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A falta de confiança decorre da seguinte pergunta: – Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem? Se desconheciam quem era aquele homem que dormia sobre uma almofada na popa do barco, o resultado seria uma pequena confiança mesmo.


Jesus acalma a tempestade

“E, naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para o outro lado. E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos. E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia. E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos? E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança. E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Marcos 4:35-41).

 

Introdução

O evento no qual Jesus acalma uma tempestade foi registrado por Mateus, Marcos e Lucas (Mateus 8:23-27; Marcos 4:35-41; Lucas 8:22-25).

Esse milagre nos dá um vislumbre do poder de Jesus, o que evidencia que aquele homem da cidade de Nazaré era o Filho de Deus.

Embora os evangelhos sinóticos não deem abertamente o motivo pelo qual registraram esse milagre, temos no evangelista João o motivo:

“Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro. Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.” (João 20:31).

Por que é necessário destacar que o que foi escrito tem o condão de evidenciar que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus? Por que ainda é necessário destacar que somente crendo que Jesus é o Filho de Deus é possível obter vida?

Porque é grande o número de pessoas que relatam esse milagre somente para apresentar Jesus como um solucionador de problemas corriqueiros, e se esquecem de evidenciar que Jesus é a solução para o que é impossível aos homens!

“E eles se admiravam ainda mais, dizendo entre si: Quem poderá, pois, salvar-se? Jesus, porém, olhando para eles, disse: Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis.” (Marcos 10:26-27).

 

A tempestade

Certo dia Jesus contou várias parábolas ao povo e aos discípulos, e como já estava tarde, Jesus e seus discípulos entraram em um barco para atravessarem para o outro lado do lago (Lucas 8:22; Marcos 4:33-35).

Jesus e os discípulos deixaram uma multidão às margens, e seguiram pelo lago, e havia vários barcos que o seguiam.

Enquanto os discípulos navegavam, Jesus se acomodou sobre uma almofada na popa do barco e adormeceu. Em determinado momento, surgiu uma tempestade de vento, que se formaram ondas tão altas que cobriam o barco, o que colocava a todos em perigo, pois o barco se enchia de água (Mateus 8:24).

Foi quando os discípulos se achegaram a Jesus e O despertaram, dizendo: – ‘Mestre, mestre, perecemos!’; – ‘Mestre, não se te dá que pereçamos?‘; – ‘SENHOR, salva-nos! que perecemos.’ .

Jesus acordou, e censurou os discípulos, dizendo: – ‘Por que temeis, homens de pouca fé?’, e em seguida repreendeu o vento e as águas, e houve bonança (Mateus 8:26). As perguntas de Jesus continuaram: – Onde está a vossa fé?; Por que sois tão tímidos?; Ainda não tendes fé? (Marcos 4:40; Lucas 8:25).

Os discípulos, por sua vez, com um misto de medo, admiração e alegria, perguntavam uns aos outros:

Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?

 

Seguindo quem não conheciam

O que a tempestade evidenciou? Que os discípulos seguiam um desconhecido! Embora os discípulos chamassem Jesus de Mestre e Senhor, na verdade, desconheciam quem era o homem que seguiam.

Os irmãos Simão e André estavam junto ao mar da Galileia, quando Jesus passou e os convidou a segui-Lo, e eles, por sua vez, abandonaram as redes e passaram a seguir Jesus, mas não sabiam quem era aquele homem.

Mais adiante, Jesus viu os irmãos Tiago e João, filhos de Zebedeu, e ao serem convidados, deixaram o pai, Zebedeus e os seus jornaleiros, e passaram a seguir Jesus, mas desconheciam quem era o nazareno.

“E Jesus, andando junto ao mar da Galiléia, viu a dois irmãos, Simão, chamado Pedro, e André, os quais lançavam as redes ao mar, porque eram pescadores; E disse-lhes: Vinde após mim, e eu vos farei pescadores de homens. Então eles, deixando logo as redes, seguiram-no. E, adiantando-se dali, viu outros dois irmãos, Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, num barco com seu pai, Zebedeu, consertando as redes; E chamou-os; eles, deixando imediatamente o barco e seu pai, seguiram-no.” (Mateus 4:18-22).

Levi, o publicano, estava assentado na recebedoria, quando Jesus passou e o convocou, e Ele levantou e passou a seguir o Mestre, mas não sabia quem era aquele homem.

“E, passando, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na recebedoria, e disse-lhe: Segue-me. E, levantando-se, o seguiu.” (Marcos 2:14).

Embora não conhecessem quem era Jesus, os discípulos acompanharam o início do seu ministério, pois percorreram toda Galileia ouvindo Jesus ensinar nas sinagogas e pregar o evangelho, bem como curar todo tipo de enfermidades e moléstias. Embora acompanhassem alguém cuja fama percorreu até os países vizinhos, e grande multidão da Galileia, Decápolis, Jerusalém e da Judeia o seguissem, contudo, os discípulos ainda não conheciam Jesus.

“E percorria Jesus toda a Galiléia, ensinando nas suas sinagogas e pregando o evangelho do reino, e curando todas as enfermidades e moléstias entre o povo. E a sua fama correu por toda a Síria, e traziam-lhe todos os que padeciam, acometidos de várias enfermidades e tormentos, os endemoninhados, os lunáticos, e os paralíticos, e ele os curava. E seguia-o uma grande multidão da Galiléia, de Decápolis, de Jerusalém, da Judéia, e de além do Jordão.” (Mateus 4:23-25).

É possível andar lado a lado com Jesus por quase três anos, e no final do seu ministério ainda não conhece-Lo.

“Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto. Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.  Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?” (João 14:6-9).

Como era possível Jesus estar a tanto tempo com Felipe, e ele ainda não ter conhecido a Cristo?

Não foi Felipe que testificou de Cristo para Natanael? E o que disse Felipe a Natanael?

“Filipe achou Natanael, e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José.” (João 1:45).

Filipe já tinha achado Jesus, mas para ele Jesus era o filho de José, da cidade de Nazaré. Natanael, por sua vez, apesar de desdenhar da cidade que Jesus nasceu (João 1:46), ao ter um encontro com Cristo, confessou:

– “Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel.” (João 1:49).

Bastou Jesus declarar que viu Natanael debaixo da figueira antes de Felipe chama-lo, que foi suficiente para Natanael identificar o filho de José, da cidade de Nazaré, como sendo o Filho de Deus, portanto, Filho de Davi e o Rei de Israel.

O que Natanael descobriu no primeiro encontro, foi necessário aos demais discípulos ficarem a mercê de uma tempestade para só então se questionarem:

Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?

 

Bem-aventurados os que não viram e creram

Bastou Jesus dizer que viu Natanael debaixo da figueira, para Natanael crer em Cristo conforme as Escrituras: – “Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel.” (João 1:49), como bem disse o profeta Natã a Davi:

“Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens.” (2 Samuel 7:12-14).

Para os discípulos se questionaram quem era Jesus, o homem de Nazaré, Ele teve que acalmar os ventos e as águas.

E você? Conhece Jesus de fato? Quem é Jesus para você?

Durante o seu ministério, Jesus perguntou aos discípulos: – “Quem dizem os homens ser o Filho do homem?”. Os discípulos apresentaram várias respostas: “E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.” (Mateus 16:14).

Os homens não reconheciam Jesus como o Filho do homem, e tinham várias teorias acerca de quem seria o Cristo, mas em resumo acreditavam que o Filho do homem seria um profeta.

Jesus questionou os discípulos em seguida: – “E vós, quem dizeis que eu sou?”, foi quando Simão Pedro reconheceu que Jesus era o Filho do homem, e declinou o seu título e filiação:

Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

Por que pergunto quem é Jesus para você? Porque as respostas que os homens apresentam são inúmeras, mas poucos reconhecem ser Jesus o Cristo, o Filho de Davi.

Para alguns Jesus é tudo, mas não O conhecem de fato. Para outros Jesus é o médico dos médicos, o advogado dos advogados, o juiz dos juízes, etc., mas ainda não O conheceram.

Para Marta, a irmã de Lazaro, Jesus era mestre e amigo da família. Mas, mesmo quando a morte levou o seu irmão, Lázaro, que estava na sepultura há quatro dias, quando questionada se cria em Jesus, ela disse:

“Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.” (João 11:27).

Marta não precisou ver seu irmão ressurreto para confessar que cria que Jesus era o Cristo.

É por isso que Jesus ressurreto disse a Tomé: – “Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.” (João 20:29).

Como é possível não ver e crer? Só é possível através do testemunho das Escrituras! As Escrituras são um testemunho de Deus acerca do Seu Filho, e todos que creem por meio das Escrituras são bem-aventurados.

“Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu.” (1 João 5:10);

“Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro.” (João 3:33).

A importância das Escrituras foi destacada pelo apóstolo Pedro, de modo a demonstrar a superioridade das palavras anunciadas pelos profetas em contraste com qualquer experiência pessoal:

“Porque não vos fizemos saber a virtude e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, seguindo fábulas artificialmente compostas; mas nós mesmos vimos a sua majestade. Porquanto ele recebeu de Deus Pai honra e glória, quando da magnífica glória lhe foi dirigida a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me tenho comprazido. E ouvimos esta voz dirigida do céu, estando nós com ele no monte santo; E temos, mui firme, a palavra dos profetas, à qual bem fazeis em estar atentos, como a uma luz que alumia em lugar escuro, até que o dia amanheça, e a estrela da alva apareça em vossos corações. Sabendo primeiramente isto: que nenhuma profecia da Escritura é de particular interpretação. Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo.” (2 Pedro 1:16-21).

Embora os discípulos tenham visto a majestade de Cristo e ouvido uma voz dirigida dos céus, os apóstolos consideravam mui firme a palavra dos profetas, pois tudo o que vieram e ouviram nada mais era do que o cumprimento do predito pelos profetas.

 

Quem é esse homem?

Se os discípulos ao longo do ministério de Jesus olhassem para as Escrituras, e não para o que era aparente, o Jesus de Nazaré, filho de José, teriam a exata noção de quem era Jesus.

O Salmo 8, por exemplo, descreve com exatidão quem era o Filho do homem:

“Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome em toda a terra, pois puseste a tua glória sobre os céus! Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador. Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, As aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares. Ó SENHOR, Senhor nosso, quão admirável é o teu nome sobre toda a terra!” (Salmo 8:1-9).

Cristo é:

  1. Senhor nosso;
  2. Nome admirável em toda a terra;
  3. Glória soberana nos céus;
  4. Até da boca de criancinhas teria o perfeito louvor: Hosana ao Filho de Davi (Mateus 21:15);
  5. O universo foi criado por Ele (Hebreus 1:12; Salmos 102:25-27;
  6. Teve misericórdia do homem mortal;
  7. O Filho do homem os visitou;
  8. Menor que os profetas da antiguidade, mas coroado de glória e honra (Mateus 11:11);
  9. Diferente do homem terreno, Adão, o homem espiritual, espírito vivificante, tem domínio sobre tudo, e tudo está sob os seus pés.

As Escrituras são detalhista ao descrever o Filho do homem, e a extensão da sua majestade, poder, glória e humanidade estava registrado de modo a não se perguntarem uns aos outros quem era o Cristo, antes deveriam se ater as Escrituras.

“Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca. Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa.” (Miquéias 7:5-6).

Se os inimigos do Filho do homem seriam os da sua própria casa, não podiam confiar em seus amigos e líderes se quisessem saber quem era o Cristo. Antes, qualquer que quisesse saber quem era o Cristo tinha que se perguntar as Escrituras.

“Então muitos da multidão, ouvindo esta palavra, diziam: Verdadeiramente este é o Profeta. Outros diziam: Este é o Cristo; mas diziam outros: Vem, pois, o Cristo da Galiléia? Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi? Assim entre o povo havia dissensão por causa dele. E alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lançou mão dele.” (João 7:40-44).

A dissensão entre os filhos de Israel era por causa de Cristo, ou seja, acerca de quem era o Cristo era pai contra filho, irmão contra irmão, mas muitos ainda hoje só fazem referência a profecia de Miquéias quando veem um noticiário de violência doméstica.

Mesmo quando Jesus alertou que as Escrituras testificam especificamente dele, bastou a Suzana Ristoff dar cabo da vida de seus pais, que muitos cristãos disseram: – As Escrituras estão se cumprindo, é filho matando os pais! É o fim do mundo.

Grande equivoco, pois as Escrituras não tratam das questões desta vida, e sim apresenta Cristo aos homens, pois a dissensão apontada nas Escrituras era em função d’Ele.

“Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.” (Mateus 10:34-36).

 

Não há como confiar em quem não se conhece

Os discípulos acordaram Jesus em meio a tempestade, e ao ver o quanto estavam apavorados, Jesus os censurou dizendo: – ‘Por que temeis, homens de pouca fé?’. Após acalmar os ventos e as águas, novamente Jesus destaca: – ‘Onde está a vossa fé?’; – ‘Por que sois tão tímidos?’; – ‘Ainda não tendes fé?’ (Marcos 4:40; Lucas 8:25).

Por que os discípulos confiavam pouco? Onde estava a confiança deles? Depois de terem compartilhado algum tempo com Cristo, ainda não confiavam? Como seria isso possível?

A falta de confiança decorre da seguinte pergunta: – Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem? Se desconheciam quem era aquele homem que dormia sobre uma almofada na popa do barco, o resultado seria uma pequena confiança mesmo.

A confiança só se torna forte, ou muita, quando ela deriva de um fundamento, ou seja, quando se tem uma base sólida.

Por exemplo: a existência humana é cercada de imprevistos, mas mesmo assim o homem consegue viver em segurança, pois certos eventos são firmes e conhecidos: o dia, a noite, o sol, a chuva, o potencial da semente, a colheita, etc.

Como era possível terem visto inúmeros milagres, e ainda não terem fé? Justamente porque a fé vem do que é firme, e os milagres não possuem tal natureza, pois não há como o homem determinar quando ocorrerá. Mas, se conhecessem quem era Jesus, o firme fundamento dos profetas, a confiança deles estaria em Cristo (Efésios 2:20).

A base sólida do crente é a palavra de Deus, pois a verdade da palavra de Deus é o firme fundamento do que se espera, e prova das coisas que não se veem (Hebreus 11:1). Por que a palavra de Deus é o firme fundamento? Porque Deus é imutável e poderoso para cumprir a sua palavra!

“Por isso, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento; Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta;” (Hebreus 6:18).

Se os discípulos conhecessem aquele homem de Nazaré, saberiam que todas as promessas de Deus se cumpriam naquele homem, e que Deus se interpôs com juramento ao abençoar Abraão.

“Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, como não tinha outro maior por quem jurasse, jurou por si mesmo, dizendo: Certamente, abençoando te abençoarei, e multiplicando te multiplicarei.” (Hebreus 6:13-14);

“Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós.” (2 Coríntios 1:20).

Se conhecessem Jesus de fato, saberiam que, mesmo em meio a tempestade, aquele era o lugar mais seguro do mundo, e estariam tranquilos. Se conhecessem Jesus de fato, teriam ousadia para falar aos ventos e as águas e acalmarem a tempestade assim como Jesus fez.

O segredo para uma confiança (fé) forte é conhecer o Senhor, por isso a recomendação do profeta Oséias:

“Então conheçamos, e prossigamos em conhecer ao SENHOR; a sua saída, como a alva, é certa; e ele a nós virá como a chuva, como chuva serôdia que rega a terra.” (Oséias 6:3).

Por conhecer a Deus, tendo por firme a promessa: ‘Em Isaque será chamada a tua descendência’, foi que Abraão foi fortificado na fé (palavra, verdade, fidelidade) e considerou que Deus era poderoso para ressuscitar Isaque:

“Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito. Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar; E daí também em figura ele o recobrou.” (Hebreus 11:17-19);

“E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus,” (Romanos 4:20).

A força de Abraão veio da palavra de Deus, pois Deus havia feito grandíssimas promessas acerca do Seu Descendente, e não podia mentir!

É equivocada a proposta de exercitar a fé para aumentá-la. Ensinamentos como:

  • Reprimir sentimentos, emoções e pensamentos contrario a que se acredita;
  • Pensar positivamente;
  • O estilo de vida influencia;
  • Vigilância no falar;
  • Confissão positiva;
  • Oração e louvores, etc.

É equivocada a ideia de que a fé procede do espírito do homem, pois a fé (verdade) vem pelo ouvir, e o ouvir (crer, atender) pela palavra de Deus.

“Mas nem todos têm obedecido ao evangelho; pois Isaías diz: SENHOR, quem creu na nossa pregação? De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. (Romanos 10:16-17).

O crente se fortifica na graça revelada no evangelho de Cristo, que é poder de Deus, pois é sobre o evangelho que o crente apoia a sua fé.

“TU, pois, meu filho, fortifica-te na graça que há em Cristo Jesus.” (2 Timóteo 2:1);

“Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.” (I Coríntios 2:5).

Ter fé (crer, acreditar) não é crer no impossível, em milagres, acreditar na existência de Deus durante as desventuras da vida, etc. Ter fé é acreditar em Cristo, pois é crendo em Cristo que se demonstra que se confia verdadeiramente em Deus.

Crer na existência de Deus é coerente com a religião de muitos, mas crer em Cristo porque acredita no testemunho que Deus deu dele através da Escrituras, aí sim é ter fé e esperança em Deus!

E por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus;” (1 Pedro 1:21);

“E é por Cristo que temos tal confiança em Deus;” (2 Coríntios 3:4).

 

Tenham paz

Ao se aproximar a hora da crucificação, Jesus disse abertamente aos seus discípulos que eles seriam dispersos e O abandonariam (João 16:32). Jesus enfatizou também que não estaria só, pois Deus estaria com Ele (Salmo 91:15).

Por que Jesus antecipou a sua crucificação aos discípulos? A resposta vem a seguir:

“Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.” (João 16:33).

Ter conhecimento, mesmo quando se refere a eventos adversos, traz paz ao coração. Diante das agruras da crucificação, saber o que havia de acontecer, pacificaria o coração dos seus discípulos.

Hoje não temos que passar o aperto que os discípulos vivenciaram ao verem a crucificação do Mestre, mas temos uma alerta que nos previne acerca das questões deste mundo: no mundo teremos aflições!

Tendo conhecimento da palavra de Deus, quando passar por aflições, o crente terá plena certeza de que elas não são para comparar com a glória que em nós será revelada.

“Porque para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.” (Romanos 8:18).

O cristão também terá condições de distinguir quando as aflições são por causa do evangelho, e quando são reveses que surgem na vida.

As aflições por causa do evangelho devem ser consideradas motivo de alegria, sendo certo que elas alcançam a todos que seguem os passos de Cristo em todo mundo.

“Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.” (1 Pedro 4:13);

“Ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo.” (1 Pedro 5:9).

As aflições por causa do evangelho decorrem única e exclusivamente por causa do evangelho genuíno. Existem falsos metres que, na sua empreitada, sofrerá reveses como em qualquer outro negócio desta vida, e tais ‘perseguições’ não tem relação com o evangelho e nem proporcionará bem-aventurança.

“Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.” (Mateus 5:11-12).

E as aflições do dia a dia? Sendo conhecedor da Bíblia, o crente não reputa as questões decorrentes do trabalho diário como sendo uma espécie de tempestade que Jesus tem que acalmar, pois é certo que neste mundo o homem comerá da terra todos os dias da sua vida com dor e através do suor do seu rosto (Gênesis 3:17-19).

A mulher, por sua vez, teve acréscimo de dor na concepção e terá dor durante o parto, e por mais que não queira, o seu desejo será do marido. Nessas questões não adianta tentar se socorrer de Jesus para suspender a dor, pois Deus não pode invalidar a sua palavra (Gênesis 3:16).

E a morte de um ente querido não seria uma tempestade que Jesus deva intervir? O crente que conhece a palavra sabe que o homem é pó, e ao pó da terra tornará, de modo que rogar pela intervenção de Cristo como se tal evento fosse uma tempestade, restará infrutífera.

Quando alguém roda a Deus ou protesta quando parte um ente querido para que Jesus ressuscite o morto, assim o faz porque quer que o Pai e o Filho sejam glorificados, ou quer somente aplacar a dor da separação?

“E Jesus, ouvindo isto, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.” (João 11:4).

É comum pregadores apresentarem doenças, morte, luto, casamento destruído, problema com filhos, desemprego, dívidas, etc., como sendo tempestades na vida do cristão, e que pelo volume de problemas, até parece que Jesus está dormindo, e nesse ponto destacam a passagem da tempestade.

Na verdade, a grande maioria dos problemas que muitos consideram uma tempestade que demanda intervenção divina são decorrentes dos seus próprios erros. De que se queixam os homens? Dos seus próprios erros (pecados).

“De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados.” (Lamentações 3:39).

Espiritualizar a tempestade para fazer aplicação prática nas vidas das pessoas não era a proposta dos apóstolos quando registraram tal evento. A proposta de alguns pregadores que afirmam que Deus usa a tempestade (adversidades) para transformar a vida do crente, enfrentando assim o mal e a corrupção no íntimo do cristão. Tremenda falácia.

A única forma de Deus transformar o cristão é pelo lavar regenerador da palavra, criando um novo homem através da semente incorruptível, a palavra de Deus.

“Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.” (João 15:3).

Outros dizem que a tempestade (reveses da vida) é ação do inimigo para deixar o cristão com medo, ansioso, magoado, desanimado, etc., e que só Jesus pode repreender essas adversidades, tornando o cristão destemido, seguro e firme.

Não é o que vemos na vida do apóstolo Pedro, que se mostrou destemido, seguro e firme quando foi pleno do Espírito Santo no dia da Festa do Pentecostes, quando citou e interpretou passagens de Joel e dos Salmos para demonstrar aos filhos de Israel que o Jesus que crucificaram era o Cristo.

O crente será sempre destemido quando compreende que na existência humana sempre haverá dias bons e maus, e que foi Deus quem estabeleceu essa alternância.

“No dia da prosperidade goza do bem, mas no dia da adversidade considera; porque também Deus fez a este em oposição àquele, para que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.” (Eclesiastes 7:14).

O crente deve ter esse ensinamento como norte na sua vida, e assim, não será tomado de assalto por emoções e sentimentos ruins:

“Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal.” (Mateus 6:34).

E o mais importante, o crente deve considerar sempre se aquilo que entende ser adversidade, se, na verdade, não seria colheita do que plantou. Com relação ao bem, o apóstolo Paulo recomenda aos cristãos não se cansar de fazê-lo, pois se não desistir esperança proposta, haverá de colher a seu tempo o que plantou.

“E não nos cansemos de fazer bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido.” (Gálatas 6:9).

Há quem planta vento, e reclama quando tem que colher tormentas, assim como foi com o povo de Israel, que desobedeceu a Deus e reclamaram quando foram punidos.

“Israel rejeitou o bem; o inimigo persegui-lo-á. (…) Porque semearam vento, e segarão tormenta, não haverá seara, a erva não dará farinha; se a der, tragá-la-ão os estrangeiros.” (Oséias 8:3 e 7).

Quem foi displicente ao educar os filhos quando crianças (Provérbios 22:15), não conseguirá faze-lo na adolescência, e sofrerá as consequências de ter que lidar com um adulto recalcitrante (Provérbios 27:22). Achar que filhos rebeldes são uma tempestade que Jesus acalmará é ilusão. Oração não resolverá falta de disciplina familiar, e um adulto é difícil se deixar instruir.

O rei Davi é um exemplo negativo com relação a educação dos filhos, tanto que Adonias, seu filho, intentou ser rei no lugar de Salomão, contrariando a vontade de Davi.

“E nunca seu pai o tinha contrariado, dizendo: Por que fizeste assim? E era ele também muito formoso de parecer; e Hagite o tivera depois de Absalão.” (1 Reis 1:6).

Davi teve problemas com a incontinência do seu filho Amnom, que forçou a irmã de Absalão, seu filho, e apesar de indignado nada fez. Por outro lado, não percebeu a intenção de Absalão que se propôs matar Amnom, e nada fez também.

A falta de responsabilidade com o cônjuge trás consequências, e quando vem as intrigas e separação, não se deve alardear que é uma tempestade por causa do evangelho, ou que é ação do inimigo. É por isso que o apóstolo Paulo instrui:

“E bem quisera eu que estivésseis sem cuidado. O solteiro cuida das coisas do SENHOR, em como há de agradar ao Senhor; Mas o que é casado cuida das coisas do mundo, em como há de agradar à mulher.” (1 Coríntios 7:32-33).

Não ser diligente no emprego, não se atualizar, não estudar, etc., trará consequências, e quando o desemprego bater a porta, não adiantar orar a Deus para acalmar a tal ‘tempestade’, pois Deus como justo juiz não pode favorecer o cristão que não foi diligente, não estudou, não se atualizou em detrimento de outra pessoa que ágil de modo diligente.

Deus não contraria a sua palavra para satisfazer caprichos pessoais!

Tudo sucede igualmente a todos; o mesmo sucede ao justo e ao ímpio, ao bom e ao puro, como ao impuro; assim ao que sacrifica como ao que não sacrifica; assim ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento.” (Eclesiastes 9:2).

 

Conheça quem é Jesus

Jesus foi enviado ao mundo para salvar os homens da condenação que se deu em Adão lá no Éden. Para tanto, Jesus veio revelar Deus ao mundo (João 1:18), anunciando o testemunho do Pai e operando sinais e maravilhas de modo que, pelo testemunho das Escrituras que evidenciava o Cristo, cressem em Deus.

“Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu.” (1 João 5:10);

“Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro.” (João 3:33);

“Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou. E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer. E a sua palavra não permanece em vós, porque naquele que ele enviou não credes vós. Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; E não quereis vir a mim para terdes vida.” (João 5:36-40).

Sabemos que Deus quer que todos os homens se salvem, e que venham ao conhecimento da verdade (1 Timóteo 2:4).

“Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6:40).

A promessa que Jesus fez é especifica: vida eterna! (1 João 2:25)

Jesus não prometeu acalmar a tempestade, remover a pedra, andar sobre o mar, multiplicar pães, tirar a capa, etc., ou conceder: casa, dinheiro, emprego, família, etc., e sim, vida eterna.

Ele pode operar milagres para evidenciar a glória de Deus Pai e a Sua glória, apaziguando tempestade, ressuscitando mortos, multiplicando pães, conceder que se ande sobre as águas, etc., mas o principal que Ele providenciou aos homens foi vida eterna, o que só é possível crendo no testemunho que Deus deu do seu Filho.

“Então Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e milagres, não crereis.” (João 4:48);

“Ai de ti, Corazim! ai de ti, Betsaida! porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que em vós se fizeram, há muito que se teriam arrependido, com saco e com cinza.” (Mateus 11:21).

Claudio Crispim

É articulista do Portal Estudo Bíblico (https://estudobiblico.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web. Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, Brasil, em 1973. Aos 2 anos de idade sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai, ‘in memória’, exerceu o oficio de motorista coletivo e, a mãe, é comerciante, sendo ambos evangélicos. Cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco, se formando em 2003, e, atualmente, exerce é Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. Casado com a Sra. Jussara, e pai de dois filhos: Larissa e Vinícius.

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