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O evangelho de Cristo é poder de Deus para salvação e não está vinculado a uma igreja ou liturgia, e sim, na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo.


O poder do evangelho de Cristo

Definição do termo evangelho

A palavra grega εὐαγγέλιον (euaggelion) traduzida por ‘evangelho’ significa ‘boas novas’, ‘recompensa por boas notícias’.

No Novo Testamento, o termo foi utilizado pelo evangelista Lucas ao registrar as palavras do anjo Gabriel, logo após anunciar o nascimento de João Batista ao sacerdote Zacarias. Como Zacarias questionou o anjo Gabriel acerca do nascimento de um filho, haja vista que tanto Zacarias e Isabel eram de idade avançada, o termo ‘evangelho’ foi utilizado para fazer referência ao conteúdo da mensagem que foi anunciada.

“Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João. E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento, porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe. E converterá muitos dos filhos de Israel ao SENHOR seu Deus, e irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto. Disse então Zacarias ao anjo: Como saberei isto? pois eu já sou velho, e minha mulher avançada em idade. E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas.” (Lucas 1.13-18).

Todo o conteúdo da mensagem entregue pelo anjo Gabriel é um ‘evangelho’, uma ‘boa nova’. Toda e qualquer notícia auspiciosa, promissora, benéfica, etc., é uma boa nova, portanto, é um evangelho.

No Novo Testamento, a palavra traduzida por ‘evangelho’ aparece pelo menos setenta e seis vezes, e empregada no sentido de uma mensagem imprescindível para salvação. Daí temos:

  • O Evangelho do Reino (Mateus 4.23; 9.35; 24.14);
  • O Evangelho de Jesus Cristo (Marcos 1.1; Romanos 15.19; 1 Coríntios 9.12; 2 Coríntios 2.12);
  • O Evangelho de Deus (Marcos 1.14; Romanos 1.1; 15.16);
  • O Evangelho da Graça de Deus (Atos 20.24);
  • O Evangelho de Seu Filho (Romanos 1.9);
  • O Evangelho da Glória de Cristo (2 Coríntios 4.4);
  • O Evangelho da vossa salvação (Efésios 1.13);
  • O Evangelho da paz (Efésios 6.15);
  • O Evangelho eterno (Apocalipse 14.6).

Mas, ainda no Novo Testamento, o evangelho é nomeado por outros nomes, como:

  • Palavra da cruz (1 Coríntios 1.18);
  • Loucura da pregação (1 Coríntios 1.21);
  • Vossa fé (Romanos 1.8);
  • Espírito (2 Coríntios 3.6; Gálatas 3.3);
  • Pregação da fé (Gálatas 3.1);
  • Espírito da fé (Gálatas 5.5);
  • Palavra da verdade (Efésios 1.13; Colossenses 1.15; Tiago 1.18);
  • Piedade (2 Timóteo 3.5), etc.

No final da carta aos cristãos em Roma, o apóstolo Paulo fez a seguinte declaração:

“Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé;” (Romanos 16.25-26).

O apóstolo dos gentios deixa registrado que o evangelho que anunciava é a pregação de Jesus Cristo, e que ambos, o evangelho de Paulo e a pregação de Cristo é a revelação de um mistério que esteve oculto pela eternidade, mas que agora foi revelado: Cristo, esperança de salvação (Colossenses 1.27). Esse mistério foi notificado na Antiga Aliança pelos profetas, que é segundo o mandamento de Deus a todas os povos, para que creiam (obediência) no evangelho (fé).

 

Boas novas para a humanidade

O evangelho de Cristo é uma notícia venturosa para todos os homens, tendo em vista que todos os homens, sem exceção, eram pecadores e destinados à condenação eterna.

Essa boa noticia dá conta que, na sua infinita misericórdia, Deus providenciou salvação para todos os homens, entregando o Seu Filho unigênito, Jesus Cristo (João 3.16), que, por sua vez, deu a sua vida em preço de redenção por todos (1 Timóteo 2.6), resgatando da perdição muitos (Marcos 10.45).

Essa boa notícia foi anunciada primeiramente ao patriarca Abraão, quando Deus lhe disse que através da descendência de Abraão todas as famílias da terra seriam benditas.

“Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti.” (Gálatas 3.8; Gênesis 12.3; Atos 3.25).

Muito tempo depois da boa noticia a Abraão, pastores que viviam no campo na região da Judeia, foram surpreendidos por uma mensagem anunciada por um ser angelical, quando de madrugada vigiavam o rebanho, que dizia:

“Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo: Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura.” (Lucas 2.10-12).

As boas novas anunciadas pelo ser celestial davam conta àqueles pastores que o evangelho anunciado a Abraão estava se cumprindo especificamente naquela noite. O menino deitado na manjedoura, envolto em panos, era o descendente prometido a Abraão, e n’Ele todos os povos seriam benditos.

“LIVRO da geração de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.” (Mateus 1.1).

O evangelho não se restringe a um povo, a uma nação, antes tem por alvo todos os homens em todos os tempos, não importando nacionalidade, condição social ou sexo.

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.” (Romanos 1.16).

 

O evangelho de Cristo

O apóstolo Paulo faz referência ao evangelho de Cristo como ‘poder de Deus para salvação do que crê’ (Romanos 1.16). Esse poder emana do personagem principal das boas novas anunciada: Jesus Cristo, Senhor e salvador.

Todos os eventos que compõe a história de Jesus de Nazaré, desde o seu nascimento, vida, morte e ressurreição estabelecem um corpo doutrinário que propicia salvação a qualquer que crer em Cristo segundo o estabelecido na Escritura (João 7.38).

“… que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras (1 Coríntios 15.3-47).

Dada a importância do evangelho de Cristo para salvação, a mensagem do evangelho deve ser preservada tal qual anunciada por Cristo e seus apóstolos. O crente somente se salvará se retiver a mensagem dos apóstolos inalterada.

“TAMBÉM vos notifico, irmãos, o evangelho que já vos tenho anunciado; o qual também recebestes, e no qual também permaneceis. Pelo qual também sois salvos se o retiverdes tal como vo-lo tenho anunciado; se não é que crestes em vão.” (1 Coríntios 15.1-2).

João Batista foi o primeiro pregador do evangelho, dizendo: “Arrependei-vos, pois está próximo o reino dos céus” (Mateus 3.2). A mensagem anunciada por João Batista era diferente da anunciada pelos escribas e fariseus, pois ele exigia mudança de entendimento (μετανοέω/metanoeó/arrependimento), e o motivo dessa mudança no modo de compreender era a proximidade do reino dos céus, que era Cristo.

Jesus Cristo veio, e passou a anunciar a mesma mensagem apregoada por João Batista aos seus concidadãos:

“E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho.” (Marcos 1.15).

Com o início do ministério de Cristo, o reino de Deus estava próximo, de modo que os ouvintes de Jesus deviam abandonar as suas crenças e convicções (metanoia) e crer nas boas novas de salvação. Os judeus precisavam abandonar a ideia de que eram salvos por serem descendentes de Abraão e crer no enviado de Deus. Eles precisavam confessar que Jesus é o Cristo, em quem todas as famílias da terra são benditas, e deixar de confessar que tinham por pai a Abraão (Mateus 3.9). A mudança de entendimento (metanoia) exigida visava substituir a concepção de que os judeus eram os descendentes da promessa feita a Abraão, pelo ensino de que a promessa foi feita a um descendente, o Cristo.

“Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não diz: E às descendências, como falando de muitas, mas como de uma só: E à tua descendência, que é Cristo.” (Gálatas 3.16).

Há várias formas de anunciar o evangelho de Cristo, porém, a essência da mensagem não pode ser alterada. O próprio Cristo, ao anunciar a palavra de Deus aos homens, se manteve fiel ao que o Pai determinou falar, portanto, os seus discípulos devem ter esse cuidado.

“E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito.” (João 12.50).

O apóstolo Pedro, na sua primeira pregação, é exemplo de como se deve anunciar o evangelho e os seus pontos fundamentais:

“Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne (…) E acontecerá que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; Ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela; Porque dele disse Davi: Sempre via diante de mim o Senhor, Porque está à minha direita, para que eu não seja comovido; Por isso se alegrou o meu coração, e a minha língua exultou; E ainda a minha carne há de repousar em esperança; Pois não deixarás a minha alma no inferno, Nem permitirás que o teu Santo veja a corrupção; Fizeste-me conhecidos os caminhos da vida; Com a tua face me encherás de júbilo. Homens irmãos, seja-me lícito dizer-vos livremente acerca do patriarca Davi, que ele morreu e foi sepultado, e entre nós está até hoje a sua sepultura. Sendo, pois, ele profeta, e sabendo que Deus lhe havia prometido com juramento que do fruto de seus lombos, segundo a carne, levantaria o Cristo, para o assentar sobre o seu trono, Nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no inferno, nem a sua carne viu a corrupção. Deus ressuscitou a este Jesus, do que todos nós somos testemunhas. De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis. Porque Davi não subiu aos céus, mas ele próprio diz: Disse o SENHOR ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita, Até que ponha os teus inimigos por escabelo de teus pés. Saiba, pois, com certeza toda a casa de Israel que a esse Jesus, a quem vós crucificastes, Deus o fez Senhor e Cristo.” (Atos 2.14-36).

Todo e qualquer cristão que queira anunciar o evangelho de Cristo precisa saber expor que:

  1. Jesus, que foi crucificado, foi feito por Deus Senhor e Cristo;
  2. Jesus de Nazaré foi entregue por Deus segundo o Seu propósito e o anunciado de antemão pelas Escrituras (Atos 3.18 e 20);
  3. Jesus foi preso, crucificado e morto por mão de homens ímpios, mas Deus O ressuscitou, e;
  4. Apresentou nos Profetas a promessa de salvação para todos os povos (Joel 2.28-29), e nos Salmos previsões acerca da ressurreição de Cristo (Salmos 16.8-11).

O terceiro discurso do apóstolo Pedro é bem resumido, porém, os elementos centrais do evangelho não foram omitidos:

“Seja conhecido de vós todos, e de todo o povo de Israel, que em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, aquele a quem vós crucificastes e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, em nome desse é que este está são diante de vós. Ele é a pedra que foi rejeitada por vós, os edificadores, a qual foi posta por cabeça de esquina. E em nenhum outro há salvação, porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos.” (Atos 4.10-12).

  1. Jesus de Nazaré, ou seja, um homem de carne e sangue;
  2. Foi crucificado e morto, mas Deus O ressuscitou, e;
  3. Ele é a pedra de esquina rejeitada pelos edificadores, conforme previsão dos Salmos (Salmo 118.22).

O núcleo do evangelho que contém poder para salvação de qualquer pessoa que crer é bem específico, portanto, não deve ser alterado pelo pregador, que é:

“Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, a saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.” (Romanos 10.8-10).

A ‘palavra da fé’ é o evangelho, a ‘fé’ que o cristão deve defender (Judas 1.3; Filipenses 1.27) e guardar até o fim (2 Timóteo 4.7). Quem anuncia o evangelho tem que anunciar que Jesus Cristo é Senhor e que Deus o ressuscitou dentre os mortos. A pessoa que ouve essa ‘boa nova’ precisa compreender que Deus ressuscitou a Cristo dentre os mortos, e confessar que Ele é Senhor.

A primeira e a segunda pregação do apóstolo Pedro (Atos 2.15-36 e 3.12-26) contém todos os elementos necessários para quem ouvir a mensagem possa crer com o coração (compreender) e confessar com a boca (admitir). Um evangelista tem que analisar todos os elementos contidos nessas duas mensagens do apóstolo Pedro, sabendo transitar entre o Novo Testamento e a Velha Aliança.

 

O Evangelho no Antigo Testamento

Há um entendimento equivoca de que o Deus do Antigo Testamento é diferente do Deus da Nova Aliança, pois leem a Bíblia com as concepções do homem do nosso tempo, esquecendo de considerar as relações do homem do período histórico que os livros foram escritos.

Em função da má leitura, alguns estudiosos veem no Antigo Testamento um Deus ‘vingativo’, ‘cruel’, ‘violento’, etc., contrastando com o Novo Testamento que se apresenta um Deus de ‘amor’, ‘perdão’, ‘misericórdia’, etc.

Na verdade, o evangelho de Cristo é o cumprimento de várias profecias contidas nos livros do Antigo Testamento. Tanto o Novo quanto o Velho Testamento são compostos por vários livros, sendo que esse possuí livros históricos, poéticos e proféticos, e aquele livros históricos (evangelhos), cartas e profético.

Desde o Livro de Jó, o primeiro livro do Antigo Testamento a ser escrito, tem-se referências à vinda do Messias (Jó 16.19; 19.25-27) e de como se daria a redenção do homem (Jó 33.23-30).

No livro do Gêneses tem-se a primeira profecia acerca do Messias (Gênesis 3.15), e a promessa de redenção para todos os povos (Gálatas 3.8), que o apóstolo Paulo destaca como sendo a primeira vez que o evangelho foi anunciado a alguém. A promessa feita Abraão é essencialmente uma boa nova por destacar a vinda do Messias da descendência de Abraão, e que as benesses advindas do descendente prometido alcançariam todos os povos.

Jesus e os apóstolos, ao fazerem as suas exposições, faziam uso do Antigo Testamento, geralmente corrigindo a interpretação dos seus interlocutores.

Os judeus se consideram salvos por descenderem de Abraão, e melhores que os outros povos por terem a Lei de Moisés. Mas, Jesus e os apóstolos são unanimes em demonstrar que não havia diferença entre judeus e gentios, pois todos os homens, sem exceção, são pecadores por descenderem de Adão.

Na verdade, pela lei era para os judeus se conscientizarem que eram pecadores (Romanos 3.20), vez que a lei é estabelecida visando os transgressores, e não dos justos (1 Timóteo 1.9). Se compreendessem que foram rejeitados através da lei (Deuteronômio 32.5 e 6 e 20), se socorreriam de Cristo, mas permaneceram fiados na ideia de que tinham por pai Abraão (Lucas 3.8; João 8.39).

“Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” (Romanos 10.4).

Jesus deixou claro que a Escritura que os judeus cuidavam que produzia vida eterna, na verdade, dava testemunho do Cristo.

“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;” (João 5.39).

 

Falso Evangelho

Na Antiga Aliança já existiam falsos profetas que anunciavam ao povo de Israel mensagens em nome de Deus sem serem enviados por Deus. Geralmente o conteúdo da mensagem dos falsos profetas eram agradáveis aos ouvintes, de modo que se rebelavam contra o Senhor mais e mais.

“E TAMBÉM houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição.” (2 Pedro 2.1);

“Os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; mas que fareis ao fim disto?” (Jeremias 5.31).

Semelhantemente, na Nova Aliança há falsos doutores, que sorrateiramente, disseminam um falso evangelho, negando que Jesus é o Cristo ou a eficácia do evangelho.

“Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.” (2 Timóteo 3.5).

O apóstolo Paulo verificou que na igreja das regiões da Galácia havia pessoas anunciando um outro evangelho (Gálatas 1.6), objetivando transtornar o evangelho de Cristo (Gálatas 1.7). O apóstolo de modo efusivo orienta os cristãos a considerarem anátema qualquer outro evangelho que não for o que já haviam recebido (Gálatas 1.9).

O assunto é tão sério, que o apóstolo Paulo alerta que, se ele ou qualquer outro apóstolo aparecesse anunciando uma outra mensagem, ou se um ser angelical anunciasse outro evangelho, que fosse considerado anátema (Gálatas 1.8).

O apóstolo João, por sua vez, alerta aos cristãos a julgarem os espíritos, ou seja, as mensagens anunciadas pelos homens, para verificarem se procedia de Deus ou não.

“AMADOS, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus;” (1 João 4.1-2).

Como desde à época dos apóstolos já existiam falsos profetas e doutores, certo é que há o evangelho da verdade e os evangelhos do erro.

“Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro.” (1 João 4.6).

É por isso que o apóstolo Paulo orienta o seu filho na fé, Timóteo, acerca dos espíritos enganadores.

“MAS o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças;” (1 Timóteo 4:1-3).

Daí a necessidade de os cristãos batalharem pela fé do evangelho (Judas 1.3; Filipenses 1.27).

 

Os Evangelhos

Os quatro livros escritos por quatro discípulos de Jesus, Mateus, Marcos, Lucas e João, passaram a ser denominados ‘evangelhos’, pois são registros históricos da vida, ministério e ensinamentos de Jesus.

Os livros de Mateus, Marcos e Lucas são chamados de ‘Evangelhos Sinóticos’, em função das semelhanças dos eventos narrados. E o livro escrito pelo apóstolo João, que tem uma narrativa bem diferente dos outros três.

Notadamente, a diferença do evangelho de João para os demais decorre da proposta do livro, que se centra nos milagres operados por Jesus (João 20.30-31), e ser o mais tardio a ser escrito, período em que a igreja já havia se estabelecido. Não se nota no evangelista João uma preocupação em desenvolver a narrativa esperando uma conclusão do leitor, de modo que a narrativa já parte de uma declaração contundente acerca de Jesus:

“NO princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (João 1.1).

Os livros de Mateus e Marcos são desenvolvidos com certa preocupação com o público alvo, de modo a não criar uma repulsa inicial no leitor sem que ele se inteire do seu conteúdo. O evangelho de Mateus começa com a genealogia de Jesus, algo que era palatável aos judeus, e toda a narrativa é pontuada com citações da Lei, dos Profetas e Salmos. O evangelho de Marcos segue a mesma linha de composição, de modo que durante a leitura, o leitor chegue à conclusão de que Jesus é o Cristo.

O evangelho de Lucas é mais um registro histórico de tudo o que Jesus fez e ensinou, e o próprio autor faz referência ao seu livro como algo formal (tratado) (Atos 1.1).

Muitos outros ‘evangelhos’ surgiram, e em função da narrativa fantasiosa que fazem acerca da vida, ministério e ensinamentos de Jesus, são considerados ‘evangelhos apócrifos’.

 

Evangelho: poder de Deus para salvação

Jesus Cristo de Nazaré é o tema central do evangelho, pois Ele é a graça de Deus manifesta que trouxe salvação a todos os homens.

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,” (Tito 2.11).

Cristo é a graça de Deus a todos os homens, pois n’Ele se cumpre a promessa dada a Abraão de bem-aventurança a todos os povos. Essa é uma maravilhosa noticia a todos os homens da face da terra, e pertinente para todos os tempos: boas novas de salvação (João 3.16).

No evangelho está estabelecido que qualquer pessoa, não importando nacionalidade, condição social, idade, etc., que obedecer a Cristo será salvo! Quando Cristo foi morto na cruz pela mão de ímpios em obediência a Deus, tornou-se a base da salvação eterna para todos, sem exceção, que O obedecer.

“E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem;” (Hebreus 5.9).

Ao obedecer a Cristo, o pecador tem a alma purificada pela palavra da verdade (evangelho), pois as palavras de Cristo limpa o homem (João 15.3).

“Purificando as vossas almas pela obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro;” (1 Pedro 1.21).

É em função desta propriedade do evangelho, de conceder salvação ao perdido, que o apóstolo Paulo destaca que o evangelho é poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, sem qualquer distinção.

“Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Romanos 1.16).

Cristo é a propiciação dos pecados de todo o mundo (1 João 2.2; Tito 2.11; 1 João 4.10), tendo em vista que todos pecaram, a redenção que há em Cristo Jesus foi realizada para todos, para que possam ser justificados gratuitamente por Cristo, a graça manifesta. E ao propor propiciação pela fé no sangue de Jesus (evangelho), o homem precisa crer em Jesus (ter fé em Jesus).

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; Sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus. Ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3.23-26).

A obediência ao evangelho produz salvação, já na desobediência ao evangelho, significa que a ira de Deus permanece.

“Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?” (I Pedro 4.17);

“Como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo;” (2 Tessalonicenses 1.8).

No evangelho não há jactância ou vangloria, pois para ser salvo se faz necessário ao homem se fazer servo de Cristo (tomar o jugo), obedecendo-O.

“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas.” (Mateus 11.29).

A salvação é pelo evangelho de Cristo (Efésios 1.13), e para ser salvo é imprescindível obedecer ao mandamento de Deus (1 João 3.23-24), pois só serve a Cristo aquele que obedece, ou seja, quem ama (Mateus 6.24). Diante de um senhor só há duas opções: ou ama, ou odeia. Ame a Cristo tomando o Seu jugo!

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada. Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou.” (João 14.23-24).

“Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom.” (Mateus 6.24).

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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