Compartilhar:

Em ambos os casos (herdeiro menino e escravos), o empecilho decorre da lei. O escravo (os gentios) só pode ser ‘livre’ do seu senhor quando for resgatado, ou quando morrer. O herdeiro enquanto menino (judeu) só terá direito a herança quando chegar o tempo determinado pelo pai. Em ambos os casos (herdeiro menino e escravos), o elemento que constrói a ideia apresentada pelo apóstolo é a lei. A lei impede que o escravo deixe a sua condição, da mesma forma que impede o herdeiro menino de exercer o senhoril.


Gálatas 4 – A plenitude dos tempos

O ‘Menino’ e o ‘Servo’

1 DIGO, pois, que todo o tempo que o herdeiro é menino em nada difere do servo, ainda que seja senhor de tudo;

Este versículo utiliza a figura de um menino na condição de herdeiro para ilustrar qual foi a serventia da lei (aio). Através desta ilustração é possível entender qual a ideia que o apóstolo Paulo procurou destacar aos irmãos de Colossos ao enfatizar que eles eram idôneos: “…que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz” ( Cl 1:12 ).

O menino herdeiro será senhor de tudo, porém, por ainda não ter atingido a maioridade, ou seja, a idoneidade, em nada difere do escravo.

O herdeiro tem por herança todos os bens do pai, porém, na casa do pai o herdeiro não possui condição distinta da do escravo, ‘…ainda que seja senhor de tudo’ ( Gl 4:1 ).

 

2 Mas está debaixo de tutores e curadores até ao tempo determinado pelo pai.

O herdeiro deve resignar-se em esperar o tempo estabelecido pelo pai. Durante o tempo da minoridade o herdeiro não exerce as prerrogativas de senhor.

Anúncios

Embora herdeiro de tudo, o menino permanece sob cuidados de tutores e curadores até que chegue a idoneidade.

O tempo determinado pelo Pai é lei, tendo papel idêntico ao da lei que tutelava os Israelitas.

 

3 Assim também nós, quando éramos meninos, estávamos reduzidos à servidão debaixo dos primeiros rudimentos do mundo.

O apóstolo Paulo compara a condição do menino herdeiro com a condição dos judeus sob a lei: “Assim também nós, quando éramos meninos…” ( Compare a utilização do pronome na primeira pessoa do plural ‘nós’ Gl 4:3 com Gl 2:15 ).

Quando o apóstolo Paulo diz que tanto os meninos (judeus) quanto os escravos (gentios) estavam reduzidos à servidão.

Considerando que o herdeiro enquanto menino em nada difere do escravo, segue-se que todos os judeus antes de terem um encontro com Cristo ‘são meninos’, visto que eram reduzidos à servidão.

O apóstolo Paulo comungava e expunha aos cristãos a mesma doutrina de Cristo, que disse: “Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado” ( Jo 8:34 ). Por que os judeus eram escravos do pecado?

Anúncios

Porque eram ‘meninos’ (ou seja, não eram herdeiros de fato), em nada eram diferentes dos outros pecadores (gentios), pois não tinham direito a herança.

Porém, na plenitude dos tempos Deus enviou o Descendente, por quem vem a idoneidade, mas os judeus continuaram presos aos primeiros rudimentos (lei).

Neste exemplo os gentios são representados pela figura da ‘escravidão’, e os judeus representados pela figura do ‘menino’, ou seja, mesmo sendo classificados como meninos, os judeus em nada diferem dos escravos (gentios) “Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios” ( Gl 2:15 ).

Para falar da condição do homem debaixo da lei (judeus), Paulo lança mão de um exemplo que demonstra qual a condição de um herdeiro quando menino: em nada diferente de um escravo. Permanece sob cuidados de curadores e tutores até que se cumpra o tempo determinado pelo pai.

Em ambos os casos (herdeiro menino e escravos), o empecilho decorre da lei. O escravo (os gentios) só pode ser ‘livre’ do seu senhor quando for resgatado, ou quando morrer. O herdeiro enquanto menino (judeu) só terá direito a herança quando chegar o tempo determinado pelo pai.

Em ambos os casos (herdeiro menino e escravos), o elemento que constrói a ideia apresentada pelo apóstolo é a lei. A lei impede que o escravo deixe a sua condição, da mesma forma que impede o herdeiro menino de exercer o senhoril.

O versículo três resulta da comparação estabelecida nos dois versículos anteriores: o menino não difere do escravo em conseqüência do tempo estabelecido pelo seu pai, precisando ficar sob a tutela de tutores e curadores. Portanto, os homens judeus por ficarem debaixo da lei (aio) estão reduzidos à servidão.

Anúncios

Os judeus rejeitaram lançar mão da herança proposta no evangelho, pois não aceitaram o Descendente que foi enviado na plenitude dos tempos, ou seja, o tempo estabelecido pelo Pai Eterno.

Somente por intermédio do Descendente os judeus alcançariam a idoneidade ( Cl 1:12 ).

 

 

4 Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,

Quando da plenitude dos tempos Deus enviou o seu Filho, o Verbo encarnado, para os herdeiros que estavam na condição de meninos “e os seus não O receberam”.

O que era necessário para que os judeus alcançassem o direito à herança?

  • O tempo determinado pelo Pai – A plenitude dos tempos ( Gl 4:4 );
  • a idoneidade ( Gl 4:5 ).

Na plenitude dos tempos, ou seja, no tempo determinado, Deus enviou o seu Filho, nascido de mulher e sob a lei.

Cristo nasceu de mulher para ser participante da carne e do sangue para que em tudo fosse semelhante aos seus irmãos ( Hb 2:14 e Hb 2:17 ).

Anúncios

Da mesma forma, para ser herdeiro da promessa, o homem necessita ser participante da carne e do sangue do Descendente, que é Cristo para alcançar a idoneidade “Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos” ( Jo 6:53 ).

 

5 Para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos.

Para remir os que estavam debaixo da lei foi preciso:

  • A plenitude dos tempos;
  • O Filho de Deus ser enviado; o verbo encarnado nascer de mulher e estar sob a lei.

A vinda de Cristo ao mundo cumpre o tempo determinado pelo Pai, momento que torna possível àqueles que estão reduzidos à servidão (judeus), receber a adoção de filhos, ou seja, serem idôneos para participar da herança.

Ao fazer alusão à condição em que ele e os cristãos judeus eram ‘meninos’ (reduzidos à escravidão), o apóstolo Paulo demonstra que esteve sob a tutela da lei. A lei tinha a função de ‘tutor’ e ‘curador’, e estipulava o que o ‘menino’ devia ou não fazer até o tempo estabelecido pelo pai, quando tomaria posse da herança.

A filiação decorre de nascimento, já a adoção, neste versículo, refere-se ao processo em que o ‘menino’ passa a condição de idôneo para participar da herança do pai “Porque eu mesmo poderia desejar ser anátema de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne; Que são israelitas, dos quais é a adoção de filhos, e a glória, e as alianças, e a lei, e o culto, e as promessas; Dos quais são os pais, e dos quais é Cristo segundo a carne, o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente. Amém” ( Rm 9:3 -5).

A adoção de filhos refere-se à filiação divina ou a herança dos israelitas? Eles eram filhos de Deus por serem descendentes da carne e do sangue de Abraão? Não! A filiação somente decorre de nascimento.

Anúncios

Para ser um dos filhos de Deus é necessário ser gerado d’Ele, através da semente incorruptível.

Os descendentes de Abraão não eram filhos de Deus e nem idôneos para participar da herança ( Rm 9:8 ). Os judeus foram formados em iniquidade e concebidos em pecado como todos os outros homens ( Sl 51:5 ). Mesmo sendo descendentes de Abraão, estavam retidos pela lei, estavam reduzidos à escravidão por serem nascidos segundo a vontade do varão, segundo a vontade da carne e do sangue ( Jo 1:13 ).

Cristo, o Descendente, veio na plenitude dos tempos resgatar os que estavam debaixo da lei, livrando-os da condição a que foram reduzidos. Os judeus que creram passaram a pertencer a Cristo na condição de filhos de Abraão e herdeiros, conforme a promessa segundo a fé que o Descendente revelou ( Gl 3:29 ; Gl 3:23 ).

Os judeus reputavam que a herança decorria da lei, porém, o apóstolo Paulo demonstra que a herança decorre da promessa, sendo alcançada pela fé revelada ( Gl 3:18 ). Quando o Descendente chegou na plenitude dos tempos, sendo ele quem tinha a promessa ( Gl 3:19 ), resgatou os judeus para que eles recebessem a promessa do Espírito, que é o penhor da herança ( Gl 3:14 ).

Da mesma forma que Cristo resgatou os judeus, também resgatou os gentios, visto que a promessa dada a Abraão diz do Descendente e de todas as famílias da terra. Para alcançar a bênção de Abraão basta qualquer homem crer em Cristo conforme Abraão creu na promessa.

Observe que o versículo seguinte estabelece a diferença na argumentação do apóstolo Paulo quanto aos gentios na condição de escravos, e os judeus na condição de meninos: “Ele nos resgatou para que a benção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebêssemos a promessa do Espírito ( Gl 3:14 ).

Nos versos seguinte o apóstolo Paulo apresenta pontos importantes do Testamento que estipula a herança que será concedida ao herdeiro que alcançar a idoneidade ( Gl 3:15 e Gl 4:1 -2).

Anúncios

 

A adoção

A promessa de Deus a Abraão constitui-se um testamento, e ninguém o anula ou pode acrescentar coisa alguma ( Gl 3:15 ). As promessas foram feitas a Abraão e diz do seu Descendente, que é Cristo ( Gl 3:15 ).

Deus prometeu fazer de Abraão uma grande nação e que nele seriam benditas todas as famílias da terra ( Gl 3:8 ). Porém, havia um tempo estabelecido por Deus para que a promessa fosse levada a efeito, e para isso, havia a necessidade da vinda do Descendente ( Gl 4:4 ).

Os descendentes de Abraão embora tivessem a promessa, não podiam herdá-la, enquanto não viesse o Descendente, por Quem a adoção de filho é concedida. Eles estavam reduzidos à servidão, debaixo da lei, e em nada diferiam dos gentios.

Os gentios acabaram por receber a filiação divina através do Descendente e passaram à condição de filhos de Abraão por meio da fé. A bênção de Abraão chegou aos gentios através do Descendente, que é Cristo.

Mas, o Testamento (promessa) confirmado a Abraão não fez distinção entre os descendentes de Abraão e os gentios. Embora os descendentes de Abraão estivessem sob tutores e curadores até o tempo determinado por Deus, eles em nada diferiam dos gentios, pois Deus não faz acepções de pessoas.

Para adquirir a condição de filhos de Deus, é preciso crer no descendente, por quem é a promessa e a herança, e nisto não há distinção entre gentios e judeus ( Gl 3:26 ).

Se os judeus pensavam estar em uma condição privilegiada por serem ‘meninos’, o apóstolo Paulo demonstra que em nada diferiam dos escravos, e que eles não tinha direito à herança.

Anúncios

Todos quantos creem em Cristo são de novo gerados, criados idôneos para participar da herança dos santos na luz. Não são meninos, e não precisam de tutores e curadores.

Os judeus que têm a adoção de filhos, ou seja, a promessa da herança necessita crer em Cristo, o Descendente, para que sejam resgatados da lei pela fé em Cristo. Os descendentes de Abraão que foram reduzidos à escravidão por causa da lei, são alçados a idoneidade, deixando de ser meninos e com direito pleno à herança.

Desta forma, não há gentios ou gregos, pois todos são descendentes, ou melhor, filhos de Abraão, herdeiros conforme a promessa, pela fé em Cristo ( Gl 3:26 ).

 

6 E, porque sois filhos, Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.

Os judeus eram descendentes de Abraão e deles era a adoção por causa do Descendente (herança em testamento), porém não tinham em seus corações o Espírito do Descendente que clama: Aba, Pai.

Como entender a colocação seguinte: os que são da fé são filhos de Deus (filhos de Abraão) ( Gl 3:6 ). Os descendentes de Abraão refere-se aos seus filhos segundo a carne ( Jo 8:37 ), ou seja, a descendência de Abraão não concede aos judeus a filiação divina. João Batista disse que não basta dizer temos por Pai a Abraão, antes precisavam mudar de conceitos acerca de como se alcança a filiação divina, uma vez que até mesmo das pedras Deus pode constituir filhos para si ( Mt 3:9 ).

Todos os cristãos são filhos de Deus (ou, filhos de Abraão) pela fé em Cristo, e por fé não há distinção quanto às origens carnais, podendo ser judeu ou gentil ( Gl 3:26 ). Ou seja, todos quantos creem, se revestem de Cristo, por serem batizados em Cristo. Para ser batizado em Cristo é preciso fazer parte da carne e do sangue, tornando-se um em Cristo. Desta maneira, os cristãos além de serem filhos de Abraão (filhos de Deus), são descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa “E, se sois de Cristo, então sois descendentes de Abraão, e herdeiros conforme a promessa” ( Gl 3:29 ).

Anúncios

Por participar da carne e do sangue do Descendente pela fé (Cristo) os gentios tornam-se filhos de Abraão (filhos de Deus), e também descendentes de Abraão. Desta maneira não há distinção alguma entre gentios e judeus.

Os judeus eram descendentes de Abraão por terem vínculo de sangue (adoção de filhos), mas não eram filhos de Deus (filhos de Abraão), por não terem recebido pela fé a promessa do Espírito, o seja, o Espírito do Descendente, que clama: Aba, Pai (v. 6).

Os que ‘estavam sob a lei’ (judeus) e aceitaram a Cristo pela fé, são filhos de Deus, pois receberam do Santo Espírito em seus corações.

 

7 Assim que já não és mais servo, mas filho; e, se és filho, és também herdeiro de Deus por Cristo.

Conforme o que foi exposto anteriormente, o apóstolo conclui: “Assim que já não és mais servo…”. A quem o apóstolo Paulo direcionou esta conclusão? Aos escravos que em nada diferiam dos herdeiros quando eram ‘meninos’.

Observe que, quando o apóstolo enfatiza que os cristãos são herdeiros, ele quer demonstrar a total garantia de que, como filhos, possuem uma herança por meio da promessa assim como Abraão.

 

8 Mas, quando não conhecíeis a Deus, servíeis aos que por natureza não são deuses.

Anúncios

O apóstolo Paulo lembra-os da condição passada: por não conhecerem a Deus, todos os cristãos serviam também aos que não eram deuses! O apóstolo Paulo apela para algo que talvez ainda não houvessem esquecido.

Continua….

Anúncios

3 thoughts on “Gálatas 4 – A plenitude dos tempos

  • 25/03/2019 em 21:44
    Permalink

    Muito bom o ensino…parabéns….gálatas 2:16…3:22 e Romanos 3:22..nesses versículos….lê se …fé DE Jesus…não fé EM Jesus.

    Resposta
  • 08/12/2019 em 10:04
    Permalink

    Muito bom o estudo. Graça e paz de Cristo Jesus

    Resposta

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Skip to content