Salmo 83 – Profecia acerca de uma confederação Árabe?

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Após analisar o Salmo 83, conclui-se que se trata de um cântico, com tema similar ao do Salmo 74, outro Masquil de Asafe.


Povos de origem comum em conflito

“1 Ó DEUS, não estejas em silêncio, não te cales, nem te aquietes, ó Deus, 2 Porque, eis que teus inimigos fazem tumulto e os que te odeiam levantaram a cabeça. 3 Tomaram astuto conselho contra o teu povo e consultaram contra os teus escondidos. 4 Disseram: Vinde e desarraiguemo-los, para que não sejam nação, nem haja mais memória do nome de Israel. 5 Porque consultaram, juntos e unânimes; eles se unem contra ti: 6 As tendas de Edom e dos ismaelitas, de Moabe e dos agarenos, 7 De Gebal e de Amom e de Amaleque, a Filístia, com os moradores de Tiro; 8 Também, a Assíria se ajuntou com eles; foram ajudar aos filhos de Ló. (Selá.) 9 Faze-lhes como aos midianitas, como a Sísera, como a Jabim na ribeira de Quisom; 10 Os quais pereceram em Endor; tornaram-se como estrume para a terra. 11 Faze aos seus nobres, como a Orebe, como a Zeebe e a todos os seus príncipes, como a Zebá e como a Zalmuna, 12 Que disseram: Tomemos para nós as casas de Deus, em possessão. 13 Deus meu, faze-os como um tufão, como a aresta, diante do vento. 14 Como o fogo, que queima um bosque, e como a chama que incendeia as brenhas, 15 Assim, os persegue com a tua tempestade e os assombre com o teu torvelinho. 16 Encham-se de vergonha as suas faces, para que busquem o teu nome, SENHOR. 17 Confundam-se e assombrem-se, perpetuamente; envergonhem-se e pereçam, 18 Para que saibam que tu, a quem só pertence o nome de SENHOR, és o Altíssimo sobre toda a terra.” (Salmo 83.1-18).

 

Introdução

O Salmo 83 é um cântico, de acordo com a tradição, escrito por Asafe, que evidencia a inimizade existente entre os povos que tiveram o patriarca Abraão, como progenitor, ou, que faziam parte da terra natal da sua família.

Deus prometeu a Abraão que faria multiplicar os seus descendentes, de modo que não se poderia contar, e que dele procederiam nações e reis.

“E farei a tua descendência, como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, também, a tua descendência será contada.” (Gênesis 13.16);

“E te farei frutificar, grandissimamente, de ti farei nações e reis sairão de ti;” (Gênesis 17.6).

Este Salmo de Asafe é uma oração, que roga a Deus, por proteção para os filhos de Israel, em vista da oposição dos povos em redor, descendentes da carne de Abraão e de outras nações inimigas.

O conteúdo do Salmo é mais histórico do que profético, visto que remete a eventos do passado.

 

Edonitas

Abraão gerou a Isaque, segundo a promessa, e Isaque, por sua vez, gerou a Esaú e a Jacó. Como Isaque não era a descendência escolhida, mas, em Isaque, a descendência prometida a Abraão seria chamada, veio a palavra de Deus à mulher de Isaque, Rebeca, dizendo: o maior servirá o menor.

“E o SENHOR lhe disse: Duas nações há no teu ventre, dois povos se dividirão das tuas entranhas, um povo será mais forte do que o outro povo e o maior servirá ao menor.” (Gênesis 25.23);

“Estas, pois, são as gerações de Esaú, pai dos edomeus, na montanha de Seir.” (Gênesis 36.9).

Observe que, para ser a descendência de Abraão, não bastava nascer da carne de Abraão, antes, em Isaque seria chamada a descendência. Se a descendência prometida a Abraão fosse Isaque, não seria necessária a palavra da promessa a Rebeca.

“Porém, Deus disse a Abraão: Não te pareça mal aos teus olhos, acerca do moço e acerca da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque, em Isaque será chamada a tua descendência. (Gênesis 21.12);

Nem por serem descendência de Abraão, são todos filhos; mas: Em Isaque será chamada a tua descendência. Isto é, não são os filhos da carne, que são filhos de Deus, mas, os filhos da promessa são contados como descendência. Porque a palavra da promessa é esta: Por este tempo virei e Sara terá um filho. E não somente esta, mas, também, Rebeca, quando concebeu de um, de Isaque, nosso pai; Porque, não tendo eles, ainda, nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama),” (Romanos 9.7-11).

Como Esaú desprezou o direito de primogenitura e, como nasceram sem interrupção, durante o parto, vendeu o seu direito a Jacó, e Deus deu o que era de direito a Jacó (amou) e desprezou Esaú.

“E odiei a Esaú e fiz dos seus montes uma desolação e dei a sua herança aos chacais do deserto.” (Malaquias 1.3).

 

Ismaelitas

Como Sara não conseguia dar filhos a Abraão, ela resolveu gerar filhos a Abraão, por intermédio de sua serva, Agar.

“ORA Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos e ele tinha uma serva egípcia, cujo nome era Agar. E disse Sarai a Abrão: Eis que o SENHOR me tem impedido de dar à luz; toma, pois, a minha serva;” (Gênesis 16.1-2).

Nasceu Ismael, que segundo promessa de Deus, tornou-se uma poderosa nação.

“E quanto a Ismael, também, tenho te ouvido; eis aqui o tenho abençoado, fá-lo-ei frutificar e fá-lo-ei multiplicar-se, grandissimamente; doze príncipes gerará e dele farei uma grande nação.” (Gênesis 17.20);

“Estas, porém, são as gerações de Ismael filho de Abraão, que a serva de Sara, Agar, a egípcia, deu a Abraão. E estes são os nomes dos filhos de Ismael, pelos seus nomes, segundo as suas gerações: O primogênito de Ismael era Nebaiote, depois Quedar, Adbeel e Mibsão, Misma, Dumá, Massá, Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá. Estes são os filhos de Ismael, e estes são os seus nomes, pelas suas vilas e pelos seus castelos; doze príncipes, segundo as suas famílias.” (Gênesis 25.12-16).

Esaú tomou uma das filhas de Ismael para ser sua esposa.

“Foi Esaú a Ismael e tomou para si, por mulher, além das suas mulheres, a Maalate, filha de Ismael, filho de Abraão, irmã de Nebaiote.” (Gênesis 28.9).

Quando os irmãos de Jacó o venderam, venderam a uma companhia de ismaelitas, que desciam ao Egito, de modo que tudo foi realizado entre a própria família.

“Passando, pois, os mercadores midianitas, tiraram e alçaram a José da cova, e venderam José, por vinte moedas de prata, aos ismaelitas, os quais levaram José ao Egito.” (Gênesis 37.28).

 

Moabitas

Uma das filhas de Ló, ao conceber do seu próprio Pai, Ló, sobrinho de Abraão, deu à luz a Moabe, pai dos moabitas.

“E a primogênita deu à luz um filho e chamou-lhe Moabe; este é o pai dos moabitas, até ao dia de hoje.” (Gênesis 19.37).

Muito tempo depois, os moabitas, com medo de Israel, que acabara de sair do Egito, contratou Balaão para profetizar contra os filhos de Israel, e os filhos de Israel, pouco tempo depois, se prostituíram com as filhas dos moabitas.

“Então, foram-se os anciãos dos moabitas e os anciãos dos midianitas, com o preço dos encantamentos, nas suas mãos e chegaram a Balaão e disseram-lhe as palavras de Balaque.” (Números 22.7);

“E ISRAEL deteve-se em Sitim e o povo começou a prostituir-se com as filhas dos moabitas.” (Números 25.1).

Muito tempo depois, Deus livrou os filhos de Israel dos moabitas, através de Eúde.

“E naquele tempo feriram, dos moabitas, uns dez mil homens, todos corpulentos, todos homens valorosos, e não escapou nenhum.” (Juízes 3.29);

Jeosafá teve de lutar com os moabitas e Deus livrou os filhos de Israel, sem fazerem uso de armas.

“Agora, pois, eis que os filhos de Amom, de Moabe e os das montanhas de Seir, pelos quais não permitiste passar a Israel, quando vinha da terra do Egito, mas, deles se desviaram e não os destruíram,” (2 Crônicas 20.10).

 

Hagaritas

Os hagarenos ou, hagaritas, são uma ramificação dos ismaelitas, que habitavam as regiões de Jetur, Nafis e Nodabe, situadas à leste de Gileade. O nome Hagaritas é entendido como derivativo de Hagar, mãe de Ismael, escrava de Sara.

Saul guerreou com os hagaritas e os derrotou.

“E nos dias de Saul fizeram guerra aos hagarenos, que caíram pela sua mão, e eles habitaram nas suas tendas, defronte de todo o lado oriental de Gileade.” (1 Crônicas 5.10).

 

Gedal

Josué lista uma cidade de nome Gedal, entre as conquistas dos filhos de Jacó, porém, a Gedal, apontada por Asafe, possivelmente, se trata de uma cidade que ficava em Edom.

“Como, também, a terra dos gebalitas e todo o Líbano, para o nascente do sol, desde Baal-Gade, ao pé do monte Hermom, até a entrada de Hamate;” (Josué 13.5).

Mas, pela lista de nomes que se segue, possivelmente,seja nome de uma pessoa e não de uma cidade.

 

Amom

Os amonitas são descendentes do filho da filha mais nova de Ló, Bem-Ami, que concebeu de seu próprio pai, Ló, e que deu origem aos amonitas.

“E a menor, também, deu à luz um filho e chamou-lhe Ben-Ami; este é o pai dos filhos de Amom, até o dia de hoje.” (Gênesis 19.38).

Havia proibição expressa para os filhos de Israel não tomarem os termos dos filhos de Amom.

“E chegando até defronte dos filhos de Amom, não os molestes e com eles não contendas; porque, da terra dos filhos de Amom, não te darei herança, porquanto, aos filhos de Ló a tenho dado por herança.” (Deuteronômio 2.19).

Davi guerreou contra os amonitas, depois que o rei dos amonitas, Hanum, desrespeitou os servos de Davi, que foram enviados para consolá-lo.

“E vendo os filhos de Amom, que os sírios fugiam, também, eles fugiram de diante de Abisai e entraram na cidade; e voltou Joabe, dos filhos de Amom, e veio para Jerusalém.” (2 Samuel 10.14).

 

Amaleque

Amaleque foi quem se opôs aos filhos de Israel, quando terminaram de atravessar o deserto de Sim, e o povo de Israel os derrotou.

“Então veio Amaleque e pelejou contra Israel, em Refidim.” (Êxodo 17.8).

Por causa dessa oposição dos amalequitas, Deus prometeu a Abraão que os destruiria, completamente.

“Então, disse o SENHOR a Moisés: Escreve isto, para memória, num livro, e relata-o aos ouvidos de Josué: que eu hei de riscar, totalmente, a memória de Amaleque, de debaixo dos céus.” (Êxodo 17.14).

Saul, após tornar-se rei de Israel, foi incumbido de dar cumprimento à palavra do Senhor, mas, desobedeceu, poupando Agague, rei dos amalequitas.

“Vai, pois, agora, e fere a Amaleque; destrói, totalmente, a tudo o que tiver e não lhe perdoes, porém, matarás, desde ao homem, até à mulher, desde os meninos, até aos de peito, desde os bois até às ovelhas e desde os camelos, até aos jumentos.” (1 Samuel 15.3).

 

Filístia

Refere-se a uma região, onde habitavam vários povos que, após saberem que os filhos de Israel subiram do Egito, ficaram em polvorosa ou, a terra dos Cinco Senhores dos Filisteus, descrita em Josué 13, versos 3 e 1 Samuel 6, verso 17, compreendendo Ascalão, Asdode, Ecrom, Gate e Gaza, no sudoeste do Levante.

“Os povos o ouviram, eles estremeceram, uma dor apoderou-se dos habitantes da Filistia. Então, os príncipes de Edom se pasmaram; dos poderosos dos moabitas, apoderou-se um tremor; derreteram-se todos os habitantes de Canaã.” (Êxodo 15.14-15).

Desde Isaque, os filisteus sempre se opuseram aos filhos de Israel, por um longo período de tempo.

“E tinha possessão de ovelhas e possessão de vacas e muita gente de serviço, de maneira que os filisteus o invejavam. E todos os poços, que os servos de seu pai tinham cavado nos dias de seu pai Abraão, os filisteus entulharam e encheram de terra.” (Gênesis 26.14-15).

 

Tiro

Tiro é uma cidade fenícia, localizada no atual Líbano, na costa do mar Mediterrâneo, a cerca de 30 km de Sidom. Os fenícios foram uma civilização da antiguidade, que habitavam as regiões localizadas no norte da antiga Canaã, ao longo das regiões litorâneas, dos atuais Líbano, Síria e norte de Israel.

O rei Davi e o rei Salomão, fizeram uma parceria comercial com o rei de Tiro, para adquirir material para a construção de suas residências.

“ENTÃO Hirão, rei de Tiro, mandou mensageiros a Davi e madeira de cedro, pedreiros e carpinteiros, para lhe edificarem uma casa.” (1 Crônicas 14.1);

“E Salomão mandou dizer a Hirão, rei de Tiro: Como fizeste com Davi, meu pai, mandando-lhe cedros, para edificar uma casa, em que morasse, assim, também, faze comigo.” (2 Crônicas 2.3).

Quando foram repartidas as terras aos filhos de Israel, a tribo de Aser recebeu terras vizinhas a Tiro.

“E volta este termo a Ramá, até à forte cidade de Tiro; então, torna este termo a Hosa, para terminar no mar, na região de Aczibe.” (Josué 19.29).

Na Bíblia, Tiro aparece associada à cidade de Sidom, demonstrando tratar-se de estrangeiros, estranhos às comunidades de Judá e Israel.

“Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque, se em Tiro e em Sidom fossem feitos os prodígios que, em vós, se fizeram, há muito, que se teriam arrependido, com saco e com cinza.” (Mateus 11.21);

“E de Jerusalém, da Iduméia, de além do Jordão e de perto de Tiro e de Sidom, uma grande multidão que, ouvindo quão grandes coisas fazia, vinha ter com ele.” (Marcos 3.8);

“E a nenhuma delas foi enviado Elias, senão, a Sarepta, de Sidom, a uma mulher viúva.” (Lucas 4:26).

 

Assíria

Os assírios (caldeus) se opuseram aos filhos de Israel e, por mão dos assírios, se deu o primeiro exílio, imposto aos filhos de Jacó, já que o povo do reino de Israel foi levado cativo para terras estrangeiras.

“Nos dias de Peca, rei de Israel, veio Tiglate-Pileser, rei da Assíria, e tomou a Ijom, a Abel-Bete-Maaca, a Janoa, e a Quedes, a Hazor, a Gileade, a Galiléia e a toda a terra de Naftali e os levou à Assíria.” (2 Reis 15.29)

“E o rei da Assíria transportou a Israel para a Assíria e os fez levar a Hala e a Habor, junto ao rio de Gozã e às cidades dos medos;” (II Reis 18.11);

“Assim, livrou o SENHOR a Ezequias e aos moradores de Jerusalém, da mão de Senaqueribe, rei da Assíria e da mão de todos; e de todos os lados os guiou.” (2 Crônicas 32.22).

Uma das primeiras cidades da Assíria, que foi citada por Balaão em sua profecia, teve o nome Assur, um dos filhos de Sem, filho de Noé.

“E vendo os amalequitas, proferiu a sua parábola e disse: Amaleque é a primeira das nações, porém, o seu fim será a destruição. E vendo os quenitas, proferiu a sua parábola, e disse: Firme está a tua habitação e puseste o teu ninho na penha. Todavia, o quenita será consumido, até que Assur te leve por prisioneiro. E proferindo, ainda, a sua parábola disse: Ai, quem viverá, quando Deus fizer isto? E as naus virão das costas de Quitim e afligirão a Assur; também afligirão a Éber, que, também, será para destruição. Então, Balaão levantou-se e se foi e voltou ao seu lugar e, também, Balaque se foi pelo seu caminho.” (Números 24.20-25).

Entretanto, foi de uma das terras de Sinear, onde ficavam as cidades de Ninrode, filho de Cão, descendente de Noé, que surgiu a Assíria.

“Desta mesma terra saiu à Assíria e edificou a Nínive, Reobote-Ir e Calá,” (Gênesis 10.11).

 

A altivez dos inimigos dos filhos de Jacó

“1 Ó DEUS, não estejas em silêncio, não te cales, nem te aquietes, ó Deus, 2 Porque, eis que teus inimigos fazem tumulto e os que te odeiam levantaram a cabeça. 3 Tomaram astuto conselho contra o teu povo e consultaram contra os teus protegidos. 4 Disseram: Vinde, e desarraiguemo-los para que não sejam nação, nem haja mais memória do nome de Israel. 5 Porque consultaram, juntos e unânimes, eles se unem contra ti:” (Salmo 83.1-5).

O Salmo 83 é uma oração a Deus, por proteção, em decorrência da oposição dos povos vizinhos.

O salmista Asafe clama a Deus por resposta e espera que Deus não fique em silêncio e não se contenha, à vista dos inimigos do Seu povo.

E o salmista dá um motivo para Deus agir: os inimigos de Deus eram altivos ao desafiá-Lo, causando tumultos. Astuciosamente, conspiravam contra o povo de Deus que, em última instância, era o Seu tesouro, a sua propriedade.

“Porque povo santo és ao SENHOR teu Deus, o SENHOR teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra.” (Deuteronômio 7.6).

Asafe conseguiu identificar que havia um conluio entre os inimigos do povo de Israel para exterminá-los, destruindo a memória do nome de Israel, consequentemente, afrontavam o Deus de Israel.

São unânimes, no propósito de desarraigar o povo de Deus, consequentemente, o acordo deles era contra o Deus de Israel.

 

Os inimigos dos filhos de Israel

“6 As tendas de Edom e dos ismaelitas, de Moabe e dos agarenos, 7 De Gebal, de Amom, de Amaleque e a Filístia, com os moradores de Tiro; 8 Também, a Assíria se ajuntou com eles e foram ajudar aos filhos de Ló. (Selá.)” (Salmo 86.6-8).

Os ismaelitas e os edomitas representam a descendência da carne de Abraão, que sempre se oporá à descendência, segundo a promessa.

A perseguição de Ismael a Isaque acabou por estabelecer uma alegoria:

“Porque está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da livre. Todavia, o que era da escrava nasceu, segundo a carne, mas, o que era da livre, por promessa. O que se entende por alegoria, porque estas são as duas alianças: uma, do monte Sinai, gerando filhos para a servidão, que é Agar. Ora, esta Agar é Sinai, um monte da Arábia, que corresponde à Jerusalém, que agora existe, pois, é escrava com seus filhos. Mas, a Jerusalém, que é de cima, é livre, a qual é mãe de todos nós.” (Gálatas 4.22-23).

Essa perseguição acabou por demonstrar que os filhos da carne de Abraão, os judeus, agora perseguem os filhos da fé que teve Abraão: a igreja.

“Mas, como, então, aquele que era gerado, segundo a carne, perseguia o que o era, segundo o Espírito, assim é, também, agora.” (Gálatas 4.29).

Sara, ao perceber que Isaque corria risco de morte, ao ver Ismael zombando do seu filho Isaque, despediu a escrava Agar, com o seu filho, Ismael (Gênesis 21.9).

Rebeca, esposa de Isaque e mãe de Jacó e Esaú, também, percebeu que Jacó estava em risco de morte e, por isso, o enviou à casa de seu Irmão, Labão, para livrá-lo de Esaú.

“E Esaú odiou a Jacó, por causa daquela bênção, com que seu pai o tinha abençoado, e Esaú disse no seu coração: Chegar-se-ão os dias de luto de meu pai e matarei a Jacó, meu irmão.” (Gênesis 27.41).

As desavenças dentro da casa de Abraão e de Isaque começaram por causa de Ismael e Esaú e persistiram em seus descendentes, os ismaelitas e os edonitas, respectivamente.

Os moabitas e os amonitas, descendentes de Ló, se opuseram aos filhos de Israel, bem como os hagarenos, os gebalitas, os amalequitas, os filisteus e os feníncios. A Assíria, por sua vez, é apontada como a nação que trouxe força ao que intentaram os moabitas e os amonitas, povos que descenderam de Ló.

No Livro de Segunda Reis, temos uma lista das principais nações que se opuseram ao reino de Judá, elaborada durante a narração dos eventos que antecedem a deportação dos moradores de Jerusalém para a Babilônia.

“E o SENHOR enviou contra ele as tropas dos caldeus, as tropas dos sírios, as tropas dos moabitas e as tropas dos filhos de Amom e as enviou contra Judá, para o destruir, conforme a palavra do SENHOR, que falara pelo ministério de seus servos, os profetas.” (2 Reis 24.2).

Embora a tradição atribua o Salmo 83, como sendo de Asafe, por certo não deve se tratar do líder dos levitas constituído pelo rei Davi (1 Crônicas 16.4-5), mas, sim, dos “filhos de Asafe”, que permaneceram responsáveis pela música, até a volta do cativeiro (1 Crônicas 25; 2 Crônicas 20.14; 35.15; Esdras 3.10; Neemias 11.17-22; 12.35).

Por que tal colocação? Porque o Salmo 83 não tem os elementos de uma profecia futurística, como a do Salmo 2, que é uma profecia acerca do conluio e da insurgência de várias nações contra o futuro reino do Messias, antes, remete às nações do passado histórico dos filhos de Israel e demonstra a indignação de quem viu as tentativas de destruição do seu povo, algo que intentaram os inimigos, do passado, dos filhos de Israel.

“Que disseram: tomemos para nós, em possessão, as casas de Deus.” (Salmo 83.12).

 

A paga de Deus aos inimigos dos filhos de Israel

“9 Faze-lhes como aos midianitas, como a Sísera, como a Jabim, na ribeira de Quisom; 10 Os quais pereceram em Endor; tornaram-se como estrume para a terra. 11 Faze aos seus nobres, como a Orebe, e como a Zeebe e como a todos os seus príncipes, como a Zebá e como a Zalmuna, 12 Que disseram: tomemos para nós as casas (pastagens) de Deus, em possessão.” (Salmo 83.9-12).

Da mesma forma que citou diversas nações que perseguiram os filhos de Israel, ao longo da história, o salmista apresenta uma lista de nações que já haviam sentido o peso do Senhor.

O salmista narra o que já aconteceu e não algo que está por acontecer, portanto, não se trata de um cântico profético, acerca do destino final das nações.

O que foi feito aos midianitas? Deus ordenou que os filhos de Israel, por intermédio de Moisés, que saíssem à guerra, de modo que executassem a vingança de Deus contra os midianitas.

“Vinga os filhos de Israel dos midianitas; depois, recolhido serás ao teu povo. falou, pois, Moisés ao povo, dizendo: armem-se alguns de vós para a guerra e saiam contra os midianitas, para fazerem a vingança do SENHOR contra eles.” (Números 31.2-3).

“Porque tu quebraste o jugo da sua carga, o bordão do seu ombro e a vara do seu opressor, como no dia dos midianitas.” (Isaías 9.4).

Esse texto de Isaías se refere à derrota que Gideão impôs aos midianitas com, apenas, trezentos homens.

“E prenderam a dois príncipes dos midianitas, a Orebe e a Zeebe e mataram a Orebe na penha de Orebe e a Zeebe mataram no lagar de Zeebe e perseguiram aos midianitas e trouxeram as cabeças de Orebe e de Zeebe a Gideão, além do Jordão.” (Juízes 7.25).

Por outro lado, Sísera era capitão do exército do rei de Canaã, Jabim, que reinava na cidade de Hazor e que oprimiu os filhos de Israel, por 20 anos (Juízes 4.2).

Por intermédio da profetiza Deborah, Deus deu a vitória aos filhos de Israel e, ao ver a derrota, Sísera fugiu e entrou na casa de Héber, um queneu. Jael, mulher de Héber, recepcionou Sísera em sua casa e, após alimentá-lo com leite, matou Sísera com uma estaca, enquanto dormia.

“E Baraque perseguiu os carros e o exército, até Harosete dos gentios e todo o exército de Sísera caiu ao fio da espada, até não ficar um só. Porém, Sísera fugiu, a pé, até à tenda de Jael, mulher de Héber, queneu, porquanto, havia paz entre Jabim, rei de Hazor, e a casa de Héber, queneu.” (Juízes 4.16-17).

Após a derrota de Sísera, o rei de Canaã, Jabim, teve de se sujeitar aos filhos de Israel e, por fim, foi exterminado.

“E atrairei a ti para o ribeiro de Quisom, a Sísera, capitão do exército de Jabim, com os seus carros e com a sua multidão e o darei na tua mão.” (Juízes 4.7).

O Salmista tem o cuidado de deixar consubstanciado que En-dor foi a cidade na qual se deu a derrota do rei Jabim e do capitão do seu exército, Sísera, por mão de Baraque e da profetiza Deborah.

“Porque, em Issacar e em Aser, tinha Manassés a Bete-Seã e as suas vilas, Ibleã e as suas vilas, os habitantes de Dor e as suas vilas, os habitantes de En-Dor e as suas vilas, os habitantes de Taanaque e as suas vilas e os habitantes de Megido e as suas vilas; três outeiros.” (Josué 17.11).

Nesse mesmo diapasão, o salmista faz referência aos dois príncipes dos midianitas, Orebe e Zeebe, que caíram por mãos de Gideão.

“E prenderam a dois príncipes dos midianitas, a Orebe e a Zeebe e mataram a Orebe na penha de Orebe, a Zeebe mataram no lagar de Zeebe,  perseguiram aos midianitas e trouxeram as cabeças de Orebe e de Zeebe a Gideão, além do Jordão.” (Juízes 7.25).

 

Punição aos inimigos

“13 Deus meu, faze-os como um tufão, como a aresta diante do vento. 14 Como o fogo, que queima um bosque, e como a chama que incendeia as brenhas, 15 Assim, os persegue com a tua tempestade e os assombra com o teu torvelinho. 16 Encham-se de vergonha as suas faces, para que busquem o teu nome, SENHOR. 17 Confundam-se e assombrem-se, perpetuamente, envergonhem-se e pereçam, 18 Para que saibam que tu, a quem só pertence o nome de SENHOR, és o Altíssimo sobre toda a terra.” (Salmo 83.13-18).

O salmista roga a Deus que os inimigos dos filhos de Israel sejam abatidos, como que, por um tufão ou, como por um vento, quando lança de um lado para o outro uma folha ou, a palha. Ou, que sejam devorados com a mesma rapidez e força que o fogo, quando destrói uma floresta ou, uma cidade sob ataque inimigo.

Da mesma forma que uma embarcação é envolvida por uma tormenta ou, que sucumbe, ante a força de um furacão, que os inimigos sucumbam pelas mãos de Deus.

Após sucumbirem, os inimigos dos filhos de Israel seriam motivo de questionamentos, acerca do Deus de Israel. A derrota seria causa de vergonha e humilhação, mas, a medida plena é a confusão (perdição), o que redunda em reconhecimento de que só o Deus de Israel é o Altíssimo, sobre todos os que habitam a terra.

 

Salmo 83: Profecia acerca de uma confederação Árabe?

É comum, alguns estudiosos, utilizarem o Salmo 83, como previsão, acerca de eventos que ocorrerão no fim dos tempos. Entretanto, na maioria das vezes, não afirmam, categoricamente, antes, formulam proposições especulativas, com termos como ‘parece’, ‘possivelmente’, etc.

Após analisar o Salmo 83, conclui-se que se trata de um cântico, similar ao do Salmo 74, um Masquil (instrução) de Asafe, oração a Deus, para dar a paga aos inimigos dos filhos de Israel.

De outro lado, o Salmo 74 fala de nações inimigas que tomaram os filhos de Israel como escravos e destruíram o templo de Salomão. Embora seja um Masquil de Asafe, segundo a tradição, se vê que não se trata do líder dos levitas, constituído pelo rei Davi (1 Crônicas 16.4-5).

“Os teus inimigos bramam no meio dos teus lugares santos, põem neles as suas insígnias, por sinais. (…) Lançaram fogo no teu santuário, profanaram, derrubando-o até ao chão, a morada do teu nome.” (Salmo 74.4 e 7).

Porém, o Salmo 2 é profético e apresenta um levante das nações contra o Messias, quando assentado no trono de sua glória, regendo as nações com vara de ferro. O Salmo 2 apresenta uma confederação de nações, não somente uma confederação Árabe.

“Os reis da terra se levantam e os governos consultam, juntamente, contra o SENHOR e contra o seu ungido, dizendo: Rompamos as suas ataduras e sacudamos de nós as suas cordas.” (Salmo 2.2-3).

Vale destacar que, na sua grande maioria, os Salmos fazem referência a inimigos, entretanto, não se trata de inimigos externos, mas, dos líderes religiosos em Israel que, em conluio, perseguiriam o Cristo, cumprindo-se, assim, a profecia que diz: os inimigos do filho do homem são os da sua própria casa ou, seus familiares.

“Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra e os inimigos do homem são os da sua própria casa.” (Miqueias 7.6);

“E, assim, os inimigos do homem serão os seus familiares.” (Mateus 10.36).

Perceba que esses ‘inimigos’ são aqueles que desobedecem ao quarto mandamento, o que era impossível aos gentios.

“Pois, falam malvadamente contra ti e os teus inimigos tomam o teu nome em vão.” (Salmos 139.20);

“Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão, porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão.” (Êxodo 20.7).

Muitos dos Salmos, ao fazerem referência a inimigos, são predições acerca da oposição dos religiosos em Israel, que se oporiam ao ministério de Cristo.

“Tu ordenaste força da boca das crianças e dos que mamam, por causa dos teus inimigos, para fazer calar ao inimigo e ao vingador.” (Salmos 8.2);

“E disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim, nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” (Mateus 21.16).

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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