Aprendendo o temor do Senhor

Temer ao Senhor não consiste em regras do tipo: “Não toques, não proves, não manuseies” ( Cl 2:21 ), antes é obedece-Lo crendo que Jesus é o Cristo, pois este é o Seu mandamento, e obedecer tudo o que Jesus ordenou “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( 1Jo 3:23 ).


“Vinde, meninos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor” ( Sl 34:11)

O salmista Davi pelo Espírito Eterno fez o seguinte convite:

Vinde, meninos, e escutai-me; eu vos ensinarei o temor do Senhor” ( Sl 34:11).

Na plenitude dos tempos Jesus diz:

Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” ( Mt 11:29 ).

Somente aqueles que se sujeitam como servos tomando sobre si o jugo de Jesus estão aptos a aprender e encontrar descanso para a alma.

Quando Jesus se apresou aos filhos de Israel, deixou claro que as profecias, a lei e os salmos falavam acerca d’Ele. Os filhos de Israel continuamente examinavam as Escrituras, pois pensavam ter nelas vida eterna, porém, eram essas mesmas Escrituras que testificavam de Cristo e não perceberam, isto conforme o predito pelo Salmista: “Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito” ( Sl 40:7 ); “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam” (João 5 : 39); “E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos” ( Lc 24:44 ).

Mas, o que Jesus ensinaria quando em meio aos filhos que Deus lhe concedeu? O temor do Senhor!

“Eis-me aqui a mim, e aos filhos que Deus me deu” ( Hb 2:13 ; Is 8:18 ).

No que consiste o ‘temor do Senhor’ que Cristo ensinaria aos filhos (meninos) que Deus lhe deu? A Bíblia dá a resposta:

“O temor do SENHOR é limpo, e permanece eternamente;

os juízos do SENHOR são verdadeiros e justos juntamente” ( Sl 19:9 ).

Através do paralelismo que há no Salmo 19, verso 9, conclui-se que o temor do Senhor é o mesmo que juízos, mandamentos, testemunho, lei, etc.

A Bíblia define o ‘temor’ do Senhor como ‘limpo’ e que ‘permanece para sempre’, o que remete à palavra de Deus, que é pura e permanece para sempre:

“Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre” ( 1Pd 1:23 ).

Ora, apesar de as Escrituras anunciarem que a palavra de Deus é o princípio da sabedoria, há quem define o ‘temor do Senhor’ segundo uma concepção própria e ignora a ênfase que o paralelismo na poesia hebraica evidencia.

O profeta Jeremias vaticinou em nome do Senhor: “Porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim” ( Jr 32:40 ), e o Salmista destaca a mesma verdade dizendo: “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” ( Sl 119:11 ), tais versos demonstram efetivamente que ‘temor’ é o mesmo que a ‘palavra’, a ‘doutrina’ de Deus.

Por causa das Escrituras não posso aceitar que o temor do Senhor é conforme o expresso nas palavras de A. W. Pink:

“Deus está tão acima de nós que o simples pensamento de Sua majestade nos deveria fazer estremecer. O Seu poder é tão grande que a percepção dele deveria aterrorizar-nos. E Ele é tão inefavelmente Santo, e Seu ódio ao pecado é tão infinito, que o próprio pensamento de atos errados nos deveria encher de horror” Pink. A. W. Enriquecendo-se com a Bíblia, São Paulo: Editora Fiel, 1973.

Deus estabeleceu o amor como base do seu relacionamento com os homens quando entregou o seu único Filho. Como seria possível Deus estabelecer o horror à sua majestade como base de um relacionamento em que o homem necessita confiar n’Ele?

Os homens são ímpios não por não possuírem uma percepção[1] da grandeza de Deus, ou porque não se preocupam com Ele. Os homens são ímpios porque não obedecem a palavra de Deus. Ora, os céus anunciam a gloria de Deus ( Sl 19:1 ), e seu eterno poder e sua divindade se entendem e se veem pelas coisas criadas ( Rm 1:20 ), ou seja, pela natureza é possível ao ímpio uma percepção da grandeza de Deus, no entanto, para salvação é imprescindível que o homem O obedeça.

Os judeus possuíam uma percepção de Deus e até tinham zelo de Deus, porém, não tinham o conhecimento necessário para agradá-Lo ( Rm 10:2 ),

A. W. Tozer escreveu que “… ninguém pode conhecer a verdadeira graça de Deus, se antes não conhecer o temor de Deus”, no entanto, é justamente o contrário: é no temor do Senhor que a graça de Deus é revelada.

Outra frase perigosa diz: “Aquele que sabe o que é ter prazer em Deus temerá sua perda. Aquele que viu sua face, terá medo de suas costas” Richard Alleine. Se o crente tem prazer em Deus, nunca terá medo, pois sabe que nada poderá separá-lo de Cristo e do amor de Deus ( Rm 8:35 -39).

‘Temor’ e ‘temer’ não possuem conotação de medo[2], antes o ‘temor’ refere-se a doutrina de Deus e o ‘temer’ a obediência que lhe é devida. Dizer que o crente não pode ‘temer’ o inimigo porque o ‘temor’ é devido a Deus, é dizer que o ‘medo’ e o ‘temor’ são equivalentes. É admitir que se deve ter medo de Deus. Ao confundir ‘temor’ com ‘medo’ evocam o medo sórdido de Deus, sob a alegação de que Ele é soberano ou porque desconhece os seus desígnios.

Temer ao Senhor não consiste em regras do tipo: “Não toques, não proves, não manuseies” ( Cl 2:21 ), antes é obedece-Lo crendo que Jesus é o Cristo, pois este é o Seu mandamento, e obedecer tudo o que Jesus ordenou “E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( 1Jo 3:23 ).

Ora, o temor a Deus não é dogmatismo religioso, antes o temor a Deus é o que nos torna fiéis[3]. Permanecer no mandamento de Deus é o que torna o homem fiel, ou seja, perseverar até o fim crendo em Cristo.

O que se observa em muitos ensinamentos é que se deve ter medo de Deus, e por fim, apelam para um argumento sutil, mas falho: – “O temor do Senhor não se trata do medo d’Ele, mas de uma reverência piedosa à Sua pessoa e aos Seus mandamentos”[4], que destila medo nos cristãos.

Amados, ouçamos a recomendação do Pregador:

“De tudo o que se tem ouvido, a suma é:

Teme a Deus, e

guarda os seus mandamentos;

porque isto é o dever de todo homem” (Ec 12:13).

 

A construção da ideia utiliza paralelismo, de modo que ‘teme a Deus’ é equivalente a ‘guardar os seus mandamentos’, o dever de todos os homens!

Ora, o mandamento do Senhor não é penoso, e o apóstolo amado evoca a lei mosaica para declarar esta verdade no advento da Nova Aliança:

“Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; e os seus mandamentos não são pesados ( 1Jo 5:3 );

“Ora, este mandamento, que hoje te ordeno, não te é difícil demais, nem está longe de ti” ( Dt 30:11).

O apóstolo Paulo cita aos cristãos de Éfeso essa passagem de Deuteronômio demonstrando que não é necessário subir aos céus e nem descer ao abismo para alcançar a justiça da fé, pois a palavra está junto de nós, no coração: e a palavra é Cristo.

“E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento” ( 1Jo 3:23 );

“Mas a justiça que é pela fé diz assim: Não digas em teu coração: Quem subirá ao céu? (isto é, a trazer do alto a Cristo.) Ou: Quem descerá ao abismo? (isto é, a tornar a trazer dentre os mortos a Cristo.) Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação” ( Rm 10:6 -10).

 

Quem obedece (teme) a Deus não tem medo (receio), antes aquele que teme (obedece) lança fora o temor (receio), pois o temor (receio) decorre da pena, e o que teme (tem receio) não é obediente (1Jo 4:18).

Não podemos confundir ‘temor’ a Deus com medo de Deus. A ordem para o povo de Deus é não ter medo: “E disse Moisés ao povo: Não temais, Deus veio para vos provar, e para que o seu temor esteja diante de vós, afim de que não pequeis” ( Êx 20:20 ).

Quando Deus revela a sua palavra (temor), o objetivo é para que não pequemos “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” ( Sl 119:11 ).

 

Para saber mais: Temor e tremor

 


[1] “Esses homens não têm qualquer percepção acerca da majestade de Deus, não tem nenhuma preocupação com a Sua autoridade, não tem qualquer respeito pelos Seus mandamentos, não se alarmam ante o fato de que Ele os julgará” Pink. A. W. Enriquecendo-se com a Bíblia, São Paulo: Editora Fiel, 1973.

[2] Cândido, Levi. Aprendendo o temor do Senhor, artigo disponível na Web < http://filhovarao.blogspot.com.br/2008/11/aprendendo-o-temor-do-senhor-levi.html > Consulta realizada em 16/06/2015.

[3] “O temor reverente de Deus é a chave para a fidelidade em qualquer situação” Redpath, Alan.

[4] “Muitos têm a tendência de minimizar o temor de Deus dos crentes a apenas “respeito” por Ele. Embora respeito faça parte do conceito, temer a Deus na verdade significa mais do que isso. O bíblico temor de Deus, para o crente, inclui a compreensão do quanto Deus odeia o pecado, assim como temer Seu julgamento do pecado – mesmo na vida de um crente. Hebreus 12:5-11 descreve a disciplina de Deus na vida de um crente. Embora sua disciplina seja feita em amor (Hebreus 12:6), ainda é algo atemorizante. Quando crianças, o medo da disciplina de nossos pais preveniu, assim esperamos, algumas ações perversas. Assim também deve ser com o nosso relacionamento com Deus. Devemos temer Sua disciplina e, portanto, procurar viver nossas vidas de uma forma que O agrade” O que significa ter temor a Deus? Artigo disponível na web < http://www.gotquestions.org/Portugues/temor-de-Deus.html > consulta realizada em 22/06/15.

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Sem a Santificação ninguém verá o Senhor

Seguir ‘a paz’ e ‘a santificação’ é o mesmo que seguir ‘a justiça’, ‘a fé’, ‘o amor’ e ‘a paz’. A justiça, a fé (evangelho), o amor e a paz são progressivos? O amor de Deus não foi plenamente demonstrado através da pessoa de Cristo? Seguir a paz e a santificação com todos, é seguir a Cristo juntamente com todos os que invocam ao Senhor (Igreja), isto porque os que seguem a Cristo recebem um novo coração puro ( Mt 5:8 ; Sl 51:10 ).


 

“Segui a paz com todos e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 )

O contexto de Hebreus 12, verso 14 demonstra uma mensagem de incentivo aos crentes, exortando a permanecerem olhando para Cristo, considerando o que Ele suportou pelos pecadores.

Os cristãos ainda não haviam resistido até o sangue ( Hb 12:4 ), e deveriam guardar na lembrança a exortação que os admoesta e chama de filhos, conforme preconiza Pv 3:11.

Os filhos são exortados a:

a) Não desprezar ou desmaiar (ficar amedrontado) quando for repreendido por Deus ( Hb 12:5 );

b) Conscientizar-se de que é repreendido porque foi recebido por filho ( Hb 12:8 ). O objetivo de o cristão ser repreendido está em permanecer participante da santidade de Deus “… para sermos participantes da sua santidade” ( Hb 12:10 ).

Seguindo o raciocínio do escritor aos Hebreus, o cristão deve estar tranqüilo, descansado, pois “… não tendes chegado ao monte palpável…” ( Hb 12:18 ), a semelhança do povo de Israel no deserto, que se pôs ao longe para não ouvir a voz do Senhor. Significa que o cristão não mais está sob a maldição da lei mosaica, antes, chegou ao monte Sião, que representa a graça divina.

Depreende-se da exortação que:

a) Deus disciplina os cristãos como filhos, pois qual filho há a quem o pai não corrige? Ser corrigido pelo Senhor é prova de que o cristão é participante da sua santidade, por ser recebido como filho. O proveito em ser corrigido pelo Senhor é o de já ser participante da sua santidade! Como o cristão é santificado, então? Ao tornar-se filho segundo a vontade do Senhor, e não através de suas ações!

b) “Considerai aquele que suportou tal oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não canseis, desfalecendo em vossas almas” ( Hb 12:3 ). A idéia introduzida neste versículo se encerra no versículo doze: “Portanto, levantai as mãos cansada…”. Ao considerar a Cristo e a oposição que suportou, advém algumas determinações elencadas no versículo três:

  • levantai as mão cansadas;
  • levantai os joelhos vacilantes;
  • fazei veredas direitas;
  • segui a paz;
  • segui a santificação;
  • tende cuidado;
  • não seja devasso ou profano.

Se não observar a idéia geral do texto, o leitor acaba por considerar que a santificação decorre do que o homem faz quanto a essas determinações. Observe: “Considerai” a Jesus “para que não vos canseis, desfalecendo em vossas almas” (…) “portanto, levantai as mãos cansadas…” Aquele que considera a oposição a que Cristo foi submetido, acaba por levantar as mãos, mesmo que cansadas, e este é o objetivo apontado pelo apóstolo: “para que não vos canseis”.

Entre as determinações temos: “Segui a paz com todos, e a santificação; sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 ). Para entender as determinações apregoadas pelo escritor aos Hebreus é necessário entender a extensão do significado da palavra “seguir” neste contexto bíblico.

O ‘seguir’ neste contexto personifica a ‘paz’ e a ‘santificação’. Observe este salmo:

“Aparta-te do mal, e faze o bem; procura a paz, e segue-a” ( Sl 34:14 ).

O texto da carta aos Hebreus apresenta um número crescente de idéias que se somam e complementam-se desde o verso 3 do capítulo 12. O escritor solicita aos irmãos para considerarem a Jesus e o quanto ele suportou de oposição dos pecadores.

O objetivo que o escritor quer alcançar está em que os cristãos não se cansem, que não desfaleçam ( Hb 12:3 ). Ao concluir a idéia no versículo doze temos: levantai as mãos cansadas! A determinação de ‘não canseis’ deve atingir a totalidade do homem: mãos, joelhos e pés! Estes membros, por sua vez, são os responsáveis pela movimentação do homem, o que remete a veredas, desviar e seguir dos versos 12 e 13 ( Hb 12:12 – 13).

O seguir a paz diz da disposição que os discípulos devem possuir ao seguir as pisadas de seu Mestre. O cristão deve seguir a Cristo, que é a ‘nossa Paz’, considerando aquilo que Ele sofreu. Compare: “Pois ele é a nossa paz, a qual de ambos os povos fez um, e destruiu a parede de separação, a barreira de inimizade que estava no meio, desfazendo na sua carne” ( Ef 2:14 ).

Os dois versículos têm idéias distintas com relação à paz: o primeiro fala do caminho que o cristão deve trilhar, ou seja, um caminho de paz! Aqui não está dizendo que o cristão deve ter paz com todos os homens, antes que todos devem seguir a Cristo, a ‘nossa paz’.

O versículo de Paulo aos Efésios por sua vez fala de paz, entretanto, mostra a paz estabelecida entre os chamados dentre dois povos, que se tornaram a igreja de Cristo (gentios e judeus), através da morte de Cristo.

O sentido exato sobre o ‘segui a paz’ está expresso em Colossenses: “Portanto, assim como recebeste a Cristo Jesus, o Senhor, assim também andai nele” ( Cl 2:6 ), diferente do sentido que alguns querem dar e que encontramos em Romanos: “Se for possível, quando depender de vós, tende paz com todos os homens” ( Rm 12:18 ).

Da mesma forma que se diz: ‘segui a paz’, devemos entender o ‘segui a santificação’. Não há neste texto qualquer idéia que dê suporte ao pensamento de que é preciso ao cristão santificar-se gradativamente. O ‘seguir’ a santificação diz da necessidade do cristão andar conforme aquele que o santificou.

Neste ponto temos uma ressalva do escritor: “Sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 ). Observe os textos seguintes:

“Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 );

“Sem a santificação ninguém verá o Senhor” ( Hb 12:14 );

“Bem aventurado os puros de coração, porque eles verão a Deus” ( Mt 5:8 ).

Através destas comparações pode-se observar que a Santificação só é alcançada através da filiação divina, e não através de esforços humanos, ou em ‘cooperar’ com Deus.

Alguns consideram que o homem é santificado através de uma renuncia pessoal ao pecado, ou através de um auto-julgamento, ou de perseguir uma santidade progressiva.

Observe está comparação:

“Segui a paz com todos e a santificação; sem a santificação ninguém verá ao Senhor” ( Hb 12:14 0;

“Foge também dos desejos da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor” ( 2Tm 2:22 ).

Seguir ‘a paz’ e ‘a santificação’ é o mesmo que seguir ‘a justiça’, ‘a fé’, ‘o amor’ e ‘a paz’. A justiça, a fé (evangelho), o amor e a paz são progressivos? O amor de Deus não foi plenamente demonstrado através da pessoa de Cristo?

Seguir a paz e a santificação com todos, é seguir a Cristo juntamente com todos os que invocam ao Senhor (Igreja), isto porque os que seguem a Cristo recebem um novo coração puro ( Mt 5:8 ; Sl 51:10 ).

Cristo estabeleceu a Paz e Santificou os Cristãos pela fé em seu nome ( At 26:18 ). A santificação é obra exclusiva de Deus por intermédio de Cristo.

Diante desta obra maravilhosa realizada por Deus, o escritor aos Hebreus utiliza-se de um recurso próprio à linguagem (metonímia) para fazer referência à obra maravilhosa realizada por Cristo. Ele empregou o termo “santificação”, que se refere à obra realizada, em lugar do Autor da santificação, dada a possibilidade de associação entre Cristo e a sua obra.

Metonímia – é um emprego de um termo por outro, dada a relação de semelhança ou a possibilidade de associação entre eles.

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O primeiro e o último Adão

O ritualismo, o formalismo e o legalismo são ferramentas utilizadas para caracterizar devoção religiosa. Criam mecanismos para medirem e serem medidos e forçam outros a seguirem o que preceituam como necessário à salvação. Estabelecem padrões de justiça e santidade a ser seguido. Procuram lições provenientes do paganismo e das filosofias humanas.


“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante” ( 1Co 15:45 )

Adão e Cristo são os dois personagens de maior importância para a interpretação bíblica.

Grande parte das parábolas de Jesus e das figuras do Novo Testamento são referências específicas aos eventos no Éden e da cruz. Muitas figuras e parábolas ilustram as conseqüências destes eventos para a humanidade.

Um exemplo é a parábola dos ‘Dois Caminhos’, que, implicitamente, faz referência as conseqüências decorrentes dos eventos que sucederam no Éden e na cruz.

Observe: Adão foi feito (criado) alma vivente e participante da vida que há em Deus, porém, após desobedecer à determinação divina passou a condição de morto para Deus. A ‘nova’ condição de Adão após a queda passou a ser de sujeição ao pecado pela natureza adquirida.

A sujeição ao pecado deixou Adão em inimizade com Deus, e por causa da condenação deixou de ser participante da vida que há em Deus, passando a viver para o mundo e suas concupiscências (morto para Deus e vivo para o mundo).

Todos os nascidos de Adão (nascidos da carne, vontade do varão e do sangue) passaram a condição de filhos da ira e da desobediência. Desta forma todos os homens passaram a estar destituídos da glória de Deus, pois todos pecaram.

Esta condição pertinente à toda humanidade é ilustrada através da parábola das duas portas e dos dois caminhos, ou seja, todos os homens ao nascerem, por serem descendentes de Adão, entram pela porta larga, e seguem pelo caminho espaçoso que conduz à perdição ( Mt 7:13 ).

Em Adão todos os homens morreram e destituídos estão da glória de Deus. Em Adão, a ‘porta larga’, todos os homens seguem o caminho de perdição. Todos os homens morreram em Adão e passaram a viver para o pecado, para o maligno e para o mundo.

Porém, através do último Adão, que por Deus constitui-se espírito vivificante, todos os que creem entram pela porta estreita, ou seja, nascem de novo. São criados por Deus em verdadeira justiça e santidade, segundo o poder concedido através do evangelho, sendo feitos (criados) filhos de Deus ( Jo 1:12 ).

Passam a trilhar o caminho estreito que conduz à vida. O caminho é estreito porque poucos entram por ele, ou seja, quando se fala em quantidade, muitos vem ao mundo segundo Adão, e poucos são os que creem para a salvação, segundo o último Adão, que é Cristo.

Em números absolutos, em Adão todos morreram, e em Cristo, o último Adão, todos quantos crerem também morre. Em Adão toda a humanidade morreu e passou a viver para o mundo, em Cristo, o último Adão, todos os que creem, morrem para o pecado, para o maligno e para o mundo, e são de novo criados, e passam a viver para Deus. Amém.

Outro exemplo é a figura dos “vasos”, conforme Paulo escreveu aos Romanos, veja: “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” ( Rm 9:21 ). Como entender esta figura apresentada por Paulo?

Sabemos que Deus é o oleiro, e é Ele que detém o poder sobre o barro, que é o homem. Todos os homens decorrem de uma mesma massa, ou seja, todos são alma viventes conforme Adão.

Todos os homens que vêem ao mundo são criados pelo poder de Deus, porém, por serem descendentes de Adão, todos são feitos vasos para desonra. Todos os descendentes de Adão são vasos para ira, preparados para perdição. Através deles Deus demonstra a sua ira, e dá a conhecer o seu poder, suportando-os com muita paciência.

Deus chama pacientemente os vasos preparados para a ira a fim de torná-los vasos para honra, ou seja, o evangelho é o chamado de Deus a todos os homens nascidos segundo Adão. Todos os cristãos foram chamados por Deus, e neles é demonstrado o poder de Deus e as riquezas de sua graça. Todos os que são chamados e crêem são os vasos de misericórdia, e, portanto, vasos para a honra.

Observe que, tanto os nascidos em Adão e os nascidos em Cristo constituem-se vasos e são formados da mesma massa como nos afirma “Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual” ( 1Co 15:46 ). Todos os homens precisam ser feitos almas viventes (homem natural), para depois serem criados espirituais (homem espiritual).

Quando criados, os homens naturais passam à condição de escravos do pecado, por causa do pecado de Adão. Percebe-se então que, o grande diferencial é, os nascidos segundo Adão são vasos para a desonra, e os nascidos em Cristo são vasos para honra.

Quando o leitor não compreende a verdade sobre os eventos da cruz e do Éden, acaba por interpretar a bíblia erroneamente. Ao deparar-se com parábolas e ilustrações como as apresentadas acima terão um entendimento segundo a concepção humana, e permanecerá enfatuado, segundo uma carnal compreensão.

Muitos interpretam que a porta é larga porque as pessoas do mundo estão entregues aos prazeres, são sensuais, céticas e criminosas. Entendem que a porta é larga por não apresentar ‘dificuldades’ ou condições para entrada. Entendem que o caminho estreito está diretamente relacionado com dificuldades, proibições, restrições de ordem moral, comportamental e religiosa.

Entendem que, para trilhar o caminho estreito, ou que, para entrar pela porta estreita basta seguir preceitos religiosos, cumprir leis nacionais, ou seguir filosofias de vida.

Diante deste entrave surgem muitas religiões, igrejas e denominações. Avolumam-se os discursos sobre disciplina, sofrimento, penitências, orações, rezas, moralidade, santidade, serviço, pró-atividade. As qualidades procedentes do ego humano são louvadas insistentemente, como: coragem, determinação, empenho, disciplina, resignação, etc.

O ritualismo, o formalismo e o legalismo são ferramentas utilizadas para caracterizar devoção religiosa. Criam mecanismos para medirem e serem medidos e forçam outros a seguirem o que preceituam como necessário à salvação. Estabelecem padrões de justiça e santidade a ser seguido. Procuram lições provenientes do paganismo e das filosofias humanas.

Esquecem de observar o que Jesus disse a Nicodemos: “Em verdade, em verdade te digo que quem não nascer de novo, não pode ver o reino dos céus” ( Jo 3:3 ). Não observam que o ‘melhor’ da religião, da lei, da moral, do comportamento não faz o homem agradável a Deus, e, por tanto, esquecem também a recomendação de Jesus a um dos mestres do judaísmo: nascer de novo.

O mundo ainda continua apegado a elementos fracos e pobres, que não pode livrar o homem da condição de sujeição ao pecado ( Gl 4:9 -10).

O apóstolo Paulo demonstra estar consciente das conseqüências decorrente da desobediência de Adão e da obediência de Cristo ao escrever aos cristãos de Corinto ( 1Co 15:45 -50).

Ao escrever a Timóteo, Paulo alerta sobre este pretenso ‘evangelho’: “Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos alguns apostatarão da fé (…) que proíbem o casamento, e ordenam a abstinência de alimentos” ( 1Tm 4:1 -3).

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