O que é uma Parábola Segundo Jesus
A parábola não é enfeite de sermão. Ela mostra e encobre ao mesmo tempo: põe diante dos olhos uma cena conhecida para falar de algo que precisa ser reconhecido através dela.
Abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo.
Mateus 13:35 · Versículo para memorizarPlano de 60 minutos
- 00–05Abertura e revisãoOração. Retome a Lição 1 em uma frase: “a chave de leitura vem antes da interpretação”. Pergunte quem trouxe a frase do desafio sobre a “porta estreita”.
- 05–15Leitura bíblicaLer Mateus 13:34-36, Salmo 78:2 e Marcos 4:33-34. Destacar as palavras “coisas ocultas”, “enigmas” e “em particular”.
- 15–26Tópico 1 — Revelação, não decoraçãoA parábola como enigma que guarda uma verdade. Usar o diagrama “Superfície e realidade”.
- 26–36Tópico 2 — A multidão e os discípulosAs mesmas palavras, duas recepções. Usar o diagrama “Quem ouve o quê”.
- 36–47Tópico 3 — Fermento, templo… e portaO erro de ficar na coisa material. Usar a tabela “Três leituras presas à superfície”.
- 47–60Discussão, revisão e desafioPerguntas em grupo, revisão rápida, verdade central e leitura da semana.
Texto da lição
Se o erro, como vimos na lição anterior, consiste em ler uma história pela chave de outra, a pergunta seguinte é inevitável: que chave o próprio Jesus entregou para a leitura de suas figuras? A resposta começa com uma constatação que, de tão conhecida, pode passar despercebida.
TÓPICO 1Parábolas são revelações, não enfeites
Jesus não usava parábolas apenas para tornar seus sermões mais agradáveis, ilustrando verdades abstratas com sementes, casas, redes, ovelhas, portas e caminhos. Se fosse só isso, a figura seria decoração pedagógica: bastaria retirar a imagem e guardar a ideia, como quem joga fora a embalagem depois de encontrar o conteúdo. Os evangelhos descrevem algo mais complexo.
“Tudo isto disse Jesus, por parábolas à multidão, e nada lhes falava sem parábolas; para que se cumprisse o que fora dito pelo profeta, que disse: Abrirei em parábolas a minha boca; publicarei coisas ocultas desde a fundação do mundo.”MATEUS 13:34-35
Mateus cita o Salmo 78: “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade” (Salmo 78:2). A própria Escritura aproxima parábola e enigma. Existe uma verdade a ser comunicada, mas ela está colocada dentro de uma figura cuja superfície não entrega de imediato tudo o que contém.
O próprio Jesus anunciou que esse modo de falar não seria permanente: “Disse-vos isto por parábolas; chega, porém, a hora em que não vos falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai” (João 16:25). Se falar “abertamente” é o oposto de falar “por parábolas”, então a parábola não entrega sua realidade inteira na primeira leitura.
A parábola mostra e encobre ao mesmo tempo.
TÓPICO 2A multidão ouve a imagem; os discípulos recebem a explicação
As mesmas palavras eram ouvidas pela multidão e compreendidas pelos discípulos somente depois de explicadas. Marcos registra que Jesus falava ao povo “segundo o que podiam compreender” e acrescenta:
“E sem parábolas nunca lhes falava; porém, tudo declarava em particular aos seus discípulos.”MARCOS 4:34
Por isso os discípulos perguntavam. Depois da parábola do joio, pediram: “Explica-nos a parábola do joio do campo” (Mateus 13:36). Em outra ocasião, Pedro disse: “Explica-nos essa parábola” (Mateus 15:15). Ninguém pede explicação de uma comparação cujo sentido já esteja todo na superfície. O pedido só faz sentido porque ouvir a história ainda não era compreender o que ela comunicava.
Quando Jesus explica o semeador, a semente deixa de ser apenas semente, o solo deixa de ser apenas terra e as aves deixam de pertencer à paisagem. “Escutai vós, pois, a parábola do semeador” (Mateus 13:18), diz ele antes de revelar o que cada elemento representa.
TÓPICO 3Confundir o objeto com a doutrina
A parábola possui uma superfície compreensível e uma realidade representada. O erro começa quando se toma a propriedade natural da imagem como se ela fosse, por si mesma, a doutrina ensinada. Depois que uma semente, um fermento, uma porta ou um caminho entram numa construção figurada, a pergunta principal já não é “o que essa coisa normalmente significa?”, mas “o que ela representa nesta figura?”.
Os próprios discípulos tropeçaram nisso. Quando Jesus disse “Adverti e acautelai-vos do fermento dos fariseus e saduceus”, eles começaram a discutir porque não tinham levado pão (Mateus 16:6-7). Ouviram “fermento” corretamente; o problema não estava no vocabulário, mas em permanecer na coisa material. Só depois “compreenderam que não dissera que se guardassem do fermento do pão, mas da doutrina dos fariseus e saduceus” (Mateus 16:12).
O mesmo aconteceu com o templo. “Destruí este templo, e em três dias o levantarei” (João 2:19). Quem ficou na superfície viu pedras, paredes e quarenta e seis anos de obra. João entrega a chave: “Mas ele falava do templo do seu corpo” (João 2:21).
Uma porta física pode ser estreita porque mede poucos centímetros; atravessá-la pode exigir esforço. Um caminho físico pode ser apertado por ser pedregoso ou cercado de espinhos. Essas associações são naturais quando falamos de portas e caminhos reais. Mas o fato de uma associação ser natural não significa que ela seja a interpretação da figura.
Aqui o leitor corre o risco de repetir o erro do fermento: Jesus diz “estreita”, e logo se pensa em dificuldade; diz “apertado”, e imaginam-se sacrifícios e rigor; diz “largo”, e a imaginação completa a cena com facilidade e permissividade. Quando a leitura termina, a interpretação inteira foi construída com as propriedades comuns de uma estrada — antes mesmo de perguntarmos o que a porta e o caminho representam.
“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição […]”MATEUS 7:13
Antes de concluir que “estreita” significa vida difícil, precisamos descobrir quem ou o que são as portas e os caminhos, e qual relação a figura estabelece entre entrar, caminhar e chegar. Caso contrário, ouviremos “fermento” e pensaremos em pão, ouviremos “templo” e pensaremos em pedras.
Discussão e revisão
Para conversar em grupo
- Por que a Escritura aproxima “parábola” e “enigma” (Salmo 78:2)? O que isso muda na maneira de ler as parábolas?
- O que aprendemos com o fato de os discípulos pedirem explicação a Jesus?
- Que outras palavras bíblicas corremos o risco de ler apenas pela “coisa material”, como fizeram com o fermento?
- Por que uma associação natural (porta estreita = difícil) não prova que essa seja a interpretação?
Revisão rápida
Que profecia Mateus cita para explicar o uso das parábolas?
O Salmo 78:2: “Abrirei a minha boca numa parábola; falarei enigmas da antiguidade”.
Segundo Marcos 4:34, o que Jesus fazia com os discípulos?
Declarava-lhes tudo em particular: eles recebiam a explicação daquilo que a multidão ouvia apenas como figura.
O que os discípulos entenderam errado sobre o “fermento”?
Pensaram em pão. Jesus falava da doutrina dos fariseus e saduceus (Mateus 16:12).
De que “templo” Jesus falava em João 2:19?
Do templo do seu corpo (João 2:21).
Qual é a pergunta certa diante de um elemento da parábola?
Não “o que essa coisa normalmente significa?”, mas “o que ela representa nesta figura?”.
A parábola mostra e encobre ao mesmo tempo. A figura precisa ser decifrada antes que seus adjetivos sejam transformados em doutrina.
Leitura diária
Desafio da semana
Escolha o semeador ou o joio. Faça duas colunas numa folha: “o que se ouve” e “o que Jesus revela”. Preencha usando só a explicação do próprio Jesus.

