O derramar do espírito cumpriu-se no Pentecostes?

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A citação que o apóstolo Pedro fez da profecia de Joel 2, versos 28 a 32, sobre o derramar do espírito do Senhor, não teve o condão de explicar ou justificar a experiência vivida pelos discípulos, e sim, explicar à multidão de judeus e prosélitos, pasma e maravilhada, o motivo pelo qual cada um deles ouviram em seus idiomas nativos falarem das grandezas de Deus.


O derramar do espírito cumpriu-se no Pentecostes?

“Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne…” (Atos 2:17).

 

Introdução

O primeiro discurso do apóstolo Pedro foi durante a festa judaica do Pentecostes, e em determinado momento da explanação ele fez uma citação de uma passagem do Joel, que diz:

“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne…” (Joel 2:28).

A interpretação acerca do cumprimento desta profecia é cercada de celeuma e as opiniões de vários comentaristas são divergentes.

Os interpretes questionam se efetivamente a profecia do profeta Joel cumpriu-se parcialmente ou cabalmente no Pentecostes, ou se o apóstolo somente utilizou a profecia para ilustrar o que estava acontecendo como ação divina.

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Para nos desvencilharmos das celeumas, se faz necessário considerar única e exclusivamente o que diz as Escrituras, analisando separadamente o que foi anunciado pelo profeta Joel, e o que foi pregado pelo apóstolo Pedro.

 

O derramar do espírito sobre toda carne

Para compreender o que foi anunciado pelo profeta Joel: “E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne…” (Joel 2:28), temos que lembrar o evangelho foi anunciado primeiramente a Abraão:

“Ora, tendo a Escritura previsto que Deus havia de justificar pela fé os gentios, anunciou primeiro o evangelho a Abraão, dizendo: Todas as nações serão benditas em ti.” (Gálatas 3:8);

“E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gênesis 12:3).

Do que foi anunciado por Deus a Abraão vale destacar que indistintamente todos as nações (famílias) seriam bem-aventuradas por causa do descendente prometido ao Patriarca.

Alguém pode questionar: o que tem haver o que foi dito a Abraão com o que foi dito por Joel? Tudo!

Para compreender, devemos avançar quase 500 anos no tempo e analisar o último cântico de Moises:

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“INCLINAI os ouvidos, ó céus, e falarei; e ouça a terra as palavras da minha boca. Goteje a minha doutrina como a chuva, destile a minha palavra como o orvalho, como chuvisco sobre a erva e como gotas de água sobre a relva. Porque apregoarei o nome do SENHOR; engrandecei a nosso Deus.” (Deuteronômio 32:1-3).

Moisés concita a todos que inclinassem os ouvidos e atendessem as palavras anunciadas por ele, pois as palavras anunciadas (doutrina) seriam como o gotejar da chuva e como o orvalho destilado, como chuvisco sobre a erva e gotas de água sobre a relva.

E qual seria a doutrina? O nome de Deus apregoado e engrandecido!

Mas, será que os ouvintes de Moisés compreenderam o Cântico? Não! A palavra anunciada por Moisés tinha por alvo os habitantes da terra, e o povo de Israel achava que a palavra estava adstrita a nação.

Precisou o profeta Isaías, muito tempo depois esclarecer que toda carne, ou seja, todos os homens da terra indistintamente são ervas, portanto, carecem do chuvisco e das gotas de água que é a palavra de Deus.

“Uma voz diz: Clama; e alguém disse: Que hei de clamar? Toda a carne é erva e toda a sua beleza como a flor do campo. Seca-se a erva, e cai a flor, soprando nela o Espírito do SENHOR. Na verdade, o povo é erva. Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente.” (Isaías 40:6-8).

Não era somente o povo de Isael que era erva, e sim toda carne cuja beleza se assemelha a da flor do campo, que desvanece quando é assoprado nela o espírito do Senhor.

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Desde o evangelho anunciado primeiramente a Abraão, o último Cântico de Moisés e o anunciado pelo profeta Isaías havia indicativos de que a palavra de Deus seria ‘gotejada como a chuva’ sobre judeus e gentios. E decorrente dessa perspectiva o anunciado pelo profeta Joel:

“E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne…” (Joel 2:28),

O espírito a ser derramado sobre toda carne se referia ao evangelho anunciado primeiramente a Abraão (Gálatas 3:8), a doutrina anunciada por Moisés (Deuteronômio 32:2) e a palavra que subsiste eternamente anunciada por Isaías (Isaías 40:8).

“Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre. Porque Toda a carne é como a erva, E toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; Mas a palavra do SENHOR permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.” (1 Pedro 1:23-25).

Em Abraão a palavra é o Descendente prometido, em Moisés a palavra é a Rocha cuja obra é perfeita, em Isaías a palavra é a glória do Senhor que se manifestará a toda carne (Deuteronômio 32:4, Isaías 40:5), e em Joel a palavra é o ‘espírito’ derramado em toda carne.

É por isso que ao ler o profeta Isaías, que diz: “O ESPÍRITO do Senhor DEUS está sobre mim; porque o SENHOR me ungiu, para pregar boas novas aos mansos; enviou-me a restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos, e a abertura de prisão aos presos; A apregoar o ano aceitável do SENHOR.” (Isaías 61:1-2), o Senhor Jesus afirmou que aquela profecia havia se cumprindo aos ouvidos do povo.

“E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito: O Espírito do Senhor é sobre mim, Pois que me ungiu para evangelizar os pobres. Enviou-me a curar os quebrantados do coração, A pregar liberdade aos cativos, E restauração da vista aos cegos, A pôr em liberdade os oprimidos, A anunciar o ano aceitável do SENHOR. E, cerrando o livro, e tornando-o a dar ao ministro, assentou-se; e os olhos de todos na sinagoga estavam fitos nele. Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos.” (Lucas 4:17-21).

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Jesus foi escolhido (ungido) para evangelizar, e por isso a palavra de Deus estava sobre Ele, ou seja, o espírito do Senhor. É por isso que Jesus disse:

“… as palavras que eu vos disse são espírito e vida.” (João 6:63).

É por isso que os cristãos são ministros do espírito, ou seja, ministros do evangelho:

“O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica.”  (2 Coríntios 3:6).

 

O Consolador

A confusão na interpretação começa quando se confunde o anunciado por Joel, o derramar do espírito sobre toda carne, com a promessa de revestimento de poder proveniente do alto feita por Jesus.

“E eis que sobre vós envio a promessa de meu Pai; ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.” (Lucas 24:49).

“Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.” (João 15:26);

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“Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.” (João 16:7).

O equívoco surge quando se confunde o cumprimento da promessa do envio do Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade, com a promessa do derramamento do espírito, o anuncio do evangelho, sobre toda carne.

Como se deu a descida do Consolador, ou como se cumpriu a promessa de Cristo? Desta forma:

“E, CUMPRINDO-SE o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; E de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem.” (Atos 2:1-4).

A descida do Espírito Santo teve por alvo a igreja, o corpo de Cristo, que naquele dia de Pentecoste era um pequeno número reunidos em Jerusalém. Os doze apóstolos, juntamente com os demais irmãos, ouviram um som advindo dos céus, comparável ao som impetuoso e veemente de um vento, que ocupou todo o ambiente (casa) onde estavam.

Ao mesmo tempo, todos que estavam reunidos com os apóstolos viram ‘línguas de fogo’ que pousava sobre cada um deles, momento que foram plenos do Espírito Santo, e cada um deles passou a falar em outros idiomas.

Da mesma forma que os cristãos de Jerusalém foram revestidos de poder, todos que creem que Jesus é o Cristo conforme evidenciado pelas Escrituras, também é revestido de poder, vez que é um dos membros do corpo de Cristo.

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O derramamento do espírito  

O derramamento do espírito anunciado por Joel não foi a descida do Espírito Santo? Não!

O que seria o derramamento do espírito? O derramamento do espírito se deu dessa forma:

“E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos? Partos e medos, elamitas e os que habitam na Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto e Ásia, E Frígia e Panfília, Egito e partes da Líbia, junto a Cirene, e forasteiros romanos, tanto judeus como prosélitos, Cretenses e árabes, todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus. E todos se maravilhavam e estavam suspensos, dizendo uns para os outros: Que quer isto dizer? E outros, zombando, diziam: Estão cheios de mosto.” (Atos 2:6-13).

Aos que estavam na casa foi lhes concedido o Espírito Santo e todos ali foram revestidos de poder, mas à multidão restou somente ouvirem o som como de um vento veemente e impetuoso.

O som como de um vento impetuoso e veemente fez com que uma multidão de pessoas de diversos povos que estava na cidade de Jerusalém se ajuntasse em volta da casa onde os cristãos estavam.

E cada pessoa que se achegava à casa onde os cristãos estavam ficavam pasmos e maravilhados com o fato de ouvirem aqueles judeus da galileia falando no idioma nativo daquelas pessoas.

Como a multidão estava fora de si (suspensos), maravilhada, e se perguntava qual o significado daquele evento, mas outros acabavam zombando do que estava ocorrendo, o apóstolo Pedro se interpôs para esclarece-los.

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“Pedro, porém, pondo-se em pé com os onze, levantou a sua voz, e disse-lhes: Homens judeus, e todos os que habitais em Jerusalém, seja-vos isto notório, e escutai as minhas palavras. Estes homens não estão embriagados, como vós pensais, sendo a terceira hora do dia. Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão; E farei aparecer prodígios em cima, no céu; E sinais em baixo na terra, Sangue, fogo e vapor de fumo.” (Atos 2:14-19).

Ao se posicionar para explicar, o apóstolo Pedro não se ateve ao evento da descida do Espirito Santo, que foi um evento para aqueles estava no interior da casa e viram línguas como de fogo descer sobre cada um.

Ao explicar os acontecimentos, o apóstolo Pedro desfaz o equivoco daqueles que pensavam que os cristãos estavam embriagados. E por que pensavam assim? Ora, não era pela descida do Espírito Santo, mas porque estavam cada qual ouvido aqueles galileus falarem no idioma nativo de cada um da multidão.

Os discípulos não estavam embriagados na terceira hora do dia como a multidão estava pensando, antes era o que foi anunciado pelo profeta Joel: – ‘E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne…’.

O derramamento do espírito ocorreu quando cada pessoa da multidão que correu por causa do som como de um vento veemente ouviu em seu idioma nativo os cristãos lhes anunciar as grandezas de Deus!

O cumprimento do anunciado por Joel está no verso 11, de Atos 2: todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus’, e não no verso 3, de Atos 2. Falar aos povos as grandezas de Deus é o derramar do espírito sobre toda carne, enquanto ser cheio do poder refere-se a descida do Espírito Santo.

Compreendendo o texto, vê-se que não diferença entre as versões em língua portuguesa, como a RA, ACF e RC:

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“o que ocorre é o que foi dito… :” (RA);

“isto é o que foi dito… :” (ACF e RC);

Compreendendo o texto, verifica-se que o argumento utilizado por alguns de que a expressão “o que ocorre” dá a ideia de cumpriu-se cabalmente Joel 2, verso 28, e que a expressão “isto é”, seguido de dois pontos, dá a ideia de que o apóstolo só estava fundamentando o evento através de uma citação é descabido, pois ambas expressões apontam para o cumprimento de Joel 2, verso 28.

 

Conclusão

Concluímos que a citação que o apóstolo Pedro fez durante a festa judaica do Pentecostes em Jerusalém cumpriu-se naquele dia, pois a palavra do evangelho passou a ser ‘derramada’ perenemente a todos os homens, sem qualquer distinção, por intermédio da Igreja de Cristo.

Quando Felipe subiu no carro de um homem etíope, eunuco, mordomo-mor de Candace, rainha dos etíopes, para explicar o significado da passem de Isaías: ‘Foi levado como a ovelha para o matadouro; e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, Assim não abriu a sua boca.’ (Atos 8:32), o espírito do Senhor estava sendo derramado sobre toda carne.

“Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.” (Isaías 53:7).

Para os que estão em Cristo, ou seja, que são novas criaturas, portanto, isentos de toda condenação, foram alcançados pela mensagem do evangelho, a doutrina do Senhor destilada como orvalho sobre a relva, e por isso mesmo anda segundo o espírito.

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“PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito.” (Romanos 8:1);

 “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” (2 Coríntios 5:17).

Quando o apóstolo Pedro entrou na casa de Cornélio e compreendeu naquele dia que Deus não faz acepção de pessoas, logo em seguida, ao anunciar Cristo, foi derramado o espírito do Senhor à família de Cornélio.

“E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço por verdade que Deus não faz acepção de pessoas; Mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo. A palavra que ele enviou aos filhos de Israel, anunciando a paz por Jesus Cristo (este é o SENHOR de todos); Esta palavra, vós bem sabeis, veio por toda a Judéia, começando pela Galileia, depois do batismo que João pregou; Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo bem, e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele. E nós somos testemunhas de todas as coisas que fez, tanto na terra da Judéia como em Jerusalém; ao qual mataram, pendurando-o num madeiro.” (Atos 10:34-39).

Analisando a profecia de Joel no seu contexto, concluímos também que a em relação ao povo de Israel a profecia não foi cumprida no dia de Pentecoste.

Analisando o Capítulo 2 de Joel, tem-se a previsão da vinda do dia do Senhor (Joel 2:1), que não pode ser confundido com o advento do Jesus Cristo-homem, pois o dia anunciado seria um dia de densas trevas (Sofonias 1:15; Joel 2:2).

A invasão dos caldeus é cumprimento dessa profecia (Habacuque 1:6), e como os caldeus foram suscitados para executar a palavra de Deus, são chamados de exército do Senhor (Joel 2:11).

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Mas, mesmo sendo anunciado a destruição da nação, Deus ainda dá oportunidade para se arrependerem (Joel 2:13-14), e em seguida anuncia a destruição dos opressores, assim como anunciou a Habacuque (Habacuque 2:8).

Ora, após a destruição dos caldeus é anunciado que a terra será plena o conhecimento de Deus, ou seja, o anuncio do derramar do espírito do Senhor sobre toda carne: Partos, Medos, Elamitas, Mesopotâmia, Judéia, Capadócia, Ponto, Ásia, Frígia, Panfília, Egito, Líbia, Judeus, Romanos, Cretenses e Árabes.

“Porque a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar.” (Habacuque 2:14).

Concluímos também que ao citar profecia de Joel, o apóstolo Pedro não estava fazendo uma comparação esperando que a multidão aglomerada próximo a casa que os cristãos estavam compreendessem a descida do Espírito Santo. O apostolo estava explicando à multidão que ouvir aqueles galileus falarem em outros idiomas era o cumprimento da profecia do derramar do espírito sobre toda carne.

Nesse sentido, qualquer que anuncia a palavra de Deus é um profeta, e todo aquele que fala inverdades em nome de Deus é um falso profeta. Como os cristãos galileus estavam falando das grandezas de Deus em outros idiomas após serem revestidos de poder, isso significa que os cristãos estavam profetizando, portanto, cumpriu-se também a passagem:

‘… e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões. E também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito” (Joel 2:28-29).

Naquele momento o apóstolo Pedro estava profetizando à multidão, pois estava anunciando a palavra do Senhor, e naquele dia os cristãos viram línguas repartidas como de fogo (visões) descer sobre cada um deles, e a própria multidão correu para a casa que os cristãos estavam reunidos por causa de um sinal: o som como de um vento veemente! (prodígios)

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“E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça.” (Joel 2:30).

‘Sangue e fogo e coluna de fumaça’ são elementos que representação uma manifestação divina, e não significa que se verá literalmente ‘sangue e fogo’, ou ‘colunas de fumaça’.

“E todo o monte Sinai fumegava, porque o SENHOR descera sobre ele em fogo; e a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente.” (Êxodo 19:18; 1 Reis 8:10-11).

Quando os filhos e as filhas dos filhos de Israel profetizassem, certo é que se cumpriria também a palavra que diz:

“E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar.” (Joel 2:32);

“Porque todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo. Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? como está escrito: Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas.” (Romanos 10:13-15).

Aqui cabe mais uma pergunta: como pregarão se não houver o derramamento do espírito, evento que encherá a terra do conhecimento do Senhor? Sem a palavra do Senhor destilada como orvalho sobre toda carne não haveria quem pregasse, consequentemente, quem cresse.

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Confundir o derramar do espírito sobre toda carne como sendo os dons do Espírito concedido à Igreja para obra do ministério, que é a edificação do corpo de Cristo é um grande equívoco.

“E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo;” (Efésios 4:11-12).

O revestir de poder do alto é próprio do corpo de Cristo, que é sonhos, visões e profecias, tanto que na narrativa do Livro Atos dos apóstolos os apóstolos tiveram visões, sonhos e profecias.

O falar em outro idioma foi um dom do Espírito concedido aos cristãos no dia do Pentecostes, e a finalidade foi derramar do espírito (proclamar o evangelho) sobre as pessoas de várias nações que estavam em Jerusalém.

No evento do Pentecoste cumpriu-se o anunciado por Joel de que o espírito seria derramado “sobre toda carne”, e por isso cada pessoa da multidão ouviu os cristãos falarem em suas línguas nativas, de modo que expressão “toda carne” não se restringe aos cristãos da galileia e não remente a “vossos filhos e vossas filhas”, “vossos velhos”, “vossos jovens” e “os servos e sobre as servas”. Toda carne evidencia o alcance da mensagem do evangelho, e o pronome “vossos”, indica que o público alvo do Livro de Joel, os judeus, pois como a salvação vem dos judeus, certo é que ‘no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento’.

“Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.” (João 4:22).

Como a salvação vem dos judeus, inicialmente seria necessário aos filhos de Israel terem sonhos, visões e profetizarem, pois só assim o espírito do Senhor seria derramado sobre toda carne (judeus e gentios). Inicialmente o espírito foi derramado sobre os judeus, e por isso mesmo Cristo foi ungido para evangelizar, mas os seus o rejeitaram, de modo que a salvação dos gentios veio dos judeus.

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“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.” (João 1:11);

“Digo, pois: Porventura tropeçaram, para que caíssem? De modo nenhum, mas pela sua queda veio a salvação aos gentios, para os incitar à emulação.” (Romanos 11:11).

Por fim, concluímos que os versos:

“E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR.” (Joel 2:30-31), remetem a eventos futuros após o arrebatamento da igreja, no período nomeado de Grande Tribulação.

Quando será esse grande e terrível dia do Senhor que será visto prodígios no céu e na terra? Será após o arrebatamento da igreja, precisamente após três anos e meio, e esse dia será mais gravoso que o dia da invasão dos caldeus, e a aflição será conforme descrito por Cristo:

“E orai para que a vossa fuga não aconteça no inverno nem no sábado; Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver. E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.” (Mateus 24:20-22).

Em todos os tempos qualquer que invocar o nome do Senhor será salvo, sendo que no tempo chamado Plenitude dos Gentios, que se dá a construção do templo ao Senhor, que é a igreja, o modo de se invocar a Deus é crendo que Jesus é o Cristo.

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Nos dias de grande aflição para os filhos de Israel, que será após o arrebatamento da Igreja, haverá livramento em Sião, e aqueles que invocarem ao Senhor serão salvos.

“E há de ser que todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo; porque no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, assim como disse o SENHOR, e entre os sobreviventes, aqueles que o SENHOR chamar.” (Joel 2:32)

Enquanto na dispensação da igreja crer em Cristo é salvação, no grande e terrível dia do Senhor a salvação estará em sobreviver, pois somente o remanescente dos filhos de Israel serão salvos.

“Porque ainda que o teu povo, ó Israel, seja como a areia do mar, só um remanescente dele se converterá; uma destruição está determinada, transbordando em justiça.” (Isaías 10:22);

“Também Isaías clama acerca de Israel: Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente é que será salvo.” (Romanos 9:27).

Para ser um entre ‘os sobreviventes’, e pertencente ‘aqueles que o SENHOR chamar’ (Joel 2:32), será necessário aos filhos de Israel obedecerem a palavra de Jesus anunciada no Capítulo 24 de Mateus.

  • Estarem atentos com a abominação da desolação no lugar santo, como previsto pelo profeta Daniel;
  • Devem fugir para os montes quem estive na Judeia;
  • A fuga tem que ser apressada, muito mais do que quando fugiram do Egito, e será cada um por si, portanto, não haverá tempo de descer do telhado para tirar alguma coisa de casa, ou quem estiver no campo voltar atrás para pegar suas vestes, e;
  • Não dar crédito a falsos Cristos, pois aparecerão muitos (Mateus 24:15-23).

A mesma fuga foi prevista pelo profeta Zacarias:

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“E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo. E acontecerá naquele dia, que não haverá preciosa luz, nem espessa escuridão.” (Zacarias 14:5-6).

O anunciado pelo profeta Joel tinha por alvo os filhos de Israel, vez que o texto se refere à punição da nação e a restauração futura, conforme profetizado também por Daniel, Isaías, Malaquias, Miquéias e Jeremias.

A restauração futura de Israel ocorrerá, pois Cristo há de assentar como rei sobre o trono de Davi e regerá todas as nações com vara de ferro (Mateus 25:31-32; Salmo 2), o que só ocorrerá no fim da Grande Tribulação, quando as nações serão reunidas em um grande cerco contra Israel no Vale de Josafá, e ocorrerá o Armagedom. Mas, cada judeu que queira ser um dos chamados do Senhor, terá que escapar por sua própria vida, pois o chamado se dará entre os sobreviventes da perseguição na Grande Tribulação.

“E, se aqueles dias não fossem abreviados, nenhuma carne se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.” (Mateus 24:22);

“… no monte Sião e em Jerusalém estarão os que escaparem, como disse o Senhor, e entre os sobreviventes aqueles que o Senhor chamar.” (Joel 2:32).

Mas, entre o evento do retorno do povo judeu para Jerusalém após a punição com a deportação e a restauração futura da nação com Cristo reinando sobre o trono de Davi, foi anunciado por Joel o derramar do espírito sobre toda carne.

A citação que o apóstolo Pedro fez da profecia de Joel 2, versos 28 a 32, conforme registo de Lucas em Atos 2, versos 17 a 21, não teve o condão de explicar ou justificar a experiência vivida pelos discípulos, e sim, explicar à multidão de judeus e prosélitos, pasma e maravilhada, o motivo pelo qual cada um deles ouviram em seus idiomas nativos falarem das grandezas de Deus.

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Apesar do sermão do apóstolo Pedro ter iniciado explicando o comportamento dos cristãos, a citação de Joel não visa fundamentar a experiência dos discípulos falarem em outros idiomas, e sim destacar à multidão que ao ouvir aqueles galileus falarem ‘das grandezas de Deus’ em idiomas diversos, cumpria-se a promessa do derramamento do espírito sobre toda carne.

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