrou isso ao afirmar:
“O Filho do Homem tem na terra poder para perdoar pecados” (Marcos 2:10).
Esse poder não indica apenas autoridade, mas um poder criador eficaz para restaurar o homem. Por isso, João afirma:
“… a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus” (João 1:12).
Assim, a justiça de Deus se estabelece por meio do seu poder criador, que gera um novo homem em Cristo, após a crucificação, morte e sepultamento do velho homem.
Desse modo, somente aqueles que nascem de novo — da semente incorruptível, que é a palavra de Deus — participam dessa nova condição.
As leis humanas operam por meio de sanções e punições, sendo acionadas quando há transgressão. Contudo, mesmo quando aplicadas, não restauram plenamente o dano; possuem, em grande parte, caráter punitivo.
Já a justiça de Deus apresenta características distintas:
- Não é tardia, pois se manifesta desde a condição humana;
- Alcança todos os homens, sem distinção;
- Não depende de sistemas legais humanos, mas da natureza do homem diante de Deus;
- Todos os gerados segundo Adão estão sob condenação;
- Somente os gerados segundo Cristo — o último Adão — estão livres de condenação;
- Não se fundamenta em mérito ou comportamento, mas na natureza;
- É perfeita e reta, não sujeita às limitações das relações humanas.
O evangelho, portanto, é o poder de Deus que gera homens espirituais, estabelecendo a justiça divina (Romanos 3:21; 4:25). Por isso, é descrito como semente incorruptível: por meio dela, os homens tornam-se “árvores de justiça”, plantação do Senhor.
As árvores plantadas por Deus produzem bons frutos; as que Ele não plantou produzem maus frutos (cf. Mateus 15:13). Assim, o homem gerado em Adão não pode ser aceito por Deus em sua condição natural, nem por suas obras. Por outro lado, aqueles que são gerados de Deus não são rejeitados, nem as suas obras.
Operou em mim
O uso do “eu” em Paulo não é uniforme. O apóstolo dos gentios recorre, em diversos momentos, ao chamado “eu retórico” (ou “eu representativo”), isto é, à utilização da primeira pessoa com função didática, representativa ou argumentativa, e não meramente autobiográfica.
Um dos exemplos mais relevantes encontra-se em Romanos 7:7–25, considerado o caso clássico. Nesse trecho, o apóstolo afirma: “eu não conheci o pecado senão pela lei…” (Romanos 7:7). Aqui, o “eu” não deve ser compreendido necessariamente como uma experiência puramente individual, mas como uma construção representativa — especialmente da experiência de Israel sob a lei.
Outro exemplo significativo ocorre em Romanos 3:7, onde Paulo emprega um “eu” hipotético com a finalidade de refutar objeções:
“Mas, se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus…”.
Trata-se de um recurso típico da diatribe, isto é, de um argumento desenvolvido com um interlocutor implícito.
No contexto, Paulo discute a vantagem do judeu — que consiste em ter sido depositário das palavras de Deus (Romanos 3:1-2). Contudo, a incredulidade de alguns não anula a fidelidade divina; antes, evidencia a justiça de Deus (Romanos 3:3-5). Ao recorrer ao Salmo citado em Romanos 3:4, que afirma que “todo homem é mentiroso”, o apóstolo evidencia a condição universal — inclusive a do judeu.
Assim, ao utilizar o “eu” associado à “mentira”, Paulo constrói uma figura representativa que expõe a condição humana em contraste com a veracidade de Deus. Essa dimensão coletiva torna-se ainda mais explícita quando ele transita para a primeira pessoa do plural: “Somos nós mais excelentes?” (Romanos 3:9), indicando que o argumento ultrapassa o indivíduo e alcança a totalidade — especialmente Israel.
Em Romanos 9:3, por outro lado, Paulo faz uma referência mais diretamente pessoal: “eu mesmo”. Nesse caso, não se trata de um “eu” retórico, mas de uma expressão autobiográfica. Como alguém que agora está em Cristo e é apóstolo dos gentios, ele declara que poderia desejar ser separado de Cristo em favor de seus compatriotas, evidenciando o vínculo que possuía com Israel antes de sua conversão. Esse uso é semelhante ao que ocorre em Filipenses 3 e em 2 Coríntios 11–12, onde o apóstolo recorre à sua própria trajetória como recurso teológico.
Em Romanos 11:13, Paulo utiliza o “eu” em sentido representativo, ao falar como apóstolo dos gentios, assumindo uma posição institucional e funcional diante de seus leitores.
Ao escrever aos coríntios, o apóstolo também faz uso do “eu” em sentido hipotético e pedagógico. Em 1 Coríntios 13:1–3, ele constrói exemplos em primeira pessoa para ensinar sobre o amor. Anteriormente, em 1 Coríntios 4:6, ele já havia utilizado a si mesmo e a Apolo como figuras exemplares, com finalidade didática, a fim de tratar das divisões na igreja.
O uso do “eu” com função representativa também aparece em textos como Gálatas 2:18–20 e 1 Coríntios 10:29–30, onde o apóstolo expressa, em primeira pessoa, realidades que dizem respeito à posição de todos os cristãos em Cristo.
Por fim, em 1 Coríntios 6:12, o “eu” pode assumir uma função citacional, refletindo um slogan ou pensamento corrente, que Paulo incorpora ao discurso para, em seguida, qualificá-lo ou corrigi-lo.
O “eu” que Paulo apresenta em relação à lei e ao pecado refere-se ao seu “eu” enquanto judeu, isto é, à condição daquele que ainda não está sob o abrigo do evangelho. Trata-se de alguém que, confiando em sua descendência, encontrava-se impossibilitado de reconhecer plenamente a sua condição de pecador, por ter Abraão como pai.
Essa questão era central no pensamento judaico da época. Muitos não se consideravam escravos de ninguém, justamente por se identificarem como descendentes de Abraão e, consequentemente, como pertencentes a Deus. Como afirmaram a Jesus:
“Nunca fomos escravos de ninguém” (João 8:33),
e ainda:
“Temos um só Pai, que é Deus” (João 8:41).
Um judeu religioso jamai se consideraria pecador, ou necessitado de salvação por causa da sua descendencia, dái a necesidade da lei, que trouxe o conhecimentodo pecado; mas, a lei não trouxe abertamente conhecimento acerca da condição do judeu como pecadores , antes ao sublinar comportamentos como a concupsciencia como proibidos, possibilitou conhecer a condição deles, pois quem cobiça é escravo do pecado (Romanos 7:7).
Dentro dessa perspectiva, um filho de Deus não se veria como alguém necessitado de libertação, muito menos como pecador. A autopercepção religiosa, fundamentada na linhagem abraâmica, funcionava como um obstáculo ao reconhecimento da própria condição espiritual.
Assim, um judeu religioso dificilmente se consideraria pecador ou necessitado de salvação com base em sua descendência. Daí a importância da lei: ela trouxe o conhecimento do pecado. Contudo, esse conhecimento não se deu de forma meramente declarativa quanto à condição do judeu como pecador; antes, a lei evidenciou essa realidade ao sublinhar comportamentos — como a concupiscência — como proibidos.
Desse modo, ao proibir a cobiça, a lei tornou manifesta a condição interior do homem. Como afirma Paulo:
“Mas eu não conheci a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás” (Romanos 7:7).
Assim, a lei não apenas regula comportamentos, mas revela a escravidão ao pecado, pois aquele que cobiça demonstra estar sujeito ao seu domínio. A lei, por si mesma, apenas ordenava: “não cobiçarás”; contudo, o pecado, aproveitando-se do mandamento, encontrou ocasião e produziu toda sorte de concupiscência.
Desse modo, aquilo que era proibido pela lei tornou-se evidência da condição interior dos filhos de Israel. Assim, a experiência de Israel revela-se exemplar, sendo frequentemente associada à cobiça nas Escrituras:
“Mas deixaram-se levar à cobiça no deserto, e tentaram a Deus na solidão.” (Salmos 106:14);
“E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.” (1 Coríntios 10:6).
Portanto, a lei não gerou a cobiça, mas a expôs, evidenciando que o pecado já operava no interior do homem, manifestando-se por meio da transgressão.
Entretanto, sem a lei, os judeus não teriam como adquirir conhecimento do pecado; isto é, para eles, o pecado permanecia como que inerte — não inexistente, mas não plenamente manifestado (Romanos 7:8).
Quem viveu sem lei?
“E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri. E o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte. Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou, e por ele me matou. E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.” (Romanos 7:9-12).
Novamente o apóstolo faz uso do pronome pessoal na primeira pessoa: “eu”, ao afirmar que, em determinado momento, não tinha relação com a lei. Esse “eu” possui sentido hipotético, pedagógico e representativo da comunidade dos filhos de Israel, diferentemente do “eu” autobiográfico que o apóstolo apresenta ao escrever aos filipenses, quando descreve sua própria condição como alguém “hebreu de hebreus”, “quanto à lei, fariseu” (Filipenses 3:5). Isso demonstra que Paulo, pessoalmente, jamais viveu fora da esfera da lei.
Assim, o “viver sem lei” não pode ser entendido como experiência individual do apóstolo, mas como referência histórica. Trata-se da existência de Israel antes da promulgação da lei mosaica. Nesse sentido, “viver sem lei” significa estar no mundo sem a revelação formal do mandamento mosaico que confere consciência do pecado.
Embora não houvesse uma lei formal, isso não implica ausência absoluta de vida ou de relação com Deus. A própria Escritura demonstra que vários homens, antes mesmo de Abraão, viveram em relação com Deus. Além disso, acerca de Abraão é dito que ele guardou os mandamentos divinos:
“Abraão obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos e as minhas leis” (Gênesis 26:5).
Desse modo, a expressão “viver sem lei” não indica ausência de revelação divina, mas ausência da lei mosaica como código formal que trouxe conhecimento mais claro e objetivo do pecado.
Esse período “sem lei” corresponde ao intervalo entre a promessa feita ao patriarca Abraão e a entrega da lei no Sinai. A própria Escritura indica que esse intervalo foi de aproximadamente quatrocentos e trinta anos (Gálatas 3:17; Êxodo 12:40-41), abrangendo desde a promessa a Abraão, passando pela permanência no Egito, até a peregrinação no deserto, quando a lei foi dada.
Desse modo, Paulo nunca viveu pessoalmente sem lei. Segue-se que o “eu” ao qual ele se refere diz respeito à experiência histórica dos filhos de Israel, que existiram, por um período, sem a lei mosaica. A verdadeira vida, porém, dependia de tudo o que procede da boca de Deus, conforme ensinado posteriormente:
“nem só de pão viverá o homem, mas de tudo o que procede da boca do Senhor” (Deuteronômio 8:3).
Considerando ainda o mandamento dado no Éden, apenas um homem viveu diretamente sob esse mandamento inicial, que lhe concedia liberdade e garantia de vida. Em certo sentido, toda a humanidade “viveu” potencialmente em Adão, conforme a condição em que foi criado. Contudo, em razão da ofensa, a morte alcançou todos os homens (Romanos 5:12).
Assim, o “eu” utilizado por Paulo não representa a totalidade da humanidade em Adão, pois, nesse contexto, todos estavam sob o mandamento: “De toda árvore do jardim comerás livremente…”.
Antes, o “eu” funciona como figura representativa de Israel, especialmente no período histórico anterior à lei mosaica, cuja experiência serve de base para o argumento do apóstolo acerca do conhecimento do pecado.
Entretanto, com o advento da lei dada por Moisés, vieram os mandamentos (ἐντολή) impostos pela lei (νόμος), os quais conferiram vigor (ἀναζάω) aos atos pecaminosos (ἁμαρτία), enquanto o “eu” acabou por definhar ou morrer (ἀποθνῄσκω). No verso, o verbo ἀνέζησεν (reviveu) denota tornar-se ativo, manifesto.
Desde a queda, o pecado, enquanto senhor, nunca teve seu domínio diminuído, pois o reinado da morte permaneceu inalterado. O que estava reduzido não era o poder do pecado, mas a percepção da condição de sujeição a ele por parte dos filhos de Israel, que, por compartilharem da descendência de Abraão, julgavam-se em posição privilegiada.
Assim, os atos pecaminosos evidenciados pela lei trouxeram à luz essa condição, fazendo com que o pecado, já dominante, se tornasse mais claramente manifesto. Desse modo, a lei não fortaleceu o senhorio do pecado em si, mas intensificou a sua evidência, revelando que aqueles que se julgavam justos também estavam sob o seu domínio.
Ao abordar a lei mosaica, Paulo trata de ações concretas contrárias ao mandamento, evidenciando que o homem que leva o nome de judeu também é servo do pecado. A lei, ao proibir, torna manifesto aquilo que já operava interiormente, revelando a sujeição do indivíduo ao pecado.
O vigor adquirido pelo pecado (ἁμαρτία), nesse contexto, não se refere ao senhorio universal do pecado decorrente da ofensa de Adão, mas à manifestação das iniquidades que evidenciam a sujeição pessoal do indivíduo ao pecado. Assim, o mandamento não cria o pecado, mas lhe dá ocasião para se tornar ativo e reconhecível, demonstrando que aquele que estava sob a lei também se encontrava sob o domínio do pecado.
O mandamento foi ordenado aos filhos de Israel para que, por meio dele, pudessem alcançar vida – apenas sob condição de obediência perfeita – , visto que não eram justos diante de Deus (Deuteronômio 9:4-5). Por isso, a obediência aos mandamentos lhes seria considerada justiça:
“E será para nós justiça, quando tivermos cuidado de cumprir todos estes mandamentos…” (Deuteronômio 6:25).
Se não eram justos, não possuíam vida; daí a razão de Deus lhes declarar:
“Portanto, os meus estatutos e os meus juízos guardareis; os quais, observando-os o homem, viverá por eles. Eu sou o SENHOR.” (Levítico 18:5).
Contudo, para o “eu” mencionado por Paulo, esse mesmo mandamento evidenciou-se como morte. O apóstolo faz essa afirmação a partir da perspectiva do “eu”, não como descrição uniforme da experiência consciente de todos os judeus, mas como a compreensão obtida à luz do evangelho.
Assim, aquilo que fora ordenado para vida foi achado como sendo para morte, pois o mandamento estava vinculado à exigência absoluta de obediência. Aquele que se colocasse sob a lei deveria permanecer em tudo o que nela estava escrito. Como ninguém a cumpria plenamente, o resultado era a condenação.
Como afirma Paulo:
“Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las.” (Gálatas 3:10).
Dessa forma, o mandamento que prometia vida acabou revelando morte, não porque a lei fosse má, mas porque evidenciava a incapacidade do homem. Assim, o “eu” descobre que aquilo que parecia caminho de vida, na realidade, demonstrava sua sujeição à morte.
O pecado que tomou ocasião pelo mandamento refere-se às transgressões, envolvendo a concupiscência e as iniquidades. Não se trata aqui do pecado considerado em seu domínio universal por meio da morte, como senhor que escraviza, mas da manifestação concreta desse domínio por meio dos atos que a lei passou a evidenciar.
Assim, por meio das proibições da lei, o “eu” é fisgado — isto é, enganado — e acaba morto. O mandamento, ao proibir, não cria o pecado, mas oferece ocasião para que ele se manifeste, revelando a incapacidade do indivíduo e a sua sujeição ao domínio do pecado.
Conclusão
O pecado que tomou ocasião pelo mandamento refere-se às transgressões que se manifestam na concupiscência e nas iniquidades. Não se trata do pecado em seu domínio universal, decorrente da queda em Adão, mas da manifestação concreta desse domínio na experiência daquele que está sob a lei. Assim, o mandamento não cria o pecado, mas lhe oferece ocasião para se manifestar. Ao proibir, a lei evidencia a incapacidade do homem e revela que aquele que se julgava vivo encontra-se, na verdade, sob o domínio da morte. Desse modo, o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, engana o “eu” e, por meio dele, o mata, não porque a lei seja má, mas porque expõe a sujeição do homem ao pecado.
É por isso que Paulo conclui: “Assim, a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom” (Romanos 7:12). O mesmo princípio já havia sido apresentado quando o apóstolo argumenta: “se a nossa injustiça realça a justiça de Deus” e “se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus” (Romanos 3:5,7). Ainda que a injustiça humana evidencie a justiça divina, isso não torna o pecado legítimo; antes, confirma que a condenação daquele que pratica ofensas é justa.
