Efésios 1 – Todas bênçãos espirituais

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O próprio Consolador enviado se interpõe como garantia da herança que recebemos. O penhor deve ter valor equivalente à dívida contraída, e nós que estamos em Cristo já recebemos o que é superior a própria herança: o Espírito Santo de Deus! Que garantia! Que segurança! Os cristãos foram selados com o Espírito Santo da promessa, o que é superior a própria herança. Mas, por que fomos selados? A resposta é: Para redenção da possessão adquirida por Deus. Descanse em Cristo!


Introdução

Este comentário à carta de Efésios constitui-se um exercício de leitura e interpretação bíblica.

Este estudo não é focado em questões como: qual a data de escrita desta carta, ou se a palavra ‘aos efésios’ não se encontra nos melhores manuscritos, etc. Tais questões tem a sua importância, porém não influência diretamente na leitura e interpretação da carta.

As divisões que adotamos para o estudo do texto decorre dos principais contexto, nos quais os temas estão inseridos. Por exemplo: quando Paulo nomeia os cristãos de santos e fiéis, destacamos que o contexto é apresentação e identificação dos destinatários da carta.

Se os destinatários da carta residiam em Éfeso, ou não, é um ponto de menor importância. O que propomos aqui é explicar a condição do estar em Cristo e responder questões como: Eles eram santos, ou somente eram tidos por santos? E muitas outras.

Boa leitura!

Apresentação Pessoal

1 Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus:

Paulo, o escritor da carta, identifica-se aos seus destinatários e não deixa dúvidas quanto à sua autoria.

Esta carta possui uma característica diferente das outras. Nela o apóstolo Paulo não precisa defender o seu apostolado. Ele simplesmente demonstra que, pela vontade de Deus, tornou-se apóstolo de Cristo.

Geralmente o apóstolo Paulo se apresenta como servo de Cristo em outras cartas, mas nesta ele se apresenta somente como apóstolo ( Fl 1:1 ; Rm 1:1 ).

Cabe salientar que a carta aos efésios é auto-explicativa, principalmente quanto aos elementos apresentados na introdução. Observe:

Sobre o seu apostolado Paulo esclarece que foi feito ministro do evangelho segundo a operação do poder de Deus ( Ef 1:1 compare com Ef 3:7 ). Paulo demonstra que tal poder foi manifesto em Cristo quando Deus o ressuscitou dentre os mortos ( Ef 1:19 -20).

Compare ( Gl 1:1 com Ef 1:1 ):

“Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus…” ( Ef 1:1 );

“Paulo, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos)” ( Gl 1:1 ).

Paulo identifica os destinatários da carta chamando-os de santos e fiéis ‘em’ Cristo, os cristãos que estavam em Éfeso.

Santidade e fidelidade advêm do ‘estar’ em Cristo. ‘Em Cristo’ é a condição de existência da nova criatura, conforme Paulo escreveu aos cristãos em Coríntios: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” ( 2Co 5:17 ).

‘Em Cristo’ os cristãos são santos e fiéis, ou seja, santos e fiéis são as características pertinentes à nova criatura “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 ). ‘Em Cristo’ é um recurso se estilo, onde a idéia completa ‘estar em Cristo’ para ser uma ‘nova criatura’ passa a ser resumida assim:

“…aos santos que estão em Éfeso, e fiéis em Cristo Jesus:” ( Ef 1:1 e 4).

Quando o apóstolo Paulo diz ‘em Cristo’, ele está apontando a nova condição do cristão por serem uma nova criatura. A nova criatura, por ter sido criada seundo Deus em verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ), é santa e fiel. ‘Em Cristo’ é um tipo de ‘contração’ linguistica para apontar de modo resumido a condição da nova criatura diante de Deus.

A fidelidade expressa neste versículo não possui relação com a fidelidade descrita em ( Ef 6:21 ). Quanto ao exercício de um ministério ou serviço, o cristão demonstra a sua fidelidade através de esforço próprio, condição pertinente a poucos cristãos. Já a condição de ‘santidade’ e ‘fidelidade’ somente é possível em Cristo, e esta condição é pertinente a todos cristão.

 

Saudações

2 A vós graça, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo!

Aos cristãos Paulo deseja graça e paz da parte de Deus.

Graça remete ao favor imerecido de Deus. Paz, é aquela que excede a todo entendimento, pela qual os cristãos foram reconciliados com Deus.

Com relação a escrita, verifica-se que em sua apresentação e saudação Paulo utiliza a primeira pessoa do singular do caso reto “Eu”.

Ao passar a louvar a Deus por bênçãos recebidas, Paulo utilizar a primeira pessoa do plural, fato que inclui todos os cristãos como alvos das bênçãos divina “Nós”.

Observe que o prefácio e a saudação possuem um contexto diferente do versículo três em diante. Nos versículo um e dois, temos: a apresentação do remetente da carta, os destinatários da carta e a saudação. Do versículo três em diante, Paulo passa a louvar a Deus por bênçãos recebidas.

 

Louvor e Adoração

3 Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;

Os versículos três em diante devem ser analisados do ponto de vista de quem faz uma adoração a Deus “Bendito o Deus e Pai…” (v. 3).

Quem adora, adora por aquilo que recebeu das mãos de Deus ou por reconhecer a sua grandeza. Do versículo três até o versículo doze, o contexto é de agradecimento por bênçãos recebidas.

A estrutura do texto da carta é semelhante ao Salmo 103. Da mesma forma que Davi bendiz ao Senhor, Paulo também bendiz. O salmista bendiz ao Senhor pelos benefícios recebidos, e a partir do versículo três passa a enumerar as bênçãos recebidas.

O apóstolo Paulo também bendiz ao Senhor e passa a enumerar as bênçãos recebidas nos versículos quatro a doze.

“Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fossemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” ( Ef 1:3 -5).

“Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. Ele é o que perdoa todas as tuas iniqüidades, que sara todas as tuas enfermidades, que redime a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de misericórdia” ( Sl 103:1 -4).

O contexto é de adoração, e toda e qualquer declaração de Paulo deve ser analisada com base na adoração.

Sobre a adoração é necessário observarmos que só há duas maneiras pelas quais se adora a Deus.

A primeira maneira é agradecer, fazendo referência aos benefícios recebidos. A segunda maneira é fazendo referência aos atributos de Deus. Não há outras maneiras de adoração além destas duas, ou seja, que o homem possa render adoração ao Senhor.

O salmista Davi utiliza estas duas maneiras de adoração:

“Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios. Ele é o que perdoa todas as tuas iniqüidades, que sara todas as tuas enfermidades, que redime a tua vida da perdição; que te coroa de benignidade e de misericórdia” ( Sl 103:1 -4).

“Bendize, ó minha alma, ao SENHOR! SENHOR Deus meu, tu és magnificentíssimo; estás vestido de glória e de majestade. Ele se cobre de luz como de um vestido, estende os céus como uma cortina. Põe nas águas as vigas das suas câmaras; faz das nuvens o seu carro, anda sobre as asas do vento. Faz dos seus anjos espíritos, dos seus ministros um fogo abrasador” ( Sl 104:1 -4).

O salmo 103 faz referência aos benefícios concedidos por Deus, e o salmo 104 faz referência aos atributos de Deus.

O apóstolo Paulo adota a linha de adoração demonstrada no salmo 103: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” ( Ef 1:3 ). Adoração ou reconhecimento pelos benefícios recebidos.

Após verificarmos o contexto na qual estão inseridas as declarações de Paulo, analisaremos dois elementos presentes neste versículo:

a) bênçãos espirituais, e;

b) regiões celestiais.

Há um contraste significativo entre o que é espiritual e o que é material. O apóstolo Paulo descreveu as nuances destes dois ambientes aos cristãos em Coríntios.

a) Primeiro se estabelece o que é natural, e depois o que é espiritual ( 1Co 15:46 );

b) Tudo que é concernente a Cristo é espiritual, e tudo o que é concernente a este mundo é material ( 1Co 10:4 );

c) Aqueles que nascem de Deus são espirituais, e passam a ser casas espirituais ( 1Pe 2:5 ).

 

Jesus ao falar a Nicodemos demonstrou que o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito, é espírito. Analisando ( Jo 3:6 com Jo 1:12 -13), percebe-se que somente após a regeneração o homem passa a ser espiritual.

  • A relação entre benção e graça.

“Um santo, no N.T., não é uma pessoa sem pecado, mas um pecador salvo” Scofield, C. I., Bíblia de Scofield com Referências, nota de roda pé Ef 1. 1.

Em uma mensagem de cunho evangelístico é plenamente aceitável a colocação: ‘Deus salva o pecador’. Isto é fato, Deus veio resgatar o que estava perdido “Esta é uma palavra fiel, e digna de toda a aceitação, que Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os pecadores, dos quais eu sou o principal” ( 1Tm 1:15 ).

Agora, em uma mensagem de ensinamento se utiliza a mesma linguagem? Não! Jesus ao falar a Nicodemos apregoa o seguinte: “Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

 

Adoração

Observe que a abordagem teológica é diferente da abordagem evangelística: A oferta da salvação é para todos os pecadores, mas só os regenerados (nascidos de novo), o novo homem, são salvos. Por que é preciso fazer esta distinção?

a) Cristo não é ministro do pecado; ser salvo significa que estar livre do pecado em todos os seus aspectos “Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma” ( Gl 2:17 );

b) Vale salientar que somente o ‘novo homem’ em Cristo é salvo, e não o ‘velho homem’, pois este deve morrer através da cruz de Cristo. Dependendo da abordagem a respeito da salvação, por um lado Deus resgata o pecador, por outro, só o novo homem é salvo por Deus.

Podemos ilustrar esta verdade desta forma: Se uma embarcação encontra um naufrago em uma ilha deserta, após resgatá-lo, os tripulantes da embarcação continuarão a designar o novo tripulante da embarcação de ‘náufrago’. O ‘naufrago’ passa a fazer parte da tripulação do navio, e mesmo assim, continuará sendo designado como náufrago. O pecador salvo não é mais ‘pecador’, mas continuará sendo designado pecador, porém, agora em Cristo é um dos filhos de Deus.

 

O velho homem não é salvo, mas através do evangelho a graça de Deus o alcança.
Desta maneira Deus salva o pecador!
Morre com Cristo.
O novo homem o novo homem é salvo. Regenerado torna-se santo e justo diante de Deus.
O novo homem não é mais pecador
Ressurge com Cristo

 

Visualizamos aqui dois momentos na existência do homem quando alcançado pela graça de Deus: o antes, pertence ao velho homem, e o depois, ao novo homem, isto quando referimos à natureza herdada em Adão, e à natureza herdada do último Adão, que é Cristo “Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão em espírito vivificante” ( 1Co 15:45 ).

Jesus mesmo declarou: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou, será arrancada” ( Mt 15:13 ). A planta que o Pai não plantou não será salva, antes será arrancada, ou seja, todos quantos nascerem em Adão, necessariamente precisam morrer para em seguida nascer de novo. Somente aqueles que de novo são nascidos, da semente incorruptível que é a palavra de Deus, permanecerão para sempre.

Para entendermos as questões pertinentes à bênção e graça faz-se necessário divisarmos bem o ‘antes’ e o ‘depois’ do novo nascimento conforme o ensinamento de Cristo a Nicodemos: “…aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” ( Jo 3:3 ).

A graça de Deus é destinada ao velho homem, e as bênçãos de Deus são concedidas ao novo homem. Como? Observe:

a) a graça de Deus manifestou-se a todos os homens “…por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” ( Rm 5:18 );

b) a graça de Deus é oferta de redenção a todos os homens “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” ( Tt 2:11 ), ou seja;

c) a graça de Deus tem como alvo o velho homem “Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade” ( 1Tm 2:4 ).

 

O que se manifestou? A graça de Deus, ou seja, Cristo manifesto trouxe salvação a toda humanidade. A graça de Deus revelou-se e trouxe salvação aos homens que habitavam nas regiões das trevas “O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz” ( Is 9:2 ).

Antes de o homem ter um encontro com Cristo por meio da fé, a salvação de Deus é manifesta por graça, favor imerecido de Deus concedido ao homem perdido.

Ou seja, Cristo morreu por causa de nossos pecados e ao crermos nele nos tornamos participantes de sua morte. Cristo ressurgiu para a nossa justificação, ou seja, após ressurgirmos com Cristo, somos declarados justos diante de Deus.

A graça de Deus tem justificado o homem por meio da morte de Cristo, e após a justificação, somos feitos herdeiros.

Conclui-se que, a graça de Deus é destinada à velha criatura, que por estar morta em delitos e pecados, vendida como escravo ao pecado, e que por natureza é filho da ira, necessita de tão precioso resgate gracioso (remissão e redenção).

“Para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna” ( Tt 2:11 ).

“Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação?” ( Hb 1:14 ).

 

Por outro lado, as bênçãos de Deus são pertinente ao novo homem. O novo homem surge na Regeneração, onde é criado, segundo Deus, em verdadeira justiça e santidade. Estes são por natureza filhos de Deus e co-herdeiros com Cristo “Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo” ( Gl 3:26 -27).

O versículo três é a chave para entendermos o capítulo um de Efésios.

Primeiro temos que considerar o contexto: adoração, agradecimento pelas bênçãos concedidas.

Não podemos esquecer que a carta foi escrita aos cristãos, e que, portanto, Paulo não se ocupa em pregar ou explicar o evangelho novamente. A carta se ocupa em apresentar aspectos e pontos específicos do evangelho.

Ao escrever este capítulo, Paulo não se ocupa em descrever as questões pertinentes a graça de Deus que se destina ao velho homem. Antes ele se ocupa de questões pertinentes ao novo homem, e por isso, Paulo se ocupa em agradecer e falar das bênçãos de Deus.

Paulo não se mantém isolado dos destinatários ao falar das bênçãos recebidas. Ele se inclui entre aqueles que foram abençoados, o que demonstra duas coisas:

a) Ele estava falando de questões pertinentes ao novo homem, e;

b) da nova condição daqueles que estão em Cristo.

Paulo está falando do que é pertinente ao novo homem por ele bendizer a Deus por bênçãos já recebidas. Principalmente por ele enfatizar que todos estavam em Cristo. ‘Estar em’ Cristo remete a condição necessária para ser uma nova criatura.

No capítulo dois, versículo seis, Paulo volta a falar da condição alcançada após a ressurreição com Cristo.

 

Bendizendo pelas Bênçãos Recebidas

Eleição

4 Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fossemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;

Paulo passa a bendizer a Deus pelas benção, que o faz descrevê-las.

(nos abençoou com todas as bênçãos espirituais) Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fossemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;

a) Como também: a ação de abençoar através da eleição é exclusivamente de Deus. Foi Deus quem abençoou os cristãos com todas as bênçãos espirituais, e dentre elas temos a eleição.

b) nos elegeu nele:

a) Considerando que Paulo estava escrevendo sobre as bênçãos recebidas;

b) Considerando que Paulo estava adorando a Deus pelo que já tinha recebido;

c) Considerando que Paulo estava escrevendo sobre aspectos pertinentes a todos cristãos (nós);

d) Considerando que méritos e qualidades são pertinentes a pessoa de Cristo;

e) Considerando que a estrutura de texto é semelhante ao Salmo 103, e;

f) Considerando que a carta foi escrita a cristãos.

Conclui-se que Paulo escreveu sobre o que é pertinente ao novo homem, sobre aqueles que já estavam em Cristo (nele = em + Cristo).

Quando o apóstolo Paulo diz que Deus nos elegeu, ele utiliza o verbo no pretérito perfeito, o que indica algo concluído, ou que os cristãos estão de posse da bênção. Isto demonstra que os cristão estão de posse da nova condição: eleitos, ou seja, os cristãos já usufruem da condição para qual foram eleitos: santos e irrepreensíveis.

Paulo não quis demonstrar um processo de escolha, onde alguns são escolhidos e outros não. Paulo queria enfatizar as garantias decorrentes do evangelho. Para demonstrar as garantias decorrentes do evangelho, ele demonstra que os cristãos são os eleitos de Deus (santos e fiéis). Aqueles que nascem da vontade de Deus, já nascem santos e irrepreensíveis, ou seja, de posse da bênção divina.

Se Paulo estivesse fazendo referência neste versículo a uma possível escolha dentre aqueles que ainda estão vendidos ao pecado (velho homem), ele faria referência a graça de Deus, que foi direcionada a todos os homens “Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)” ( Ef 2:5 ).

Mas não, ele fala de bênçãos recebidas, o que é pertinente àqueles que estão em Cristo, e que, portanto, já são regenerados e são filhos de Deus.

É pela graça que o pecador alcança a salvação, e não por meio das bênçãos concedidas “Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça…” ( Ef 1:7 ).

A graça é para a salvação, mas a eleição não é para a salvação; a eleição é para aqueles que se encontram em Cristo (nos elegeu em + ele = em Cristo).

Antes da fundação do mundo: Paulo apresenta a data em que se deu a eleição: antes que o mundo fosse fundado. Esta declaração do apóstolo Paulo não pode ser interpretada extensivamente. Observe que em momento algum ele fala da onisciência de Deus. Não é porque a eleição foi realizada antes da fundação do mundo que podemos arrematar que a eleição decorre da onisciência de Deus, ou da ideia equivocada de presciência que há na teologia. Os atributos de Deus não podem ser considerados isoladamente, mas a informação que Paulo nos deixou nesta parte do versículo restringe-se ao tempo em que Deus realizou a eleição.

Para que fossemos santos e irrepreensíveis diante dele: A eleição foi realizada com um objetivo pré-definido: a santidade e irrepreensibilidade dos cristãos! Ou seja, a escolha de Deus repousa sobre o Cristo e a Sua descendência, o que confere aos cristãos semelhança com o Filho de Deus, pois recebemos em Cristo plenitude de Deus ( Cl 2: 9 -10). Santidade e irrepreensibilidade são características pertinentes à nova criatura, conforme o que atesta o apóstolo Paulo: “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” ( Ef 4:24 ). O velho homem não pode ser eleito para ser ‘santo e irrepreensível’ pelos seguintes motivos:

  • Somente a graça de Deus através da mensagem do evangelho destina-se aos homens sem Cristo. A luz de Deus enviada ao mundo tem o objetivo de alcançar aqueles que ‘habitavam as regiões das trevas’;
  • Não há como ser santo e irrepreensível sem antes ter um encontro com Cristo. Todos os homens necessitam nascer de novo, e isto somente é possível após morrer com Cristo.
  • O velho homem é culpável, nasceu sob a égide do pecado, é inimigo de Deus, planta que o Pai não plantou, vaso destinado a ira, filho da desobediência, filho da ira. Como este homem pode ser escolhido para ser santo e irrepreensível? A bíblia demonstra que este homem e a sua natureza devem morrer e ser sepultado, para que nova criatura possa ressurgir dentre os mortos.
  • O velho homem é nascido da vontade da carne, da vontade do varão e do sangue, ou seja, é nascido de semente corruptível, é árvore não plantada por Deus, e a árvore não plantada por Deus precisa ser arrancada.
  • Santidade e irrepreensibilidade é condição do novo homem criado em Cristo, o que demonstra que o homem, enquanto pecador, não é escolhido para a santidade. Somente após aceitar a graça de Deus por meio do evangelho, ser gerado de novo da semente incorruptível, ser uma planta plantada pelo Pai, ele assume a posição de eleito em Cristo. Somente após a regeneração é que o homem alcança a bênção de ser santo e irrepreensível.

A bênção de Deus destina-se aos cristãos (nova criatura) que foram gerados em Cristo. Estes são de novo gerados da semente incorruptível, que é a palavra de Deus, por crerem no evangelho, que é poder de Deus, receberam poder para serem feitos filhos de Deus. São vasos para honra. São plantas nascidas da semente incorruptível e plantados por Deus.

Deus não escolhe para a salvação, antes, os que aceitam a graça de Deus que se revela no evangelho são eleitos para serem santos e irrepreensíveis. A eleição dos que agora são cristãos, segundo Paulo, foi realizada em Cristo ( Is 42:1 ), e todos aqueles que estão em Cristo recebem a condição de eleitos: santos!, ou seja, foram eleitos para serem santos, e não eleitos para serem salvos.


Ressurgir com Cristo dentre os mortos (mortos em delitos e pecados) uma nova criatura com a condição de filho de Deus é bênção, pois somente os filhos são participante da natureza divina “Pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que pela concupiscência há no mundo” ( 2Pe 1:4 )!

Somente após escapar da corrupção que há no mundo (condenação em Adão) pelo seu glorioso convite e amor demonstrado em Cristo, é que Deus concede ao homem tudo o que diz respeito à vida e piedade (todas as bênção espirituais), nos tornando participantes da natureza divina (filiação, santidade e irrepreensibilidade).

Este é o motivo de Paulo estar louvando a Deus: Ele e os destinatários da carta haviam recebido todas as bênçãos espirituais, e alcançaram uma nova condição: a de serem santos e irrepreensíveis.

Estamos falando de dois momentos na vida do homem que teve um encontro com Cristo: o velho e o novo homem.

Como vimos até agora, há o velho e o novo homem; há a velha e a nova natureza; só é possível ver o reino de Deus após nascer de novo, e; que o novo homem é criado segundo Deus.

Resta analisarmos também os termos: eleição e eleitos.

A palavra eleição nos remete aos seguintes aspectos:

  • A palavra escolha ou eleição aponta um processo para algum fim;
  • Está é a idéia presente neste termo: alguém só é escolhido para um objetivo pré-definido.

Se retirarmos qualquer elemento pertinente ao processo de escolha, não existe escolha. Observe:

  • se não houver um objetivo pré-definido a executar não existe escolha;
  • se não houver alguém a ser escolhido, não haverá escolha;
  • se não houver um critério para a escolha, não haverá escolha, e;
  • se houver a escolha surgirá o antes e o depois da escolha.

 

Já a palavra eleito nos remete ao seguinte aspecto:

Eleito é a condição (posição, cargo) que alguém adquire após o processo de eleição.

Antes da eleição não há pessoas na posição de eleitas, só há candidatos. Após a eleição haverá os eleitos.

Quando se faz referência a condição de eleito, está se evidenciando aspectos como: exercício da posição alcançada e conciência das garantias que envolve a condição.

Quando Paulo escreveu que Deus nos elegeu, ele quer demonstrar que em Cristo estamos na condição de eleitos, e que já estamos gozando da irrepreensibilidade e da santidade. Já estamos de posse da bênção, e por isso mesmo ele bendiz a Deus que nós abençoou.

Por Paulo estar louvando a Deus pelas bênçãos recebidas, isto demonstra que ele quer evidenciar os aspectos que envolvem o conjunto daqueles que foram eleitos, ou seja, os eleitos. A existência dos eleitos (aqueles que creram em Cristo e foram recebidos por filhos) é o que motivou Paulo a bendizer a Deus “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo…” ( Ef 1:3 ).

Ao procurar demonstrar que Deus elegeu alguns para serem salvos estaremos preso as seguintes questões: Por que eu sou escolhido e fulano não?; Quais as garantias de que eu sou um eleito? Qual o critério que Deus utilizou para escolher? Qual o objetivo de Deus escolher só alguns, e o restante não?

Analisando os atributos de Deus surgem mais estes questionamentos: Qual o critério utilizado para que Deus para escolher alguns que devem ser santos e irrepreensíveis se ele ama a todos? O que faz diferente os pecadores diante de Deus, se para Ele não há acepção de pessoas? “Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas” ( Rm 2:11 ).

A bíblia nos informa que Deus ama a humanidade como um todo “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” ( Jo 3:16 ).

Como conciliar os dois versículos acima com a idéia que Deus escolhe dentre os perdidos as pessoas que serão salvas?

Observe que é diferente afirmar que Deus elegeu ‘algumas pessoas para serem salvas’, do que Paulo escreveu: Deus nos elegeu ‘para sermos santos e irrepreensíveis’, e não para sermos salvos. É pela graça que o homem é salvo, e não pela eleição.

A afirmação do apóstolo de que os cristãos foram eleitos refere-se especificamente a condição que eles alcançaram após a Regeneração: foram criados segundo Deus em verdadeira justiça e santidade.

A visão dos Reformadores é que Deus escolhe dentre a humanidade perdida (escolha entre ‘a’ e ‘b’), pessoas para serem salvas, o que contraria a idéia presente na graça de Deus: “Pois é pela graça que sois salvos, por meio da fé”, e não por eleição. A Eleição é para ser santo e irrepreensível, condição que é pertinente àqueles que já estão diante de Deus.

E como se deu a eleição dos salvos? “Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:9 ).

Cristo é o eleito de Deus segundo o seu propósito eterno de fazer convergir n’Ele todas as coisas.

  • O propósito eterno de Deus;
  • O Filho é escolhido, e;
  • O Filho possui os méritos: O santo de Deus ( Is 42:1 ).

Os cristãos não existiam quando ocorreu a eleição, mas ao nascerem de Deus, passaram a eleitos. Foram criados em verdadeira justiça e santidade (salvação) e acolhidos como filhos.

“Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos” ( 2Tm 1:9 ).

“…nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fossemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” ( Ef 1:4 ).

Ao escrever a Timóteo, o apóstolo Paulo demonstra que primeiramente Deus nos salvou por sua maravilhosa graça. A salvação é por meio do evangelho, que é poder de Deus, e não por meio da eleição, que é para filiação ( 2Tm 1:8 ). Somente após a salvação ocorre a eleição. A condição de santos e irrepreensíveis é pertinente aos salvos.

Ao falar que Deus nos salvou, é o mesmo que dizer: estamos salvos, da mesma maneira ao falar ‘nos elegeu, significa que somos eleitos, ou seja, que estamos de posse das bênçãos concedidas. Bendito seja Deus!

Isto demonstra que ao escrever aos cristãos em Éfeso Paulo procurou enfatizar a condição de eleitos de Deus, na qual eles passaram a ser santos e irrepreensíveis. Por isso ele inicia o tópico adorando a Deus pelas bênçãos recebidas.

Paulo demonstra que antes mesmo de existirmos, Deus já havia providenciado por meio de Cristo bênçãos espirituais, e que agora eles estavam de posse destas bênçãos.

Deus não faz acepção de pessoas, o que demonstra que todos aqueles que são recebidos por filhos passam a ter as mesmas condições que o Filho amado. Também são eleitos.

Por fim, verifica-se que os salvos é que são eleitos. Não há como os perdidos serem eleitos. Só os salvos é que são santos e irrepreensíveis diante de Deus.

Observe as análises:

  • Quem são os eleitos? Paulo responde: nós! Como Paulo fala de algo que ocorreu no passado (elegeu), segue-se que hoje os cristãos estão na condição de eleitos: são santos e irrepreensíveis, pois para isso foram eleitos. Quando Paulo fala que ‘nos elegeu’, ele demonstra que os cristãos (os salvos, aqueles que nasceram de novo), é que são os eleitos, e não aquele que ainda se encontra no pecado. Temos definido aqui quem foi eleito: os cristãos por estarem em Cristo;
  • Qual o objetivo pelo qual Deus ‘nos elegeu’? Paulo responde: para que fossemos santos e irrepreensíveis. Os perdidos não foram escolhidos para este mister, mas os cristãos é que foram eleitos para serem santos e irrepreensíveis diante de Deus (nos elegeu! ‘Nos’ quem? …nós, os que primeiro esperamos em Cristo). Aqueles que não esperam em Cristo não são os eleitos de Deus “…nós os que primeiro esperamos em Cristo” (v. 12);
  • Qual o critério da escolha dos que estão em Cristo? A pessoa de Cristo. Os cristãos foram escolhidos com base em Cristo. Cristo é o eleito de Deus antes mesmo da fundação do mundo “Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios” ( Is 42:1 ). Cristo é o santo de Deus; Ele é o justo. O cristão, por ser participante de Cristo, passa a ser santo e irrepreensível diante de Deus. Cristo é a base da nossa eleição, e por ele ser a base, não havia a necessidade de existirmos, mas a escolha já estava definida: todos os que nascerem de Deus passam a ser santos e irrepreensíveis. O cristão nem mesmo existia quando se definiu quem haveria de receber a condição de eleito, e agora, após serem conhecidos por Deus os ‘novos homens’ passam a ser santos e irrepreensíveis;
  • Antes da fundação do mundo já estava definida a eleição; não há mérito por parte dos eleitos, visto que nem mesmo existiam. Com relação a quando ocorreu a eleição só a pessoa de Cristo participou, os méritos estavam nele; após nascermos de Deus, nós nos tornamos participantes das bênçãos restritas aos filhos de Deus: somos santos e irrepreensíveis.

 

O apóstolo Paulo, em momento algum aponta uma escolha entre os perdidos para a salvação. Antes ele aponta que os cristãos são escolhidos para a condição de santos e justos diante de Deus.

Se Deus nos elegeu no passado em Cristo, hoje somos eleitos, estamos de posse das prerrogativas para qual fomos eleitos.

Basta nascer de novo por meio de Cristo que o homem estará na condição de eleito de Deus.

Sobre o propósito eterno de Deus ao escolher a Cristo, veremos nos próximos versículos.

 

Predestinação

5 E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

Os parâmetros de interpretação utilizados no versículos anteriores são totalmente válidos neste versículo:

“E nos elegeu nele (…) para que fossemos santos e irrepreensíveis…”

“E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo…”

Observe:

  • O contexto demonstra que Paulo estava adorando a Deus por bênçãos recebidas;
  • A carta foi remetida a cristãos, ou seja, pessoas que conheciam e professavam o evangelho;
  • Os dois versículos utilizam o verbo no pretérito perfeito;
  • Os dois versículos demonstram que eles haviam adquiridos as bênçãos em Cristo.

Mas, para que o entendimento do texto seja pleno, utilizaremos uma outra abordagem para melhor elucidar o texto, sendo que ela também poderá ser aplicada ao versículo anterior.

O apóstolo aponta neste verso uma outra bênção adquirida por aqueles que estão em Cristo: a predestinação.

Paulo continua demonstrando que ele e os cristãos de Éfeso eram alvos das bênçãos de Deus. Se houver dúvidas sobre quem são os predestinados, basta perguntar: Quem são os predestinados? E Paulo arremata: nós! Nós quem? Paulo e os santos que estavam em Éfeso.

Segue-se que a predestinação é bênção da parte de Deus para aqueles que foram Regenerados ou por estarem em Cristo.

Mas, como ter certeza de que a predestinação não é direcionada aos perdidos? Como ter certeza que a predestinação é exclusiva daqueles que estão em Cristo?

  1. Devemos observar atentamente a relação que Paulo estabelece entre a primeira pessoa do plural do caso reto “nós” e a segunda pessoa do plural do caso reto “vós”;
  2. Não podemos nos esquecer que Paulo era um Judeu que se tornou cristão, e os cristãos de Éfeso eram gentios que se converteram ao evangelho; JUDEUS E GENTIOS são povos distintos, mas em Cristo são um (passaram pelo novo nascimento), o que explica também porque Paulo ao se referir à sua condição anterior, não se une aos efésios na narrativa.
  3. De posse destas duas informações iniciais, verifica-se que Paulo ao falar das bênçãos divinas concedidas aos cristãos, ele se inclui na narrativa “E nos elegeu (…) E nos predestinou…” ( Ef 1:4 e 5). Mas, ao falar da condição dos cristãos gentios quando eles ainda estavam no pecado, Paulo utiliza o “vós”: “Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados…” ( Ef 2:1 ).
  4. Observe o que Paulo escreveu aos Gálatas: “Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios” ( Gl 2:15 ). Paulo evidência uma diferença sutil entre ser pecador dentre os gentios e pecador dentre os judeus para expor uma verdade crucial do evangelho: Nós os Judeus não somos justificados pelas obras da lei.
  5. Na carta aos Efésios esta diferença é ainda mais sutil, mas contrasta com o resultado após o encontro com Cristo: A paz entre ambos os povos! Por isso, ao falar dos cristãos gentios quando no pecado, Paulo utiliza o vós; ao fazer referência a TODOS os filhos da desobediência, Paulo se inclui, demonstrando que no passado, sem Cristo, tanto Judeus quanto gentios eram filhos da ira “Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também” ( Ef 2:3 ).
  6. Ao falar da salvação, Paulo em nenhum momento faz referência à eleição e predestinação, mas sim ao amor e graça de Deus. Todos eram filhos da ira (judeus e gentios), mas o amor de Deus alcançou a todos através de sua maravilhosa graça.

 

Toda a análise demonstra que Deus predestinou os salvos, aqueles que eram cristãos e que Paulo se incluiu na narrativa: “E nos predestinou…”, ou seja, nós, os cristãos, somos predestinados por Deus para sermos filhos por adoção.

Haveria como os perdidos serem filhos de Deus por meio da predestinação? Não! Se não houver a regeneração por meio da graça do evangelho, homem algum será recebido por filho de Deus. O homem só é recebido por filho de Deus quando encontra-se em Cristo.

Estar em Cristo é a condição necessária para ser predestinado a filho por adoção.

Mas, o que é ser predestinado? Qual a idéia que a palavra ‘predestinado’ introduz?

Predestinar significa determinar previamente ou antecipadamente e decorre do sentido da palavra grega prooriso.

A idéia secular a respeito da predestinação aponta para destino, carma, sem opção de futuro, etc. Para o entendimento natural, todas as pessoas possuem um destino pré-definido.

Porém a bíblia demonstra que só os que estão em Cristo é que são predestinados. O restante da humanidade, diante do que expõe a bíblia, não nascem predestinados.

Todos os homens ao nascerem, nascem na condição de filhos da ira, mas em momento algum a bíblia os designa como sendo predestinados a perdição. Por que? Porque a todos os homens é dada a opção de decidirem-se pela graça de Deus. Ninguém nasce predestinado à perdição. Todos possuem uma opção: a graça de Deus!

Agora, por que Paulo diz que os cristãos foram predestinados por Deus? Porque para aqueles que estão em Cristo não existe opção de escolha quanto ao que serão: todos serão filhos por adoção, sem exceção. Como? Em momento algum Paulo diz que Deus predestinou alguém à salvação. Paulo diz que Deus predestinou os cristãos a serem filhos por adoção.

Se Deus houvesse predestinado alguém à salvação, seria o mesmo que dizer que ele predestinou o restante da humanidade à perdição, o que não é verdade. Mas é fato: Aqueles que aceitarem a graça de Deus oferecida por meio do evangelho, serão filhos de Deus, sem exceção.

Alguns alegam que a eleição é um ato de escolha e que a predestinação diz respeito ao fim para essa escolha. Mas o texto não diz isto. Paulo diz que o fim para eleição é a santidade e irrepreensibilidade. da mesma forma a predestinação tem um objetivo bem claro: a filiação divina, e não a salvação.

A eleição e a predestinação devem ser vistas como bênçãos garantidas por Deus. Paulo procurou evidenciar a segurança da salvação em Cristo por meio de termos que demonstrassem a posse das bênçãos espirituais.

“E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade”

Predestinados por Deus para serem filhos por adoção em Cristo. Tanto judeus quanto gentios eram filhos da ira, e por meio da graça do evangelho, são recebidos por filhos.

Observe que Deus, segundo a sua vontade quer filhos para si. Paulo demonstra que a vontade de Deus não é outra, senão que, por meio de Cristo, sejamos seus filhos.

 

Louvor e Glória

6 Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado,

Paulo demonstrou que Deus nos elegeu para sermos santos e irrepreensíveis e nos predestinou para filhos por adoção, segundo a sua vontade. Este versículo aponta o motivo pelo qual Deus abençoou os cristãos com as bênçãos da eleição e predestinação.

Por que Deus elegeu? Por que Deus predestinou? Para louvor e glória da sua graça!

Sobre o que este versículo trata? Sobre a salvação de Deus “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” ( Tt 2:11 ).

Não foi a eleição e a predestinação que nos fez agradáveis a Deus, e sim a sua graça.

A graça de Deus que se manifestou por meio do evangelho foi direcionada aos pecadores e os fez agradáveis a Deus, tornando-nos agradáveis a si, Deus nos abençoa com eleição e predestinação. Se a graça de Deus é que nos fez agradáveis (que nos salvou), não há como afirmar que a salvação depende da eleição e da predestinação.

Em Cristo, Deus nos fez seus filhos por meio do evangelho, e a predestinação e eleição são referências à garantia divina.

A salvação foi realizada por meio de Cristo (Amado), conduzindo muitos filhos a Deus (para si mesmo).

Conclui-se que a salvação é por meio da graça, e não o resultado de uma escolha. Deus trouxe salvação a todos os homens de maneira graciosa, sem qualquer referência a uma ‘predestinação’ de alguns ‘privilegiados’ à salvação.

 

7 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça,

Paulo retroage quanto à exposição das verdades contidas no evangelho: Primeiro ele bendiz a Deus pelas bênçãos recebidas para depois falar da graça recebida por meio do evangelho.

A ordem correta é:

  1. A riqueza da graça por meio do evangelho (salvação) (v. 7);
  2. A redenção pelo sangue (v. 7);
  3. Ser feito agradável a Deus em Cristo (Regeneração) (v. 6);
  4. Adquirir a filiação por adoção (Predestinação) (v. 5);
  5. Ser santo e irrepreensível perante Deus (Eleição) (v. 4).

Em Cristo o cristão teve a redenção por meio do seu sangue. É difícil aparecer nas cartas de Paulo frases que expliquem a idéia presente na frase anterior de forma direta. Este versículo foge à regra. A redenção por meio do sangue de Cristo é o mesmo que remissão das ofensas “…no qual temos a redenção, a remissão dos pecados” ( Cl 1:14 ). Comprados e libertos por Cristo.

Todas as bênçãos recebidas é por meio, ou segundo as riquezas da graça de Deus.

Como a redenção e a remissão é segundo as riquezas da graça de Deus ( Ef 1:7 ), a eleição e a predestinação também o é: “… para louvor e glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado” ( Ef 1:6 ).

A Eleição, a Predestinação, a Redenção e a Remissão são bênçãos de Deus dadas gratuitamente segundo as riquezas da graça de Deus. Elas são dadas, ou seja, concedidas a todos quantos crêem. Não é uma escolha.

 

8 Que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência;

A graça de Deus abundou por meio de Cristo, ou seja, tal graça foi derramada profundamente sobre os cristãos em sabedoria e prudência. Como em sabedoria e prudência (entendimento)?

 

9 Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,

Além da riqueza da salvação, concedida gratuitamente, Deus revelou o mistério da sua vontade, o que nos concede sabedoria e entendimento das coisas celestiais.

A riqueza da salvação faz parte do propósito eterno de Deus, e após nos inteirarmos do propósito divino revelado em sabedoria e entendimento, verifica-se que a salvação não é um fim em si mesmo.

Há no propósito eterno de Deus (que propusera em si mesmo) um objetivo maior do que simplesmente salvar. Ou seja, Deus salva o homem para levá-lo a cumprir um propósito revelado, o que torna este propósito plenamente compreensível pelo homem.

Beneplácito é consentimento, ou seja, aprovação! “E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade (…) Descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo” ( Ef 1:5 e 9).

Se é segundo o que Deus aprovou (consentiu), está demonstrada a garantia de Deus quanto aquilo que ele nos revelou. Deus aprovou e consentiu fazer todas as coisas em Cristo.

 

10 De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;

Deus nos ‘fez’ agradáveis por meio de Cristo com o objetivo maior de reunir em Cristo todas as coisas. Deus reunirá em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra ( Ef 3:9 ).

‘nos fez herança’ ou ‘nos fez agradáveis’ refere-se a nova criação, onde Deus concede poder àqueles que crêem para serem feitos (criados) filhos de Deus.

 

11 Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade;

Em Cristo fomos feitos herança! E Paulo demonstra de que maneira os cristãos foram feitos herança: por meio da Predestinação. Os cristãos foram predestinados conforme o propósito de Deus e segundo a vontade de Deus feitos herança. Como?

Além dos filhos de Deus terem direito à herança, também fomos feitos herança, fomos feitos propriedade de Deus conforme esclarece o versículo quatorze “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” ( 1Pe 2:9 ); Fostes comprados por bom preço; não vos façais servos dos homens” ( 1Co 7:23 ).

O salmista diz que os filhos são herança do Senhor que o homem recebe, porém, ao gerar em Cristo filhos para si, Deus nos constituí ‘herança’ para si “Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre o seu galardão” ( Sl 127:3 ).

 

12 Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo;

Qual a diferença entre o versículo seis e doze?

“Para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado” (v. 6);

“Com o fim de sermos para louvor da sua glória, nós os que primeiro esperamos em Cristo” (v. 12).

O versículo seis mostra que as bênçãos que acompanham a salvação em Cristo constituem-se de per si louvor e gloria à graça de Deus.

Já o versículo doze demonstra que Deus levou a efeito a sua vontade com o objetivo de sermos para louvor da sua glória.

Observe que o louvor difere da adoração. Paulo adora, ou bendiz ao Senhor pelas bênçãos recebidas, porém estas mesma bênçãos constituem-se em louvor à graça e glória de Deus. Este é Deus quem promove, e aquele refere-se ao reconhecimento do homem. Adoração e louvor diferem quanto à essência.

A obra de Deus (que faz do pecador homens criados em verdadeira justiça e santidade), é que enaltece (verdadeiro louvor) a glória do Senhor! Mas, o ato misericordioso de arrancar o pecador das garras do pecado, concedendo-lhe bênçãos espirituais, promove louvor à sua tão maravilhosa graça proposta no evangelho.

Sobre quem o apóstolo estava falando? Incrédulos ou crentes? A resposta é clara: nós os que primeiro esperamos em Cristo! Só aquele que espera na graça revelada em Cristo serve de louvor à glória e graça de Deus. O descrente não serve a este propósito.


Há uma mudança de contexto do versículo treze em diante.

O apóstolo Paulo passa da adoração a Deus à conscientização dos cristãos.

Observe o recurso utilizado por ele para continuar a carta quando muda de contexto.

Até o versículo doze Paulo utiliza a primeira pessoa do plural (nós) demonstrando a unidade dos cristãos; ao passar a conscientização, Paulo utiliza a segunda pessoa do plural (vós).

Paulo tinha convicção do que ele havia recebido em Cristo (salvação e bênçãos), e queria que os cristãos de Éfeso também possuíssem esta certeza. Daí o fato de ele utilizar a segunda pessoa do plural na narrativa.

 

Conscientização sobre a Nova Condição

13 Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação; e, tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa.

“Nele, digo, em quem também fomos feitos herança…” (v. 11); Primeira pessoa do plural.

“Em quem também vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade…” (v. 13). Segunda pessoa do plural.

Paulo passa a conscientizar os cristãos sobre a nova condição adquirida por meio de Cristo.

O que ocorre é simples: após ouvir a palavra do evangelho, e crer em Cristo, a palavra da verdade torna-se o evangelho da salvação. Todos que ouvem e crêem são salvos em Cristo.

Paulo dá veracidade às suas argumentações: fostes selados, ou seja, tudo que ocorre com os Cristãos é autentico, conforme o Espírito Santo prometido atesta “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus” ( Rm 8:16 ).

 

14 O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória.

Penhor: garantia, segurança, ou a coisa que constitui essa garantia. Penhor fala de direito real sobre algo vinculado a uma dívida, surgindo como garantia do pagamento de tal dívida.

O Espírito Santo é garantia da nossa herança, ou seja, Ele é garantia, Ele se constitui a nossa garantia do direito real que possuímos ao sermos recebidos por filhos.

“…fostes selados com o Espírito Santo da promessa. O qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida…” (v. 13- 14).

O próprio Consolador enviado se interpõe como garantia da herança que recebemos. O penhor deve ter valor equivalente à dívida contraída, e nós que estamos em Cristo já recebemos o que é superior a própria herança: o Espírito Santo de Deus! Que garantia! Que segurança!

Os cristãos foram selados com o Espírito Santo da promessa, o que é superior a própria herança. Mas, por que fomos selados? A resposta é: Para redenção da possessão adquirida por Deus.

Aqui, redenção significa libertação futura! Os cristãos foram selados para uma libertação futura, conforme o versículo seguinte: “E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção” ( Ef 4:30 ).

A redenção deste versículo ( Ef 4:30 ) difere da redenção apontada no verso 7. Enquanto a Redenção do versículo sete é bênção alcançada, a deste versículo refere-se ao grande dia da Redenção.

 

Pedidos em Oração

15 Por isso, ouvindo eu também a fé que entre vós há no Senhor Jesus, e o vosso amor para com todos os santos, 16 Não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações:

Depois das garantias apresentadas até o versículo quatorze para aqueles que estão em Cristo, Paulo comunica aos cristãos que não cessava de agradecer a Deus por ouvir da fé que havia nos cristãos em Éfeso e que eles amavam os santos de Deus ( Ef 1:3 ).

Este versículo demonstra o quanto os cristãos foram tocados pela mensagem do evangelho. Observe que, através da oração de Paulo fica demonstrado que eles estavam cumprindo o mandamento de Deus, conforme atesta o apóstolo João: “Ora, o seu mandamento é este, que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo, e, segundo o mandamento que nos ordenou” ( 1Jo 3:23 ).

A fé dos cristãos era conforme o mandamento ‘que nos ordenou’, ou seja, ‘a fé que entre vós há no Senhor Jesus’. O amor deles era ‘para com todos os santos’, ou seja, eles amavam segundo o mandamento ordenado: ‘amemos uns aos outros’.

Há um paralelo sem igual entre o que João expõe, e o que Paulo observa entre os cristãos de Éfeso.

Paulo não só agradecia, mas também lembrava constantemente dos cristãos quando em oração. Por que Paulo não se esquecia de orar a Deus pelos cristãos? A resposta está no versículo seguinte:

 

17 Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação;

Do versículo três ao versículo quatorze Paulo agradece e conscientiza os cristãos das bênçãos já recebidas. Deste versículo em diante Paulo pede a Deus algumas coisas que os cristãos em Éfeso ainda não possuíam. Se Paulo ora fazendo esta petição, é porque ele considera uma necessidade premente a ser satisfeita. Apesar de já serem idôneos e participantes das bênçãos eternas pela união com Cristo, havia a necessidade de sabedoria e revelação (espiritual).

Paulo não pede para si, mas pelos os cristãos de Éfeso, que lhes fossem dado sabedoria e revelação. Por meio de Cristo os cristãos conheciam a Deus, ou antes, foram conhecidos por Ele Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” ( Gl 4:9 ).

Paulo, ao falar ‘espírito’ de sabedoria e revelação, estabelece aí distinção entre a sabedoria humana e a sabedoria que só é alcançada quando revelada pelo Espírito Santo de Deus.

 

18 Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos;

A sabedoria e a revelação vinda de Deus dá luz ao entendimento do novo homem gerado em Cristo.

Por mais que Paulo procurasse conscientizar os cristãos das bênçãos recebidas, o pleno esclarecimento só é alcançado em plenitude através do conhecimento de Deus “…em seu conhecimento…” (v. 17). Conhecimento aqui não é ‘saber’, ou estar ‘ciente de’.

O ‘conhecimento’ que Paulo faz referência diz de união intima, assim como quando o homem e a mulher tornam-se um (conheceu o homem a mulher). Ou seja, quando a bíblia diz que um homem conheceu uma mulher, é porque os dois se tornaram um. Diz de conhecimento íntimo e inviolável.

Paulo demonstra qu

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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