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O que é necessário para que os homens deixem de ‘andar segundo o conselho dos ímpios’, ou de ‘se deterem no caminho dos pecadores’, ou de ‘se assentarem na roda dos escarnecedores’? Somente o novo nascimento torna o homem bem-aventurado e sem qualquer vínculo com o conselho dos ímpios, com o caminho dos pecadores e com a roda dos escarnecedores ( Sl 1:1 ). Não é necessário aos cristãos deixarem o convívio social com os ímpios para alcançar a bem-aventurança.


O conselho dos ímpios

“E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador” ( Lc 19:7 ).

Introdução

Para os escribas, fariseus e saduceus, o comportamento de Jesus de entrar nas casas dos gentios e dos publicanos, não encontrava amparo nas Escrituras (Antigo Testamento). Ser hospede de um publicano ou de um gentio era atitude censurável aos olhos do judaísmo.

Os publicanos e os pecadores

Certa feita, após convidar o publicano Mateus para segui-lo em seu ministério, Jesus se assentou com seus discípulos para comerem, e vieram muitos publicanos e pecadores e se assentaram para comer com eles.

Para os seguidores das diversas linhas de pensamento do judaísmo, um publicano (cobrador de impostos) era pecador, pois não aceitavam que um judeu estivesse a serviço dos romanos cobrando impostos de seus concidadãos.  Nesse sentido, qualquer gentios também era considerado pelos seguidores do judaísmo como pecadores.

Em outro evento, os fariseus ao verem Jesus assentado com os pecadores para comer, indagaram os discípulos de Jesus: – “Por que come o vosso mestre com os publicanos e pecadores?” ( Mt 9:10 -11).

Em outra ocasião, uma grande multidão veio até Jesus para ouvi-lo, e os fariseus teceram um comentário semelhante: – “Este recebe pecadores e come com eles” ( Lc 15:2 ).

Quando Jesus resolveu ser hospede de um chefe dos publicanos, Zaqueu ficou preocupado com o que diziam os fariseus e os escribas . A preocupação foi tamanha que ele propôs dar metade de seus bens aos pobres, caso houvesse defraudado alguém “E, vendo todos isto, murmuravam, dizendo que entrara para ser hóspede de um homem pecador” ( Lc 19:7 ).

Os fariseus e escribas estavam intrigados com o comportamento de Jesus. Para eles, um judeu deveria ao menos conhecer e seguir o que diz os Salmos e a Lei, mas alguém que se propunha ensinar o povo, deveria ser exemplo.

Para os religiosos, a pergunta: – ‘Como seria possível Jesus se assentar e comer com os pecadores (gentios) e ainda exercer o ofício de mestre?’, carecia de uma resposta urgente.

Para os religiosos judeus era inadmissível a ‘miscigenação’ cultural entre judeus e os outros povos. Eles não admitiam a mistura do que pensavam ser santo, com aquilo que consideravam profano.

Os líderes do povo de Israel consideravam que a santidade estava atrelada a descendência da carne de Abraão, e, portanto, não podiam conviver num mesmo recinto com pessoas de outras nações. Por outro lado, Jesus entrava e se assentava na casa de pecadores para comer sem se importar.

Salmo primeiro

Na visão dos religiosos judeus era inadmissível alguém que se dizia mestre contrariar flagrantemente o que diz o Salmo primeiro:

“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores” ( Sl 1:1 ).

Entrar na casa dos pecadores e assentar-se à mesa para comer, seria o mesmo que se assentar na roda dos escarnecedores? Ao andar com um publicano a caminho de um determinado local, é o mesmo que se deter no caminho dos pecadores? Ao conversar com os gentios, se está andando segundo o conselho dos ímpios? Como conciliar o Salmo primeiro e o fato de Jesus entrar, assentar, comer e se hospedar com pecadores?

Temer ao Senhor

“BEM-AVENTURADO aquele que teme ao SENHOR e anda no seu caminho” ( Sl 128:1 )

O salmo 128 é claro: “Bem aventurado aquele que teme ao Senhor…”. É certo que há aqueles que temem (obedecem) ao Senhor e são bem-aventurados, e os que não temem (desobedientes) e estão sob maldição. Neste mesmo diapasão, há homens que andam no caminho que pertence ao Senhor, e os que não andam.

Qual é o caminho do Senhor? Qual o temor do Senhor?

“O caminho de Deus é perfeito; a palavra do SENHOR é provada; é um escudo para todos os que nele confiam.” (Sl 18.30);

“Faze-me saber os teus caminhos, SENHOR; ensina-me as tuas veredas.” (Salmos 25:4).

“Vinde, meninos, ouvi-me; eu vos ensinarei o temor do SENHOR.” (Salmos 34:11).

Caminho, temor, palavra, escudo, veredas, etc., são vários termos utilizados para fazer referencia ao mandamento de Deus. No contexto, o caminho do Senhor é a sua palavra, o seu mandamento, da mesma forma que temor.

Jesus era o homem bem-aventurado predito pelos salmistas, pois Ele temia (obedecia) o Pai, tanto que Ele comparou a vontade de Deus como sendo a Sua comida.

“Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra.” (João 4:34);

“Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração.” (Salmos 40:8).

Como Jesus foi obediente ao Pai em tudo, foi posto por Deus como luz para os gentios, a porta pela qual os justos entrariam.

“EIS aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios. Não clamará, não se exaltará, nem fará ouvir a sua voz na praça.” (Isaías 42:1-2);

“Esta é a porta do SENHOR, pela qual os justos entrarão.” (Salmos 118:20).

É por isso que Jesus se apresentou ao povo como o caminho, a verdade e a vida:

“Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14: 6).

Os fariseus e escribas estavam diante do Caminho que conduz os homens a Deus, mas seguiam somente os intentos dos seus corações. Mesmo não se aproximando das pessoas que consideram pecadoras, os fariseus trilhavam o caminho de perdição.

Por outro lado, embora Jesus assentava na mesma mesa e comia com os pecadores, Ele não se assentava na roda dos escarnecedores. Embora Jesus andasse com os pecadores, Ele não andava segundo o conselho dos ímpios.

Na verdade, os escribas e fariseus eram o conselho dos ímpios que Cristo se absteve de ser participante. Os escribas e fariseus compunham a roda dos escarnecedores e trilhavam o caminho dos pecadores do qual Jesus não se tornou participante. Jesus bem conhecia que os líderes religiosos não tinham o conhecimento de Deus, antes praticavam a iniquidade e devoravam o povo como se come pão.

“Acaso não têm conhecimento os que praticam a iniquidade, os quais comem o meu povo como se comessem pão? Eles não invocaram a Deus.” (Salmo 53:4).

O cristão e os pecadores

Andar, falar e comer com pecadores não muda o fato de que Cristo é o caminho que conduz o homem a Deus. Mesmo que um cristão se assente e coma em uma mesa com pecadores, Jesus é o ‘Caminho’, de modo que é impossível o caminho dos pecadores tangenciar o caminho do crente em Cristo quando compartilha uma mesma mesa com um pecador.

Mesmo que um cristão esteja assentado em uma mesma mesa comendo com um grupo de pessoas ímpias, o caminho dos ímpios é o caminho de perdição, e o caminho do cristão é o caminho de salvação, o que significa que não se assentou na roda dos escarnecedores.

Se os escribas e fariseus entendessem que Adão é a porta larga que dá acesso ao caminho largo que conduz à perdição, e Cristo, o último Adão, é a porta estreita e o caminho estreito que conduz à salvação, jamais estranhariam o fato de Jesus comer na mesma mesa com os pecadores, pois comer, assentar e andar com os ímpios não é o mesmo que trilhar o caminho dos pecadores.

O que é necessário para deixar de andar segundo o conselho dos ímpios, ou de se deter no caminho dos pecadores, ou se assentar na roda dos escarnecedores? O novo nascimento! Ser de novo gerado da água e do espírito é o que torna o homem bem-aventurado e sem qualquer vínculo com o conselho dos ímpios, com o caminho dos pecadores e com a roda dos escarnecedores ( Sl 1:1 ).

Não é necessário aos cristãos deixarem de conviver com os ímpios para serem bem-aventurados.

Desde a madre os ímpios se alienam de Deus e andam por um caminho de perdição “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, falando mentiras” ( Sl 58:3 ). Somente após o novo nascimento o homem volta a compartilhar da glória de Deus ( Jo 17:22 ), e a andar no seu caminho ( Sl 128:1 ).

O que diferencia os justos dos ímpios é a porta por onde entraram, e não as interações e relações que travam neste mundo. O nascimento natural é a porta larga por onde todos os homens entram ao nascer, e o novo nascimento segundo o último Adão, a porta estreita por onde poucos entram quando creem em Cristo ( Mt 7:13 ).

O conselho, o caminho e a roda dos ímpios é formado por homens que, apesar de serem pecadores por causa da queda de Adão, entendem que somente os gentios são pecadores por não descenderem da carne de Abraão.

O caminho do Senhor é Cristo, pois Ele é o temor do Senhor e o último Adão. Ele é a porta estreita por quem os homens devem entrar para seguir pelo caminho de salvação.

Ao nascer de novo, ou seja, ao entrar pela porta estreita, jamais será possível andar no caminho dos ímpios, mesmo compartilhando os mesmos utensílios, talheres, mesas, lugares, etc.

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

2 comentários em “O conselho dos ímpios

  • 03/09/2020 em 08:30
    Permalink

    Maravilhoso esse estudo…
    Estou fascinado con a sabedoria que Deus lhe deu….
    Deus abençoe grandemente cada vez mais sua sabedoria…
    Shalon…

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