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Quando evidenciou a impossibilidade dos ouvintes do Sermão da Montanha obterem justiça superior à dos escribas e fariseus fazendo o que faziam, ou até mesmo se propusessem cumprir o espírito inatingível da lei, Jesus apresentou uma alternativa: ‘Entrai pela porta estreita.’ (Mateus 7:13), pois é na porta estreita que se alcança justiça superior.


A justiça do reino de Deus

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 5:20)

Introdução

Falar da justiça do reino de Deus sem apontar para Cristo é chafurdar no moralismo[1], ou mergulhar nas águas turvas da moral[2].

Jesus é a justiça de Deus manifesta conforme o anunciado pelos profetas!

“Naqueles dias e naquele tempo farei brotar a Davi um Renovo de justiça, e ele fará juízo e justiça na terra.” (Jeremias 33:15).

Sem o conhecimento que o Cristo trouxe é impossível aos homens serem justificados por Deus.

“Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si.” (Isaías 53:11).

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É em função do anunciado pelos profetas acerca de Cristo, que é a essência do evangelho, que o apóstolo Paulo disse:

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.” (Romanos 1:17).

Nesse sentido, a justiça de Deus revelada no evangelho está direcionada a salvação do homem sob domínio do pecado, e não tem por finalidade promover uma moral, ou seja, um conjunto de regras de convívio humano.

Por que digo isso? Para alertar os cristãos acerca de tendencias doutrinárias que tem por base a moral humana, em detrimento do evangelho de Cristo, como se lê no pequeno trecho destacado abaixo de uma revista da editora CPAD[3], e que consta em outros livros da citada editora.

“Mas Jesus ensina aos seus discípulos que a nova justiça no Reino de Deus é interior, moral e espiritual e não se trata mais daquela velha justiça exterior, cerimonial e legalista.” Revista Lições Bíblicas CPAD, Jovens e Adultos, do 2º Trimestre de 2022, Os valores do Reino de Deus — A relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo, Jesus, o discípulo e a Lei, Pr. Osiel Gomes.

 

Violência, Violência

Os profetas sempre denunciaram violência em Israel. O profeta Habacuque gritou:

“Até quando, SENHOR, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! e não salvarás?” (Habacuque 1:2).

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Uma leitura rápida dá a impressão que não havia em Israel juízes, advogados, polícia, investigação, etc., mas, ao longo da história verifica-se que as instituições que deliberavam as questões de justiça em Israel sempre funcionaram.

O profeta Jeremias também gritou:

“Porque desde que falo, grito, clamo: Violência e destruição; porque se tornou a palavra do SENHOR um opróbrio e ludíbrio todo o dia.” (Jeremias 20:8).

O profeta Jeremias dá uma ajustada na perspectiva do leitor, pois após gritar violência, a denuncia é contextualizada: ‘porque se tornou a palavra do SENHOR um opróbrio e ludíbrio todo o dia.’ Como assim? Os profetas de Deus gritavam violência porque a palavra do Senhor se tornou ignomínia, vergonha, vexame! Os profetas viam que a palavra do Senhor estava sendo transtornada e se tornou engano o dia todo!

Isso significa que, ao clamarem violência, os profetas não estavam buscando implantar em Israel os ideais da revolução francesa: justiça, liberdade e igualdade. Os profetas não estavam denunciando a falta de reformas sociais, defendendo ideais democráticos, promovendo movimentos antiescravista e abolicionista, protestando contra a exploração e extermínio das populações nativas, lutando pelo direito das mulheres, etc.

A denuncia dos profetas era específica:

“Os seus profetas são levianos, homens aleivosos; os seus sacerdotes profanaram o santuário, e fizeram violência à lei.” (Sofonias 3:4);

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“Só permanecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar e o adulterar; fazem violência, um ato sanguinário segue imediatamente a outro.” (Oséias 4:2).

Quando Jesus veio, a mensagem foi a mesma:

“E, desde os dias de João o Batista até agora, se faz violência ao reino dos céus, e pela força se apoderam dele. Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João.” (Mateus 11:12-13).

Quando Jesus diz: ‘desde os dias de João Batista’, significa desde os dias dos profetas. Desde a antiguidade até agora, apesar do reino de Deus ter se apresentado em meio aos homens, Jesus Cristo-homem (Lucas 17:20-21), eles ainda continuavam fazendo violência ao reino dos céus.

Aqui se faz necessário recordar a palavra de Deus ao sacerdote Zorobabel:

“E respondeu-me, dizendo: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel, dizendo: Não por força nem por violência, mas sim pelo meu Espírito, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Zacarias 4:6).

O que seria ‘força’? É um modo de os profetas falarem por enigma acerca dos filhos de Israel que confiavam em si mesmos pelo fato de serem descendentes da carne de Abraão. Eles faziam da carne (origem) o seu braço (força), e não confiavam em Deus.

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“Assim diz o SENHOR: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do SENHOR!” (Jeremias 17:6).

Os escribas e fariseus que foram ao batismo de João Batista eram homens que confiavam em si mesmos e que faziam da sua carne a sua força, pois quando iam ao batismo, foram repreendidos nos seguintes termos:

“Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira futura? Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento; E não presumais, de vós mesmos, dizendo: Temos por pai a Abraão; porque eu vos digo que, mesmo destas pedras, Deus pode suscitar filhos a Abraão.” (Mateus 3:7-9).

Enquanto os escribas e fariseus achavam que eram filhos de Deus por considerarem que Abraão era pai deles, João Batista demonstra que ser filho de Deus é algo que Deus realiza, e até das pedras pode suscitar filhos para si.

O que seria violência? É outro enigma utilizado pelos profetas para alertar acerca da inutilidade da multidão de sacrifícios.

“De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.” (Isaías 1:11-15);

“Porque nunca falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios.” (Jeremias 7:22).

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É por isso que os profetas falavam de ‘mãos manchadas de sangue’, homens violentos:

“Quem mata um boi é como o que tira a vida a um homem; quem sacrifica um cordeiro é como o que degola um cão; quem oferece uma oblação é como o que oferece sangue de porco; quem queima incenso em memorial é como o que bendiz a um ídolo; também estes escolhem os seus próprios caminhos, e a sua alma se deleita nas suas abominações.” (Isaías 66:3).

Fazer sacrifícios é o mesmo que fazer violência ao reino dos céus, e alegar que é descendente de Abraão é tentar se apoderar do reino dos céus a força.

 

A lei: santa, justa e boa

Como os filhos de Israel não confiaram no Senhor de Israel e se achavam justos aos seus próprios olhos por serem descendentes de Abraão e oferecerem sacrifícios, Deus lhes deu a lei para demonstrar que eram obstinados, rebeldes, incircuncisos de coração, e que precisavam crer em Deus que prometeu o Descendente a Abraão para serem salvos.

Deus deu a lei sob maldição:

“Maldito aquele que não confirmar as palavras desta lei, não as cumprindo. E todo o povo dirá: Amém.” (Deuteronômio 27:26).

Bastava os filhos de Israel crerem na promessa que Deus fez a Abraão acerca do Descendente que seriam justificados como o crente Abraão, mas não confiaram, e por isso foi dada a lei sob maldição, pois somente se cumprissem todos os mandamentos da lei confirmariam a lei (Gálatas 3:10).

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Ao dar a lei, Deus estava declarando o povo transgressores.

“Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém dela usa legitimamente; Sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas,” (1 Timóteo 1:8-9).

Mas, a lei não era santa, e o mandamento santo, justo e bom? Sim!

“E assim a lei é santa, e o mandamento santo, justo e bom.” (Romanos 7:12).

A lei como profecia é santa, pois dá testemunho de Cristo. Ela é sombra, e a realidade encontra-se em Cristo, de modo que ele serviu de aio para conduzir os homens a Cristo (Colossenses 2:17; Hebreus 8:5 e 10:1.

“Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João.” (Mateus 11:13).

A lei compõe as Escrituras, portanto, profeticamente testificam e se cumprem em Cristo. Neste ponto, destaca-se a fala de Jesus:

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“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;” (João 5:39).

A lei é santa porque nela Deus dá testemunho do Seu Filho, e o mandamento é santo, justo e bom pelo seu objetivo: Cristo.

“Porque o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê.” (Romanos 10:4).

 

Jesus cumpriu a lei

Por má compreensão do que significa Jesus ter cumprido a lei se chega à ideia equivocada de que Jesus teve um compromisso com o passado, ou que Ele preservou coisas boas que os antigos legaram[4].

Jesus não foi um revolucionário, pois a sua doutrina não tinha cunho político. Mas, apesar de não ser um revolucionário, isso não significa que veio preservar os ensinos da lei e dos profetas que os antigos deixaram, pois Jesus veio fazer a vontade do Pai, e isso significava desprezar pai, mãe, irmãos, amigos, etc.

Ter um compromisso com o passado foi descartado pelos profetas:

Não creiais no amigo, nem confieis no vosso guia; daquela que repousa no teu seio, guarda as portas da tua boca. Porque o filho despreza ao pai, a filha se levanta contra sua mãe, a nora contra sua sogra, os inimigos do homem são os da sua própria casa.” (Miquéias 7:5-6).

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Jesus foi rejeitado justamente por descartar o ensinamento dos pais, que consistia em mandamento de homens, o que contrasta com o ministério de Cristo, que veio revelar a vontade de Deus (Isaías 29:13; Marcos 7:8).

Como Senhor do sábado, Jesus não veio guardar sábados e dias de festas.

“Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.” (João 5:18).

Os antigos diziam que comer sem lavar as mãos contaminava o homem, e Jesus com os seus discípulos comiam sem lavar as mãos e ainda explicou o que de fato contamina o homem.

“São estas coisas que contaminam o homem; mas comer sem lavar as mãos, isso não contamina o homem.” (Mateus 15:20).

Os ensinos da tradição devem ser revistos sempre à luz das Escrituras, pois é das Escrituras que emana vida e tudo de bom que o homem deve guardar. Se Jesus se propusesse preservar o ensino da lei e dos profetas conforme ensinavam os mestres do judaísmo, não conseguiria evidenciar a verdade do evangelho, pois a lei e o evangelho são sistemas doutrinários antagônicos.

Para servir a Deus o homem precisa humilhar-se a si mesmo, ou seja, se fazer servo. Na condição de servo tem que abrir mão de preceitos e valores familiares tão caro como o fez Abraão, que saiu da casa de seu pai abrindo mão de todas heranças e deixou toda a sua parentela.

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“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.” (Mateus 10:37).

Quem quer ser fazer servo de Cristo deve tomar sobre si o seu jugo, portanto, não pode ter mais vínculo com os valores antigos da sua família. Não dá para servir a Deus e a si mesmo, é impossível dedicar-se a Deus e submeter-se as tradições e valores dos antigos.

“Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies?” (Colossenses 2:20-21).

Quando Jesus disse que veio cumprir a lei, isso significa que as profecias da lei se cumpriam n’Ele, e que os homens deveriam ir a Ele, pois esse era objetivo da lei: conduzir os homens a Cristo. Isso significa que, ao vir ao mundo, Jesus não teve que se ocupar com os rudimentos do mundo ou se sobrecarregar de ordenanças para cumprir a lei.

Na condição de último Adão, Cristo jamais esteve sob domínio do pecado, portanto, as ordenanças da lei não foram impostas sobre Ele, pois Ele não era ímpio e pecador. Jesus não esteve sob um jugo pesado e, concomitantemente, oferecendo um jugo suave aos seus discípulos, antes Ele traz um ensinamento novo, e por isso, os seus discípulos precisavam aprender d’Ele que era humilde e manso de coração.

Ao anunciar: ‘arrependei-vos, porque é chegado o reino de Deus’, Jesus estava removendo a lei e estabelecendo o evangelho. O sentido da lei era apontar para Cristo, de modo que ao tratar com a multidão na montanha, Jesus não estava devolvendo um sentido a lei, antes Ele evidenciou o quão equivocados estavam acerca dos precitos da lei. A multidão e os seus mestres (escriba e fariseus) se achavam justos por praticarem alguns preceitos conforme ensinado pelos antigos, mas nada faziam de ‘superior’, pois os publicanos e pecadores faziam o mesmo que eles.

“Pois, se amardes os que vos amam, que galardão tereis? Não fazem os publicanos também o mesmo? E, se saudardes unicamente os vossos irmãos, que fazeis de mais? Não fazem os publicanos também assim?” (Mateus 5:46-47).

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Jesus demonstra à multidão através do Sermão da Montanha que ela nada fazia de mais que lhes desse direito ao reino dos céus, e que por isso mesmo, se não obtivesse justiça maior que a dos escribas e fariseus, não teriam direito ao reino de Deus.

“Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus.” (Mateus 5:20).

Como poderiam alcançar justiça maior que a dos escribas e fariseus? Fazendo o que faziam, ou seja, nada demais? Daí a proposta de Jesus:

“… se qualquer te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; E, ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; E, se qualquer te obrigar a caminhar uma milha, vai com ele duas.” (Mateus 5:39-41).

Seria esse o caminho para obter justiça superior? Ou, seria entrar pela porta estreita? É evidente que para alcançar justiça superior, a multidão teria que entrar por Cristo, ou seja, nascer de novo.

“Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.” (João 3:3).

Se oferecer a face esquerda a quem bater na face direita possibilitasse alcançar justiça superior, certo é que não seria necessária a doutrina de Cristo acerca do novo nascimento, ou seja, da necessidade de entrar pela porta estreita.

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Entender o Sermão da Montanha como prescritivo de comportamento ou uma nova moral é não compreender a proposta de Jesus, que era provocar a mudança de entendimento (arrependimento/metanoia).

O Sermão da Montanha é uma grande parábola, pois Jesus não podia falar abertamente à multidão que Ele era o Cristo, antes a multidão deveria compreender pelo ensino de Jesus que Ele era o enviado de Deus. E como a multidão poderiam verificar que Jesus era o Cristo? Através das Escrituras, e nunca confiar no que diziam os seus amigos e parentes, pois os inimigos do filho do homem seriam os seus familiares.

“Então muitos da multidão, ouvindo esta palavra, diziam: Verdadeiramente este é o Profeta. Outros diziam: Este é o Cristo; mas diziam outros: Vem, pois, o Cristo da Galileia? Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi? Assim entre o povo havia dissensão por causa dele.” (João 7:40-43).

 

A fragilidade e inutilidade da lei

É falso que Jesus ensinou sobre a justiça o mesmo que ensinou Moisés[5]. Sobre a justiça ensinou Moisés:

“E será para nós justiça, quando tivermos cuidado de cumprir todos estes mandamentos perante o SENHOR nosso Deus, como nos tem ordenado.” (Deuteronômio 6:25).

E sobre a justiça ensinou Jesus:

“Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.” (João 6:29).

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Enquanto a justiça de Moisés era cumprir todos os mandamentos da lei, a justiça de Jesus é crer que Deus O enviou. É equivocada a premissa de que ‘Jesus ensinou sobre a justiça conforme o que Moisés, a Lei e os profetas ensinaram’, antes o correto é:

“Mas agora se manifestou sem a lei a justiça de Deus, tendo o testemunho da lei e dos profetas;” (Romanos 3:21);

“E nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído juiz dos vivos e dos mortos. A este dão testemunho todos os profetas, de que todos os que nele creem receberão o perdão dos pecados pelo seu nome.” (Atos 10:42-43).

Quando evidenciou a impossibilidade dos ouvintes do Sermão da Montanha obterem justiça superior à dos escribas e fariseus fazendo o que faziam, ou até mesmo se propusessem cumprir o espírito da lei, Jesus apresentou uma alternativa: ‘Entrai pela porta estreita.’ (Mateus 7:13), Jesus estava dando um novo conhecimento, tendo o testemunho da lei, dos profetas e dos salmos.

“Eis lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.” (Deuteronômio 18:18);

“E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito.” (João 12:50).

Se a lei era perfeita, como Jesus poderia aperfeiçoar[6] a lei? A lei foi perfeita para o que ela foi estabelecida: conduzir os homens a Cristo. Se Cristo era o objetivo da lei, Ele não veio aperfeiçoá-la, antes sublinhar aos filhos de Israel que ela cumpriu o seu objetivo e que havia sido substituída.

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“A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices.” (Salmos 19:7).

“Dizendo Nova aliança, envelheceu a primeira. Ora, o que foi tornado velho, e se envelhece, perto está de acabar.” (Hebreus 8:13).

Jesus não veio harmonizar e nem aperfeiçoar a lei, antes evidenciar a fraqueza e inutilidade para o uso que faziam da lei. A lei era boa para o que foi instituída: conduzir os homens a Cristo, porém, inútil e frágil para aperfeiçoá-los. E no Sermão da Montanha Jesus destacou a fragilidade e inutilidade da lei ao enfatizar que tanto o povo quanto os seus líderes precisavam de justiça superior.

“Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque. Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade  (Pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou) e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus.” (Hebreus 7:17-19).

 

A letra da lei

Como a lei de Moisés foi escrita em tábuas de pedras, um modo do apóstolo Paulo fazer referencia a lei foi utilizando o termo ‘letra’.

“E, se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio em glória, de maneira que os filhos de Israel não podiam fitar os olhos na face de Moisés, por causa da glória do seu rosto, a qual era transitória,” (2 Coríntios 3:7).

Ao demonstrar que a lei e o evangelho são antagônicos, o apóstolo Paulo utiliza o temo ‘espírito’ para fazer referencia ao evangelho, e letra, para fazer referência à lei.

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“O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica.” (2 Coríntios 3:6).

Deste modo, o cristão é ministro do espírito, diferente dos seguidores da lei, que são ministros da letra, ou em outras palavras, os cristãos creem através da ‘pregação da fé’, e os seguidores do judaízo creem nas ‘obras da lei’ (Gálatas 3:2).

Perceba a má leitura do comentarista Osiel, de que ‘o homem seria levado à morte diante da letra da lei’, pois não são as proibições que ‘revelam o pecado e levam à condenação’[7].

A lei veio demonstrar que os judeus já estavam na morte, e não que eles ‘seriam levados à morte diante da letra da lei’. Como seria possível a lei conduzir os judeus à morte, se eles já estavam mortos em delitos e pecados? (Efésios 2:1) O homem não se torna pecador por causa das proibições contidas na lei, antes são pecadores por causa de um só homem que pecou Adão, e por ele veio o pecado, a morte e a condenação, de modo que a lei somente evidencia que o homem é pecador, ou seja, escravo do pecado.

“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” (Romanos 5:12).

Não são as proibições da lei que revelam o pecado e nem são elas que levam à condenação. A lei somente evidencia que o homem é escravo do pecado, e mesmo que queira fazer o bem, por ser servo do pecado, as suas ações são continuamente más.

A abordagem de Romanos 7, versos 7 a 25, tem mais relação com o mandamento dado no Éden do que com a lei de Moisés, pois esta evidencia aos filhos de Israel que são pecadores, enquanto, aquele, por causa da ofensa submeteu todos os homens ao pecado.

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“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.” (Romanos 5:18-19).

Observe que o apóstolo Paulo aborda Adão e Cristo como a cabeça de duas raças de homens: terrenos e espirituais (1 Coríntios 15:45-47). Após demonstrar que a condenação veio por Adão, e que a salvação vem por Cristo, ele conclui:

“Mas agora temos sido libertados da lei, tendo morrido para aquilo em que estávamos retidos; para que sirvamos em novidade de espírito, e não na velhice da letra.” (Romanos 7:6).

Os cristãos servem a Deus em novidade de espírito, ou seja, através do evangelho, e não através da ‘velhice da letra’, ou seja, através da lei de Moisés, portanto, estão libertos da lei, pois morreram para a lei.

A função da lei é conduzir os homens a Cristo, e não mostrar a malignidade[8] do pecado. A fala do apóstolo Paulo demonstra o contrário, visto que o pecado se evidenciou excessivamente maligno ao operar a morte pelo mandamento que era bom.

“Logo tornou-se-me o bom em morte? De modo nenhum; mas o pecado, para que se mostrasse pecado, operou em mim a morte pelo bem; a fim de que pelo mandamento o pecado se fizesse excessivamente maligno.” (Romanos 7:13).

O mandamento dado no Éden era bom, pois visava preservar a condição do homem. Tendo por base o que era bom, a malignidade do pecado se evidenciou, pois pelo bem o pecado operou a morte. O mandamento se tornou a força da lei, por causa da punição imposta: certamente morrerás.

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“Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei.” (1 Coríntios 15:56).

 

A verdade do espírito

A morte de Jesus na cruz foi em obediência ao Pai, um ato de justiça. A morte na cruz é substitutiva no seguinte aspecto: o pecador não tem que sofrer os vitupérios da cruz para obedecer a Deus. Basta crer em Cristo como o enviado de Deus para obedecer a Deus, que Deus imputará a confiança do cristão como justiça (Romanos 4:5).

Ora, Deus é justo e justificador daqueles que creem em Cristo, ou seja, para declarar o homem justo (justificador), Deus não pode abrir mão da sua justiça. A justiça de Deus exige a morte do pecador, e essa exigência não pode passar da pessoa do pecador.

“Para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.” (Romanos 3:26).

Ao crer em Cristo, o homem morre com Cristo e é sepultado, ou seja, na morte do homem com Cristo evidencia a justiça de Deus, pois na morte com Cristo não há substituição. Só quem está morto está livre (justificado) do pecado. Como o pecado tinha domínio sobre o corpo, na morte com Cristo o corpo do pecado é desfeito.

“Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado. Porque aquele que está morto está justificado do pecado. Ora, se já morremos com Cristo, cremos que também com ele viveremos;” (Romanos 6:6-8).

Mas, como o crente foi obediente a Deus ao crer em Cristo, a maravilhosa graça de Deus opera eficazmente criando um novo homem (Efésios 4:24), e surge uma nova criatura. Essa nova criatura criada segundo Deus em verdadeira justiça e santidade é declarada justa por Deus. É por isso que o apóstolo Paulo diz:

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“PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.” (Romanos 8:1).

Por que não há condenação para quem está em Cristo? Porque quem está em Cristo é nova criatura! (2 Coríntios 5:17) Quem anda segundo o evangelho, ou seja, o espírito, tornou-se nova criatura, portanto, ressurgiu com Cristo e é declarado justo por Deus.

“O qual por nossos pecados foi entregue, e ressuscitou para nossa justificação.”  (Romanos 4:25).

Cristo foi entregue porque ao crer nele, o homem morre e é justificado do pecado. Cristo ressurgiu dentre os mortos, e todos que creram nele ressurgem também com Ele, e por isso os ressurretos com Cristo são declarados justos.

“E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade; No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo dos pecados da carne, a circuncisão de Cristo; Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.  E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,” (Colossenses 2:10-13).

Acabamos de apresentar a essência da doutrina da justificação, pois Deus justamente declara justo o crente porque Ele criou um novo homem. Ou seja, Deus não trata um pecador como se fosse justo[9], e nem há anistia para o pecado, pois se Deus tratasse o justo como se fosse justo estaria cometendo injustiça e negando a Si mesmo.

 

A lei tem utilidade para os discípulos de Cristo?

A lei tem utilidade para os cristãos sim! Qual é a utilidade? Serve de exemplo para que os cristãos não incorram em desobediência como os filhos de Israel.

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“Mas Deus não se agradou da maior parte deles, por isso foram prostrados no deserto. E estas coisas foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram.” (1 Coríntios 10:5-6).

Como a lei foi dada por causa das transgressões, temos que considerar não incorrer em desobediência.

“Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência.” (Hebreus 4:11).

Fora o exemplo negativo dos filhos de Israel, há mais alguma utilidade? Não!

“Quanto, porém, ao amor fraternal, não necessitais de que vos escreva, visto que vós mesmos estais instruídos por Deus que vos ameis uns aos outros;” (1 Tessalonicenses 4:9).

Se os cristãos estão instruídos que devem amar uns aos outros, e a lei se resume em um mandamento, certo é que a lei não tem serventia prática para os cristãos.

“A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás; e se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo. De sorte que o cumprimento da lei é o amor.” (Romanos 13:8-10).

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Amar uns aos outros é mandamento, portanto, não é função do Espírito Santo implantar no interior do crente o sentido da lei. A função do

“E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não creem em mim; Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.” (João 16:8-11).

O irmão Tiago alerta sobre muitos quererem o status de mestre, todavia, não são mestres, e se esquecem que haverá mais duro juízo para os mestres.

“MEUS irmãos, muitos de vós não sejam mestres, sabendo que receberemos mais duro juízo.” (Tiago 3:1).

Observe a colocação de Jesus:

“Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Qualquer, pois, que violar um destes mandamentos, por menor que seja, e assim ensinar aos homens, será chamado o menor no reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no reino dos céus.” (Mateus 5:17-19).

Após declarar que não veio acabar com a lei ou os profetas, Jesus enfatizou que veio ‘cumprir’, ou seja, tanto a lei quanto os profetas. Observe que nenhum jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja ‘cumprido’. Perceba que Jesus no verso 18 inclui os profetas na lei, evidenciando tratar a lei como as Escrituras, e a tônica é o cumprimento das profecias que constam da Lei, dos Profetas e dos Salmos.

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“E disse-lhes: São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco: Que convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, e nos profetas e nos Salmos.” (Lucas 24:44).

Isto posto, soa estranho os cristãos terem que ‘cumprir e ensinar a lei divina a partir do poder do Espírito Santo que transforma’[10], porque ao crer em Cristo o crente já fez a vontade de Deus e se tornou membro da família de Deus. Na Nova Aliança o mandamento é específico: crer naquele que Deus enviou.

A lei divina no Novo Testamento é o evangelho, como diz o apóstolo:

“Mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé;” (Romanos 16:26).

O mandamento de Deus a todos os povos diz da obediência da fé, ou seja, obediência a verdade do evangelho.

O considerado ‘menor’ no reino dos céus é aquele que despreza o que está escrito e ensina aos homens. O ensino equivocado é uma violação do mandamento. Por outro lado, quem obedece e ensina o estabelecido, será chamado grande no reino dos céus. Quem obedece de fato o estabelecido na lei, deve ensinar que a lei e os profetas se cumprem na pessoa de Cristo.

O que Jesus ensinou sobre a justiça de Deus? Que a justiça d’Ele é interior, moral e espiritual[11]? Não!

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A justiça de Deus é plena e abrange a totalidade daquele que crê. Não tem relação alguma com a moral humana, e não se dá no plano interior ou espiritual.

A ideia de que a justiça de Deus é moral decorre de ensinamentos equivocados, como se Deus só reconhecesse o crente como se fosse justo, mas que Deus não o tornou justo. Uma espécie de justiça fictícia, uma faz de conta. Deus estaria tratando injustos como se fossem justos, o que é um completo absurdo.

A justiça de Deus não é de ordem moral, pois por meio do evangelho Deus justifica o mais vil pecador quanto o mais decente pecador. Para Deus, com relação a justificação, não há diferença entre a Madre Teresa e o abusador João de Deus, pois ambos nasceram sob condenação e ambos precisam de salvação.

Dos judeus foi dito:

“O melhor deles é como um espinho; o mais reto é pior do que a sebe de espinhos; veio o dia dos teus vigias, veio o dia da tua punição; agora será a sua confusão.” (Miquéias 7:4).

O melhor ou o mais justo dos homens, diante de Deus são comparáveis a um espinho ou a uma sebe de espinhos. A salvação não é de ordem moral ou ética[12], como pensam alguns teólogos. Deus é justo e justificador porque aqueles que creem em Cristo são criados novamente em perfeita justiça e santidade. Os cristãos são declarados justos porque efetivamente são justos! Deus não mente e não declararia uma mentira acerca do homem.

Para receber a justiça que vem de Deus, a justiça que excede a dos escribas e fariseus, se faz necessário ser ‘achado em Cristo’, ou seja, ser uma nova criatura. O segredo está em conhecer a Cristo, ou seja, ser um com Ele.

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“E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé;” (Filipenses 3:9);

“PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.” (Romanos 8:1);

“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5:17);

“E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento. E aquele que guarda os seus mandamentos nele está, e ele nele. E nisto conhecemos que ele está em nós, pelo Espírito que nos tem dado.” (1 João 3-23-24).

A justiça de Deus por intermédio de Cristo não precisa de predicativos como na definição: ‘É uma justiça mais sublime, elevada e interior’, ante ela é plena, completa, pois remove toda culpa, e torna o crente inculpável e irrepreensível.

“Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;”  (Filipenses 2:15).

A ideia de que a justiça de Deus é moral dá aso para pensamentos equivocados como o expresso por Spurgeon, que que Deus vê o crente através de Cristo, ou seja, que o crente não é justo de fato:

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“Se bem que Ele vê pecado em ti, em ti mesmo, agora, quando Ele olha para ti através de Cristo, Ele não vê pecado” C. H. Spurgeon, Evening’s Meditation, Meditações Vespertinas. Tradução de Carlos António da Rocha. consulta realizada em 13/09/2012.

Tais posicionamento não consideram a premissa que Cristo jamais seria ministro do pecado, portanto, em seus ministros não pode haver pecado. Deus não pode ver pecado em que foi justificado porque efetivamente não há pecado em quem creu que Jesus é o Cristo. O que passar disto é de procedência maligna.

“Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma.”  (Gálatas 2:17).

 

 

[1] O moralismo é uma filosofia surgida no século XIX que se preocupa em imbuir a sociedade de um determinado conjunto de regras morais, geralmente de comportamento tradicional, mas também de “justiça, liberdade e igualdade” < https://pt.wikipedia.org/wiki/Moralismo > Consulta realizada em 11/04/2022.

“1. doutrina ou atitude de quem faz da moral um valor absoluto que se basta a si mesmo; 2. FILOSOFIA doutrina que considera ser a dimensão moral o aspecto decisivo para a compreensão da realidade; 3. RELIGIÃO doutrina segundo a qual os deveres morais (para consigo mesmo e para com os outros) prevalecem sobre os deveres religiosos (para com Deus); 4. pejorativo adesão rigorosa e formal a uma determinada moral; 5. pejorativo tendência para avaliar de forma intransigente o comportamento dos outros segundo os seus próprios padrões morais.” < Porto Editora – moralismo no Dicionário infopédia da Língua Portuguesa [em linha]. Porto: Porto Editora. [consult. 2022-04-11 13:24:38]. Disponível em https://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/moralismo >.

[2] Moral é um conjunto de regras no convívio. O seu campo de aplicação é maior do que o campo do Direito. Nem todas as regras Morais são regras jurídicas. O campo da moral é mais amplo. A semelhança que o Direito tem com a Moral é que ambas são formas de controle social. < https://pt.wikipedia.org/wiki/Moral > Consulta realizada em 11/04/2022.

[3] “O teólogo James Shelton, na obra Comentário Pentecostal Novo Testamento, aponta que Mateus é o único evangelista sinótico a usar o termo “justiça”. Segundo Shelton, o termo hebraico de justiça tinha a ver com comportamento, vida e conduta, ou seja, era uma “exigência ética e uma dotação graciosa para ser vivenciada”. O teólogo ainda afirma que o evangelista Mateus conservou fielmente esse conceito em seu livro. Por isso, na perspectiva bíblica, afirmamos que a palavra justiça tem a ver com a retidão, a integridade, a honestidade, ou seja, tudo o que caracteriza um justo. Por isso, nosso Senhor nos convida a cultivar a virtude da retidão, da integridade e da honestidade para viver a justiça do Reino de Deus.” Revista Lições Bíblicas CPAD, Jovens e Adultos, do 2º Trimestre de 2022, Os valores do Reino de Deus — A relevância do Sermão do Monte para a Igreja de Cristo, Jesus, o discípulo e a Lei, Pr. Osiel Gomes.

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[4] “1. Um compromisso com o passado. Quando nosso Senhor começou a ensinar, seu propósito nunca foi o de desconstruir tudo ou não valorizar o passado relativo aos ensinos da Lei e dos Profetas. A expressão “não pensem” revela exatamente isso (Mt 5.17 — NAA). Ora, Jesus sabia que o ensino da antiga dispensação era valioso, verdadeiro, bom e belo. Ele jamais ousara ser um revolucionário, portador de um espírito destrutivo, como o apóstolo Paulo também não (cf. Rm 3.31). Assim, aprendemos, com Jesus, que não é possível construir um futuro bom se não preservarmos as coisas boas que os antigos nos legaram.” Idem.

[5] “Entretanto, os Evangelhos deixam claro que Jesus ensinou sobre a justiça conforme o que Moisés, a Lei e os profetas ensinaram. No lugar de enfraquecer a Lei, Ele devolvia o verdadeiro sentido dela, já abandonado pelos mestres judeus (Mt 8.4; Mc 7.10; Lc 16.31; Jo 5.46). Jesus enfatizou o sentido perfeito da Lei (Mc 7.5-13). Ele mesmo, a continuação da revelação divina, mostrava que essa revelação é progressiva para a perfeição, não retrógada nem estática. Nesse sentido, a fé e o ensino da Palavra de Deus devem nos levar ao verdadeiro crescimento espiritual, como bem ensinou o salmista (Sl 1.2,3; 119.1,97).” Idem.

[6] “3. Jesus cumpriu e aperfeiçoou a Lei. O verbo “cumprir” (Mt 5.17), do grego plêroô, traz a ideia de tornar cheio, completar, encher até o máximo, fazer abundar, fornecer ou suprir liberalmente. Assim, a perspectiva pela qual Jesus cumpriu a Lei é que Ele lhe deu perfeição, conforme nos revela essa expressão: “[…] foi dito aos antigos: […] Eu, porém, vos digo” (Mt 5.21,22). Ora, em momento algum Jesus conflitou com as Escrituras do Antigo Testamento, mas as harmonizou plenamente. Por isso, diferentemente dos escribas e fariseus, que usavam da Lei para abusar do povo (Mt 23.4; Lc 11.46), o Senhor Jesus a aperfeiçoou (Mt 5.19). O que era visto como sombra cedeu espaço para a realidade do pleno cumprimento profético (Lc 4.16-21). Em Jesus, o que era visto por meio do Decálogo e dos profetas, concretizou-se fielmente em nosso Senhor, conforme nos revela o escritor aos Hebreus (Hb 1.1-3).” Idem.

[7] “1. O que a expressão “letra da Lei” significa? De acordo com as cartas de Paulo, a expressão “letra da Lei” diz respeito ao Antigo Concerto. Essa letra expressa os desígnios de Deus em forma de proibições escritas que revelam o pecado e levam à condenação, como nos mostra Romanos 7.7-25. Em suma, dominado pela fraqueza da carne e sem força, o homem seria levado à morte diante da letra da Lei.” Idem.

[8] “A função da Lei é mostrar a malignidade do pecado e a impossibilidade do homem em salvar-se. Nesse sentido, ela serviu como paidagôgos (do grego), isto é, um pedagogo, um guia, que nos levou a Cristo (Gl 3.24). Um exemplo que revela essa função é a relevância dos profetas do Antigo Testamento para despertar o povo ao verdadeiro arrependimento diante de Deus. Entretanto, o judaísmo transformou a “letra da Lei” em um sistema de normas frias e sem vida.” Idem.

[9] “O pecador crente é justificado, isto é, tratado como justo (…) A justificação é um ato de reconhecimento divino e não significa tornar uma pessoa justa…” Bíblia de Scofield com Referências, Rm 3:28 , pág. 1147.

[10] “1. Quem é grande no Reino de Deus? Mateus 5.18,19 mostra que são considerados “grande no Reino de Deus” os que se acham fiéis e cumpridores de toda a lei de Cristo. Consequentemente, são rebaixados à condição de menores os que negligenciam, removem, separam, violam o menor dos mandamentos de Deus e não atentam para a sua instrução, quer por omissão, quer por transgressão. Assim, como discípulos de Cristo e cidadãos do Reino de Deus, devemos cumprir e ensinar a lei divina a partir do poder do Espírito Santo que transforma, aperfeiçoa e concede-nos graça e verdade (Jo 1.16,17).” Idem.

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[11] “Mas Jesus ensina aos seus discípulos que a nova justiça no Reino de Deus é interior, moral e espiritual e não se trata mais daquela velha justiça exterior, cerimonial e legalista. Por isso, a justiça exigida pelo Senhor Jesus aos seus discípulos é superior à dos escribas e fariseus. É uma justiça mais sublime, elevada e interior. Essa justiça só pode ser obtida mediante a fé, nos permitindo viver de maneira justa e piedosa (Rm 3.21,22; Rm 8.2-5) e, assim, entrar no Reino de Deus.” Idem.

[12] “Por meio do pecado, o homem se tornou o recipiente de uma natureza depravada; e a expressão inevitável da mesma, é a depravação do caráter e conduta”. Bancroft, E. H., Teologia Elementar, EBR, 2001, pág. 226; “Visto que o espírito do homem é o centro de seu ser ético e, uma vez que a salvação é, principalmente, transação ética, segue-se que o homem precisa ser espiritualmente despertado…” – Keyser (Citação de E. H. Bancroft, Teologia Elementar, EBR, 2001, pág 227).

 

Para saber mais:

Como ultrapassar a justiça dos fariseus

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3 thoughts on “A justiça do reino de Deus

  • 16/04/2022 em 12:25
    Permalink

    A paz do Senhor!
    Antes do início do trimestre, tive contato com a citada revista, e comentei estes erros doutrinários com algumas pessoas; e este excelente estudo veio corroborar o que disse.
    Que Deus em Cristo continue lhe dando sabedoria para edificação da igreja.

    Resposta
  • 05/05/2022 em 18:03
    Permalink

    Estes estudos são muito interessante e maravilhosos e surpreendente e revelador !!!

    Resposta
  • 23/05/2022 em 22:05
    Permalink

    Que estudo maravilhoso…como é bom aprender da palavra de Deus.

    Resposta

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