Campanha ‘Os sete mergulhos de Naamã’

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A concepção da maioria das pessoas que participam de campanhas como ‘Os sete mergulhos’ é idêntica a de Naamã.


Campanha ‘Os sete mergulhos de Naamã’

– Irmão Claudio! Posso participar de ‘campanhas’ como ‘Os sete mergulhos de Naamã’?

Em seguida, li o motivo da pergunta feita por um irmão:

“Sete sextas-feiras de Mergulhos! Faça seu propósito com Deus e seja curado de toda lepra, seja ela espiritual, sentimental, material ou física, pois para Deus TUDO é possível”.

A seguir, apresento uma resposta à pergunta:

Amado, mais proveitoso do que responder sim, ou não, é se inteirar dos motivos que levam a um sim, ou a um não, visto que, tudo quanto fazemos com relação ao evangelho deve ser realizado com entendimento.

Convido o amado a pensar comigo e, após analisar algumas passagens bíblicas, teremos uma resposta.

Como o nosso culto é racional (conhecimento e compreensão), primeiro se faz imprescindível verificar no que consiste uma ‘campanha’.

 

A ‘campanha’ de Jerico

Fora as questões publicitárias e eleitorais, ‘campanha’ é termo utilizado para fazer referência a uma expedição militar e/ou suas manobras.

“E, saindo os príncipes dos filisteus à campanha, sucedia que Davi se conduzia com mais êxito do que todos os servos de Saul; portanto o seu nome era muito estimado” (1 Samuel 18.30).

O termo no cotidiano remete a ideia de empenho, esforço, luta, batalha, etc., por um objetivo, ou que leva à conquista de algo.

Em nossos dias, as campanhas que se veem nas igrejas geralmente possuem um tema ou fazem referência a um verso bíblico.

Uma das passagens bíblicas mais utilizada na realização de campanhas nas igrejas é a passagem que relata o evento no qual o povo de Israel rodeou as muralharas de Jericó por sete dias, e ao final, as muralhas ruíram.

Esta passagem bíblica tornou-se inspiração para muitas campanhas intituladas de libertação, renovação, cura, etc., pois apresenta uma providencial intervenção divina e o povo de Israel saiu vitorioso de uma guerra.

No entanto, um cristão zeloso deve levar em conta que:

  1. A campanha militar de Israel contra o povo de Jericó se deu em função de uma promessa de Deus feita a Abraão, e que, cumpriu-se através de uma ordem dada a Josué: “E ordenou a Josué, filho de Num, e disse: Esforça-te e anima-te; porque tu introduzirás os filhos de Israel na terra que lhes jurei; e eu serei contigo” (Deuteronômio 31.23); “Disse-lhe mais: Eu sou o SENHOR, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdá-la (Gênesis 15.7). Toda faixa de terra, desde o deserto e o Líbano até o grande rio Eufrates, bem como as terras dos heteus até o grande mar para o poente, Deus prometeu dar aos descendentes de Abraão por herança;
  2. Foi Deus quem deu todas as diretrizes para a invasão de Jericó, orientando para que o povo de Israel sitiasse a cidade de Jericó, isto por causa da promessa feita a Abraão, conforme se lê: “Então disse o SENHOR a Josué: Olha, tenho dado na tua mão a Jericó, ao seu rei e aos seus homens valorosos. Vós, pois, todos os homens de guerra, rodeareis a cidade, cercando-a uma vez; assim fareis por seis dias. E sete sacerdotes levarão sete buzinas de chifres de carneiros adiante da arca, e no sétimo dia rodeareis a cidade sete vezes, e os sacerdotes tocarão as buzinas. E será que, tocando-se prolongadamente a buzina de carneiro, ouvindo vós o seu sonido, todo o povo gritará com grande brado; e o muro da cidade cairá abaixo, e o povo subirá por ele, cada um em frente” (Josué 6.2-6).
  3. A campanha militar conduzida por sacerdotes para tomar posse da terra de Canaã não se iniciou quando Josué, juntamente com o povo, deu a primeira volta no muro de Jericó. A campanha foi estabelecida quando Moisés falou com Faraó para libertar o povo de Israel, para que se cumprisse o que foi revelado a Abraão (Gênesis 15.13-16); “Portanto desci para livrá-lo da mão dos egípcios, e para fazê-lo subir daquela terra, a uma terra boa e larga, a uma terra que mana leite e mel; ao lugar do cananeu, e do heteu, e do amorreu, e do perizeu, e do heveu, e do jebuseu” (Êxodo 3.8).

O que mais atrai a atenção das pessoas para esta passagem bíblica é a grande conquista alcançada pelo povo de Israel, aliado ao aparente pequeno esforço para a vitória.

Daí as perguntas: as campanhas de hoje têm por base uma promessa estabelecida por Deus com juramento? Essa promessa foi feita para os cristãos, ou foi feita para a nação de Israel?

 

A ‘campanha’ de um cristão

Há na Bíblia uma recomendação para que estejamos engajados em uma campanha!

Após ler e reler a Bíblia, um cristão zeloso vai perceber que há uma única campanha: Batalhar pela fé!

“…tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Judas 1.3);

Milita a boa milícia da fé, toma posse da vida eterna, para a qual também foste chamado, tendo já feito boa confissão diante de muitas testemunhas” (1 Timóteo 6.12).

Atendendo a ordem do irmão Judas, não só podemos fazer essa campanha, como devemos fazê-la! Quem se alistou para a guerra não se embaraça com negócios desta vida, pois está empenhado nela (2 Timóteo 2.4).

No que consiste a campanha pela fé? Ora, é sair em defesa da verdade do evangelho. A ‘fé’ que Judas apresenta diz da ‘verdade’, ‘firmeza’, ‘fidelidade’, de modo que, defender a fé é empenhar-se para que a mensagem anunciada por Cristo permaneça inalterada diante das investidas dos falsos profetas e dos anticristos.

Além de reter firme a fiel palavra conforme o que consta nas Escrituras, o crente deve defender esta verdade das investidas dos inimigos da cruz de Cristo (mensagem do evangelho).

O cristão não batalha por uma crendice, por uma filosofia, por uma fábula, ou por aquilo que acha, etc., antes batalha pela verdade (fé) que foi entregue por Deus aos santos quando da revelação de Cristo.

“Portanto, o que desde o princípio ouvistes permaneça em vós. Se em vós permanecer o que desde o princípio ouvistes, também permanecereis no Filho e no Pai” (1 João 2.24; Judas 1.3).

A ‘fé’ (doutrina) pela qual o crente deve batalhar diz da manifestação de Cristo em carne, como se lê:

“Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar” (Gálatas 3.22-23).

Nos termos apresentados acima, Jesus é a nossa ‘fé’, ou seja, nossa ‘confissão’ e ‘esperança’.

“Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu” (Hebreus 10.23).

Na Bíblia, a fé é apresentada como substantivo, um nome que se atribui a Cristo: a verdade e a expressão da fidelidade de Deus, o autor e consumador.

Em muitas passagens bíblicas onde o termo ‘fé’ é empregado, temos uma figura de linguagem denominada metonímia, quando há substituição de uma palavra por outra, como quando se substitui a obra pelo autor. Ex.: O autor pela obra: leia Machado de Assis. Como Cristo é o autor e consumador da fé, segue-se que a fé se manifestou na plenitude dos tempos: a obra (fé) pelo autor (Cristo).

Quando a Bíblia diz que o homem é justificado por meio da fé, simplesmente a Bíblia informa que o homem é justificado por Cristo, pois Ele é a fé que havia de se manifestar, a fé pela qual o justo viverá: o Verbo de Deus encarnado (Gálatas 3.11; Romanos 3.28). Cristo é a personificação da verdade, a fidelidade de Deus demonstrada, o fundamento de Deus que permanece firme, portanto, a fé πιστις (pistis).

Crer, acreditar, confiar em Cristo também é denominado fé, porém, é tradução do termo πιστευω (pisteuo). Enquanto ‘pisteuo’ diz de uma questão subjetiva e depende da matéria em análise, ‘pistis’ diz de uma questão objetiva, a própria matéria. Como conhecimento de Deus, Cristo é verdade, e ao homem cabe obedecer ao mandamento de Deus, crendo em Cristo.

O homem é salvo por Cristo (por meio da fé ´pistis’), portanto, como Ele é fiel (digno de confiança), o mérito pela confiança devida a Cristo (pisteuo) decorre da fidelidade d’Ele (pistis).

Há somente uma palavra no Novo Testamento para crença (querigma) e esta palavra é pistis (fé), o mesmo que crença, confiança. Acreditar nessa crença só é denominada fé (pisteuo) se for confiança na verdade (pistis), ou seja, em Cristo. É por isso que os tabeliões, quando verificam a veracidade dos dados inseridos em um documento, ratificam que o que ali está registrado é verdade, portanto, digno de fé (… é verdade e dou fé).

Se o tema é salvação, só é fé quando se crê que Jesus é o Cristo de Deus.

A fé só opera salvação quando o indivíduo crê na verdade, ou seja, no testemunho que Deus dá de seu Filho Jesus Cristo: este é o meu Filho amado, a Ele ouvi (Mateus 17.5). Aquele que crê em Cristo, crê também naquele que O enviou, mas quem não crê em Cristo, apesar de dizer que crê em Deus, mentiroso O faz “Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu” (1 João 5.10).

Quando você é convidado para participar de uma campanha, num primeiro momento parece que tudo o que é realizado naquela reunião atende recomendações bíblicas sobre a fé. Veja: – “Venha para uma concentração de fé”; “Venha participar das Sete sextas-feiras de Mergulhos”! – “Faça seu propósito com Deus e seja curado de toda lepra, seja ela espiritual, sentimento, material ou física, pois para Deus TUDO é possível”.

Crer no milagre é apresentado como um exercício de fé, um salto de fé, de modo que se traz a existência o que ainda não existe. Essas campanhas enfatizam que Deus é poderoso e que tudo é possível para Ele, entretanto, não destaca o testemunho que Deus deu acerca do Seu Filho, e nem a promessa que Ele fez.

“E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.” (1 João 2.25).

Frequentar uma reunião cuja temática é enfatizar que tudo é possível para Deus parece um exercício de fé, mas só promove a fé aquele que anuncia a verdade do evangelho, ou quem batalha para preservar o evangelho, a fé que uma vez foi entregue aos santos (Judas 1.3).

A promessa feita para o cristão foi com relação a vida eterna, e não para derrubar as muralhas, vencer os gigantes, os sete mergulhos, acabando com maldições hereditárias, etc., portanto, se vamos batalhar pela promessa, temos que fazer como Jesus:

“E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito.” (João 12.50).

 

Analise da concepção do estrangeiro Naamã

Como a campanha dos sete mergulhos de Naamã é a mais alardeada nas igrejas da atualidade, analisaremos toda a narrativa envolvendo o capitão dos exércitos do rei da Síria.

A narrativa da história de Naamã tem início quando tropas sírias levam cativa uma menina de Israel, à época que Eliseu era profeta em Israel (2 Reis 5.8). Esta menina foi levada como escrava para servir a mulher de Naamã, um capitão dos exércitos do rei da Síria.

A menina israelita soube da doença do seu senhor, e disse a sua senhora: – “Antes o meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria; ele o restauraria da sua lepra” (2 Reis 5.3).

O testemunho da menina chegou aos ouvidos de Naamã, que reportou as palavras daquela menina israelita ao rei da Síria. O rei da Síria, por sua vez, enviou uma carta ao rei de Israel ordenando que seu servo Naamã fosse curado daquela terrível doença (2 Reis 5.6).

Quando o rei de Israel tomou ciência do conteúdo da carta, rasgou as suas vestes em sinal de indignação em função do pedido do rei da Síria, e argumentou com os seus servidores: “Sou eu Deus, para matar e para vivificar, para que este envie a mim um homem, para que eu o cure da sua lepra? Pelo que deveras notai, peço-vos, e vede que busca ocasião contra mim” (2 Reis 5.7).

O rei de Israel considerou apenas as questões de ordem política quando leu a carta do rei da Síria: ele busca um motivo para declarar guerra. Perceba que o rei de Israel reconhecia a existência de um Deus e, que só Ele tem o poder de matar e dar vida, porém, tal confissão não é suficiente, antes é necessário obedecê-lo.

“Tu crês que há um só Deus; fazes bem. Também os demônios o creem, e estremecem” (Tiago 2.19).

A notícia de que o rei havia rasgado as suas vestes se espalhou rapidamente, e Eliseu mandou dizer ao rei: – “Por que rasgaste as tuas vestes? Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel” (2 Reis 5.8).

Percebe-se que o rei de Israel não dava a devida honra ao profeta de Deus, pois apesar dos muitos milagres operados por Deus em Israel por intermédio de Eliseu, o profeta teve que enfatizar: – “Deixa-o vir a mim, e saberá que há profeta em Israel. Um estrangeiro sabia da existência de um profeta em Israel, e o rei de Israel parecia não saber da existência de Eliseu.

Quando Naamã chegou em Israel com seu carro e seus cavalos, o rei de Israel não se fez de rogado e redirecionou Naamã para casa de Eliseu. Na porta da casa de Eliseu, com todo o seu aparato, Naamã é recepcionado pelo servo do profeta, que lhe dá uma ordem segundo o que o profeta Eliseu falara:

Vai, e lava-te sete vezes no Jordão, e a tua carne será curada e ficarás purificado” (2 Reis 5.10).

Diante da ordem dada pelo profeta, por mão de um mensageiro, para Naamã se lavar no rio Jordão, o capitão do exército se retirou indignado. Enquanto demonstra sua indignação aos seus servos, evidenciou o que esperava que o profeta fizesse:

“Certamente ele sairá, pôr-se-á em pé, invocará o nome do SENHOR seu Deus, e passará a sua mão sobre o lugar, e restaurará o leproso (2 Reis 5.12).

Antes de encontrar o profeta Eliseu, Naamã já tinha se certificado em seu coração o que o profeta haveria de fazer:

  1. Sair para recebê-lo;
  2. Ficar em pé diante dele;
  3. Fazer invocações e imprecações ao seu Deus;
  4. Impor as mãos sobre a enfermidade;
  5. Restaurará a saúde.

Era o primeiro contato que o estrangeiro Naamã tinha com um profeta de Deus, mas ele já havia traçado, segundo uma compreensão natural, o que era necessário ao profeta fazer para que Naamã fosse curado da lepra.

A concepção de Naamã é a mesma que a grande maioria das pessoas que participam de campanhas hoje em dia. Elas decidem antecipadamente em seus corações o que desejam e como será feito pelo profeta.

A expectativa de Naamã foi frustrada, pois ele achava que o profeta faria algo, entretanto, foi Naamã que foi incumbido de fazer algo: mergulhar sete vezes no rio Jordão.

Conhecendo a qualidade das águas do rio Jordão, Naamã se questionava: – “Porque não se lavar nos rios de Damasco, Abana e Farpar, com águas melhores que todas as águas de Israel”? (2 Reis 5.12).

Para Naamã, se o milagre dependia de um banho em águas de um rio, porque se utilizar das águas do rio Jordão, se em Damasco havia águas melhores? Se o segredo da purificação era a água, visto que não houve nenhuma imprecação sobre Naamã, que pelo menos o profeta recomendasse águas a altura do capitão dos exércitos do rei da Síria para o banho!

Os pastores, preletores, evangelistas, bispos, padres, obreiros, etc., sabedores de que as pessoas buscam um elemento material de purificação, geralmente apresentam água do Jordão, óleo de Israel, sal do Mar Morto, etc., para satisfazer a gana dos seus seguidores.

É próprio do homem, quando se apresenta diante de Deus, querer fazer a sua própria vontade, e não a ordem dada por Deus. Naamã levava consigo um montante que, segundo a sua concepção, poderia agradar o profeta pelo benefício recebido.

“Então disse o rei da Síria: Vai, anda, e enviarei uma carta ao rei de Israel. E foi, e tomou na sua mão dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupas (2 Reis 5.5).

Essas expectativas eram provenientes de Naamã, um homem que não conhecia o Deus de Israel, entretanto, uma ordem através de um serviçal não atendeu tais expectativas, antes trouxe indignação.

Uma reunião hoje que aborde a vontade de Deus para os homens, igualmente não atenderá as expectativas de muitos que buscam participar de uma campanha de milagres, fé, libertação, etc.

A grande maioria das pregações, sermões, mensagens, ensinos, etc., em nossos dias, que aborda a passagem de Naamã, tem na sua essência foco em milagres, fé, libertação, finanças, etc., com o fito de satisfazer a expectativa dos ouvintes. Mas, esse não é o foco da mensagem, pois Jesus ao abordar a passagem bíblica de Naamã, foi expulso da cidade de Nazaré, e tentaram precipitá-lo do alto de um monte (Lucas 4.27-30).

 

Qual o segredo do milagre de Naamã?

Naamã não gostou de ser contrariado. Diante da indignação e recusa em acatar a ordem do profeta Eliseu, os servos de Naamã lhe falaram, dizendo: – “Meu pai, se o profeta te dissesse alguma grande coisa, porventura não a farias? Quanto mais, dizendo-te ele: Lava-te, e ficarás purificado” (2 Reis 5.13).

Naamã, redarguido pelos seus servos, mudou de ideia, ou seja, ocorreu a metanoia (arrependimento), desceu do seu carro e se lavou sete vezes no rio Jordão, conforme foi determinado por Eliseu.

Quando terminou de atender a palavra de Deus, a carne de Naamã ficou como a de um menino, purificado da lepra (2 Reis 5.14).

Qual o segredo do milagre de Naamã? As águas do rio Jordão? O sacrifício de ter se deslocado da Síria até Samaria? Ter trazido consigo presentes para dar ao profeta? A oração forte do homem de Deus?

O segredo não estava na oração, pois Eliseu não fez uma invocação sobre Naamã! Os presentes de Naamã não foram causa da sua cura, pois o profeta recusou quando foi oferecido! O sacrifício de sair da Síria e deslocar-se (romaria, procissão) até Israel não foi causa determinante da cura, visto que Naamã nem mesmo foi recepcionado pelo profeta quando chegou!

Qual é o segredo? A resposta é simples: A obediência a palavra de Deus!

Em que se obedeça a palavra de Deus está a salvação do homem:

“Então desceu, e mergulhou no Jordão sete vezes, conforme a palavra do homem de Deus; e a sua carne tornou-se como a carne de um menino, e ficou purificado” (2 Reis 5.14);

“Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros.” (1 Samuel 15.22).

Mas, em obedecer a palavra de Deus está a vitória do homem, por que a temática das campanhas é o sacrifício, o voto, a oferta, a contribuição, o envelope, a salva, etc.?

Há uma lição sobre obediência na passagem bíblica que Deus ordena a Saul que destrua completamente os amalequitas:

“Amaleque a Israel; como se lhe opôs no caminho, quando subia do Egito. Vai, pois, agora e fere a Amaleque; e destrói totalmente a tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até à mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas, e desde os camelos até aos jumentos” (1 Samuel 15.1-3).

Saul demonstrou prontidão de vontade, pois reuniu o povo e, diante da cidade dos amalequitas, pôs emboscada no vale e orientou aos queneus que se retirassem do meio dos amalequitas, para que não fossem exterminados (1 Samuel 15.4 -6).

Mas, quando lançou mão dos amalequitas, desde homens, mulheres e até as crianças destruiu completamente, Saul resolveu preservar a vida do rei dos amalequitas, Agague, bem como o melhor do gado:

“E Saul e o povo pouparam a Agague, e ao melhor das ovelhas e das vacas, e as da segunda ordem, e aos cordeiros e ao melhor que havia, e não os quiseram destruir totalmente; porém a toda a coisa vil e desprezível destruíram totalmente” (1 Samuel 15.9).

Logo em seguida Deus repreendeu Saul por intermédio do profeta Samuel, dizendo:

“E enviou-te o SENHOR a este caminho, e disse: Vai, e destrói totalmente a estes pecadores, os amalequitas, e peleja contra eles, até que os aniquiles. Por que, pois, não deste ouvidos à voz do SENHOR, antes te lançaste ao despojo, e fizeste o que parecia mau aos olhos do SENHOR?” (1 Samuel 15.18-19).

O rei Saul, por sua vez, afirmou que havia executado cabalmente a ordem de Deus, considerando sem importância o fato de ter preservado em vida Agague, e alegou que sacrificaria a Deus o melhor do interdito em Gilgal.

“Então disse Saul a Samuel: Antes dei ouvidos à voz do SENHOR, e caminhei no caminho pelo qual o SENHOR me enviou; e trouxe a Agague, rei de Amaleque, e os amalequitas destruí totalmente” (1 Samuel 15.20).

É neste momento que o profeta Samuel demonstra a Saul que Deus não se compraz em holocausto e sacrifícios, e sim, em que o homem seja obediente. O profeta Samuel demonstra que a obediência a Deus é superior ao sacrifício, de modo que é melhor a obediência do que o sacrificar.

Sacrificar é um ato voluntarioso, já a obediência faz com que o homem se sujeite a Deus na condição de servo, um instrumento. Apresentar-se a Deus em obediência é superior a todo e qualquer ato sacrificial.

“Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros. Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e o porfiar é como iniquidade e idolatria. Porquanto tu rejeitaste a palavra do SENHOR, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (1 Samuel 15.22-23).

Quem apresenta um sacrifício faz sua própria vontade, ou seja, continua a serviço de si mesmo, diferente do obediente, que deixa de ser senhor de si mesmo e se humilha, fazendo-se servo. O obediente abre mão de suas vontades e se resigna a executar exclusivamente a vontade do seu Senhor.

A prontidão de vontade não é o mesmo que obedecer. Obedecer é cumprir as exigências estabelecidas, enquanto a prontidão de vontade pode se desviar da ordem durante a execução do que foi estabelecido, o que vemos em Saul.

Diferentemente de Saul, Naamã não demonstrou prontidão de vontade, porém, após refletir, mudou de concepção (metanoia) e obedeceu a palavra de Deus. Saul e Naamã são dois personagens que apresentam o mesmo princípio que norteiam os dois filhos da parábola contada por Jesus.

 

A parábola dos dois filhos

Certa feita Jesus estava ensinando no templo, e os príncipes dos sacerdotes e os anciões do povo perguntaram com que autoridade Jesus ensinava e quem havia dado a Ele tal autoridade.

Jesus fez uma proposta: responderia à pergunta deles caso respondessem a pergunta de Jesus. Foi quando Jesus perguntou aos príncipes dos sacerdotes e os anciões do povo se o batismo de João Batista era de Deus ou dos homens, e eles não responderam, porque pensaram:

“Se dissermos: Do céu, ele nos dirá: Então por que não o crestes? E, se dissermos: Dos homens, tememos o povo, porque todos consideram João como profeta” (Mateus 21.25-26).

Como as autoridades e os anciões disseram que não sabiam, Jesus respondeu que não declinaria com que autoridade ensinava o povo (Mateus 21.27).

Em seguida Jesus propõe aos anciões do povo e aos príncipes dos sacerdotes a seguinte parábola:

“Mas, que vos parece? Um homem tinha dois filhos, e, dirigindo-se ao primeiro, disse: Filho, vai trabalhar hoje na minha vinha. Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas depois, arrependendo-se, foi. E, dirigindo-se ao segundo, falou-lhe de igual modo; e, respondendo ele, disse: Eu vou, senhor; e não foi. Qual dos dois fez a vontade do pai?” (Mateus 21.28 -31).

Agora pergunto a você: quem fez a vontade de Deus: Naamã ou Saul? O comportamento do povo de Israel era idêntico ao do rei Saul:

“Quanto a ti, ó filho do homem, os filhos do teu povo falam de ti junto às paredes e nas portas das casas; e fala um com o outro, cada um a seu irmão, dizendo: Vinde, peço-vos, e ouvi qual seja a palavra que procede do SENHOR. E eles vêm a ti, como o povo costumava vir, e se assentam diante de ti, como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois lisonjeiam com a sua boca, mas o seu coração segue a sua avareza. E eis que tu és para eles como uma canção de amores, de quem tem voz suave, e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra.” (Ezequiel 33.30-32).

A quem se assemelha Saul e o povo de Israel: ao primeiro ou ao segundo filho do pai que requereu que os seus filhos fossem labutar na vinha? A resposta é: O segundo! Ou seja, Saul se propôs a realizar o mando de Deus, porém, em determinado momento deixou de obedecer e passou a executar o seu próprio querer.

Utilizando a resposta deles, Jesus os censurou dizendo:

“Em verdade vos digo que os publicanos e as meretrizes entram adiante de vós no reino de Deus. Porque João veio a vós no caminho da justiça, e não o crestes, mas os publicanos e as meretrizes o creram; vós, porém, vendo isto, nem depois vos arrependestes para o crer” (Mateus 21.31-32).

A reprimenda de Jesus deixa claro que aquelas pessoas que os religiosos judeus consideravam avessas a Deus (os publicanos e as meretrizes), na verdade acabavam se arrependendo e crendo na mensagem de João Batista. Os religiosos judeus, por sua vez, não atentavam para a mensagem anunciada por João Batista, e nem mesmo vendo os publicanos e meretrizes mudando de concepção e crendo, se arrependiam (mudavam de concepção) para crer.

Jesus caracteriza os anciões do povo e os príncipes dos sacerdotes de ‘filhos’ que se propunham a obedecer a Deus, mas que não obedeciam. Já as meretrizes e os publicanos que aparentemente rejeitavam laborar na vinha de Deus, arrependiam-se e criam.

Ora, a parábola demonstra que quem faz a vontade de Deus é aquele que obedece, diferente daquele que se propõe obedecer, e não acata a ordem divina.

Como é difícil para o homem abrir mão de executar a sua própria vontade, Jesus alertou:

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom” (Mateus 6.24).

Por que é impossível servir a dois senhores? Porque ou há de desobedecer (odiar) um e obedecer (amar) o outro, de modo que o homem não pode servir a Deus e a si mesmo. O termo hebraico traduzido por “mamom” (מָמוֹן) significa literalmente ‘dinheiro’, e no imaginário popular há diversas conotações e lendas acerca do termo.

No contexto, o termo ‘mamom’ não se refere a uma divindade, não tem relação com o demônio e nem com o terceiro pecado da lista dos pecados ditos capitais, antes é uma espécie de trocadilho que remete a fala do profeta Ezequiel: mas o seu coração segue a sua avareza.

O termo deve ser compreendido dentro do contexto! Jesus ordenou aos seus ouvintes que não ajuntassem tesouro na terra, mas que ajuntassem tesouro nos céus (Mateus 6.19-21). Ora, aquele cumpre os mandamentos de Deus ajunta tesouro no céu é servo de Deus, mas aqueles que seguem os seus próprios conselhos, ajuntam tesouros para si, portanto, estão a serviço de si mesmo.

Da mesma forma que é maldito o homem que confia em si mesmo, pois faz da carne (descendência) o seu braço (força), aquele que serve as ‘riquezas’ (a si mesmo) não é rico para com Deus.

“Eis aqui o homem que não pôs em Deus a sua fortaleza, antes confiou na abundância das suas riquezas, e se fortaleceu na sua maldade” (Salmo 52.7);

“Na verdade, todo homem anda numa vã aparência; na verdade, em vão se inquietam; amontoam riquezas, e não sabem quem as levará” (Salmo 39.6);

“Aqueles que confiam na sua fazenda, e se gloriam na multidão das suas riquezas” (Salmo 49.6);

“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jeremias 17.5).

O dinheiro nada mais é do que a recompensa pelo trabalho. Aquele que só pensa nas coisas terrenas está a serviço do seu próprio ventre.

“Dos homens com a tua mão, SENHOR, dos homens do mundo, cuja porção está nesta vida, e cujo ventre enches do teu tesouro oculto. Estão fartos de filhos e dão os seus sobejos às suas crianças” (Salmo 17.14);

“Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” (Filipenses 3.19);

“Assim é aquele que para si ajunta tesouros, e não é rico para com Deus” (Lucas 12.21).

Só tem tesouro no céu aquele que ama a Deus, ou seja, que cumpre o seu mandamento: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele” (João 14.21). Ora, o mandamento que dá direito a tesouro no céu é crer naquele que Deus enviou: “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” (1 João 3:23).

O rei Saul seguiu a sua própria avareza, pois quis lucrar em cima da ordem de Deus! Deixou de servir a Deus e passou a ajuntar tesouro para si mesmo, e mostrou-se um insensato.

“Como a perdiz, que choca ovos que não pôs, assim é aquele que ajunta riquezas, mas não retamente; no meio de seus dias as deixará, e no seu fim será um insensato.” (Jeremias 17.11).

Deus deixou estabelecido na lei que terá misericórdia dos que o amam, ou seja, dos que guardam os seus mandamentos. “E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos” (Êxodo 20.6). ‘Amar’ neste verso não se refere a afeição ou paixão, e sim a obediência, mandamento conforme o que Jesus disse: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (João 14.15 e 23 -24).

Se o homem quer alcançar a misericórdia de Deus basta obedecê-lo de todo o coração, de toda a alma, de todas as suas forças e de todo o entendimento “Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças” (Deuteronômio 6.5). Deus estabeleceu que se agrada daquele que O obedece, e não daquele que é voluntarioso em sacrificar.

Para obedecer a Deus, primeiro é necessário ouvir a palavra de Deus, porém, ao ver a manifestação divina no monte, o povo de Israel rejeitou ouvir o que Deus tinha a dizer, posicionamento diferente de Moisés “E todo o povo viu os trovões e os relâmpagos, e o sonido da buzina, e o monte fumegando; e o povo, vendo isso retirou-se e pôs-se de longe. E disseram a Moisés: Fala tu conosco, e ouviremos: e não fale Deus conosco, para que não morramos” (Êxodo 20.18-19).

Quando Israel estava para sair do Egito, Deus estabeleceu que aquele dia seria o primeiro do primeiro mês do calendário judaico e, aos dez dias do primeiro mês dos anos que estavam por vir, cada família de Israel deveria comemorar a páscoa.

Deus deu regras específicas para sacrificarem o cordeiro ou cabrito. Cada família deveria separa um cordeiro ou um cabrito sem mancha ou mácula, macho de um ano, no décimo dia do primeiro mês, e permanecer de posse do cordeiro ou do cabrito até o decimo quarto dia, quando todo o Israel (congregação) deveria sacrificá-lo à tarde (Êxodo 12.6).

O sangue deveria ser passado na verga da porta, comerem a carne do cordeiro assado no fogo com pães ázimos e ervas amargosas, etc. Não era para sobrar nada do cordeiro, mas o que sobrasse deveria ser queimado no fogo. Tudo o que os judeus fizessem deveria fazê-lo apressadamente e com os lombos vestidos, pés calçados e cajado nas mãos (Êxodo 12.11).

Deus estava interessado no sacrifício? Não! O sacrifício era tão somente um modo de Deus ensiná-los a obediência. Fazer tudo quando Deus disse era um modo de ensiná-los que Deus se agrada daquele que O amam, ou seja, que O obedece.

Obedecer a Deus é a regra de ouro!

Certa feita o povo de Israel pressionou Moisés por água no deserto de Refidim e murmurou contra Moisés como se fosse ele que tivesse trazido o povo ao deserto. Moisés clamou a Deus, e Deus disse para que ele passasse adiante da multidão juntamente com os anciões de Israel e de posse da vara que feriu o mar. Deus ordenou a Moisés que ferisse a rocha, e após Moisés ferir a rocha, o povo de Israel bebeu água (Êxodo 17.6).

Passado algum tempo, o povo de Israel novamente sentiu sede e pressionou Moisés e Arão como se fossem eles que tivessem trazido a congregação ao deserto de Zim. Novamente Deus falou a Moisés para reunir a congregação, e de posse da vara, Moisés deveria falar à rocha.

Moisés reuniu o povo como Deus lhe ordenará, porém, se exasperou, chamando o povo de rebelde e, sem prestar atenção no que fazia, em vez de falar à rocha, com a vara por duas vezes golpeou a rocha (Números 20.11).

Por Moisés e Arão não terem obedecido ao mando de Deus, Deus estabeleceu a pena:

“Porquanto não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, por isso não introduzireis esta congregação na terra que lhes tenho dado” (Números 20.12).

Deus deixou o povo ter sede e fome no deserto para ensiná-los a obediência (Deuteronômio 8.2), mas na hora do elemento mais importante do ensino, que era o exemplo de como se obedece a Deus, golpeando quando Ele ordena, e falando quando Ele determina, Moisés e Arão se esqueceram do elemento mais importante: a palavra de Deus.

Não obedecer a voz de Deus conforme o que Ele diz é incredulidade. Fazer o que Deus determinou para servir um sentimento próprio, como foi o caso de Moisés exasperar, dá azo a esquecer do que foi determinado, portanto, é o mesmo que não crer.

Moisés e Arão perderam o direito de entrar na terra prometida por não dar ouvidos à palavra de Deus, assim como o povo de Israel que saiu do Egito não deu crédito a palavra de Deus quando instados a entrar na terra prometida e pereceram todos no deserto.

“E que todos os homens que viram a minha glória e os meus sinais, que fiz no Egito e no deserto, e me tentaram estas dez vezes, e não obedeceram à minha voz, não verão a terra de que a seus pais jurei, e nenhum daqueles que me provocaram a verá” (Números 14.22 -23).

Quando Jesus chegou à cidade de Nazaré, os seus conterrâneos esperavam que fosse operado em Nazaré sinais miraculosos semelhantes aos que Jesus operou em Cafarnaum (Lucas 4.23), porém, quando Jesus notificou os seus ouvintes que nenhum profeta é bem recebido em sua pátria, ficaram irados e, após expulsarem Jesus da cidade, intentavam precipitá-Lo do cume do monte onde a cidade foi edificada (Mateus 4.24).

E como Jesus evidenciou o fato de nenhum profeta ser bem recebido em sua pátria? Citando dois milagres das Escrituras que envolviam estrangeiros:

  1. A viúva de Sidom, em Sarepta “Em verdade vos digo que muitas viúvas existiam em Israel nos dias de Elias, quando o céu se cerrou por três anos e seis meses, de sorte que em toda a terra houve grande fome; E a nenhuma delas foi enviado Elias, senão a Sarepta de Sidom, a uma mulher viúva” (Lucas 4.25-26);
  2. O capitão do exército do rei da Síria, o sírio Naamã “E muitos leprosos havia em Israel no tempo do profeta Eliseu, e nenhum deles foi purificado, senão Naamã, o sírio” (Lucas 4.27).

O fato de citar estes dois eventos miraculosos operados por Deus por intermédio dos profetas Elias e Eliseu fez com que os seus ouvintes ficassem muito irados, a ponto de intentarem matar Jesus.

Por que os judeus ficaram irados por Jesus evidenciar que, mesmo havendo muitos leprosos em Israel, Deus purificou um leproso sírio? Porque a abordagem de Jesus, além de colocar judeus e gentios em pé de igualdade, deixou claro que o favor de Deus também alcança os gentios.

“E aqueles dezoito, sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, cuidais que foram mais culpados do que todos quantos homens habitam em Jerusalém? Não, vos digo; antes, se não vos arrependerdes, todos de igual modo perecereis” (Lucas 13.4-5).

É fato: ‘Qualquer que invocar o Senhor será salvo’, e a passagem de Naamã demonstra esta verdade (Joel 2.32).

Outro fato: os ouvintes de Nazaré precisavam mudar a concepção acerca de Cristo: Ele não era filho de José (Lucas 4.22), antes era o cumprimento da profecia de Isaías que diz: “O Espírito do Senhor é sobre mim…” (Isaías 61.1), portanto, um filho nascido na casa de Jessé, o Filho de Deus:

“PORQUE brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. E deleitar-se-á no temor do SENHOR; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos” (Isaías 11:1 -3).

Diferentemente das cidades circunvizinhas em que operou muitos milagres, na cidade em que cresceu, Jesus se apresentou aos ouvintes da sinagoga como aquele cuja missão era evangelizar, e que as Escrituras davam testemunho de que o Espírito de Deus estava sobre Ele, assim como João Batista testificava “No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (João 1.29).

Todos na sinagoga se maravilharam com as palavras de Jesus, mas em vez de observarem o cumprimento da passagem do profeta Isaías diante dos seus olhos, guiaram-se por um pensamento humano: “Não é este o filho de José”? (Lucas 4.22).

Como não compreenderam que as Escrituras se cumpriam n’Ele, Jesus passou a destacar que nenhum profeta é honrado em sua pátria, visto que Elias e Eliseu não eram honrados pelo rei e pelo povo como profetas de Deus, no entanto, os conterrâneos de Jesus demonstraram por seus atos que Jesus era O enviado de Deus quando intentaram mata-lo.

Isto significa que alguém enviado de Deus deve ser aceito pelo que a palavra de Deus fala, e não pelos milagres que opera. Um profeta de Deus pode realizar sinais miraculosos ou não, a exemplo de João Batista, que não realizou sinais miraculosos (João 10:41).

A passagem de Naamã é emblemática porque é um prenuncio de que os gentios receberiam a verdade do evangelho, e o povo de Israel não. Ora, da mesma forma que Naamã atendeu a ordem do profeta Eliseu e mergulhou no rio Jordão sete vezes, os gentios atenderam o chamado de Deus crendo em Cristo, o que os filhos de Israel não fizeram (João 1:12).

O milagre de Naamã é ilustração da parábola dos dois filhos, pois Naamã num primeiro momento rejeitou para seu próprio benefício atender a ordem do profeta, porém, arrependeu-se (mudança de concepção) e cumpriu a ordem. Já os filhos de Israel não atenderam quando ouviram a mensagem de Cristo, e nem quando viram os sinais miraculosos operados por Ele.

“Os ninivitas ressurgirão no juízo com esta geração, e a condenarão, porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que está aqui quem é mais do que Jonas. A rainha do meio-dia se levantará no dia do juízo com esta geração, e a condenará; porque veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que está aqui quem é maior do que Salomão” (Mateus 12.41 -42).

 

Como se preparar para uma campanha

O presente século dispõe de muitos atrativos para embotar o entendimento dos incautos, e a busca por promoção e realização pessoal é fascínio que pode atrair o crente e fazê-lo se afastar da verdade.

“Contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais.” (1 Timóteo 6.5);

“Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores.” (1 Timóteo 6.10).

Como já aprendemos, desviar-se da fé é desviar-se do evangelho, e se transpassar de dores é se lançar somente às conquistas pessoais.

“E os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa.”  (1 Coríntios 7.31).

Jesus Cristo, na parábola do Semeador, destaca a importância de se compreender a mensagem do evangelho, pois na falta de compreensão há campo vasto para atuação do adversário: o maligno arrebata o que foi ensinado!

“Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho.” (Mateus 13.19).

É importante frisar, que todo aquele que crê em Cristo, conforme diz as Escrituras, será salvo. Entretanto, Jesus deixou claro aos seus seguidores que é imprescindível compreender a mensagem do evangelho para que possam frutificar, evitando assim que sejam demovidos do evangelho por ação do maligno.

“Ouvindo alguém a palavra do reino, e não a entendendo, vem o maligno, e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que foi semeado ao pé do caminho (…) Mas, o que foi semeado em boa terra é o que ouve e compreende a palavra; e dá fruto, e um produz cem, outro sessenta, e outro trinta” (Mateus 13.19 e 23).

Aquele que ouve a mensagem de salvação e não compreende está vulnerável aos ataques do inimigo, pois a semente que foi semeada será arrancada. O primeiro entrave na batalha é a falta de compreensão.

Mas, os riscos não se resumem a falta de compreensão, pois em segundo lugar temos a angustia e a perseguição por causa do evangelho, empecilhos que fazem com que a pessoa desista da esperança proposta.  Para que a compreensão não fique embotada e o cristão seja capaz de desprezar a angustia e a perseguição, deve desejar ardentemente o leite Racional não falsificado, ou seja, se empenhar em compreender todas as nuances do evangelho de Cristo, de modo que saiba mensurar o cumprimento, a largura, a profundidade e a altura do amor de Deus revelado em Cristo (Efésios 3.18).

O terceiro risco para quem milita no evangelho são os cuidados deste mundo e a sedução de angariar prestigio no seio da comunidade que frequenta, questões que sufocam a mensagem do evangelho bloqueando a produção de fruto.

Os cuidados com relação as questões deste mundo, e a glória que a ‘riquezas’ (gloria de homem) podem proporcionar (João 5.44), é o que torna a semente que foi semeada entre espinhos infrutífera. Uma vez infrutífero, o tal está sujeito a ser cortado da videira (João 15.2).

“E o que foi semeado entre espinhos é o que ouve a palavra, mas os cuidados deste mundo, e a sedução das riquezas sufocam a palavra, e fica infrutífera;” (Mateus 13.22).

Os adeptos do enganador são sutis e astutos, pois sorrateiramente disseminam heresias de perdição, entretanto, cabe única e exclusivamente ao crente rejeitar o engano. Em Cristo, o cristão tem plena liberdade, de modo que todas as coisas são lícitas, porém, precisa analisar a proposta das campanhas à luz das Escrituras.

Sabemos que a campanha do crente é ininterrupta, pois ao nascer de novo passa a ser membro da família de Deus, e assim deixa de pertencer ao mundo, e isto significa que foi engajado em uma batalha que está travada.

Não há descanso ou trégua. As recomendações são bem incisivas:

“Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar;” (1 Pedro 5.8);

Orando em todo o tempo com toda a oração e súplica no Espírito, e vigiando nisto com toda a perseverança e súplica por todos os santos,” (Efésios 6.18).

Só é sóbrio aqueles que não se embriaga no vinho em que há contenda, ou seja, aquele que não se envereda pelo ensinamento dos judaizantes (Efésios 5.15-18), pois suas vinhas são do campo de Sodoma e Gomorra: condenação e morte. Mas, para se desviar das obras infrutuosas das trevas (judaizantes) se faz necessário ser pleno do espírito, que é a palavra do evangelho.

“Porque a sua vinha é a vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra; as suas uvas são uvas venenosas, cachos amargos têm.” (Deuteronômio 32.32);

“O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica.” (2 Coríntios 3.6);

“E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito;” (Efésios 5.18).

O ‘vinho’ e o ‘espírito’ citados em Efésios 5, verso 18, diz da ‘letra’ e do ‘espírito’ em 2 Coríntios 3, verso 6. Encher do espírito não se refere ao Espírito Santo, uma das pessoas da divindade, e sim, ao evangelho, que também é denominado espírito.

Um dos maiores problemas que o cristão enfrenta quanto a erros, geralmente decorre de má leitura do texto bíblico. Ora, é imprescindível ao cristão ser sóbrio e orar sem cessar. Ser sóbrio é não se imiscuir nas questões judaizantes, mas como orar sem parar?

Os termos gregos utilizados para ‘orar’ e ‘oração’ são, respectivamente, προσευχη (proseuche) e προσευχομαι (proseuchomai), e o apóstolo Paulo utiliza os dois termos para orientar os cristãos a orarem o tempo todo. Os cristãos precisariam fazer orações em todos os momentos, sem pausa alguma? Foi essa a determinação? É logico que não.

O termo orar foi utilizado no sentido de confiar, ou seja, o cristão deve confiar (perseverar, vigiar) em Deus todo tempo, com oração e súplica no espírito. O cristão deve perseverar crendo (orando) em Cristo sempre, e quando expressar a sua confiança em Deus através de palavras (oração e suplica), que o faça em conformidade com o evangelho (espírito).

Se o crente estiver em Cristo, e o espírito de Cristo no crente, o crente pode pedir a Cristo o que quiser, e Cristo mesmo O fará.

“Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.” (João 15.7);

“O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.” (João 6.63);

“E qualquer coisa que lhe pedirmos, dele a receberemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos o que é agradável à sua vista. E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento. E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado.” (1 João 3.22-24).

Estas três passagens bíblicas estão intrinsecamente ligadas, pois aponta o significado de espírito, e que o espírito (palavra de Cristo) é que guardemos os seus mandamentos, e que quem crê em Cristo guardou o mandamento de modo que está em Cristo e Cristo nele.

E qual a prova de que Cristo está em quem crê n’Ele? Pela sua palavra, ou seja, pelo espírito que foi dado. Se é pelo espírito que foi dado que temos certeza que estamos em Cristo, não podemos crer em qualquer espírito (1 João 4.1).

Quando os soldados se alistam para guerra não vão direto para a frente de batalha (front), antes é submetido a um treinamento. Durante o treinamento tem contato com um conteúdo teórico antes da prática, e com o cristão não deve ser diferente.

O crente começa a sua campanha adquirindo conhecimento ou, segundo a figura do recém-nascido, precisa se alimentar de leite racional, e por isso o apóstolo Pedro exorta:

“Desejai afetuosamente, como meninos RECÉM NASCIDOS, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo;” (1 Pedro 2.2).

O apostolo Paulo exorta em todas as suas epístolas que se faz necessário ao crente aumentar o seu conhecimento e discernimento, de modo que a oração (rogo) do apóstolo dos gentios a Deus era para que fossem cada vez mais obedientes (amor cresça), e para isso é imprescindível conhecimento e plena percepção.

“E peço isto: que o vosso amor cresça mais e mais em ciência e em todo o conhecimento,” (Filipenses 1.9);

O apostolo dos gentios se punha de joelhos (orava, rogava, intercedia) para que os cristãos de Éfeso (Efésios 3.14), para que pelo evangelho (fé) eles fosse um (habitar, conhecer) com Cristo, sem se demoverem da obediência (fundados e arraigados em obediência) (Efésios 1.17), para que pudessem compreender perfeitamente a dimensão do amor de Deus (Efésios 1.18).

O apóstolo Paulo enfatizava a importância de se conhecer a dimensão do evangelho se interpondo como exemplo:

“Por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo,” (Efésios 3.4).

O apóstolo Paulo é enfático ao dizer que NINGUÉM que está em guerra se embaraça com NEGÓCIOS desta vida “Ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra” (2 Timóteo 2.4).

Deixando de lado a linguagem com viés ‘belicoso’ utilizado pelo apóstolo Paulo, Jesus deixou claro que NINGUÉM que lança mão do arado OLHA PARA TRÁS “E Jesus lhe disse: Ninguém, que lança mão do arado e olha para trás, é apto para o reino de Deus” (Lucas 9.62).

Para falar acerca do que é necessário ao Cristão há três figuras utilizadas pelos apóstolos:

  1. O leite para o recém-nascido;
  2. A armadura para o soldado de Cristo, e;
  3. A lavoura de Deus ( 1Co 3:9 ).

A fase de menino quanto ao entendimento é própria a todos os cristãos, porém, esta fase deve ser superada o quanto antes. Enquanto menino o cristão toma conhecimento dos princípios (rudimentos) da doutrina de Cristo, mas com o decorrer do tempo deve prosseguir até a perfeição, ou seja, alcançar a medida da estatura de Cristo “Até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4.13).

O menino através do leite que lhe é ministrado compreende alguns aspectos da fé, já o homem perfeito participa de alimento sólido, pois é experimentado na palavra da justiça, ou seja, não compreende aspectos da fé, e sim, a unidade (plenitude) da fé.

Vale destacar que tanto o menino quanto o homem perfeito são herdeiros da mesma promessa e aptos (idôneos) para participar da herança dos santos na luz, ou seja, são salvos em Cristo Jesus (Colossenses 1.12). Porém, aos meninos cabe ser diligentes em aprender, e aos perfeitos cabe o oficio de ensinarem aos outros “E o que de mim, entre muitas testemunhas, ouviste, confia-o a homens fiéis, que sejam idôneos para também ensinarem os outros” (2 Timóteo 2.2).

O escritor aos Hebreus descreve a condição de alguns cristãos que deveriam ser mestres, mas que permaneciam necessitados de leite:

“Do qual muito temos que dizer, de difícil interpretação; porquanto vos fizestes negligentes para ouvir. Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal. POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus” (Hebreus 5.11-14 e 6.1).

O termo grego no texto traduzido por ‘perfeito’ não tem em si questões de ordem moral, antes destaca uma questão funcional. Contemporizando o termo traduzido por ‘perfeito’, seria o mesmo que dizer que o mantimento sólido é para os adultos (perfeitos).

Como mensurar quem é perfeito? O perfeito é aquele que não tropeça na palavra da verdade, ou seja, que com relação a doutrina do evangelho não comete equívocos “Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, o tal é perfeito, e poderoso para também refrear todo o corpo” (Tiago 3.2).

O mestre é aquele que ‘refreia’ todo o corpo, ou seja, é o que detém o poder necessário para instruir, redarguir e repreender os membros do corpo de Cristo.

Sin.: sujeitar, subjugar, dominar, conter, moderar, reter.

A campanha do crente está exarada em Oseias 6, verso 3:

“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra” (Oseias 6.3).

‘Conhecer’ ao Senhor é se tornar um com Ele, ou seja, participante do corpo, membro do corpo de Cristo “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (João 17:21). O primeiro ‘conhecer’ refere-se a comunhão íntima, participante da mesma natureza (2 Pedro 1.4).

E como prosseguir em ‘conhecer’ ao Senhor? Se dá inicialmente através do leite racional até que o crente passa a se alimentar com alimento sólido! O desenvolvimento do crente tem início quando se inteira dos rudimentos da doutrina de Cristo, e com o aprendizado constante, chega-se a estatura de varão perfeito.

O crente que possui a estatura de varão adulto, compreende:

  1. Qual é a esperança da vocação que Deus concedida por Deus (1 João 3.2);
  2. Quais as riquezas da glória da herança nos santos (Colossenses 1.27);
  3. Qual a sobre-excelente grandeza do poder de Deus ao conceder a salvação (Efésios 1.18);
  4. Qual a largura, comprimento, altura e profundidade do amor de Cristo;
  5. Quando é cheio da plenitude de Deus (Efésios 3.18);
  6. Quando chega à estatura de varão perfeito, à estatura de Cristo (Efésios 4.13);
  7. Quando anda dignamente diante do Senhor e frutificando em toda boa obra (Colossenses 1.10);
  8. Quando cresce mais e mais em amor;
  9. Quando é sincero e sem escândalo algum;
  10. Quando é cheio do fruto de justiça, e;
  11. Aprova as coisas excelentes (Filipenses 1.10).

O menino, além de não poder comer alimento sólido, também não é enviado para guerra. Só é soldado de Cristo aquele que está apto a sofrer as aflições de Cristo, o que não é exigível de um menino (2 Timóteo 2.3). É por isso que o apóstolo Paulo instou Timóteo a se fortificar na graça que há em Cristo (2 Timóteo 2.1).

‘Fortificar’ é tradução do termo grego ἐνδυναμόω (endunamoó) que significa ‘tornar-se capaz’, ‘habilitado’, exortação que se estende a todos os cristãos: “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” (Efésios 6.1).

A habilidade se alcança através do exercício, por isso é dito:

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2 Timóteo 2.15).

Para salvação é Cristo que habilita o crente, vez que se torna limpo pela palavra anunciada por Cristo, mas para a condição de obreiro é o crente se apresenta aprovado, portanto, tem que se habilitar.

Aquele que maneja ‘bem’ a palavra da verdade é o que se habilitou (fortaleceu) no Senhor! Já a ‘força do poder de Deus’ se compara a uma armadura, e se refere ao evangelho, que é poder de Deus (Romanos 1.16). Somente a armadura de Deus dá suporte ao crente para resistir as astutas ciladas do diabo (Efésios 6.11).

O crente tem duas missões fundamentais como soldado de Cristo: defender a verdade do evangelho e atacar as fortalezas do inimigo.

As armas do crente não são carnais (sábados, luas, sacrifícios, circuncisão, etc.), ou seja, são espirituais (evangelho). O evangelho contém o poder necessário para destruir as fortalezas inimigas, que consiste nas mais variadas concepções (entendimento) de como o homem se salva.

O evangelho de Cristo tem o poder de destruir conselhos e altivez, tornando os homens cativos no entendimento, ou seja, servos de Cristo.

“Destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” (2 Coríntios 10.5).

É por intermédio do evangelho que o crente se defende das investidas do adversário, apagando os dardos inflamados do inimigo (doutrinas de engano). É através do escudo da fé (evangelho) que o crente mantém inalterada a doutrina dos apóstolos e dos profetas (Efésios 2.20).

Defesa do evangelho é conservar a fé (evangelho), a campanha da boa milícia:

“Este mandamento te dou, meu filho Timóteo, que, segundo as profecias que houve acerca de ti, milites por elas boa milícia; Conservando a fé, e a boa consciência, a qual alguns, rejeitando, fizeram naufrágio na fé” (1 Timóteo 1.18-19).

O apóstolo Paulo deu testemunho que fez uma boa campanha, pois combateu um bom combate, acabou a carreira e conservou a fé intacta.

“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2 Timóteo 4.7).

Qualquer campanha ilegítima, que não seja a defesa do evangelho, não dá direito a recompensa. Se o objetivo da campanha é alcançar algum negócio pertinente a esta vida, não é uma campanha legitima, pois, o tesouro do crente é a posse da vida eterna.

“E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente” (2 Timóteo 2.5).

 

A campanha de Jericó

Acreditar é suficiente par alcançar alguma bênção? Responder essa pergunta é imprescindível para analisar a validade das campanhas de concentração de fé.

Quando o sucessor de Moisés, Josué, e o povo juntamente tomaram a cidade de Jericó, assim o fizeram não somente por acreditarem. Na verdade Josué e o povo estavam obedecendo ao mando de Deus.

Josué bem sabia que de nada adianta acreditar, ou fazer uma concentração de pessoas entorno de um objetivo quer seja comum ou difuso, pois ele viu no que resultou quando os filhos de Israel resolveram tomar a terra prometida: morrerem a espada nas mãos dos amalequitas e cananeus (Números 14.45). A concentração de pessoas em função de suas crendices nada resolve!

Josué não fez propósito de invadir Jericó, antes Deus havia feito uma promessa ao crente Abraão, e com base nessa promessa é que marcharam em direção a Jericó.

Quando alguém incita as pessoas a fazerem um propósito com Deus, ou durante uma campanha incentiva as pessoas a mentalizarem o que desejam receber de Deus, tal proposta não tem amparo na passagem da queda dos muros de Jericó.

Apelos como: – “Deus é dono do ouro e da prata e prometeu para você o melhor dessa terra”. – “Se você tem um apartamento, o melhor é ter dois”. – “Se você tem um carro, o melhor ter dois carros”. – “Restaure a sua família, restaure a paz no seu lar”. – “Tenha seu esposo (a) de volta”, etc., portanto, venha fazer a campanha dos ‘Sete mergulhos de Naamã’, ou ‘Derrubando as muralhas de Jericó’, etc., são todos falaciosos.

Observando a passagem bíblica da vitória de Israel sobre o povo de Jericó, constata-se que já havia passado quarenta anos em que o povo de Israel estava peregrinando no deserto por desobedecerem a Deus.

É fácil notar através do texto bíblico que a vitória de Israel sobre Jericó não foi proveniente de uma campanha ou de um propósito, quer seja de Josué ou do povo. Foi Deus quem estabeleceu que daria a terra da promessa aos descendentes da carne de Abraão, e para esse mister Deus escolheu Josué para liderar o povo de Israel e cumprir a sua palavra a Abraão, portanto, a conquista de Jericó era um propósito de Deus.

O propósito de atacar Jericó não partir de Josué ou do povo, antes Deus já havia estabelecido aos pais que todas as terras dalém do Jordão seriam terras de Israel. Foi Deus quem estabeleceu o número de voltas e o que deveriam fazer para conquistar a cidade de Jericó, portanto, a invasão de Jericó não resultou de uma campanha aos moldes do que se vê nas “igrejas” hoje.

Não foi Josué e nem o povo que fez propósito ou voto de rodearem a cidade por seis dias em silêncio, ou de rodearem a cidade de Jericó por sete vezes ao fim da sétima volta. Nem mesmo partiu do povo a iniciativa de incumbirem os sacerdotes para tocar as trombetas, ou de gritar com grande voz sob ordem de Josué.

Na campanha de Jericó Deus levou a efeito o seu propósito, já as campanhas em nossos dias induzem as pessoas a fazerem um propósito. Na batalha de Jericó Josué cumpriu uma ordem de Deus, já as campanhas de hoje incitam o povo a barganhar com Deus.

Qualquer campanha que ensine o povo a batalhar por bens terrenos, sob o argumento ‘mostre a tua fé fazendo uma doação’, ou ‘dê aquilo que você deseja multiplicar’, não passa de engodo.

Não foi o povo que estabeleceu o que queriam conquistar com aquela manobra militar contra Jericó. A derrocada de Jericó não se deu porque o povo fez a campanha e Deus ficou em débito com eles.

Quem pensa que a campanha contra Jericó foi fácil, está equivocado. A campanha contra Jericó era o termino de uma lição que durou quarenta anos, sendo que seiscentos mil homens que saíram do Egito morreram no deserto para que os seus filhos pudessem entender que Deus quer obediência à sua palavra, e não voluntariedade e sacrifícios.

Você pode argumentar: – “Mas isto foi no Antigo Testamento, irmão Claudio. Agora, estamos na graça, portanto, muita coisa mudou”. Deus não muda e nem as suas exigências para com os seus servos!

 

Posso participar de campanhas?

Amado, após as análises acima, esclareço que até podemos ir a uma reunião intitulada ‘campanha’, vez que a liberdade do cristão é plena. “Todas as coisas me são lícitas…” (1 Coríntios 10.23).

A Bíblia deixa claro que aquele que está em Cristo (nova criatura) goza de plena liberdade. “Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor” (Gálatas 5.13).

Ora, como fomos chamados à liberdade, devemos permanecer firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, ou seja, no evangelho (Gálatas 3.1). Apesar de livres, a ponto de todas as coisas serem lícitas para os cristãos, o apóstolo Paulo deixa uma ressalva:

“… mas nem todas as coisas convêm (…) nem todas as coisas edificam” (1 Coríntios 10.23).

Agora que você sabe que tem liberdade para participar de ‘campanhas’ como os ‘Sete mergulhos de Naamã’, analise se tal prática edifica, ou se é conveniente do ponto de vista bíblico.

Considerando a liberdade que o crente possui, o apóstolo Paulo recomenda aos cristãos que não voltem a se colocarem debaixo do jugo da servidão, ou seja, da lei.

Como cristão podemos circuncidar o prepúcio da carne, visto que temos liberdade, mas se o objetivo é se tornar membro da comunidade judaica para alcançar a salvação, a prática da incisão é dar ocasião a carne, portanto, ilícito e não edifica.

A circuncisão pode ser feita pelo cristão pelos mais variados motivos, desde uma recomendação médica, ou porque simplesmente desejou fazer. Nesses casos é licito, mas isso não significa que edifica.

O apóstolo Paulo para levar Timóteo consigo, submeteu Timóteo à circuncisão, entretanto, o objetivo de ambos era ter entrada entre os judeus, visto que Tiago era filho de judia, mas de pai grego.

“Paulo quis que este fosse com ele; e tomando-o, o circuncidou, por causa dos judeus que estavam naqueles lugares; porque todos sabiam que seu pai era grego.” (Atos 16.3).

Quando é que a circuncisão se torna inconveniente e nem edifica? Quando se anuncia que a circuncisão tem o intuito de salvar (Atos 15.1). Se o crente se deixar circuncidar por imposição de alguma concepção religiosa, sob o pretexto de alcançar a salvação ou de se aproximar de Deus, tal posicionamento é inconveniente ao evangelho.

Tudo o que impede o crente de obedecer a verdade do evangelho é inconveniente e não edifica (Gálatas 3.7). Nada da antiga aliança pode ser amalgamado ao evangelho de Cristo, pois em Cristo só é permitido os ázimos da sinceridade, portanto, a doutrina de Cristo é livre do fermento da doutrina dos fariseus.

Se alguém te convidar para uma reunião onde se propõe uma campanha que enfatize a necessidade de fazer um propósito para alcançar alguma benesse de Deus, considere o que disse Naamã após ter sido curado da lepra:

“Eis que agora sei que em toda a terra não há Deus senão em Israel” (2 Reis 5.15).

A cura de Naamã fez com ele concluísse que em toda a terra não havia Deus, senão em Israel. Mas, o mais importante não foi a cura, antes foi Naamã ter obedecido a ordem de Deus por intermédio do profeta, pois quando mergulhou sete vezes, Naamã tornou-se filho de Abraão, pois creu assim como Abraão.

“Assim como Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado como justiça. Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão. Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti. De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão.” (Gálatas 3.6-9).

Abraão creu quando saiu do meio da sua parentela, e Naamã quando foi mergulhar em um rio desconhecido. Ambos obedeceram ao chamado de Deus, Abraão porque foi a um lugar que recebeu por herança, e Naamã a um rio com promessa de alcança uma cura.

“Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.” (Hebreus 11.8).

Participar de uma campanha dos ‘Sete mergulhos de Naamã’ tem por objetivo te levar a conclusão que há Deus somente em Israel? Você ainda não é filho de Abraão?

Se você deseja ir até um ajuntamento de pessoas reunidas sob o pretexto de uma campanha para ver algum milagre, sinal, etc., lembre-se que os sinais são dados aos infiéis, já que a profecia é sinal para os fiéis, como Abraão e Naamã.

“De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis.” (1 Coríntios 14.22).

Naamã creu em Deus ao mergulhar sete vezes no rio Jordão, e o cristão crê em Deus (no testemunho acerca do seu Filho Jesus Cristo) quando creu que Jesus é o Filho do Deus vivo (1 João 5.10-11).

Naamã recebeu um mandamento e creu quando mergulhou sete vezes. Deus deu o Seu Filho, e o crente creu em Deus quando creu que Jesus é o enviado de Deus. Naamã foi bem-aventurado porque não viu e creu, e após a cura, confessou com a boca que só em Israel há Deus. O crente da mesma forma, ouviu o mandamento de Deus (1 João 3.23), e agora dá testemunho que Deus ressuscitou a Cristo dentre os mortos.

“Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.” (João 20.29).

Não é em uma campanha de milagres que se compreende que o testemunho de Deus acerta do seu Filho é maior, portanto, não se deve esperar que um testemunho de uma graça alcançada em tal evento proporcionará o arrependimento bíblico. É mais provável que o testemunho de uma graça alcançada faça alguém crer no impossível, no milagre, no preletor, etc., do que efetivamente admitir: Jesus ressurgiu dentre os mortos!

Basta crer em Cristo que o homem passa a ter vida eterna, portanto, pode-se abrir mão de participar dessas campanhas.

“Se recebemos o testemunho dos homens, o testemunho de Deus é maior; porque o testemunho de Deus é este, que de seu Filho testificou. Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu. E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho. Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida. Estas coisas vos escrevi a vós, os que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna, e para que creiais no nome do Filho de Deus” (1 João 5.9-13).

Se para participar de uma campanha é necessário dar alguma dádiva a quem promoveu o evento, considera, pois, participar de tal campanha é inconveniente e nem edifica. A concepção do recém convertido Naamã era ‘abençoar’, ‘agradecer’, ‘recompensar’, etc., o profeta, porém, Eliseu rejeitou tal dádiva.

“… agora, pois, peço-te que aceites uma bênção do teu servo. Porém ele disse: Vive o SENHOR, em cuja presença estou, que não a aceitarei. E instou com ele para que a aceitasse, mas ele recusou” (2 Reis 5.15-16).

Ouro, prata, dinheiro, joias, carros, vestimentas, etc., são bênção? É possível abençoar com dinheiro? Analise a seguinte proposta: vou te abençoar com dinheiro, mas cuidado, o amor ao dinheiro é a raiz de toda espécie de males (1 Timóteo 6.10). Se Eliseu recusou aceitar uma doação, por que muitos insistem em pedir dinheiro?

Eliseu dá um exemplo nítido de que, mesmo sendo licito um profeta aceitar uma doação, não convinha e nem edificava receber bens de Naamã. Eliseu aprendeu essa importante lição de Abraão, quando rejeitou receber despojos do rei de Sodoma.

“E o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as pessoas, e os bens toma para ti. Abrão, porém, disse ao rei de Sodoma: Levantei minha mão ao SENHOR, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, Jurando que desde um fio até à correia de um sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão; Salvo tão-somente o que os jovens comeram, e a parte que toca aos homens que comigo foram, Aner, Escol e Manre; estes que tomem a sua parte.” (Gênesis 14.21-24).

Para Naamã era suficiente crer que em Israel há Deus, mas para nos hoje, durante a plenitude dos gentios, é suficiente crermos que Jesus é o Filho de Deus, que morreu e ressurgiu, pois este é o mandamento que nos foi dado a obedecer:

“E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” (1 João 3.23).

Não há proveito em participar de uma campanha intitulada ‘Os sete mergulhos de Naamã’, visto que mergulhar no rio Jordão foi uma ordem específica a Naamã, portanto, sem efeito sobre qualquer outra pessoa. Se algum outro leproso corresse ao rio Jordão e mergulhasse, a cura não viria.

Hoje, o mandamento dado aos homens, que equivale a ordem dada a Naamã, é crer em Cristo. Semelhantemente, o Isaque a ser oferecido pelos homens hoje é crer em Cristo. O bolo a ser feito para o profeta com o pouco de farinha e azeite em nossos dias é crer em Cristo.

Deus provou Abraão exigindo o seu único filho em holocausto (Gênesis 22.18), e igualmente provou os filhos de Israel agraciando-os com o Maná, entretanto, esses foram reprovados e aquele aprovado. O que é mais difícil obedecer: imolar o único filho ou colher o alimento segundo a palavra de Deus?

“Então disse o SENHOR a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não.” (Êxodo 16.4).

O imaginário popular atribui força, poder, energia, etc., aos elementos da natureza como água, fogo, terra, ar, plantas, pedras, etc. Muitas pessoas influenciadas por suas religiões creditam aos elementos da natureza poderes curativos, dispersantes de energias negativas, etc., e quando líderes evangélicos anunciam campanhas com águas ungida, óleo abençoado, toalha ungida, farinha abençoada, etc., atraem os incautos que se tornam presas fáceis.

Nesse sentido, preletores lançam mão do próprio imaginário para atribuir significado a cada mergulho dado por Naamã. Não é de hoje que pregadores dão significado ao número de mergulhos que Naamã fez, e se esquecem que Deus pode curar com um mergulho ou sem mergulho algum. Esquecem que tudo o que foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, e que Deus estava ensinado a obediência.

O que Deus ensinou através da passagem de Jericó? É esta a lição: pouco esforço, grande vitória? Não! Deus ensinou que a sua palavra é fiel e verdadeira e que Ele é poderoso para cumpri-La. A palavra que foi dita a Abraão foi cumprida, e Deus não necessitou de auxílio dos homens para executá-la.

“Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito, para que pela paciência e consolação das Escrituras tenhamos esperança” (Romanos 15.4).

Muitos vão atrás de campanhas objetivando alcançar uma dádiva e esperam que o pastor faça imposições de mãos e imprecações. Assim como Naamã, esperam que o ministro se poste em pé diante do povo, faça imprecações de bênçãos e imposições de mãos. Palavras de ordem, como: – “Receba!”; – “Toma a chave da bênção!”; – “Profetizo benção sobre a tua vida!”, etc., não faltam em tais reuniões.

Se um estrangeiro esperava que fosse atendido pelo profeta de Deus da forma descrita acima, percebe-se que em nossos dias não é diferente. Tais práticas são chamariz dos falsos apóstolos, pois realizam o que muitos, com a mentalidade embotada, esperam que um homem de Deus faça.

“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz” (2 Coríntios 11.13-14).

Muitos pastores sabedores dos anseios das pessoas por uma resolução de um problema, e o que essas pessoas esperam que um ministro faça, prontamente se posicionam como intermediadores da bênção e buscam na Bíblia dar significado a elementos táteis de modo a fundamentarem a crença das pessoas, como: água do rio Jordão, ramos das oliveiras de Israel, tecidos da terra santa, porção de terra do monte Sinai, etc.

Quantos pastores e apóstolos vão as águas do rio Jordão e enganam os incautos, como se a cura de Naamã se deu em função das águas do rio Jordão. Enquanto Naamã pensava nas águas de Damasco, muitos são induzidos a pensar que o milagre ocorrerá se mergulhar nas águas do rio Jordão.

Quantas pessoas entendem que receberão milagres quando recepcionado por um pastor ou apóstolo? Quantos não reputam que, se o pastor se postar em pé, ou quando erguer as mãos, ou quando falar alto, etc., que Deus haverá de atender os seus pedidos? Quantos esperam que um pastor ou apóstolo passem as mãos sobre suas enfermidades, ou sobre fotos, ou imponham as mãos, e serão atendidos?

Basta ligar um rádio, uma televisão, ou acessar páginas na internet que inúmeras propostas semelhantes a essa aparecerão:

“Noites de milagre, curas e Libertação na Igreja (…) na campanha “Os Sete Mergulhos de Naamã.”

O apelo dos pastores, padres, anciões, etc., é: – “Coloque Deus a prova! Você e eu temos que conquistar. Deus é o Deus do impossível. É aqui que entra a nossa confiança em Deus”. Mentira!

A confiança do cristão deve estar firmada no firme fundamento estabelecido por Deus, que é Cristo. Cristo é a fé: o firme fundamento e a prova para aqueles que esperam a redenção.

“Porque em esperança fomos salvos. Ora a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos” (Romanos 8.24-25);

“ORA, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem” (Hebreus 11.1).

A ênfase do cristão sobre o poder de Deus é com relação a salvação, pois o que é impossível ao homem é se salvar, e não ser curado da lepra, ou derrubar os muros de Jericó.

“Os seus discípulos, ouvindo isto, admiraram-se muito, dizendo: Quem poderá, pois, salvar-se? E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível” (Mateus 19.25-26).

Agora que você sabe que tem liberdade para participar de ‘campanhas’ como os ‘Sete mergulhos de Naamã’, fica um conselho: não vá.

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

Um comentário em “Campanha ‘Os sete mergulhos de Naamã’

  • 10/08/2019 em 05:46
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    Boom diiaa a Paz e graça de nosso senhor Cristo huumm mim sinto muito abençoado após encontrar este App de estudos tenho mim esforsado muito para aprender a mim separar do catecismo e a passar a ser um cristão e aqui eu estou mim encontrando parabéns e que o senhor Jesus Cristo continui abençoado você mais e mais.

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