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Jesus Cristo – o Filho do homem – foi plenamente homem, tanto que é chamado de o ‘último Adão’ e o ‘segundo homem’.


Quem é o Filho do homem?

Introdução

Certa feita, ao atravessarem o mar em um barco, levantou-se uma grande tempestade, e as ondas chegavam a encobrir a embarcação. Os discípulos já tinham visto Jesus operar inúmeros milagres, mas, assustados com a possibilidade de naufragarem, acordaram o Mestre, que dormia, dizendo: – “Senhor, salva-nos! Estamos a perecer”.

Ainda deitado, Jesus respondeu: – “Por que temeis, homens de pouca fé? ”, e em seguida, levantou-se e repreendeu o mar e os ventos, e houve bonança.

Apesar de terem convivido com Cristo já por algum tempo, e visto sinais e maravilhas, ao verem que o mar e os ventos se acalmaram, exclamaram admirados: – “Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mateus 8.23-27).

Quem é o Jesus Cristo de Nazaré? Esta é a pergunta mais importante para a humanidade, pois da resposta resulta salvação da condenação eterna estabelecida no Éden sobre Adão e seus descendentes.

Leia este artigo com muita atenção e analise as citações bíblicas, pois é inadmissível que um cristão não saiba a resposta para a pergunta feita pelos discípulos após o mar e os ventos se aquietarem.

Somente andar com Jesus de cidade em cidade, ver sinais e maravilhas, ouvir seus ensinamentos, etc., e não saber quem Ele é, é inadmissível. Ir a uma igreja, andar com uma Bíblia a tira colo, cantar no coral, fazer visitas, etc., e não saber que é Jesus, é um descuido que pode custar a sua salvação.

 

Revelação de Deus

“E, chegando Jesus às partes de Cesareia de Filipe, interrogou os seus discípulos, dizendo: Quem dizem os homens ser o Filho do homem? E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas. Disse-lhes ele: E vós, quem dizeis que eu sou? E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. E Jesus, respondendo, disse-lhe: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque to não revelou a carne e o sangue, mas meu Pai, que está nos céus” (Mateus 16.13-17).

Após questionar os discípulos acerca do que diziam as pessoas acerca do Filho do homem, Jesus se voltou para os seus discípulos, e perguntou: – “E vós, quem dizeis que eu sou? ”.

Simão Pedro, adiantou-se e respondeu:

“Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. ”  

O leitor tem noção das implicações decorrentes dessa declaração? Levando-se em conta o predito pelos profetas, Simão Pedro acabara de declarar que Jesus era o rebento de Jessé prometido no Livro do profeta Isaías (Isaías 11.1 e 10). Aquele homem era o Filho prometido a Davi com direito a se assentar no trono para sempre, e além de tudo, o Filho de Deus.

“Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então farei levantar depois de ti um dentre a tua descendência, o qual sairá das tuas entranhas, e estabelecerei o seu reino. Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre. Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens, e com açoites de filhos de homens.” (2 Samuel 7.12-14).

Se alguém fizesse essa mesma confissão em uma sinagoga, ou na presença de um dos principais dos Judeus, invariavelmente seria expulso do templo.

“Seus pais disseram isto, porque temiam os judeus. Porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser ele o Cristo, fosse expulso da sinagoga.” (João 9.22);

“Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga.” (João 12.42).

Como Simão Pedro chegou à conclusão que Jesus é o Cristo? Jesus deixa claro àquele venturoso que tal conhecimento não advinha de ‘carne’ e ‘sangue’, mas por revelação de Deus (Mateus 16.13-17).

O que quer dizer ‘carne’ e ‘sangue’ não revelou que Jesus é o Cristo? Que o conhecimento de Simão Pedro não se deu pelo fato de ser da linhagem de Israel, nascido hebreu de hebreus, até porque os profetas anunciaram para não acreditar no amigo e nem confiar nos líderes, até mesmo se for um filho quando a questão fosse o Cristo.

“Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca. Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa.  (Miqueias 7.5-6);

“Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.”  (Mateus 10.35-36).

Como a revelação do Pai chegou até Simão Pedro? A resposta está em uma declaração de Jesus:

“E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou.” (João 12.44);

“Pai justo, o mundo não te conheceu; mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste a mim.” (João 17.25).

Através dos textos analisados, fica evidente que Jesus foi um homem, e inicialmente, era só essa certeza que os discípulos tinham do Cristo (Mateus 8.27). Entretanto, Cristo também é o Filho de Deus – Filho do homem -, por conseguinte, o Filho de Davi (Mateus 22.42), como bem declarou Simão Pedro.

 

O que as pessoas diziam de Jesus?

“E todos lhe davam testemunho, e se maravilhavam das palavras de graça que saíam da sua boca; e diziam: Não é este o filho de José?” (Lucas 4.22).

Para saber quem era o Cristo, os judeus deveriam consultar as Escrituras, pois são elas que testificavam acerca do Messias. No entanto, contrariando as profecias, em vez de consultarem as Escrituras, perguntavam uns para os outros, aumentando a celeuma:

“Não é este o filho de José?” (Lucas 4.22);

“Outros diziam: Este é o Cristo; mas diziam outros: Vem, pois, o Cristo da Galileia?” (João 7.41);

“E muitos da multidão creram nele, e diziam: Quando o Cristo vier, fará ainda mais sinais do que os que este tem feito?” (João 7.31);

“Todavia bem sabemos de onde este é; mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde ele é.” (João 7.27);

“E ei-lo aí está falando abertamente, e nada lhe dizem. Porventura sabem verdadeiramente os príncipes que de fato este é o Cristo?” (João 7.26).

Se consultassem verdadeiramente as Escrituras, o povo não perguntaria aos seus líderes e concidadãos se Jesus era o Cristo, pois o alerta era claro: Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca.” (Miqueias 7.5).

Por que guardar ‘as portas da boca’? Porque o que contamina o homem é o que sai da boca, e não o que entra. O povo tinha cuidado com o lavar das mãos, pratos, copos, etc., não tinha cuidado com o que saia da boca dos seus amigos e irmãos.

“Nada há, fora do homem, que, entrando nele, o possa contaminar; mas o que sai dele isso é que contamina o homem.” (Marcos 7.15).

Em qualquer demanda não era para seguir a multidão, e sim a palavra de Deus.

Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda falarás, tomando parte com a maioria para torcer o direito.” (Êxodo 23.2).

Qual era a concepção da multidão acerca de Jesus? Quem Jesus fosse João Batista, ou Elias, ou Jeremias, ou mais um dos profetas.

“Indo Jesus para os lados de Cesareia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas” (Mateus 16.14);

“E o tetrarca Herodes ouviu todas as coisas que por ele foram feitas, e estava em dúvida, porque diziam alguns que João ressuscitara dentre os mortos; e outros que Elias tinha aparecido; E outros que um profeta dos antigos havia ressuscitado. E disse Herodes: A João mandei eu degolar; quem é, pois, este de quem ouço dizer tais coisas? E procurava vê-lo.” (Lucas 9.7-9).

Enquanto Jesus estava multiplicando e distribuindo pães, era aclamado pela multidão como profeta.

“Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo.” (João 6.14).

Mas, quando Jesus declarou ser o pão vivo que desceu dos céus (João 6.35), a multidão passou a murmurar, e destacaram que Jesus era filho de José.

“Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu. E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?” (João 6.41-42).

À época de Jesus, havia duas vertentes acerca de quem era o Jesus de Nazaré:

  1. Era um dos profetas, ou;
  2. Era um dos filhos de José e Maria.

Mas, após a morte e ressurreição de Jesus, surgiram outros pensamentos a respeito de quem era Jesus.

Até hoje muitos dizem que Jesus foi um profeta de Deus, ou seja, somente um porta-voz da mensagem de Deus aos homens. Pensam desta forma os seguidores do islamismo, os seguidores de Maomé, equiparando Jesus com Abraão e Moisés.

Diferentemente da multidão à época de Jesus, a religião judaica atualmente entende que Jesus de Nazaré foi um dos falsos messias que apareceram ao longo da história, e que, portanto, não foi um dos profetas.

Os Testemunhas de Jeová e os Adventistas do Sétimo Dia acreditam que Jesus é um anjo. Um anjo é um ser criado por Deus, e o erro dos TJ e dos Adventistas ocorre por causa dos termos hebraico (Mala’ak) e grego (Angellos) traduzido por anjo, mas que pode ser traduzido por ‘mensageiro’. Os profetas da Antiga Aliança eram chamados de ‘mensageiros’, assim como os seres celestiais.

Os espíritas acham que Jesus era um modelo de homem perfeito, exemplo de moral e caráter. Os budistas acham que Jesus era um botisatva, assim como outros “homens iluminados”.

Além das perspectivas religiosas, temos vários posicionamentos acadêmicos. Sociólogos acreditam que Jesus foi um homem revolucionário por causa do seu discurso diferente. Psicólogos acham que Jesus foi o melhor homem que já existiu.

À época dos apóstolos surgiram algumas pessoas alegando que Jesus não veio em carne (1 João 4.3), outros negavam que Jesus era o Cristo (1 João 2.22), sem falar nos judaizantes, que alegavam se os cristãos convertidos dentre os gentios não se circuncidassem conforme o rito mosaico, que não seriam salvos (Atos 15.1).

O que as pessoas diziam e dizem de Cristo, se não for o que está estabelecido nas Escrituras é anátema, mesmo que seja uma afirmação contendo um elogio ou expressando admiração. É por isso que Jesus afirmou:

“Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.” (João 7.38).

Se alguém afirma que Jesus é alguém, mas tal asserção não consta da Escritura, não produz salvação.

Tendo por base a Escritura, certo é que Jesus Cristo não é:

  • a reencarnação de um dos profetas, até porque na Bíblia não há reencarnação;
  • apenas mais um profeta de Deus;
  • um modelo de caráter e moral a ser seguido;
  • uma imagem em um crucifixo;
  • um espírito de luz, ou evoluído.

Não é o que os homens dizem acerca de Jesus, antes é o que a Bíblia diz quem Cristo é que é poder de Deus para salvação do que crê! Neste diapasão, Jesus só aceitava o testemunho da Escritura, e não o testemunho dos homens.

“Eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que vos salveis.” (João 5.34).

Aquele que testifica que Jesus é o Cristo, aceitou o testemunho de Cristo e confirma que Deus é verdadeiro.

“Quem crê no Filho de Deus, em si mesmo tem o testemunho; quem a Deus não crê mentiroso o fez, porquanto não creu no testemunho que Deus de seu Filho deu.” (1 João 5.10);

“Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro.” (João 3.33).

 

Jesus Cristo homem

Partindo da confissão do apóstolo Pedro, e da observação que fizeram os discípulos quando o barco estava para naufragar, é imprescindível considerar que Jesus era plenamente homem.

Essa é a confissão do apóstolo Paulo:

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (1 Timóteo 2.5).

O Jesus histórico, que nasceu em Nazaré, foi um homem igual todos os outros homens. O mesmo poder que atuou sobre o barro concedendo folego de vida a Adão, é o mesmo poder que atuou no ventre de Maria gerando o Cristo.

Jesus foi um homem, assim como foi Adão, tendo em vista que Adão foi figura de Cristo.

“No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir. (Romanos 5.14).

Jesus veio ao mundo participante de carne e sangue por causa do vínculo sanguíneo com Maria, e como Maria era descendente de Davi, Jesus herdou o direito de ascender ao trono de Davi, seu pai (2 Samuel 7.12).

“E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo;” (Hebreus 2.14; Hebreus 2.9).

Somente sendo participante da carne e do sangue tornou-se possível a Cristo se participante de todas as coisas que os homens, inclusive a morte, pois somente através da Sua morte, Cristo aniquilaria o império da morte.

Cristo, foi introduzido no mundo na condição de unigênito de Deus, e Ele se assentará no trono de Davi, seu pai, na condição de primogênito, ou seja, ressurreto dentre os mortos.

“Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra.” (Salmos 89.27).

Em tudo Cristo foi semelhante aos homens: nas fraquezas, necessidades, sentimentos, limitações, tentações, etc. (Hebreus 2.17), contudo, sem pecado, pois não nasceu da carne, do sangue e da vontade do varão, mas dá vontade de Deus. Se Jesus partilhasse da carne e do sangue de um homem, seria pecador como os demais, mas como foi Deus quem gerou Jesus no ventre de Maria, nasceu sem pecado, e não se achou durante a sua existência neste mundo engano na sua boca.

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.” (Hebreus 4.15);

“Porque, ainda que foi crucificado por fraqueza, vive, contudo, pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus em vós.” (2 Coríntios 13.4);

“O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano.” (1 Pedro 2.22).

Jesus foi plenamente homem, tanto que é chamado de o ‘último Adão’ e o ‘segundo homem’.

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu.” (1 Coríntios 15.45-47).

É importante deixar bem claro que Jesus foi homem para rechaçar a ideia de que Ele não veio em carne, pois se assim fosse, Cristo não teria sido crucificado e morto, e, senão não morreu, também não ressuscitou, posicionamento completamente contrário a Escritura.

“Porque já muitos enganadores entraram no mundo, os quais não confessam que Jesus Cristo veio em carne. Este tal é o enganador e o anticristo.” (2 João 1:7).

Jesus homem é o Filho unigênito de Deus por ter sido gerado de Deus no ventre de Maria (João 1.14), e, por ser concebido por Maria, Cristo é filho de Davi. Por causa dessas relações, Jesus foi nomeado:

  • Filho de Deus;
  • Filho de Davi;
  • Filho do homem;
  • O último Adão.

Ao escrever aos Filipenses, o apóstolo Paulo faz essa descrição de Jesus homem:

“E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” (Filipenses 2.8).

O termo grego σχήματι (schēmati) traduzido por forma ou aparência engloba tudo o que é perceptível aos sentidos humanos, como: forma, comportamento, discurso, ações, forma de vida, etc., de modo que descreve Jesus como um homem pleno.

Jesus foi 100% homem!

 

Jesus homem se fez servo

Outra questão a ser analisada, diz acerca do que é ‘humilhar-se a si mesmo’, quando Jesus, já na forma de homem, sujeitou-se ao Pai até a morte, e morte cruenta no madeiro.

“E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz.” (Filipenses 2.8).

O apóstolo destaca que, quando Jesus estava na forma de homem, ou seja, plenamente homem, Ele se humilhou a si mesmo. Isto não significa que Ele foi humilhado por outras pessoas, antes, Ele mesmo se humilhou.

O termo grego ἐταπείνωσεν (etapeinōsen) utilizado pelo apóstolo Paulo têm diversos significados e metáforas. Daí a pergunta: Jesus estava sendo modesto, destituído de arrogância, aparentar ser mais pobre, ser menos honrado que outros, etc.? Não!

Ao utilizar o termo ταπεινοω grego para descrever Jesus homem, o apóstolo Paulo simplesmente quer destacar que Jesus se sujeitou a Deus como servo, sendo obediente até a morte.

Um homem livre pode ser rico ou pobre, mas o servo é o último degrau da escala social. Para um homem livre se humilhar, somente se humilharia fazendo-se servo. É nesse sentido que o apóstolo Pedro roga aos cristãos que se humilhassem debaixo das potentes mãos de Deus.

“Humilhai-vos, pois, debaixo da potente mão de Deus, para que a seu tempo vos exalte;” (1 Pedro 5.6).

Ser servo de Deus era uma das características do Cristo anunciada de antemão pelos profetas:

“Quem é cego, senão o meu servo, ou surdo como o meu mensageiro, a quem envio? E quem é cego como o que é perfeito, e cego como o servo do SENHOR?” (Isaías 42.19);

“Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os preservados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra.” (Isaías 49.6).

Ao se propor fazer a vontade do Pai, e não a sua própria, Cristo humilhou-se a si mesmo:

“Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.” (João 6.38);

“Dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua.” (Lucas 22.42).

Mas, antes de Jesus homem a si mesmo se humilhar diante de Deus, mesmo sendo Deus não tomou tal condição diante dos homens, antes se fez servo (δούλου) dos homens quando se tornou semelhante aos homens.

“Mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens;” (Filipenses 2.7).

“Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo. O maior dentre vós será vosso servo. E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.” (Mateus 23.10-12);

“Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos.” (Mateus 20.28);

Jesus homem abriu mão de ser reconhecido como Deus, embora fosse, e além do mais, se fez servo daqueles que Ele se tornou semelhante, de modo que o apóstolo Paulo roga aos cristãos que tivessem o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus.

Embora fosse o Cristo, não declarava abertamente aos seus interlocutores essa condição, e deixou bem claro que o maior (Cristo) entre os discípulos haveria de ser servo.

“Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou. Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou. Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.” (João 13.12-17).

A abordagem do apóstolo Paulo, ao demonstrar que Jesus não buscou reputação, demonstra que os cristãos não devem se vangloriar, antes, como Cristo, considerar os outros superiores a si mesmo (Filipenses 2.3).

 

Deus se fez homem

Toda humanidade veio a existência e entrou no mundo por intermédio de Adão, ou seja, antes de nascer nenhum homem existia, e somente quando gerados por um pai e concebidos por uma mãe todos os homens vieram a existência.

Adão não existia antes de Deus formar do pó da terra um boneco de barro e soprar-lhe nas narinas o fôlego de vida, e naquele instante o homem tornou-se alma vivente (Gênesis 2.7). No Éden veio a existência o primeiro homem, e como foi tomado da terra, é terreno (1 Coríntios 15.47).

Mas, o apóstolo Paulo afiança que o primeiro homem era a imagem daquele que estava por vir, o segundo homem, que é do céu, e por isso chamado o último Adão.

“No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir. (Romanos 5.14);

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu.” (2 Coríntios 15.45-47).

Enquanto Adão era terreno e figura do segundo homem que estava por vir, o segundo homem era do céu, e foi introduzido no mundo na condição de último Adão. Enquanto Adão foi criado e veio a existência no mundo segundo o modelo do homem que estava por vir, o segundo homem era do céu, ou seja, Ele já existia antes de ser introduzido no mundo.

Isto significa que na eternidade Jesus existia nós céus? Na verdade, não! Nós céus sempre existiu por toda eternidade o Verbo eterno, tanto que e o Verbo estava com Deus no princípio e é o criador dos céus e da terra. Somente quando o Verbo eterno deixou o seu poder e glória, e foi introduzido no mundo em um corpo preparado pelo Pai, é que, na plenitude dos tempos, Jesus passou a viver entre os homens, de modo que o corpo que foi preparado para o Verbo se fazer homem trouxe a mesma imagem que foi dada a Adão no Éden.

Nos céus o Verbo não tinha um corpo, antes se manifestava aos profetas teofanicamente. Corpo somente foi preparado quando o Verbo se despiu da sua glória e poder, e foi introduzido no mundo, assumindo assim a condição de Filho de Deus.

“Por isso, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste;” (Hebreus 10.5).

 A entrada e saída do Verbo eterno como homem no mundo foi anunciada nos Salmos:

“O SENHOR guardará a tua entrada e a tua saída, desde agora e para sempre.” (Salmos 121.8).

A proteção de Deus sobre o Seu Filho ao ser introduzido no mundo foi perene:

“Mas tu és o que me tiraste do ventre; fizeste-me confiar, estando aos seios de minha mãe. Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.” (Salmos 22.9-10).

Foi Deus que formou o corpo de Cristo de um modo assombroso e maravilhoso, protegeu e sustentou desde o ventre e foi tirado das entranhas de uma mulher, Maria.

“Por ti tenho sido sustentado desde o ventre; tu és aquele que me tiraste das entranhas de minha mãe; o meu louvor será para ti constantemente.” (Salmos 71.6);

“Pois possuíste os meus rins; cobriste-me no ventre de minha mãe. Eu te louvarei, porque de um modo assombroso, e tão maravilhoso fui feito; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem. Os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui feito, e entretecido nas profundezas da terra. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia” (Salmos 139.13-15).

Aquele homem que habitou entre os homens e conviveu com seus discípulos, antes de ser introduzido no mundo era pleno de glória e poder.

“E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse. (João 17.5).

Com a glória que possuía com Deus antes que o mundo existisse temos o Verbo eterno, e ao ser introduzido no mundo em um corpo preparado pelo Pai, temos o Jesus de Nazaré, um homem.

Ao falar de Cristo na eternidade, o apóstolo João declarou:

“NO princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” (João 1.1-3).

Tudo o que foi dito acerca do Verbo eterno ao ser introduzido no mundo é resumido na seguinte frase: o Verbo eterno se fez carne e habitou entre os homens como o unigênito do Pai:

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1.14).

O escritor aos Hebreus aponta para Jesus Cristo ao interpretar o Salmo 102, versos 25 à 27, demonstrando que aquele homem que viveu em Nazaré, antes de ser introduzido no mundo como o unigênito de Deus, na eternidade fundou os céus e a terra.

“Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permanecerás; todos eles se envelhecerão como um vestido; como roupa os mudarás, e ficarão mudados. Porém tu és o mesmo, e os teus anos nunca terão fim.” (Salmos 102.25-27; Hebreus 1.10-12).

O Salmo 45 também é interpretado pelo escritor aos Hebreus como se referindo a Cristo, chamando-O de Deus:

“Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos; Cetro de equidade é o cetro do teu reino. Amaste a justiça e odiaste a iniquidade; por isso Deus, o teu Deus, te ungiu Com óleo de alegria mais do que a teus companheiros.” (Hebreus 1.8-9; Salmo 45.6-7).

Sabendo que o Verbo eterno é Deus, e que estava com Deus por toda a eternidade, mas que abriu mão da sua gloria e poder para se fazer homem, vê-se que o homem que disse ao mar acalma e ao vento aquieta, é Deus.

Como Jesus é Deus que se fez carne, o escritor aos Hebreus aponta nos Salmos o texto que diz acerca do Filho do homem quando é introduzido no mundo, de que Jesus é digo de adoração:

“E outra vez, quando introduz no mundo o primogênito, diz: E todos os anjos de Deus o adorem.” (Hebreus 1.6);

“Confundidos sejam todos os que servem imagens de escultura, que se gloriam de ídolos; prostrai-vos diante dele todos os deuses.” (Salmos 97.7).

“Eu disse: Vós sois deuses, e todos vós filhos do Altíssimo.” (Salmos 82.6; João 10.34).

Embora Jesus fosse Deus, Ele não lançou mão da sua divindade para se impor ou se apresentar aos homens, antes anunciou o Pai na condição de servo.

“Que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus,” (Filipenses 2.6).

Essa análise se fez necessário por causa de algumas heresias acerca de Jesus Cristo homem, isto porque, da mesma forma que alguns negavam que Jesus era o Cristo ou que Ele veio em carne, tem outra vertente que enfatiza que, mesmo na carne Jesus permaneceu de posse do seu poder e glória.

Ora, Jesus em meios aos homens foi 100% homem, e por isso mesmo, da linhagem de Abrão e Davi (Romanos 1.3). Embora sendo Deus, enquanto homem, Jesus era 100% homem, sem qualquer atributo divino, como onisciência, onipotência, onipresença. É um erro dizer que Jesus, enquanto na carne, era 100% Deus e 100% homem, no sentido de que, enquanto homem era pleno dos atributos da divindade.

Considerando que Deus é infinito em gloria e poder, ao dizer que Jesus enquanto na carne detinha 0,00001 do seu poder, ainda assim significaria que Ele era todo-poderoso quando na carne, e nunca esteve sujeito à morte. 1% do que é infinito, continua sendo infinito, de modo que Jesus, mesmo sendo Deus, temporariamente abdicou de sua glória e poder e habitou entre os homens na condição de homem pleno (100%).

Assim como todos os homens, Jesus teve fome, sede, fraquezas, ânimo, indisposição, tristeza, dor, etc. (Mateus 4.2; João 4.7) Por ser homem foi tentando em tudo (Hebreus 2.18 e 4.15), contudo, não pecou. Como todos os homens, Jesus nasceu, cresceu e teve que aprender.

“Portanto o mesmo Senhor vos dará um sinal: Eis que a virgem conceberá, e dará à luz um filho, e chamará o seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem. Na verdade, antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra, de que te enfadas, será desamparada dos seus dois reis.” (Isaías 7.14-16).

Embora sendo Filho, teve que aprender a obediência:

“O qual, nos dias da sua carne, oferecendo, com grande clamor e lágrimas, orações e súplicas ao que o podia livrar da morte, foi ouvido quanto ao que temia. Ainda que era Filho, aprendeu a obediência, por aquilo que padeceu. E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem;” (Hebreus 5.7-8).

A paixão de Cristo demonstra que Ele aprendeu a obediência, sujeitando-se a vontade do pai (Mateus 26.39):

“SENHOR meu Deus, clamei a ti, e tu me saraste. SENHOR, fizeste subir a minha alma da sepultura; conservaste-me a vida para que não descesse ao abismo.” (Salmo 30.2-3);

“Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me redimiste, SENHOR Deus da verdade. Odeio aqueles que se entregam a vaidades enganosas; eu, porém, confio no SENHOR. Eu me alegrarei e regozijarei na tua benignidade, pois consideraste a minha aflição; conheceste a minha alma nas angústias. E não me entregaste nas mãos do inimigo; puseste os meus pés num lugar espaçoso.” (Salmo 31.5-8).

Muitos no afã de enfatizar a divindade de Cristo, acabam por fomentar um equívoco doutrinário, pois enfatizam que Jesus foi, ao mesmo tempo 100% homem e 100% Deus. Outros, neste diapasão, enfatizam que, apesar de Jesus ser 100% homem, por nem um segundo abriu mão da sua onisciência, onipresença e onipotência.

Jesus Cristo homem é Deus por ser o Verbo eterno encarnado, porém, enquanto encarnado, foi 100% homem, sem qualquer um dos atributos da divindade. Cristo era atendido pelo Pai pela sua reverente submissão (ouvido quanto ao que temia), de modo que não era necessário lançar mão do poder que abriu mão ao se fazer carne.

Devemos ter em mente a seguinte instrução paulina:

“Assim que daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne, e, ainda que também tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos deste modo.” (2 Coríntios 5.16).

Os judeus conheciam uns aos outros por questões como: ele é hebreu de hebreus, da tribo tal, circuncidado, etc., mas, agora em Cristo, nenhum cristão convertido dentre os judeus conhecia o outro segundo os elementos da lei (carne), embora até Jesus Cristo haviam conhecido segundo a carne: hebreu de Hebreus, da casa de Judá, por ter sido concebido por Maria, e circuncidado ao oitavo dia.

Contudo, após a sua morte e ressurreição, tais elementos pertinentes à carne não devem ser considerados, pois o Jesus ressurreto agora é a expressa imagem e semelhança do Deus invisível.

“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;” (Hebreus 1.3).

É completamente diferente a condição do Cristo ressurreto assentado à destra da majestade nas alturas, da condição do Cristo quando encarnado, por causa da paixão da morte, e que também é diferente da condição do Verbo eterno antes de se manifestar em carne.

“Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.” (Hebreus 2.9).

O espírito que dava vida ao corpo de Jesus e que Ele na morte entregou ao Pai (Lucas 23.46), é o mesmo espírito do Verbo eterno pleno de poder e glória quando na eternidade. É esse mesmo espírito que, ao ser glorificado, recebeu um novo corpo glorioso, e agora, herdeiro de todas as coisas, está assentado a destra da Majestade nas alturas, aguardando os seus inimigos serem postos por escabelo dos seus pés (Salmo 110.1).

Na eternidade desde sempre o Verbo esteve com Deus:

“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” (João 1:1).

Ao deixar a Sua glória e poder, foi introduzido no mundo na condição de Filho unigênito de Deus, Jesus Cristo homem.

“E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1.14).

Quando da paixão e morte, Cristo ressurgiu dentre os mortos na condição de primogênito, tornando-se a expressa imagem do Deus invisível.

“O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação;” (Colossenses 1.15).

Ao alcançar a imagem do Deus invisível, na condição de primogênito, Cristo agora tem a preeminência em tudo. Na posição à destra da Majestade nas alturas, muitos filhos semelhantes a Cristo são conduzidos à gloria de Deus, o que dá a Cristo a posição de primogênito, e na condição de primogênito pode reinar sobre todos os reinos da terra.

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.” (Colossenses 1.18);

“Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra.” (Salmos 89.27).

É o primogênito, e não o unigênito que se tornaria o mais elevado dos reis da terra. Antes de ser rei, teria que alcançar a condição de primogênito (Romanos 8.29), por isso o Filho unigênito se deu na morte, para conduzir à gloria muitos filhos a Deus (Hebreus 2.10), e estes semelhantes a Ele (1 João 3.1-2; 1 Coríntios 15.48-49), cumprindo-se assim a promessa a Davi (2 Samuel 7.12-14).

“Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre.” (2 Samuel 7.13).

Ao edificar o templo ao nome de Deus, Cristo edificou a igreja, que é o seu corpo. Como a igreja é o templo edificado por Cristo, agora, na condição de primogênito entre muitos irmãos, Deus confirmará o trono de Jesus para sempre como o mais elevado dos reis da terra.

Erros quanto a natureza de Jesus Cristo enquanto viveu neste mundo são inúmeros:

  1. Que Jesus não veio em carne:
  2. Que Jesus não é o Filho de Deus, por conseguinte, o Filho de Davi;
  3. Que Jesus não é Deus, e argumentam que Jesus era um anjo antes da encarnação;
  4. Que Jesus é uma das manifestações de Deus, e vice-versa, os chamados unicistas;
  5. Que Jesus, enquanto na terra, apesar de ser 100% homem, e, concomitantemente, 100% Deus, exercia plenamente atributos como: onipotência, onipresença e onisciência;
  6. Que Jesus, enquanto na terra, apesar de ser 100% homem, e, concomitantemente, 100% Deus, deixou de exercer voluntariamente alguns dos seus atributos como: onipotência, onipresença e onisciência.

Enquanto a Bíblia assevera que Jesus é Deus pelo fato de o Verbo se fazer carne (João 1.1 e 1.14), é um equívoco atrelar a divindade de Jesus aos atributos da divindade. Enquanto a Bíblia afirma que Jesus veio em carne (1 João 1.7), participante de carne e sangue (Hebreus 2.14), e em tudo semelhante aos homens (1 João 1.1-2), porque era necessário passar pela morte, é um equívoco enfatizar que em Cristo homem estava presente os atributos da divindade, o que depõe contra a humanidade de Cristo.

“Acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne,” (Romanos 1.3);

“Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,” (Gálatas 4.4).

Se Cristo não foi homem na plenitude da palavra, antes exercia plenamente os atributos da divindade, certo é que Ele nunca esteve fraco, portanto, a cruz era sem efeito n’Ele.

“Porque, ainda que foi crucificado por fraqueza, vive, contudo, pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus em vós.” (2 Coríntios 13.4).

Se Cristo na carne era 100% Deus, equivocou-se o escritor aos Hebreus ao dizer que Jesus era como nós e que foi tentando em tudo, uma vez que Deus não pode ser tentado pelo mal.

“Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.” (Tiago 1.13).

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.” (Hebreus 4.15);

“O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano.” (1 Pedro 2.22).

 

A expressa imagem do Deus invisível

Para falar de Jesus Cristo como a expressa imagem do Deus invisível (Hebreus 1.3; Colossenses 1.15), temos que retornar lá no princípio, após Deus criar os céus e a terra.

No quinto dia da criação, Deus anunciou a sua vontade:

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gênesis 1.26-27).

Ao expressa o propósito de criar o homem, Deus estabeleceu qual seria o domínio desse homem feito à Sua imagem e conforme à Sua semelhança. Para compreender quem receberia domínio sobre todas as coisas, precisamos nos socorrer do Salmo 8, que diz:

“Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; Que é o homem mortal para que te lembres dele? e o filho do homem, para que o visites? Pois pouco menor o fizeste do que os anjos, e de glória e de honra o coroaste. Fazes com que ele tenha domínio sobre as obras das tuas mãos; tudo puseste debaixo de seus pés: Todas as ovelhas e bois, assim como os animais do campo, as aves dos céus, e os peixes do mar, e tudo o que passa pelas veredas dos mares.” (Salmo 8.3-8).

O verbo hebraico עָשָׂה (àsah) traduzido por ‘façamos’, no sentido de fazer, trabalhar, agir, executar, efetuar, etc., difere da ideia de ‘criar’, que é o verbo בָּרָא (bara’). Por que foi dito ‘façamos’ e não ‘criemos’?

O homem a ser feito a imagem e semelhança de Deus invisível era Adão, ou o último Adão? Refere-se ao primeiro homem, terreno, ou ao segundo homem, que é do céu?

“Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante. Mas não é primeiro o espiritual, senão o natural; depois o espiritual. O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu.” (1 Coríntios 15.45-47).

O homem que exerceria domínio sobre toda criação de Deus era Adão, ou o último Adão, que é Cristo? Verifica-se através do Salmo 8, um salmo messiânico, que quem exerceria domínio sobre todas as obras da mão de Deus seria o Cristo, aquele que por um curto período de tempo foi feito menor que os anjos, contudo, coroado de glória e honra. Os animais descritos no verso 26 e 27 de Gêneses 1, são os mesmos descritos no verso 7 e 8 do Salmo 8.

‘Façamos’ indica um projeto, do qual Cristo até agora trabalha juntamente com o Pai, e que somente será concluso no segundo homem, que é Senhor:

“E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.” (João 5.17).

Após anunciar o seu propósito, Deus deu início ao que foi estabelecido no segundo homem (Colossenses 1.18), criando Adão:

“E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou.” (Gênesis 1.27).

O primeiro homem foi criado a imagem do segundo homem, daquele homem que é do céu, Cristo, e que havia de vir. Adão nunca foi a expressa imagem do Deus invisível, antes foi a expressa imagem e semelhança daquele que havia de vir. Cristo, por sua vez, veio ao mundo conforme a imagem dada ao primeiro homem, e ressurgiu dentre os mortos a expressa imagem e conforme a semelhança do Deus invisível.

“No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir.” (Romanos 5.14).

Somente do Cristo ressurreto é dito:

“O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele.” (Colossenses 1.15-17; Salmo 8);

“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade; E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade;” (Colossenses 2.9-10);

“Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.” (2 Coríntios 4.4);

“O qual, sendo o resplendor da sua glória, e a expressa imagem da sua pessoa, e sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, havendo feito por si mesmo a purificação dos nossos pecados, assentou-se à destra da majestade nas alturas;” (Hebreus 1.3).

A condição de expressa imagem do Deus invisível Cristo alçou após ressurgir dentre os mortos, e foi essa condição/posição que Lúcifer intentou lançar mão, ao dizer em seu coração:

“E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.” (Isaías 14.13-14).

Lúcifer não buscou ser Deus, ou ser igual, ou maior que Deus, antes ele buscou alcançar a semelhança do Altíssimo. É impossível uma criatura lançar mão da posição do Criador, portanto, para um ser extremamente sábio como Lúcifer, almejar ser o Criador, é inverossímil.

O que Lúcifer intentou alcançar, vemos Deus anunciar antes de criar o homem: – ‘Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança’. A semelhança do Altíssimo que Lúcifer intentou alcançar, na verdade era algo que Deus propôs em si mesmo, na pessoa de Cristo:

“Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor,” (Efésios 3.10-11).

O propósito de Deus estabelecido em Cristo só se tornou de conhecimento dos seres angelicais através da igreja, que é Cristo na posição de primogênito entre muitos irmãos semelhantes a Ele, para que Ele tenha preeminência em tudo.

Quando Lúcifer intentou alcançar a semelhança de Deus, exercia a função de guarda do Éden (querubim, ungido para cobrir, guardar), no monte santo. Por causa da função de proteção do Éden, foi dado a Lúcifer uma indumentária que o distinguia dos demais, mas por causa da formosura que possuía, a sabedoria que possuía se corrompeu, pois intentou alcançar o que protegia, como se estivesse à altura do propósito eterno de Deus.

Lúcifer tentou lucrar com o seu oficio, e intentou alcançar uma posição acima das estrelas de Deus, a semelhança do Altíssimo. Por desconhecer que a semelhança seria dada ao Filho do homem após ressurgir dentre os mortos, Lúcifer tentou alcançar uma glória que pertence ao Criador. Desconhecia a multiforme sabedoria de Deus, e o seu propósito em Cristo, a cabeça da igreja, que é o seu corpo.

“Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniquidade em ti. Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti. Pela multidão das tuas iniquidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te veem.” (Ezequiel 28.13-18).

O Cristo que agora está assentado à destra da Majestade nas alturas é a expressa imagem de Deus (Salmo 110.1), conforme a semelhança do Deus invisível, segundo o propósito que Deus expressou no princípio (Gênesis 1.26). No Tribunal de Cristo a igreja encontrará Cristo na posição de semelhante ao Altíssimo. Ao final da grande tribulação Cristo virá para os filhos de Israel na condição de semelhante ao Altíssimo. Durante o milênio, Cristo governará todos os povos da terra com vara de ferro na condição de semelhante ao Altíssimo.

Da mesma forma que os homens ficaram pasmos ao ver a ignominia de Cristo antes da sua morte, os reis da terra ficarão pasmos ao ver a sua glória!

“Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime. Como pasmaram muitos à vista dele, pois o seu parecer estava tão desfigurado, mais do que o de outro qualquer, e a sua figura mais do que a dos outros filhos dos homens. Assim borrifará muitas nações, e os reis fecharão as suas bocas por causa dele; porque aquilo que não lhes foi anunciado verão, e aquilo que eles não ouviram entenderão.” (Isaías 52.13-15).

Somente após o milênio virá o fim descrito pelo apóstolo Paulo:

Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos.” (1 Coríntios 15.24-28);

“Eu estava olhando nas minhas visões da noite, e eis que vinha nas nuvens do céu um como o FILHO DO HOMEM; e dirigiu-se ao ancião de dias, e o fizeram chegar até ele. E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído” (Daniel 7.13-14);

“E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;” (Mateus 25.31-32).

No fim de todas as coisas, Cristo, na condição de Filho e semelhante ao Altíssimo entregará ao Pai o reino que herdou (Salmos 2.6-9). Enquanto assentado à destra da Majestade nas alturas, mesmo na condição de semelhante ao Altíssimo, Cristo ainda se sujeita ao Pai, mesmo estando todas as coisas sujeitas a Ele.

Por fim, quando todas as coisas estiverem sujeitas a Cristo, então Cristo se sujeitará a Deus, para que Deus seja tudo em todos!

 

O dedo de Deus

“Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente a vós é chegado o reino de Deus.” (Lucas 11.20).

Jesus Cristo homem nasceu em uma família pobre na cidade de Belém, na Judeia, e Ele é o Cristo, o Salvador e Senhor, como declarou um ser angelical:

“… é que hoje vos nasceu, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor” (Lucas 2.11).

Para ser salvo, basta ao homem confessar (admitir) que Jesus é Senhor, e crer com o coração (entendimento) que Deus o ressuscitou dentre os mortos (Romanos 10.9), pois Jesus disse que quem crer n’Ele conforme diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.

“E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.” (João 7.37).

A base da crença do cristão é a Escritura. Fora do que está na Bíblia é anátema, uma crença que não produz vida.

Ao longo da história, líderes de determinados seguimentos religiosos e filosóficos, apresentaram teorias acerca da divindade e humanidade de Jesus, dentre os quais se destacam:

  • Ebionistas – Séc II – Jesus foi um homem notável e com dons especiais;
  • Docetistas – Jesus era Deus, mas com aparência de homem;
  • Gnósticos – Jesus e Cristo eram pessoas distintas, sendo que este era um espírito que veio quando do batismo nas águas por João Batista e o abandonou quando na cruz, e aquele foi um dos filhos de Maria;
  • Arianos – 280 d.C. – Jesus foi uma das criações de Deus de maior importância;
  • Eutiquianos – Jesus era somente Deus, portanto, não era homem.

A Bíblia diz que o Cristo haveria de nascer um menino, e seria nomeado Maravilhoso, Conselheiro, Deus forte, Pai da eternidade e Príncipe da paz (Isaías 9.6). Nasceria na casa de Davi com direito ao trono (Isaías 9.7), e Maria deu à luz um menino (Lucas 2.7), e que ao oitavo dia foi circuncidado (Lucas 2.21; Levítico 12.4).

Jesus nasceu humano em todos os sentidos, com um diferencial: foi gerado pelo espírito de modo sobrenatural, e Maria concebeu sem conhecer José, seu esposo (Lucas 1.35). Através do nascimento virginal, Cristo nasceu sem vínculo com o pecado, condição que todos os descendentes de Adão estão sujeitos.

Todas as questões humanas são verificadas em Cristo, pois ele se desenvolveu física e intelectualmente (Lucas 2.40 e 52), sentiu compaixão, amor, pesar e indignação (Mateus 9.36; João 11.36; João 11.35; Mateus 26.38; Marcos 10.14), não queria sofrer (Mateus 26.39), teve que obedecer (Lucas 9.51), teve necessidades como fome, sede, sono e cansaço (Mateus 4.2; João 19.28; Mateus 8.24; João 4.6).

No Novo Testamento a linhagem de Cristo aponta a sua natureza humana, como descendente de Abraão e Davi. A promessa feita a Abraão e Davi vincula o Cristo à coxa de ambos (2 Samuel 7.12; Gênesis 21.12; Romanos 1.3; Mateus 1.1; Marcos 6.3; Mateus 22.42-45; Mateus 9.6; Marcos 2.10; Lucas 5.24).

Por todas essas questões, certo é que Cristo foi homem!

“Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.” (1 Timóteo 2.5).

O Verbo eterno ao se fazer carne, ou seja, tornar-se homem, tornou-se mediador entre Deus e os homens, papel que não poderia ser desempenhado por Deus.

“Se com ele, pois, houver um mensageiro, um intérprete, um entre milhares, para declarar ao homem a sua retidão, então terá misericórdia dele, e lhe dirá: Livra-o, para que não desça à cova; já achei resgate. Sua carne se reverdecerá mais do que era na mocidade, e tornará aos dias da sua juventude. Deveras orará a Deus, o qual se agradará dele, e verá a sua face com júbilo, e restituirá ao homem a sua justiça.” (Jó 33.23-26).

Jesus Cristo homem desempenhou o papel que Eliú apresentou a Jó e seu três amigos: mensageiro mediador, um entre milhares, para declarar aos homens o que é justo.

A ideia da humanidade autêntica de Cristo muitas vezes é resistida porque as pessoas, equivocadamente, relacionam a matéria orgânica do corpo humano ao pecado e imperfeições. No entanto, Jesus Cristo era homem e perfeito, isento de pecado, assim como Adão era antes da queda.

A imperfeição de Adão não teve origem no seu corpo físico, antes na desobediência ao mandamento de Deus. Da mesma forma, a perfeição de Cristo não decorre do seu corpo físico, antes da obediência a Deus, pois Cristo foi gerado sem pecado e Adão criado sem pecado. Adão pecou estando no paraíso, e Cristo não pecou estando rodeado de pecadores e opositores (1 Pedro 2.21-23).

Desse modo, cremos que Jesus Cristo homem antes da encarnação era Deus e, que, na plenitude dos tempos, Deus ao se fazer homem habitou entre os homens. Cristo é o Verbo eterno que se fez carne e, ao habitar entre os homens, na qualidade de homem, Ele é nomeado o Emanuel, que quer dizer ‘Deus conosco’.

Cremos que Jesus Cristo era homem, e por causa da sua origem, Deus e Senhor. Jesus Cristo homem é Deus porque Ele é o criador do mundo (João 1.1-2), e todas as coisas foram por Ele criadas (Salmos 102.25-27).

Jesus é Deus porque Ele é preexistente (João 8.58; João 1.27), sem princípio e fim de dias (Hebreus 7.3), imutável (Hebreus 13.8), e onipresente (Mateus 28.20). Todos esses quesitos apontam para a origem de Jesus e para a sua glorificação, o que não significa que Jesus fez uso de algum atributo divino enquanto na carne.

Por causa da sua origem divina, é dado a Cristo perdoar pecados e executar juízo (Mateus 9.1-2; João 5.22), e não se opôs ao ser adorado (João 9.38; 20.28; Mateus 2.11; 14.33; 28.9 e 17), e até mesmo os seres angelicais lhe devem adoração (Hebreus 1.6; Apocalipse 5.12-13).

Os apóstolos fizeram referência a Cristo como Deus (João 1.1-2; Romanos 9.5; 1 João 5.20), e Cristo declarou ser Deus (João 5.18; 8.24 e 28 e 58; 10.30-33), e todos os nomes dado a Deus também se aplica a Jesus (Lucas 2.11; 5.8; Lucas 1.35 e João 5.18; Hebreus 1.8-12).

A essência do evangelho de Cristo se resume nessas linhas redigidas pelo apóstolo Paulo:

“E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação. De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamo-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus.” (2 Coríntios 5.18-20).

Tudo concernente a salvação é proveniente de Deus, pois Ele reconciliou os que creem consigo mesmo por intermédio de Jesus Cristo, e este por sua vez, homem. Deus reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e não, Deus reconciliou consigo mesmo por Deus. Isto significa que a natureza de Cristo era única: humana. Deus se fez homem, o Verbo de fez carne, e não o Verbo se disfarçou de homem, como alguns entendem.

A diferença entre Cristo e os demais homens é: os espíritos dos homens quando do nascimento são criados, e o espírito de Jesus Cristo ao nascer é pré-existente, de modo que o espírito em Jesus Cristo homem é o próprio Verbo eterno que abriu mão do Seu poder e glória e se fez carne.

Isto implica dizer que, enquanto na carne, Jesus não era onipotente, onisciente e nem onipresente, e que todos os milagres por Ele realizado foram através do ‘dedo de Deus’.

A referência ‘dedo de Deus’ para o poder único e exclusivo de Deus, primeiro foi utilizado pelos magos e encantadores de Faraó, quando tentaram com encantamentos produzir piolhos do mesmo modo que Arão.

“Então disseram os magos a Faraó: Isto é o dedo de Deus. Porém o coração de Faraó se endureceu, e não os ouvia, como o SENHOR tinha dito.” (Êxodo 8.19).

Jesus, por sua vez, enfatizou que, ao contrário do que afirmavam os escribas e fariseus (Lucas 11.15), expulsava os demônios pelo dedo de Deus, o que deveria ser uma prova de que o reino de Deus era chegado (Lucas 11.20).

Ao ressuscitar Lázaro, Jesus orou, dizendo:

“Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido. Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste.” (João 11.41-42).

O interprete das Escrituras deve ter em mente que muito do que era dito por Cristo durante um sinal miraculoso tinha um fim didático, de modo que as pessoas compreendessem que Jesus era o enviado de Deus.

Observe este versículo:

“E aconteceu que, num daqueles dias, estava ensinando, e estavam ali assentados fariseus e doutores da lei, que tinham vindo de todas as aldeias da Galileia, e da Judeia, e de Jerusalém. E a virtude do Senhor estava com ele para curar.” (Lucas 5.17).

Observe que o evangelista Lucas deixou registrado que, em um dia que Jesus estava ensinando, se faziam presentes fariseus e doutores da lei, e o poder de Deus estava sobre Ele para curar.

Em certo momento do ensino, alguns homens desceram pelo teto da casa um paralitico, quando foi dito: – “Homem, os teus pecados estão perdoados” (Lucas 5.20). Ora, nós que cremos em Cristo sabemos que Ele é Senhor e que perdoa pecados, mas alguns dos que estavam ouvindo Jesus, eram descrentes.

Jesus bem podia mandar o paralitico levantar e andar, no entanto, disse ao paralitico: ‘Homem, os teus pecados estão perdoados’. Com essa declaração, Jesus suscitou uma celeuma entre os que ali estavam, principalmente dos escribas e mestres da lei, que argumentavam que Jesus estava blasfemando.

Ao estabelecerem que somente Deus podia perdoar pecados, Jesus evidencia o que havia no coração deles, e propõe: o que é mais fácil dizer? Os teus pecados estão perdoados, ou levanta e anda? (Lucas 5.23).

Em seguida Jesus propõe: para que vocês saibam que o Filho do homem tem sobre a terra poder para perdoar pecado, ordenou ao paralitico: Levanta, toma o teu leito e vai para tua casa! (Lucas 5.24).

Qual a proposta da narração? Provar a divindade de Cristo? Evidente que para o leitor do evangelho sim, mas para os escribas e fariseus que estavam com Cristo, o objetivo da cura do paraplégico era evidenciar aos murmuradores que Jesus é o Filho do homem.

Quando Jesus disse que não sabia a hora e o dia da sua volta em poder e glória (Marcos 13.26), realmente Ele não sabia.

“Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai.” (Marcos 13.32).

A abordagem de Jesus evidência que, enquanto na carne, não era onisciente e onipresente. Não há aqui uma espécie de antropomorfismo, em que Deus se apresenta ou fala de um modo a suprir uma deficiência humana.

De outra banda, para quem acredita que Jesus era onisciente, é no mínimo abjeto que Jesus tenha mentido, ou dito que não era onisciente, se de fato era.

 

 

 

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

2 comentários em “Quem é o Filho do homem?

  • 31/07/2019 em 16:33
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    Paz do Sr. Jesus, na eternidade estaremos com nosso grande Deus, Jesus Cristo, nosso senhor, pois Deus é Espirito, porem agora tem um corpo, o corpo ressurreto de Cristo, pois nele, corpo de Cristo, habita toda plenitude da divindade, seria isso assim?

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    • 02/08/2019 em 11:55
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      Olá, amado.. O texto ‘Quem é o Filho do homem?’ tem por objetivo evidenciar a natureza humana de Jesus, e a sua nova condição após a ressurreição dentre os mortos: expressa imagem do Deus invisível. Foi destacado também que, antes da encarnação, Jesus era Deus, o Verbo que se fez carne.

      Quando pensamos Deus na eternidade, temos que ter em mente três pessoas na divindade. Um único Deus, porém, são três pessoas co-igual e co-eternas. Na eternidade não temos Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Temos o único Deus em três pessoas distintas.

      A relação Pai, Filho e Espírito Santo surge no momento em que o Verbo eterno deixa a Sua glória e se faz carne. O Verbo eterno enquanto na carne, ou à expressa semelhança do Pai, se relaciona na condição de Pai e Filho, e o Espírito Santo como paráclito.

      “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e a minha benignidade não retirarei dele, como a tirei daquele, que foi antes de ti.” (I Crônicas 17 : 13)

      Lhe serei indica relação, relação essa que começa quando o Verbo se faz carne e é introduzido no mundo:

      “Porque, a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, Hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei por Pai, E ele me será por Filho?” (Hebreus 1 : 5).

      Hoje é o tempo dos homens, e só passa a ter o Filho quando do ‘hoje’. A partir do ‘hoje’, surge a relação Pai e Filho, Senhor e servo obediente.

      Mas, ao final de todas as coisas, quando do novo céus e nova terra, o Cristo à expressa imagem do Deus invisível entregará o reino ao Pai, e Deus será tudo em todos. A relação Pai, Filho e Espírito Santo se encerrará, voltando tudo ao estágio anterior a introdução do Verbo eterno no mundo.

      Att.

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