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Só era possível a um descendente homem de Ló preservar a linhagem do pai, mesmo se a mulher fosse estrangeira, pois quem gera filhos são os homens, o que torna possível a continuidade da linguagem. Somente aos homens cabia resgatar uma mulher, pela lei do levirato.


As filhas de Ló

Introdução

Ao analisar a passagem bíblica que faz alusão às duas filhas de Ló, invariavelmente, o leitor fará um julgamento. Se o julgamento é inevitável, sigamos a recomendação de Cristo:

“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça” (Jo 7:24).

No caso das filhas de Ló, temos que abrir mão da aparência e julgar o comportamento delas segundo a reta justiça.

 

Três justos

Antes de exterminar os povos de Sodoma e Gomorra, Deus deu aviso a Abraão do que haveria de fazer (Gn 18:17-22). Sabedor de que o juízo de Deus sobre as cidades de Sodoma e Gomorra já estava determinado, Abraão perguntou a Deus se os justos seriam destruídos, juntamente, com os ímpios (Gn 18:23-25).

Abraão perguntou a Deus sobre a possibilidade de existir cinquenta justos na cidade e se Deus pouparia a cidade, em função desses cinquenta justos. Deus respondeu que não destruiria a cidade (Gn 18:26). Como a possibilidade de existir cinquenta justos na cidade era pequena, Abraão conseguiu reduzir o número para dez e Deus foi taxativo:

“Não a destruirei por amor dos dez”.

Como não havia dez pessoas justas em Sodoma e Gomorra, dois mensageiros (anjos) foram enviados à cidade de Sodoma, onde Ló residia com a sua família, após apartarem-se de Abraão.

Os anjos concitaram Ló e sua família a deixarem a cidade, apressadamente, mas, como se demoravam, os anjos pegaram os quatro membros da família pelas mãos e os arrastaram para fora da cidade (Gn 19:16).

Já fora de Sodoma, os anjos ordenaram à família de Ló, que escapassem para o monte, e que não ficassem nas campinas de Sodoma e Gomorra e nem olhassem para trás (Gn 19:17). Ló rogou aos anjos que deixasse sua família escapar para uma cidade pequena, que, posteriormente, recebeu o nome de Zoar.

Quando o sol estava nascendo, desceu fogo e enxofre dos céus e destruiu as cidades de Sodoma e Gomorra, bem como tudo que nelas havia. Naquele momento, a mulher de Ló olhou para trás e foi transformada em uma estátua de sal (Gn 19:26).

Nessa passagem bíblica, fica implícito que Ló, bem como as suas duas filhas, eram justas diante de Deus, porquanto não foram destruídos, juntamente, com Sodoma e Gomorra.

Antes de saírem de Sodoma, Ló concitou os seus genros a deixarem a cidade, mas eles zombaram de Ló, o que demonstra que as filhas de Ló estavam prometidas àqueles homens (Gn 19:8 e 14).

 

As duas filhas de Ló

Com medo de habitarem na cidade de Zoar, Ló, com suas duas filhas, foram morar no monte e se instalaram em uma caverna.

Com o passar do tempo, a filha mais velha de Ló conversou com a filha mais nova e expôs a seguinte problemática:

  1. Nosso pai é velho;
  2. E não havia na terra homem que, segundo o costume, as ‘conhecesse’ (Gn 19:31);

Em seguida a primogênita apresentou uma solução:

  • Embriagar o pai com vinho e se deitarem com ele (Gn 19:32).

Por fim, ela dá o motivo do seu intento:

  • Conservarem a descendência de Ló (Gn 19:32).

Se analisarmos a questão, segundo a concepção do homem da atualidade, o veredicto é rápido e pesado: duas filhas desavergonhadas! Mas, se analisarmos o evento com os olhos do homem daquela época, teremos outro veredicto.

Já é cediço que, na era patriarcal, era desonroso para uma mulher não ter filhos e era até motivo de chacota e disputas. Como exemplo, temos Sara que, sendo estéril, deu a Abraão a sua serva, Agar, para que Sara tivesse filhos, por intermédio da escrava (Gn 16:2-3).

A tristeza e a amargura de uma mulher impossibilitada de dar descendência ao marido eram indescritíveis, como se observa em Ana:

“Não tenhas, pois, a tua serva por filha de Belial; porque, da multidão dos meus cuidados e do meu desgosto, tenho falado até agora” (1 Sm 1:16).

A preocupação das filhas de Ló não era com elas mesmas, pois não havia homens na terra que, como ditava o costume, que entrasse a elas. Os possíveis genros de Ló foram dizimados, por permanecerem em Sodoma, o que testifica que não eram justos.

A filha primogênita de Ló, após considerar que a mãe havia morrido e que o pai não tinha descendente homem, preocupou-se com a descendência de Ló, assim como Tamar preocupou-se em prover descendência ao seu falecido marido, Er, quando ela se deitou com seu sogro Judá.

Hoje anunciamos que Jesus é o ‘Leão da Tribo de Judá’, mas, essa confissão só é possível, em virtude da fé da estrangeira Tamar, que não mediu esforços ao providenciar descendência ao seu marido Er, mesmo que isto pudesse custar a sua vida.

A atitude da estrangeira Tamar foi tão nobre, que o nome dela consta na linhagem de Cristo e dela as Escrituras dão testemunho de  bem-aventurada, por causa da casa de Perez:

“E seja a tua casa como a casa de Perez (que Tamar deu à luz de Judá), pela descendência que o SENHOR te der desta moça” (Rt 4:12);

“E Judá gerou, de Tamar, a Perez e a Zerá; e Perez gerou a Esrom; e Esrom gerou a Arão” (Mt 1:3).

Devemos considerar também, que à época de Ló, as regras sociais de coabitação ainda estavam sendo estabelecidas, sendo certo que Caim e Sete tiveram que se relacionar com as suas irmãs para terem descendência, pois, Adão viveu oitocentos anos, após gerar sete e gerou filhos e filhas (Gn 5:4).

Além das questões próprias aos primórdios da humanidade, quanto à procriação, há outros exemplos na Bíblia de relações incestuosas, como foram os casos de Jacó e suas duas esposas, que eram irmãs (Gn 29:30), e Rubens, que teve relação com a concubina do próprio pai (Gn 35:22), isso sem se falar de Judá e Tamar.

 

O incesto

Devemos recordar que as famílias que surgiram após Adão e Eva, se deram através de relações incestuosas entre membros da família: irmãos se casaram com irmãs, tios se casaram com sobrinhas e vice e versa e primos com primas, etc.

No início, Deus não criou um clã ou, uma comunidade ou, ainda, uma população de indivíduos compostos por homens e mulheres, simplesmente, para evitar relações incestuosas. Adão e Eva não tiveram filhos antes de serem expulsos do Éden e nem havia certa população de indivíduos, fora do jardim, que possibilitasse o convívio dos filhos de Adão e Eva.

A história da humanidade iniciou-se com um casal, que evoluiu para uma família e, daí por diante, formaram-se tribos, cidades, comunidades, etc. As regras sociais, morais e, até mesmo as leis, foram surgindo das relações sociais, ou seja, Deus não impôs regra alguma aos homens, antes os homens estabeleceram leis para si, guiando-se pelo que entendiam ser certo e errado, segundo o conhecimento que adquiriram da árvore do fruto do bem e do mal.

No início da história do homem,  não haviam leis escritas e as regras sociais surgiram, ao longo do tempo, das relações e interações entre os indivíduos. Muitas regras sociais convencionadas pelos homens foram validadas por Deus, como o fato de Deus prover para o casal túnicas de peles, ao perceberem que estavam nus (Gn 3:21).

As relações entre familiares eram funcionais, visando a propagação da espécie e da preservação da descendência. O casamento e as relações sexuais na sociedade contemporânea, fundamenta-se em viés emocional, o que foge do aspecto funcional da época, que era prover descendência ao homem.

Com a evolução das culturas e as convenções morais estabelecidas, a humanidade passou a proibir e a condenar o incesto. Posteriormente, com a Lei dada ao povo de Israel, foi vedada aos hebreus as relações incestuosas (Lv 18:6; Lv 20:12).

No Novo Testamento, o apóstolo Paulo recriminou  um cristão da cidade de Corinto, por ter coabitado com a esposa do seu próprio pai (1 Co 5:1-5).

 

A reta justiça

O apóstolo Paulo, após fazer uma exposição acerca da liberdade dos cristãos e deixar claro que nenhuma coisa é imunda, se não para aquele que a considera imunda (Rm 14:14), fez a seguinte afirmação:

“… e tudo o que não é de fé é pecado” (Rm 14:23).

Ao utilizar o substantivo πίστεως (pisteó), o apóstolo Paulo estava afirmando que tudo o que não é proveniente da verdade, da fidelidade e da lealdade de Deus é pecado. A fé é apresentada como prova (evidência) e não como mera convicção pessoal.

Ora, a palavra de Deus é verdade e fidelidade e por isso mesmo é dito que o evangelho é a palavra da fé ou, a fé que foi dada aos santos.

“Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé que pregamos” (Rm 10:8; Jd 1:3; Fl 1:27).

À época dos patriarcas, a palavra da fé era de que havia de vir ao mundo o Messias, tanto que o patriarca Jó confessou: “Porque eu sei que o meu Redentor vive e que por fim se levantará sobre a terra” (Jó 19:25).

Todos os Santos do Antigo Testamento tinham essa mesma esperança, pois estava previsto que o descendente da mulher feriria a cabeça da serpente (Gn 3:15). Por causa dessa previsão, Sete preservou a sua linhagem e, por fim, gerou Enoque. Enoque, por sua vez, gerou Matusalém, que gerou Lameque, que gerou Noé (Gn 5).

Noé gerou Sem, Cão e Jafé. Sem, por sua vez gerou filhos e filhas, de quem descende o pai Abraão. Em Abraão, fica evidente o quão importante era a linhagem, visto que Sara era estéril e Deus prometeu a Abraão que, em sua descendência, seriam benditas todas as famílias da terra.

Todos que abraçaram a esperança de Abraão viveram por fé e tudo o que fizeram por causa dessa verdade/fidelidade, não é tido por pecado.

A estrangeira Tamar, por confiar na promessa de Deus, se deitou com seu sogro Judá. Este, embora descendente dos patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, não seguiu os costumes dos seus pais e casou o seu filho com a filha de um cananeu: Tamar (Gn 38:37).

Judá não estava preocupado com a promessa feita, por Deus, aos seus pais, mas, sim, em preservar o seu filho caçula. Somente com a intervenção de Tamar é que Judá reconheceu e deu testemunho de que a sua nora era mais justa que ele:

“Mais justa é ela do que eu, porquanto não a tenho dado a Selá meu filho” (Gn 38:26).

Melquisedeque, sacerdote do Deus Altíssimo, contemporâneo de Abraão, demonstra que, à época, Deus não se deixou sem testemunho sobre a terra (Gn 14:19).

Ló era sobrinho de Abraão e foi declarado justo por Deus, visto que foi resgatado de Sodoma (2 Pe 2:8).

As filhas de Ló, por sua vez, eram justas, pois escaparam de Sodoma e, possivelmente, foram informadas de que o Salvador haveria de vir sobre a terra, conforme o anunciado a Adão e Eva, de modo que era imprescindível preservar a linhagem santa, para o cumprimento da profecia.

Sendo justas, as filhas de Ló foram informadas de que a linhagem escolhida por Deus passava por Sete, descendente de Adão, de quem descendeu Noé, linhagem não exterminada pelo diluvio.

Elas também foram informadas de que Noé gerou três filhos, Sem Cão e Jafé e de que a linguagem de Cão foi amaldiçoada, enquanto que a linhagem de Sem, abençoada (Gn 9:25-28).

Por conviver com Abraão, Ló, certamente, sabia que seu avô, Terá, era da linhagem abençoada de Sem, que, por consequência, Abraão e Ló faziam parte dessa linhagem abençoada de Sem, o que, provavelmente, tornou-se conhecido pelas filhas de Ló. (Gn 11:27)

A filha mais velha de Ló, possivelmente, observou que, quando alguém da linhagem escolhida para trazer o Messias ia casar, geralmente procurava alguém de sua própria parentela.

“Mas, que irás à minha terra e à minha parentela e dali tomarás mulher para meu filho Isaque” (Gn 24:4).

Como a filha mais velha viu que Ló, seu pai, sem esposa, já era velho e só tinha elas por filhas, ela considerou que, sem um filho homem, não havia como Ló manter a esperança de ter o Cristo como descendente. Com base nestas considerações, foi que a filha mais velha de Ló concebeu o plano de embebedar o seu próprio pai, para lhe dar descendência.

“Vem, demos de beber vinho a nosso pai e deitemo-nos com ele, para que, em vida, conservemos a descendência de nosso pai(Gn 19:32).

Na proposta da irmã mais velha, o fim justifica o meio: deitemo-nos com ele, para que conservemos a descendência de nosso pai!

Assim, seria correto acusar as duas filhas de Ló de pecadoras? Infamá-las de desavergonhadas?

Portanto, julguemos segundo a reta justiça, ou seja, segundo as Escrituras!

Se o escritor do Livro dos Gênesis se resignou somente em registrar a história, sem emitir juízo de valor, acerca do comportamento das filhas e Ló, e nem fez qualquer alusão às questões de ordem moral; se o narrado não emitiu julgamento, durante a narrativa, e nem opinou como sendo certo ou errado, o que se esperar do leitor? Ora, que tenha a mesma perspicácia do autor do Livro de Gênesis!

Jesus instruiu, dizendo: “Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo” (Jo 8:15) e deu prova do que ensinou, quando encontrou com a mulher samaritana, que, apesar de ter tido cinco maridos, e o que tinha não era dela, enfatizou que, se ela pedisse, Ele não lhe negaria a água viva.

“Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias e ele te daria água viva (Jo 4:10).

O escritor do Livro do Gênesis, após destacar como as filhas conceberam do próprio pai, dando lhe vinho a beber (Gn 19:36), resignou-se a apontar que, de tal relação, surgiram dois povos: os moabitas e os amonitas.

“E a primogênita deu à luz um filho, e chamou-lhe Moabe; este é o pai dos moabitas até ao dia de hoje. E a menor também deu à luz um filho, e chamou-lhe Ben-Ami; este é o pai dos filhos de Amom até o dia de hoje.” (Gn 19:37-38).

Há quem diga, que a origem desses dois povos, por serem gerados de um ato impuro, fez surgirem povos que não prestavam, visto que eles se opuseram a Israel. Isso não é verdade, pois, de Tamar e Raabe, descende o Cristo (Mt 1:3 e 5), sendo esta uma prostituta e aquela se passado por uma.

O escritor do Livro dos Gênesis narrou a origens de diversos povos e, em nenhuma narrativa, sublinhou qualquer deles como impuros ou, como pessoas que não prestavam.

Vale destacar que, por causa da atitude das duas filhas de Ló, vieram à existência duas mulheres: Rute e Orfa, as moabitas que se casaram com os filhos de Noemi (Rt 1:4). Sem as filhas de Ló não existiriam os moabitas e, consequentemente, não existiriam Rute e Orfa.

Se a moabita Rute não viesse à existência, não se casaria com um dos filhos de Noemi, que, por sua vez, não seria resgatada por Boaz e a sua descendência (casa) não seria abençoada, assim como a descendência de Tamar, que gerou de Boaz a Obede, que veio a ser o pai de Jessé, o pai de Davi (Rt 4:18-22).

“E de que, também, tomo por mulher a Rute, a moabita, que foi mulher de Malom, para suscitar o nome do falecido sobre a sua herança, para que o nome do falecido não seja desarraigado dentre seus irmãos e da porta do seu lugar; disto sois hoje testemunhas. E todo o povo que estava na porta e os anciãos, disseram: Somos testemunhas; o SENHOR faça a esta mulher, que entra na tua casa, como a Raquel e como a Lia, que ambas edificaram a casa de Israel; e porta-te valorosamente em Efrata e faze-te nome afamado em Belém. E seja a tua casa como a casa de Perez (que Tamar deu à luz a Judá), pela descendência que o SENHOR te der desta moça” (Rt 4:10-12).

Se não fosse pela coragem das duas filhas de Ló, Roboão, filho de Salomão com uma amonita, de nome Naamá, não nasceria. Se Roboão não viesse à existência, tanto Salomão e Roboão, quanto Abias, não figurariam na linhagem de Cristo.

“E Roboão, filho de Salomão, reinava em Judá; de quarenta e um anos de idade era Roboão, quando começou a reinar, e dezessete anos reinou em Jerusalém, na cidade que o SENHOR escolhera de todas as tribos de Israel, para pôr ali o seu nome; e era o nome de sua mãe Naamá, amonita” (1 Rs 14:31);

“E Salomão gerou a Roboão; Roboão gerou a Abias e Abias gerou a Asa” (Mt 1:7).

Percebe-se que, ao embriagarem o pai, as duas filhas tinham consciência de que Ló não consentiria em ter relações sexuais com as suas filhas. Mas, pelas circunstâncias, a filha primogênita de Ló vislumbrou que aquela era a única maneira de impedir a extinção da linhagem de Ló.

Por que seria extinta a linhagem de Ló? Por dois motivos:

  1. Porque as filhas de Ló eram estrangeiras em terra que não havia ninguém de seu parentesco que pudessem se casar;
  2. Se gerassem de qualquer outro homem daquelas terras, a linhagem não seria de Ló, mas do homem que as fecundasse.

Só era possível a um descendente homem de Ló preservar a linhagem do pai, mesmo se a mulher fosse estrangeira, pois quem gera filhos são os homens, o que torna possível a continuidade da linguagem. Somente aos homens cabia resgatar uma mulher, pela lei do levirato.

“E Salmom gerou, de Raabe, a Boaz; e Boaz gerou, de Rute, a Obede; e Obede gerou a Jessé;” (Mt 1:5).

Em função de tudo o que demonstramos, fica claro o motivo pelo qual não podemos julgar pela aparência o comportamento das filhas de Ló. Se Cristo é da descendência de Abraão e de Davi, foi por causa da fé de mulheres como as filhas de Ló, Tamar, Raabe e Rute, que não se importaram com as suas reputações, mas com a promessa do Messias.

Diante desse quadro, torna-se significativo o fato de Ló e suas duas filhas ficarem com medo de habitarem em Zoar e terem subido para habitar em uma caverna nos montes, local em que os anjos sugeriram, inicialmente, para que fugissem, ao saírem de Sodoma (Gn 19:30).

Se permanecessem em Zoar, possivelmente as filhas de Ló coabitariam com os homens daquela terra e Ló ficaria sem descendência e, por conseguinte, a linhagem de Cristo ficaria comprometida.

Por fim, vale salientar que o incesto não cabe a um cristão, pois, para o cristão, cabe a regra de ouro sublinhada pelo apóstolo Paulo, que condenou o ato do irmão de Corinto, por coabitar com a mulher do seu pai, sendo que, nem entre os gentios tal prática era nomeada (1 Co 5:1):

“Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus” (1 Co 10:32).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

42 thoughts on “As filhas de Ló

  • 26/12/2017 em 04:57
    Permalink

    Creio eu que elas foram faltas de n pedir a Deus essa providecia.se os anjos retirou eles de sodoma e gomorra Deus n iria abandona las.crio que faltou or ate Deus solicitar esse pedido.

    Resposta
  • 13/08/2018 em 21:58
    Permalink

    Comentário coerente e sem sentimentalismo. Parabéns

    Resposta
  • 25/03/2019 em 20:57
    Permalink

    Texto perfeito…penso da mesma maneira. Nao sou dono da verdade e ate posso estar errado mas os fundamentos do meu pensar sobre este assunto sao baseados exatamente nos textos que tambem sao apresentados aqui. Parabens!!

    Resposta
  • 25/06/2019 em 07:56
    Permalink

    Quem somos nós, pra tomar decisões por Deus.

    Resposta
    • 25/06/2019 em 13:06
      Permalink

      Nós não somos nada, e jamais podemos tomar uma decisão por Deus. Entretanto, desde que o homem obedeça as suas ordenanças, vivendo segundo a sua promessa, como é o caso das filhas de Ló, Deus nos recebe por filhos.

      Att.

      Resposta
      • 10/11/2020 em 23:02
        Permalink

        Acredito que as filhas de ló foram inconsequentes e não tiveram a aprovação de Deus.
        No meio desta descendência pecaminosa , alguns escolhem fazer diferente e não importa de onde veio e importa para onde se quer ir.

        Resposta
        • 11/11/2020 em 12:26
          Permalink

          Olá, Marta..

          O que acreditamos não é o mote, mas o que está escrito.. o que elas fizeram, fizeram segundo a promessa de que viria ao mundo o descendente da mulher, assim como fez Tamar ao se deitar com o seu sogro Judá.

          Att.

          Resposta
  • 17/07/2019 em 15:58
    Permalink

    Muito enriquecedor esses estudos,traz uma clareza sobre os temas propostos,muito bem explicado!Deus os abençoe !

    Resposta
  • 20/09/2019 em 18:49
    Permalink

    Artigo muito rico. Tirou as dúvidas e me deu clareza sobre o assunto.

    Resposta
  • 09/10/2019 em 20:35
    Permalink

    ótimo, estava muito confusa.agora entendo,a visão delas!
    Quero saber,se tiveram seus filhos!

    Resposta
      • 12/05/2020 em 22:35
        Permalink

        Ambos, inimigos do povo de Deus. Elas na ansiedade de engravidar para não deixar o nome do pai cair no esquecimento, geraram inimigos do povo de Deus, que triste!

        Resposta
        • 15/05/2020 em 14:38
          Permalink

          Olá Edileusa..

          Segundo esse pensamento, Abraão, o nosso pai na fé acabou por gerar muitos inimigos do povo de Deus, pois dele descendeu os ismaelitas, por causa de Ismael, e e o edomeus, por causa de Esaú.

          “Estas, pois, são as gerações de Esaú, pai dos edomeus, na montanha de Seir.” (Gênesis 36 : 9).

          Se for reprovar as filhas de Ló, terá que reprovar o patriarca Abraão, a quem Deus aprovou.

          Att.

          Resposta
  • 24/11/2019 em 12:29
    Permalink

    Deus escreve certo por linhas tortas
    .
    Tudo que vem de Deus tem um Propósito.
    Muito bem esclarecido neste texto.

    Resposta
  • 14/01/2020 em 01:12
    Permalink

    Gostei muito do artigo, não só me respondeu algumas perguntas como também me ensinou algo mais em outros versículos citado neste artigo.
    Deus vos abençoe

    Resposta
  • 02/02/2020 em 06:32
    Permalink

    Fui ricamente abençoado pelo que li nesse estudo, muito proveitoso. Deus continue iluminando a vida de todos os seus servos.

    Resposta
  • 07/02/2020 em 01:51
    Permalink

    Então posso sentir atração e orgasmos sem me sentir culpa, devo ser descendente de ló

    Resposta
    • 18/02/2020 em 12:08
      Permalink

      Olá.

      O texto não aborda a questão apresentada, porém, atração é próprio da natureza humana, e sentir prazer da mesma forma. A culpa não decorre do que é próprio a natureza humana, e sim, quando descumprimos regras estabelecidas na sociedade. Todos nós segundo a carne somos descendentes de Adão e Eva, o que não é possível afirmar com relação a Ló. A questão abordada no artigo não trata de atração e nem de orgasmo, mas da necessidade de se preservar a linhagem de Ló, segundo a promessa de um redentor que viria ao mundo como o descendente da mulher.

      Respeitando regras sociais estabelecidas, não há culpa em sentir atração por uma outra pessoa, pois o homem foi dotado dessa necessidade básica visado a perpetuação da espécie.

      Att.

      Resposta
  • 21/03/2020 em 13:32
    Permalink

    Muito esclarecedor. É a primeira vez que estou fazendo um estudo bíblico e quando li essa passagem eu fiquei com uma revolta, mas fiz questão de entender os motivo delas. Com essa explicação tudo se encaixa pois no meu senso comum de uma estudante de Direito foi um incesto e um estupro de vulnerável já que o pai estava bêbado. Mas saindo da minha bolha social do século XXI e que antigamente tudo era diferente e elas tinham um propósito de manter a linhagem do pai e não apenas em procriar.

    Obg pela explicação.

    Resposta
  • 25/03/2020 em 00:41
    Permalink

    Deus não precisa de ajuda do homem. Ele mesmo acharia uma pessoa para continua a linhagem.

    Resposta
  • 03/05/2020 em 21:06
    Permalink

    Eu li o texto e fiz igual o irmão citou no início, julguei mesmo. Ainda mais por ser mulher, fiquei abismada. Mas agora consegui entender o contexto temporal e cultural. Parabéns pela excelente explicação. A gente tem mania de querer encaixar a Bíblia no nosso tempo, mas esquecemos que ela é atemporal. Seu texto abriu meus olhos.

    Resposta
  • 16/06/2020 em 08:19
    Permalink

    O texto é muito bom mas quanto a dizer que Adão e Eva não tiveram filhos no Edem tenho minhas resalvas. Deus MULTIPLICOU a dor de Eva no parto como castigo. Logo não se pode entender que ela sentia POUCAS dores e com isso concluir que ela já havia tido parto?

    Resposta
    • 16/06/2020 em 14:15
      Permalink

      Maviael..

      Por dois motivos Eva e Adão não tiveram filhos no Éden..

      Se eles tivessem filhos no Éden, esses não seriam sujeitos ao pecado como foram Caim, Abel, Sete.
      A ideia do termo hebraico רבה 07235 rabah não introduz somente a ideia de multiplicar algo existente, mas também expressa a ideia de algo que pode se tornar grande, algo enorme.

      Att.

      Resposta
  • 15/07/2020 em 02:28
    Permalink

    Muito, atual seu comentário e vou guarda-lo no meu acervo. Pois, bem explicado e com as considerações e contextualização bem aplicadas. Não tinha ainda visto comentario a respeito da LEI DO LEVIRATO.

    Resposta
  • 28/07/2020 em 00:59
    Permalink

    Como assim, Deus não impôs nenhuma regra? O Antigo Testamento está cheio de regras, a começar pelos dez mandamentos

    Resposta
    • 28/07/2020 em 11:25
      Permalink

      Olá, Edson..

      acho que você se referiu a esse trecho do artigo:

      “As regras sociais, morais e, até mesmo as leis, foram surgindo das relações sociais, ou seja, Deus não impôs regra alguma aos homens, antes os homens estabeleceram leis para si, guiando-se pelo que entendiam ser certo e errado, segundo o conhecimento que adquiriram da árvore do fruto do bem e do mal.”

      Cito o apóstolo Paulo na questão dos gentios, pois as regras que você se refere veio muito depois através de Moisés por causa da dura cerviz do povo de Israel:

      “Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados.
      13 Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.
      14 Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei;
      15 Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os;” (Romanos 2.12-15).

      Tanto Ló, quanto Abrão, à época eram incircuncisos, e eles não tinha leis divinas quando saíram de Ur dos Caldeus, mas para si mesmos eram leis, como exemplo temos o Código de Hamurábi.

      Att.

      Resposta
  • 01/08/2020 em 20:17
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    É um texto convincente e consistente, cabe estudar outras opiniões e entender teologicamente. Porém, sabendo que Deus é soberano e se não cabe ao ser humano julgar outro, muito menos a Deus.

    Resposta
  • 12/09/2020 em 21:21
    Permalink

    Deus abençoe por esse estudo maravilhoso,a palavra de Deus trás vida e luz pra alma do ser humano ,Deus venha levantar homens com conhecimento e intendimento da palavra de Deus,como seria maravilhoso si a palavra de Deus fosse encinada nas escolas como o nosso Brasil cresceriam na graça de Deus

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  • 05/10/2020 em 13:26
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    As filhas de lo erraram sim, cometeram pecado sim, o fato de terem sido aprovadas por Deus só demonstra a infinita misericórdia do Senhor, Davi foi adúltero, Abrão também pecou e todos foram aprovados por Deus

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    • 05/10/2020 em 18:51
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      Olá, Cleiton

      Segundo a sua perspectiva, sem supedâneo nas escrituras, tudo é válido.

      Mas, a Bíblia não deve ser vista conforme os nossos parâmetros. Há uma diferença gritante entre o comportamento de Davi e as filhas de Ló.

      Att.

      Resposta
  • 10/10/2020 em 16:43
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    Bem, a despeito do cuidado das 2 filhas de Ló, para possibilitarem que o nome se seu pai não ficasse sem descendentes,

    ainda assim, elas erraram na conclusão de que não haveria homens para fecundá_las _ e os filhos serem considerados de Ló

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    • 10/10/2020 em 23:08
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      Olá, Ivone..

      Elas não erraram. Teria sim homens para fecunda-las, mas não sendo da linhagem de Ló, não seriam descendência de Ló.

      Por isso era aceitável estrangeiras na linhagem, mas nunca homens estrangeiros..

      Temos Tamar, Rute e Raabe, estrangeiras, mas vc não apontará um estrangeiro.

      Reveja alguns conceitos.

      Att.

      Resposta
  • 04/11/2020 em 21:12
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    Interessante a tese do escritor, contudo gostaria de pontuar as seguintes indagações:

    PRIMEIRO: Se a relação incestuosa não era repudiada há época, e isso era comum, PORQUE AS FILHAS DE LÓ TIVERAM QUE EMBEBEDÁ-LO PARA QUE ELE ASSIM TIVESSE RELAÇÕES COM ELAS. Se era algo para o bem de seu Pai e para suscitar sua geração, por certo ele consentiria?

    SEGUNDO: Não vejo base bíblica para dizer que as filhas de Ló eram Justas diante de Deus. Se até a mãe delas olhou para trás e foi convertida em uma estátua de Sal, TUDO INDICA QUE ESTAVA APEGADA A SODOMA E GOMORRA.

    TERCEIRO: Se as filhas de Ló foram salvas por Deus da iminente destruição, Deus não as feriu e nem as abandonou, NÃO TERIA DEUS O PODER DE PREPARAR UM VARÃO PARA QUE ENTRASSE A ELAS E SUSCITASSE A DESCENDÊNCIA DE LÓ ?

    QUARTO: Os filhos gerados pelas filhas de Ló, deram origem aos MOABITAS e AMONITAS, duas nações PAGÃS e IDÓLATRAS, que no decorrer do bíblia podemos ver que trouxeram grandes problemas e adversidade ao Povo de ISRAEL. Vejo que o que começa ERRADO fatalmente vai terminar de forma ERRADA.

    Gostaria de simplesmente pontuar essas questões, mas respeito o seu ponto de vista.

    Pr. Sergio

    Resposta
    • 12/11/2020 em 17:35
      Permalink

      Olá, Sergio..

      PRIMEIRO: não pontuei que o incesto não era repudiado ou comum, mas que os primórdios praticavam, tanto que o crescimento populacional se deu da relação entre irmãos filhos de Adão e Eva; certo é que Ló não entrariam as suas filhas, por isso elas o embebedaram.. mas assim o fizeram para dar descendência ao pai, e não para satisfação pessoal; a consideração: “Se era algo para o bem de seu Pai e para suscitar sua geração, por certo ele consentiria?”, não é um argumento válido, pois ele poderia consentir ou não; entretanto, o comportamento das filhas demonstra que ele não consentiria;

      SEGUNDO: o pecado da mãe não se estende as filhas.. Deus livraria a cidade se tivesse 10 justos.. mas como não tinha, Deus tirou os justos que havia.. Jó e as duas filhas… o fato de terem saído ilesas da cidade é evidencia de que eram justas.

      TERCEIRO: não é uma questão de poder de Deus, mas uma questão de possibilidade.. a semente do varão se propaga através do varão, de um filho, e não por uma filha. Se outros homens entrassem as filhas de Ló a descendência seria deles, e não de Ló; uma mulher estrangeira poderia das filhos aos patriarca, mas filhas dos patriarcas não podiam dar linhagem com homens estrangeiros;

      QUARTO: o que o irmão considerou ‘dar errado’ porque começou ‘errado’, esteve ligado a linhagem de Cristo. Sem esses povos não teríamos a linhagem de Cristo.

      Att

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  • 23/11/2020 em 21:36
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    Não concordo com isso pois se am geração vem do homem, ele o pai poderia ter continuada sua geração com mulher de Zoar, simples assim. Não precisando suas filhas incestuarem. Ora voce não disse que a geração continua pelo homem? Se sim ele poderia bem continuar a geração com uma das filhas de Zoar, Como fez a própria Tamar que para continuar a geração de Judá, sendo ESTRANGEIRA, se deitou com seu sogro, dando continuidadr a sua geração. Portanto sua explanação emboira seja maravilhosa e bem contextuada com a Bíblia não faz jus ao que seria correto aos nossos olhos.

    Resposta
  • 23/11/2020 em 21:40
    Permalink

    Em primeiro lugar se analisarmos a palavra, veremos que Caim quando foi expulso ártiu para as terras de Node. De onde surgiu o povo de Node???? Ora a uma corrrente de estudiosos que explica duas criações dos humanos, uma no jardim do Eden e outra fora dele. Ou antes de Caim matar Abel já havia a população crescido a tal modo que existiam outras terras? Veja não batem os dados. E Caim encontrou lá sua esposa e gerou sua descendencia neste lugar.

    Resposta
    • 24/11/2020 em 09:17
      Permalink

      OLá, Genesio..

      O povo de Node surgiu de Adão e Eva. Não há outra possibilidade!

      Embora haja correntes e correntes, só há uma verdade: Antes de Caim e Abel não houve outros povos ou população.

      Sim. Caim encontrou a sua esposa em Zoar e lá gerou sua descendência, porém, os habitantes de Zoar eram descendentes de Adão e Eva, assim como Caim e Abel.

      Att.

      Resposta
  • 24/11/2020 em 08:52
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    Olá, amado..

    discordar faz parte, porém, se vc analisar as Escrituras, a geração pertence ao homem, e não a mulher.. é o homem que gera, embora a mulher dê a luz.

    “E era Noé da idade de quinhentos anos, e gerou Noé a Sem, Cão e Jafé.” (Gênesis 5:32).

    A mulher concebe, o homem gera.

    O segundo ponto:
    Ló poderia ir a qualquer tribo ou entrar a uma mulher estrangeira para constituir linhagem para sim, porém, ele não o fez. Não o fez por disposição interna. Ele não buscou outra mulher, e não saberemos o motivo.

    O que se percebe é que Ló passou a agir como Ezequias que não queria constituir linhagem para si, e só o fez quando Deus mandou por a sua linhagem (casa) em ordem, se não seria tirado do mundo dos viventes.

    O primeiro marido de Tamar foi morto porque nao quis ter filhos, o segundo porque derramava o esperma na terra. Dá para explicar? Não! São questões internas ao indivíduo.

    Judá não quis dar o filho jovem a Tamar para cumprir o levirato, por isso ela deitou-se com o seu sogro.

    Embora Ló não tenha buscado constituir sua linhagem, as filhas dele assim o fizeram, e elas são dignas de louvor, mesmo que aos nossos olhos tal comportamento não seja correto.

    Ela agiram de acordo com a crença delas, de que o Messias viria ao mundo, e por isso elas colocaram a casa do pai delas em ordem, embora ele não se importasse.

    Att.

    Resposta

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