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Para nós, após a morte do profeta Daniel o seu corpo esteve sujeito à corrupção da sepultura, e com isso já se passaram aproximadamente 2650 anos, para ele, porém, só fechou os olhos ao morrer e abriu os olhos no início do milênio, de posse da herança prometida aos pais.


O que acontece após a morte?

O que acontece após a morte é um tema controverso para muitos cristãos, pois a quantidade de posicionamentos teológicos, seculares, fábulas e mitos sobre o tema causam muita confusão.

Neste artigo examinaremos o que a Bíblia diz sobre o pós-morte, e ao final, destacaremos algumas correntes teológicas sobre o tema.

O artigo será subdividido em três subtítulos para abordarmos: a) o destino final dos salvos que morreram sob a égide da Antiga Aliança; b) o destino final dos salvos que morrem sob a Nova Aliança, e; c) o destino dos perdidos.

Vale destacar que o conceito de destino utilizado no artigo não deriva da cultura grega fatalista[1], e nem com estoicismo greco-romano. Também não deriva do determinismo[2], muito menos tem relação com o pensamento teológico da Divina Providência.

 

Os destinos dos homens: salvação e perdição

Na Bíblia o destino é apresentado está vinculado a um caminho que o homem percorre, e não diretamente ao indivíduo. Deste modo, a Bíblia apresenta tão somente dois caminhos, e o destino final deles é a salvação ou a perdição. Observe que a Bíblia vincula os destinos a caminhos distintos, e não a indivíduos, que é a ideia derivada das moiras, três irmãs na mitologia grega que determinavam o destino dos deuses e dos homens.

A abordagem que utilizarem é eminentemente bíblica, e tem a sua origem lá no Éden, com Adão, o primeiro homem. Por desobedecer ao mandamento divino que era para preserva a vida e comunhão com Deus, Adão pecou, e pelo pecado entrou a morte no mundo por força do mandamento que dizia: certamente morrerás.

Um só homem pecou, e a consequência do seu ato passou a todos os homens, a morte, e por isso é dito que todos pecaram. Todos os homens são designados pecadores por estarem subjugados pelo pecado em função da condenação à morte, ou seja, mesmo não tendo transgredidos a semelhança da transgressão de Adão.

“Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” (Romanos 5:12).

O motivo de toda a humanidade pecar está em que a morte passou a todos os descendentes de Adão, e se tornaram pecadores por herdaram essa condição de nascimento, e não por desvio de caráter ou moral.

Todos os homens quando nascem entram neste mudo por uma porta larga, que é a Adão. Essa porta larga introduz os descendentes de Adão em um caminho largo que inexoravelmente leva (conduz) à perdição. É o caminho que o homem está que leva a perdição, e não que o homem está ‘destinado’ à perdição.

Para o homem ser salvo é necessário nascer de novo, ou seja, nascer de Cristo, o último Adão, pois Ele é a porta estreita e o único caminho que conduz o homem à salvação. Observe que a Bíblia não apresenta ninguém predestinado a salvação, antes todos entram por Adão e, se quiserem deixar o caminho de perdição precisam entrar por Cristo nascendo de novo, ou seja, da água e do espírito, que é a palavra de Deus.

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua grande misericórdia, nos gerou de novo para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, (…) Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.” (1 Pedro 1:3 e 23).

A perdição é consequência de um só ato de um só homem que pecou, Adão, e a salvação, por sua vez, é consequência de um só ato de um só homem que obedeceu: Jesus Cristo.

Todos que nascem estão destinados à perdição por causa do caminho que estão, mas se crer em Deus conforme o testemunho que Ele deu do Seu Filho, o descendente prometido a Abraão, estará em um caminho que conduz o homem a Deus.

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem.” (Mateus 7:13-14).

Se alguém ao nascer da carne, do sangue, e da vontade do varão, ou seja, segundo Adão, estivesse predestinado a salvação, não precisaria morrer e ressurgir dentre os mortos com Cristo, pois só é possível ser gerado de novo pela ressurreição juntamente com Cristo.

O novo nascimento evidencia que a Bíblia não possui qualquer relação com o pensamento grego fatalista.

 

O que acontece após a morte dos salvos na Nova Aliança

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro.”  (1 Tessalonicenses 4:16).

A vinda de Cristo ao mundo em carne inaugurou um novo tempo e foi estabelecida uma Nova Aliança em Cristo visando a salvação da humanidade (Romanos 11:25), tendo como mandamento de Deus crer que Jesus de Nazaré é o Filho de Deus (1 João 3:23; Romanos 16:26).

Todos os que creem que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, conforme o testemunho das Escrituras (João 7:38), estão de posse de uma esperança celestial: terão vida eterna com Cristo. No instante que as funções vitais dos seus corpos cessarem, ou seja, assim que morrerem, não mais estarão sendo regidos pelas leis físicas do espaço/tempo, juntamente todos os salvos despertarão através de um alarido e encontrarão com o Senhor Jesus nos ares.

Basta os salvos em Cristo Jesus fecharem os olhos para essa existência aqui, que todos eles ouvirão o altissonante comando do Senhor, semelhantes à voz de arcanjo e a trombeta de Deus, quando encontrarão o Senhor Jesus glorificado nas nuvens do céu. Dois eventos ocorrerão quando ecoar a voz de comando do Senhor Jesus: primeiro haverá a ressurreição dos que foram salvos através da Nova Aliança, e em seguida haverá o arrebatamento dos salvos em Cristo que estiverem vivos, isso em um piscar de olhos, portanto, evento perceptível somente aos salvos, de modo que os salvos que estiverem vivos não precederão os que morreram.

“Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.” (1 Tessalonicenses 4:15).

Quando um salvo em Cristo morre, o corpo volta ao pó da terra (2 Coríntios 5:1; Gênesis 3:19), e o espírito (espirito e alma), por sua vez, acessa a eternidade, singularidade que não há espaço/tempo (Eclesiastes 12:7).

Quando ocorrer o arrebatamento da igreja, o espírito de um salvo que morreu acessará novamente está realidade temporal, porém, em um corpo glorioso transformado à semelhança do corpo glorioso de Cristo, e em um piscar de olhos será elevado aos ares para se encontrar com Cristo.

“Que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.” (Filipenses 3:21);

“Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor.” (1 Tessalonicenses 4:16-17).

Todos os salvos em Cristo antes do arrebatamento da igreja que morrerem, desde João Batista até a última pessoa que aceitou a Cristo como salvador, no momento que morrem, de imediato se apresentam a Cristo, especificamente no instante do arrebatamento da Igreja, e juntamente, os que ressuscitarem transformados e os que forem arrebatados adentrarão as mansões celestes.

Essa instrução encontramos na carta do apóstolo Paulo aos cristãos de Tessalônica, pois o apóstolo não queria que os cristãos ficassem demasiadamente tristes quando um irmão em Cristo partisse para a eternidade.

O apóstolo Paulo orienta os cristãos acerca dos eventos após a morte, pois a ignorância acerca desse assunto pode agravar o luto. Ele recomenda os cristãos a não se entristecer como aqueles que não tem esperança em Cristo.

“Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele.” (1 Tessalonicenses 4:13-14).

O apóstolo Paulo, em suas epístolas, utiliza o termo ‘dormiu’ para fazer referência aos salvos que já partiram, e evita o uso do termo ‘morrer’, visto que, no momento que crê em Cristo o crente não mais está condenado, pois passou da morte para a vida. Como os salvos passaram da morte para a vida, já não morrem mais, daí a escolha do apóstolo do termo ‘dormir’ para fazer referência aos que descem a campa fria em lugar do termo ‘morrer’ (1 João 3:14).

“Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.” (João 5:24).

O uso do termo ‘dormir’ ou ao evento ‘quando o tabernáculo terrestre desfazer’ visa evitar confusão com o termo ‘morrer’, isto em função da essência da doutrina da justificação, que tem por base a premissa de que é necessário o velho homem nascido em Adão morrer crucificado com Cristo para poder nascer de novo através da ressurreição com Cristo.

“Porque aquele que está morto está justificado do pecado.” (Romanos 6:7).

Justificado do pecado é condição de alguém que está morto para o pecado, ou seja, quem foi batizado na morte de Cristo. Em outras palavras, que está morto com Cristo foi circuncidado com a circuncisão de Cristo, ou seja, circuncisão do coração, morreu e foi sepultado com Cristo despojando a carne do pecado (Romanos 6:2-6; Colossenses 2:11-13).

O uso do termo ‘dormir’ é utilizado da perspectiva dos que permanecem vivos, e é um modo de fazer referência ao corpo físico dos salvos que são depositados na sepultura e permanecem inertes e sujeitos a corrupção, mas que serão ressuscitados.

Da perspectiva de quem partiu para estar com o Senhor, o termo ‘dormir’ não se aplica, pois ao fechar os olhos para essa realidade aqui abrirá na sequencia os olhos para outra realidade no futuro, precisamente no momento do arrebatamento da igreja e de posse de um corpo glorioso para participar do encontro com Cristo nos ares.

“Ora, Deus não é Deus de mortos, mas de vivos; porque para ele vivem todos.”  (Lucas 20:38).

Quando foi ensinar os cristãos de Corintos acerca dos salvos que morreram, o apóstolo Paulo evoca a profissão de fé cristã, que é crer segundo as Escrituras que Jesus morreu e ressurgiu pelo poder de Deus, posicionamento doutrinário que é a essência da esperança futura!

“Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras, e que foi sepultado, e que ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras.” (1 Coríntios 15:3-4).

Observe que a mensagem é repetida aos cristãos em Roma:

“A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.” (Romanos 10:9-10).

Se alguém crê que Jesus morreu e ressuscitou pelo poder de Deus, também crê que todos quantos morrerem em Cristo voltarão à vida pelo poder de Deus. Porém, também precisava compreender que os salvos que estiverem no seu tabernáculo terrestre (vivos) não entrarão na glória primeiro que aqueles que desceram à cova.

“Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem.” (1 Tessalonicenses 4:15).

Os cristãos que ficarem vivos no arrebatamento da igreja não entrarão na presença do Senhor sem aqueles que já morreram. Nenhum cristão estará com o Senhor primeiro que os demais, não importa se vivo ou morto, pois a igreja é um corpo, e o encontro com Cristo não será fracionado.

Da mesma forma que os vivos não precedem os que morreram, os que morreram não serão os primeiros a se encontrarem com o Senhor. Nesse sentido, se considerarmos Estevão, o primeiro mártir cristão, apesar de ser martirizado primeiro que o apóstolo Pedro, não o precederá o apóstolo Pedro no arrebatamento da igreja e nem um outro salvo no tempo chamado plenitude dos gentios.

O apóstolo João foi o último dos apóstolos a morrer, mas ele não precederá qualquer dos cristãos salvos que morreram antes dele, ou qualquer cristão que morreu depois.

Todos os cristãos de todos os lugares e épocas, quando morrem, abrem os olhos no mesmo instante e exatamente no momento do arrebatamento da igreja de posse de um corpo glorioso conforme o corpo de Cristo e todos encontrarão com o Senhor Jesus nos ares.

Quando o apóstolo Paulo diz que os que ficarem vivos não precederão os que já partiram tendo como referência o evento do arrebatamento, ele evidencia que a ressurreição dentre os mortos se dará em conjunto e no mesmo instante com o arrebatamento, de modo que a data da morte é sem importância para os salvos que partiram para a eternidade.

Após esse encontro com Cristo nos ares, os salvos em Cristo, os que permaneceram vivos até o arrebatamento e os que morreram, todos de posse de um corpo glorioso conforme o corpo de Cristo serão recepcionados no Tribunal de Cristo.

“Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo.” (Romanos 14:10);

“Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal.” (2 Coríntios 5:10).

O apóstolo Paulo além de ensinar a ressurreição dos mortos (1 Coríntios 15:35), também deixa claro com que corpo os salvos hão de ressurgir: todos terão um corpo glorioso semelhante ao corpo glorioso de Cristo.

“O primeiro homem, da terra, é terreno; o segundo homem, o SENHOR, é do céu. Qual o terreno, tais são também os terrestres; e, qual o celestial, tais também os celestiais. E, assim como trouxemos a imagem do terreno, assim traremos também a imagem do celestial.” (1 Coríntios 15:47-49).

Assim como os descendentes de Adão tiveram a imagem de Adão, os descendentes do último Adão, que é Cristo, também terão a mesma imagem de Cristo. Será no arrebatamento da igreja e na ressurreição dos salvos que partiram que será concluído o projeto divino que teve início no Éden:

“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.” (Gênesis 1:26).

Adão e os seus descendente não trouxeram a expressa imagem do Deus invisível, antes trouxeram a imagem do último Adão que haveria de vir ao mundo, Cristo-homem, já os descendentes de Cristo, esses sim alcançarão a expressa imagem do Deus invisível, pois serão em tudo semelhantes a Cristo.

Observando o desaparecimento do profeta Enoque (Gênesis 5:24) e a ascensão do profeta Elias em um redemoinho (2 Reis 2:11), percebe-se que é imprescindível estar vivo neste mundo para passar a estar com o Senhor.

Nesse sentido, é imprescindível ao que morreram com Cristo primeiro ressurgirem em um corpo glorioso, para depois terem um encontro com Cristo nos ares juntamente como os que forem arrebatados.

“E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção.” (1 Coríntios 15:50).

Como a corrupção não pode herdar a incorrupção, primeiro se faz necessário estar vivo em um corpo glorificado, para depois passar a estar com o Senhor.

 

O que acontece após a morte dos salvos na Antiga Aliança

Aqueles que creram na vinda do Descendente prometido a Abraão, em quem todas as famílias da terra seriam bem-aventuradas (Gênesis 12:3), são os salvos da Antiga Aliança e, no instante que morreram, todos foram despertados em algum momento do futuro que antecede o início do reino milenial de Cristo, e reinarão com Cristo por mil anos.

“E vi tronos; e assentaram-se sobre eles, e foi-lhes dado o poder de julgar; e vi as almas daqueles que foram degolados pelo testemunho de Jesus, e pela palavra de Deus, e que não adoraram a besta, nem a sua imagem, e não receberam o sinal em suas testas nem em suas mãos; e viveram, e reinaram com Cristo durante mil anos. Mas os outros mortos não reviveram, até que os mil anos se acabaram. Esta é a primeira ressurreição. Bem-aventurado e santo aquele que tem parte na primeira ressurreição; sobre estes não tem poder a segunda morte; mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele mil anos.” (Apocalipse 20:6).

A primeira ressurreição engloba os santos que morrerem durante o período de grande tribulação, denominado a última semana de Daniel, bem como os santos que morreram desde Adão até o nascimento de Cristo. Todos eles ressurgirão dentre os mortos com um corpo imortal, porém semelhante ao corpo que morreram, ou seja, ressurgirão mas não em um corpo revestidos de glória, e reinarão com Cristo por mil anos.

Diferentemente da igreja, pois os salvos em Cristo terão um corpo glorioso conforme o corpo de Cristo, os santos da Antiga Aliança e os que morrerem na Grande Tribulação, ressurgirão na condição de homens, e herdarão a terra, pois a esperança deles é terrena.

“E todos os do teu povo serão justos, para sempre herdarão a terra; serão renovos por mim plantados, obra das minhas mãos, para que eu seja glorificado.” (Isaías 60:21).

O diferencial entre os salvos da Antiga Aliança e os salvos da Nova Aliança decorre do propósito eterno estabelecido por Deus em Cristo (Efésios 3:9-11).

Enquanto a nação de Israel foi escolhida para trazer o Cristo ao mundo através da eleição dos patriarcas, concedendo o direito de se assentar sobre o trono de Davi e de reger todas as nações com vara de ferro, a igreja de Cristo visa estabelecer a preeminência de Cristo em tudo, sendo Ele a cabeça da igreja, que é o seu corpo constituído de irmãos semelhantes a Ele (Apocalipse 12:1 e 5; Romanos 11:28-29).

O arrebatamento da igreja significa que Cristo terminou de edificar o templo anunciado a Davi, a casa de oração para todos os povos, edificada sem auxílio de mãos humanas, sendo Cristo a pedra angular, e os cristãos, por sua vez, ‘pedras vivas’ advinda de todos os povos (1 Pedro 2:4-6; Efésios 2:20-22).

“Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre.” (2 Samuel 7:13);

Como a igreja é o templo que Cristo está edificando, ao termino da sua construção ocorrerá o arrebatamento da igreja, Em seguida, Deus confirmará o trono do reino de Cristo para sempre, dando a Ele as nações da terra por herança.

“Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Pede-me, e eu te darei os gentios por herança, e os fins da terra por tua possessão.” (Salmo 2:7-8).

Quando Cristo se assentar no trono de seu reino terreno, as nações serão dispostas a sua frente, e Ele separará as nações como o pastor separa os bodes das ovelhas. Serão dignas de adentrarem no reino de Cristo as nações que não desprezaram os seus irmãos segundo a carne (Mateus 25:34), mas, as nações que desprezaram os judeus na grande tribulação, serão exterminadas (Mateus 25:41).

“E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;” (Mateus 25:31-32).

O reino do Messias será um reino levantado e firmado por Deus, e esse reinado jamais terá fim.

“Mas, nos dias desses reis, o Deus do céu levantará um reino que não será jamais destruído; e este reino não passará a outro povo; esmiuçará e consumirá todos esses reinos, mas ele mesmo subsistirá para sempre,” (Daniel 2:44; 7:27).

Estando Abraão ainda na incircuncisão da sua carne, foi prometido por Deus que Abraão seria herdeiro das terras da sua peregrinação, e essa promessa será cumprida no reino milenial de Cristo.

“E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu Deus.” (Gênesis 17:8).

“Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé.” (Romanos 4:13).

Deus estabeleceu que o seu Primogênito, ou seja, o Cristo ressurreto, será o mais elevado dos reis da terra, e na primeira ressureição os salvos da Antiga Aliança ressurgirão para reinar com Cristo.

“Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra.” (Salmos 89:27).

Na encarnação, por causa da paixão da morte, Cristo é descrito como sem atrativo, sem beleza, mas quando empossado como Grande Rei, Cristo, o Renovo do Senhor será pleno de beleza e gloria, e todos em Jerusalém serão santos.

“Naquele dia o renovo do SENHOR será cheio de beleza e de glória; e o fruto da terra excelente e formoso para os que escaparem de Israel. E será que aquele que for deixado em Sião, e ficar em Jerusalém, será chamado santo; todo aquele que estiver inscrito entre os viventes em Jerusalém;” (Isaias 4:2-3).

Ora, sabemos que todos os mortos irão ressuscitar, mas uns ressurgirão para salvação eterna, e outros, para perdição eterna.

“Muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para a vida eterna, e outros para vergonha e horror eterno. Os que forem sábios, pois, resplandecerão como o fulgor do firmamento; e os que a muitos ensinam a justiça, como as estrelas sempre e eternamente.” (Daniel 12:2-3; João 5:29; Atos 24:15).

A ressurreição dos salvos da Antiga Aliança tem em vista o reino terreno de Cristo, e todos os salvos deste Adão até a vinda de Cristo, após a grande tribulação e antes de iniciar o reino messiânico ressurgirão para governar o mundo juntamente com Cristo.

“E deu à luz um filho homem que há de reger todas as nações com vara de ferro; e o seu filho foi arrebatado para Deus e para o seu trono.” (Apocalipse 12:5).

Já a ressurreição dos salvos na Nova Aliança tem em vista o propósito eterno de Deus em Cristo, que é fazer o Cristo preeminente em tudo, constituído cabeça da igreja e o mais sublime entre os muitos irmãos semelhantes a Ele.

“Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor,” (Efésios 3:11).

O proposito que Deus estabeleceu em Cristo para que em tudo Ele tenha a preeminência possui dois aspectos: terreno, quando Ele será o mais elevado dos reis da terra (), e celestial, quando Ele será o primogênito entre muitos irmãos semelhantes a Ele, que é a igreja.

“Também o farei meu primogênito mais elevado do que os reis da terra.” (Salmos 89:27);

“E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência.” (Colossenses 1:18).

A semelhança do Altíssimo é condição própria aos salvos em Cristo na Nova Aliança, pois formam com Cristo um corpo, sendo Cristo a cabeça, e os cristãos, seus membros.

Os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó e todos os santos do Antigo Testamento, bem como os santos mortos no período da Grande Tribulação serão ressuscitados para entrarem no reino de Cristo e reinarem juntamente com Ele na condição de homens, diferente da igreja que alcançou a semelhança de Cristo (Mateus 8:11).

“E para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes; e eles reinarão sobre a terra.” (Apocalipse 5:10).

Quando Cristo reinar, os apóstolos, apesar de fazerem parte da igreja, também se assentarão em doze tronos com competência para julga as doze tribos de Israel (Mateus 19:27-30).

Há quem acredite que os apóstolos ressurgirão antes do início do milênio, porém, eles fazem parte do corpo de Cristo, e por isso mesmo ressurgirão no arrebatamento da igreja.

Como Jesus voltará para reinar na terra sobre Israel e todas as nações, juntamente com os seus santos, os membros do seu corpo, e será nesse evento que os apóstolos virão e se assentarão a reinar com Cristo.

“E fugireis pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azel; e fugireis assim como fugistes de diante do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR meu Deus, e todos os santos contigo.” (Zacarias 14:5);

“E foi-lhe dado o domínio, e a honra, e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o servissem; o seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e o seu reino tal, que não será destruído.” (Daniel 7:14).

A salvação de Israel se dará após o arrebatamento da igreja, e aos moldes do ensinado pelo apóstolo Paulo:

“Porque não quero, irmãos, que ignoreis este segredo (para que não presumais de vós mesmos): que o endurecimento veio em parte sobre Israel, até que a plenitude dos gentios haja entrado. E assim todo o Israel será salvo, como está escrito: De Sião virá o Libertador, E desviará de Jacó as impiedades. E esta será a minha aliança com eles, quando eu tirar os seus pecados. Assim que, quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais. Porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento.” (Romanos 11:25-29).

A visão do sétimo anjo tocando uma trombeta descreve três eventos resumidamente: o início do reino milenial quando Cristo toma posse do reino prometido pelo Pai (Apocalipse 11:15), a rebelião das nações ao final dos mil anos (Apocalipse 11:18) e o juízo final do Grande Trono Branco.

Percebe-se que o reino milenial de Cristo é o tempo estabelecido por Deus para galardoar os profetas, seus servos e seus santos.

“E o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser de nosso SENHOR e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre. E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus, dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste. E iraram-se as nações, e veio a tua ira, e o tempo dos mortos, para que sejam julgados, e o tempo de dares o galardão aos profetas, teus servos, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra. E abriu-se no céu o templo de Deus, e a arca da sua aliança foi vista no seu templo; e houve relâmpagos, e vozes, e trovões, e terremotos e grande saraiva.” (Apocalipse 11:15-19).

O profeta Daniel é um dos salvos na Antiga Aliança que, após morrer, no mesmo instante abriu os olhos na primeira ressurreição na condição de herdeiro da possessão que Deus prometeu a Abraão e seus descendentes.

“Tu, porém, vai até ao fim; porque descansarás, e te levantarás na tua herança, no fim dos dias.” (Daniel 12:13).

Para nós, Daniel morreu e seu corpo esteve sujeito à corrupção da sepultura, e com isso já se passaram aproximadamente 2650 anos, para ele, porém, só fechou os olhos ao morrer e abriu os olhos no início do milênio, de posse da herança prometida aos pais.

 

O que acontece após a morte dos perdidos

Todos os homens que não creram na vinda ao mundo do Descendente prometido a Abraão ou não creram que Jesus é o Descendente prometido nas Escrituras, no instante após morrerem abrem os olhos diante do Grande Trono Branco, onde não há céus e nem terra, precisamente diante de Deus.

“E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.” (Apocalipse 20:11-12).

No julgamento do Grande Trono Branco não será apreciado se o indivíduo será salvo ou não, pois perdição é resultado do julgamento que se deu no Éden tendo por base a lei, que dizia: “certamente morrerás”.

A perdição decorre da ofensa de Adão e é condição que alcança todos os descendentes de Adão, portanto, perdição é condição imposta em função do nascimento natural. Basta aos homens nascerem que pesa sobre todos uma condenação decorrente da ofensa de Adão.

No tribunal do Grande Trono Branco somente será apreciada as obras de cada homem, assim como será apreciada as obras dos salvos no Tribunal de Cristo (salvos na Nova Aliança) ou no reino milenial (salvos na Antiga Aliança), pois Deus não faz acepção de pessoas.

“Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade; Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego; Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego; Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas.” (Romanos 2:5-11).

O evangelho de Cristo é oferta de salvação hoje, pois hoje é o dia sobremodo oportuno, visto que os homens estão sob condenação que ocorreu no passado da humanidade, ou seja, no Éden.

As religiões essencialmente diferem da doutrina do evangelho de Cristo neste aspecto, pois concita os homens a serem melhores hoje sob pretexto de que serão julgadas no futuro, mas o evangelho, por sua vez, oferece salvação hoje porque já pesa sobre a humanidade uma condenação.

É contrassenso oferecer salvação hoje para alguém que ainda não foi julgado, portanto, não está perdido, vez que o que as religiões apregoam é que o julgamento para condenação está no futuro.  Daí o grande diferencial do evangelho:

“Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3:18);

“Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.” (Romanos 5:18).

Enquanto o pecador estiver vivo há esperança, mas se partir para a eternidade sem crer em Cristo, sofrerá a condenação eterna. De imediato, fechará os olhos para essa realidade e abrirá os olhos na eternidade diante de Deus.

“E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno.” (Daniel 12:2; Mateus 12:41).

 

Estar ou não no tabernáculo terrestre significa, respectivamente, ausência do Senhor e estar na presença do Senhor

Um salvo em Cristo que morre neste momento (agora, hoje, neste tempo presente), no mesmo instante estará com o Senhor, precisamente no momento da volta de Cristo para buscar a sua igreja.

A Bíblia trata o tempo dos homens como ‘hoje’, que em outros termos é o agora, o presente, o ano aceitável, o dia oportuno, que mensuramos através das leis físicas que proporcionam a rotação e a translação da terra tendo como referência os luminares celestes.

A Bíblia também faz referência a uma outra realidade existencial na qual Deus abriga a própria eternidade, que não está sujeita às leis da física, portanto, não há contagem de tempo e nem se mensura espaço. Imagine uma realidade na qual a terra e os céus fogem da presença do Criador (espaço), e o que era já foi, bem como o que há de vir também já foi.

“E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles.” (Apocalipse 20:11);

“O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.” (Eclesiastes 3:15).

Para quem está vivo espaço/tempo é precioso e significativo, tanto que os nossos conceitos de existência são todos construídos tendo como referencial a ideia de espaço/tempo.

Enquanto neste tabernáculo terrestre (corpo) a relação do homem com Deus e os demais homens se dá no ‘agora’, dentro de parâmetros tendo como referencial o passado e a previsibilidade de futuro, mas, ao deixar o tabernáculo terrestre, os salvos em Cristo passarão a existirem para todo o sempre em um corpo glorioso e vivenciará uma singularidade que escapa a nossa compreensão. Os perdidos, por sua vez, ressurgirão em um corpo imortal, porém, em corrupção, ignominia e fraqueza, e existirão para sempre, singularidade que não podemos alcançar.

A relação de todos os seres com Deus na eternidade é direta, pois como Ele é onipotente, onipresente e onisciente.  A única diferença na relação decorrerá da condição do indivíduo: se em comunhão ou se alienado de Deus (Hebreus 4:13; Salmos 90:2; Lucas 20:38).

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,” (Hebreus 9:27).

O apóstolo Paulo sabia que enquanto vivesse no seu tabernáculo terrestre (corpo) estaria ausente do Senhor, mas se morresse, passaria a habitar com o Senhor.

“Por isso estamos sempre de bom ânimo, sabendo que, enquanto estamos no corpo, vivemos ausentes do Senhor (Porque andamos por fé, e não por vista). Mas temos confiança e desejamos antes deixar este corpo, para habitar com o Senhor.” (2 Coríntios 5:6-8);

“Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor.” (Filipenses 1:23).

Após a ressureição e a transformação do salvos no arrebatamento da igreja, todos os salvos em Cristo estarão pela eternidade para sempre com o Senhor. A esperança dos salvos em Cristo é celestial, diferente da esperança dos salvos da Antiga Aliança, que é terrena.

“E o SENHOR me livrará de toda a má obra, e guardar-me-á para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém.” (II Timóteo 4:18);

“Para uma herança incorruptível, incontaminável, e que não se pode murchar, guardada nos céus para vós,” (1 Pedro 1:4).

 

Paraíso e inferno

Muitos acreditam que uma pessoa ao morrer, se salva ou perdida, irá, respectivamente, ou para um paraíso ou para um inferno. Paraíso e inferno para tais posicionamentos doutrinários seriam locais “temporários” antes da ressurreição.

Nesse pensamento doutrinário há um equívoco, pois na morte ou na eternidade não há um local regido por tempo e espaço que demande uma espera por parte de quem morreu ou do próprio Deus que necessite de tempo para esperar a conclusão de eventos neste mundo para serem decididas algumas questões referentes àqueles que morreram.

Para alguém que acessou a eternidade em decorrência da morte física não há necessidade de aguardar um determinado tempo, ou de o próprio Deus se sujeitar as limitações terrenas de tempo para só tratar com o indivíduo.

Na verdade, uma pessoa ressurreta, quer seja ela salva ou não, simplesmente sofre uma espécie de ‘salto temporal’. Na morte simplesmente deixa o mundo em um determinado tempo, e na ressurreição, que para a pessoa se dá em um piscar de olhos, se depara em um tempo futuro de posse de um novo corpo.

Qualquer que deixar o seu tabernáculo terrestre (corpo) de imediato abrirá os olhos em um momento futuro de posse de um corpo ressurreto: os perdidos no Tribunal do Trono Branco, os salvos em Cristo através do evangelho, por sua vez, abrirão os olhos no arrebatamento quando encontrarão Cristo nos ares, e os salvos no Antigo Testamento, abrirão os olhos antes de iniciar o reino milenial de Cristo.

A eternidade, cujo pai é o próprio Verbo Eterno (Isaias 9:6), não está vinculada a espaço/tempo, e esses dois versículos nos apresenta um lampejo acerca dessa singularidade:

O que é, já foi; e o que há de ser, também já foi; e Deus pede conta do que passou.” (Eclesiastes 3:15);

“Porque mil anos são aos teus olhos como o dia de ontem que passou, e como a vigília da noite.” (Salmos 90:4).

Não importa em que tempo cada indivíduo parta deste mundo, ressurgirá juntamente com outros que partiram em diversas datas diferentes.

Da mesma forma que os que ficarem vivos no arrebatamento da igreja não precederão os que morreram em Cristo, antes serão ressuscitados e juntamente com os arrebatados encontrarão com Cristo nos ares, semelhantemente os perdidos que ficarem vivos não precederão os que morreram, e nem os que morreram precederão os perdidos que estiverem vivos quando se apresentarem diante do Grande Trono Branco.

Esse mesmo raciocínio se aplica aos salvos da Antiga Aliança, pois os patriarcas não precederão os profetas na primeira ressurreição e nem os profetas precederão os patriarcas, pois todos os salvos da Antiga Aliança de várias épocas e lugares diferentes ressurgirão antes do início do reino terreno de Cristo.

“Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos.” (Isaías 26:19).

Não há necessidade dos que morreram aguardar em um lugar que demande espaço e tempo, como é o caso da teoria do paraíso e do inferno, para serem ressuscitados, pois ao morrer acessaram a eternidade e, sem qualquer tipo de espera, ou sono, ou inconsciência, se apresentam imediatamente no evento estabelecido por Deus. Nesse sentido, quem já morreu a muito tempo se apresenta no mesmo instante e lugar que outros que estão partindo deste mundo.

Não há necessidade da existência de paraíso ou inferno, que seriam lugares de espera, sendo o inferno, segundo imaginário popular, um lugar sob domínio de deuses ou demônios, concepção influenciada pela mitologia dos greco-romana.

No pós-morte há eventos estabelecidos por Deus em uma sequência específica, porém, para ocorrerem tais eventos não há na Bíblia qualquer local destinado aos mortos para aguardarem:

“Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. Depois virá o fim.” (1 Coríntios 15:22).

Tomando por base o tempo terreno, Cristo ressurgiu primeiro, na sequência, será a ressurreição das primícias, ou seja, da igreja. Depois haverá a primeira ressurreição, quando os santos da Antiga Aliança ressurgirão, pois eles também pertencem a Cristo, e só então virá o fim, quando ocorrer a segunda ressurreição: a dos perdidos.

A Bíblia é clara: os homens morrem uma única vez, depois vem o juízo, ou seja, não há tempo de espera ou local de espera!

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,” (Hebreus 9:27).

A profissão de fé da igreja Católica, em decorrência da má leitura de algumas passagens bíblicas por seus expoentes teológicos, como Marcião de Sinope, Tertuliano, Irineu, Justino Mártir, etc., fazem referência à mansão dos mortos, e alegam que, para redimir aqueles que jaziam em um lugar de espera, Jesus teve que descer à morada dos mortos.

Na patrística, a ideia de um inferno subdivido em áreas se assemelha ao hades concebido pelos gregos, local que abrigava bons e maus. E essas semelhanças não pararam por aí, pois na ‘borda’ deste inferno ficaria o limbo, um espaço destinado aos patriarcas, e outro, aos infantes.

Durante a interpretação bíblica nos deparamos com vários termos, e a má leitura de termos isolados acaba por comprometer o entendimento do texto, como é o que ocorre com a palavra ‘portas’.

“Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela;” (Mateus 16:18).

Uma má leitura de um termo que compromete a leitura de outros textos verifica-se no termo ‘porta’. No texto de Mateus, ‘portas’ não significa uma abertura que permite ou impede o acesso a um determinado recinto, e sim, é um modo figurado de fazer referência aos locais nas cidades da antiguidade que se exerciam o poder político, o que remete a domínio, poder.

‘Portas’ está para ‘poder’, e não para local de acesso. Nesse sentido, Cristo está de posse das chaves da morte e do inferno, ou seja, é Ele quem detém o poder, o domínio sobre a morte (tanto do termino das funções vitais, quando da separação que há entre Deus e os homens) e o inferno (sepultura).

Quando é dito: “Levantai, ó portas, as vossas cabeças, levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.” (Salmos 24:9), o salmista profeticamente descreve como será reverenciado o Rei da Glória: todos os presentes no local que se exerce o poder têm que se pôr de pé para recepciona-lo quando Ele chegar!

Como o Rei da Glória recebeu um nome que é acima de todos os nomes, no recinto onde se encontram aqueles que exercem autoridade, todos devem levantar a cabeça (se pôr em pé), quando o Rei entrar.

“Quando eu saía para a porta da cidade, e na rua fazia preparar a minha cadeira, os moços me viam, e se escondiam, e até os idosos se levantavam e se punham em pé;” (Jó 29:7-8);

“Seu marido é conhecido nas portas, e assenta-se entre os anciãos da terra.” (Provérbios 31:23).

Ler o Salmo 24 como Cristo descendo à mansão dos mortos é transtornar o sentido do texto, considerando o que é exposto pelo papa Bento XVI:

“Porém, com toda a sua insuficiência, elas nos ajudam a entender algo do mistério. A liturgia aplica à descida de Jesus na noite da morte a palavra do Sl 24: “Levantai, ó pórticos, os vossos frontais, levantai-vos, ó pórticos eternos!” A porta da morte está fechada, ninguém dali pode voltar para trás. Não existe uma chave para esta porta férrea. Cristo, porém, possui a chave. A sua Cruz abre de par em par as portas da morte, as portas irrevogáveis. Elas agora já não são intransponíveis. A sua Cruz, a radicalidade do seu amor é a chave que abre esta porta. O amor d’Aquele que, sendo Deus, se fez homem para poder morrer – este amor tem a força para abrir esta porta. Este amor é mais forte que a morte.” Jesus Desce à Mansão dos Mortos, por Bento XVI < https://blogs.opovo.com.br/ancoradouro/2010/04/03/jesus-desce-a-mansao-dos-mortos-por-bento-xvi/ > Consulta realizada em 05/02/22 (grifo nosso).

Eliseu ressuscitou o filho de uma mulher, a Sunamita, e quando o evento miraculoso se deu, não significa que o espírito do menino deixou o seu corpo e estava aguardando em um local, como que em uma sala de espera destinada aos mortos. Na verdade, ao fazer o menino ressuscitar dentre os mortos, para o menino ocorreu somente uma espécie de salto temporal de consciência, porém, os eventos futuros concernentes a sua segunda morte permaneceram inalterados.

Deus não precisou esperar o menino viver a sua vida, tornar-se adulto e morrer para pedir conta do que ele fez por meio do corpo. A ressurreição do filho da Sunamita, assim como de muitos outros, não interferiram no que está estabelecido:

“E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo,” (Hebreus 9:27);

“E sucedeu que, contando ele ao rei como ressuscitara a um morto, eis que a mulher cujo filho ressuscitara clamou ao rei pela sua casa e pelas suas terras. Então disse Geazi: Ó rei meu senhor, esta é a mulher, e este o seu filho a quem Eliseu ressuscitou.” (2 Reis 8:5).

Por milagre o filho da Sunamita morreu duas vezes, mas em seguida a segunda vez qe morreu veio o juízo, algo inevitável e inadiável. Ao ser ressuscitado por Eliseu, o filho da Sunamita não foi arrancado de um local de descanso ou tormento, e como não se apresentou na ressurreição que antecede o milênio, nada viu enquanto esteve morto.

Mas, por que as pessoas especulam acerca da existência de um lugar de espera no pós-morte? Por causa de alguns eventos registrados nas Escrituras.

 

A feiticeira de En-dor

O primeiro refere-se ao evento envolvendo uma mulher feiticeira de En-dor, que a pedido de Saul, consultou ‘espíritos adivinhos’, e Saul, ao ouvir a descrição feita pela mulher, presumiu tratar-se de Samuel.

“E lhe disse: Como é a sua figura? E disse ela: Vem subindo um homem ancião, e está envolto numa capa. Entendendo Saul que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra, e se prostrou.” (1 Samuel 28:14).

Ora, sabemos que não se tratava de Samuel, antes Saul estava tomado pelo medo, vulnerabilidade que o tornou sugestionável e crédulo.

Analisando o que foi previsto pela advinha, verifica-se que nenhum dos eventos se deram com precisão, o que não é próprio de quem fala em nome de Deus, caso fosse o profeta Samuel.

“E o SENHOR entregará também a Israel contigo na mão dos filisteus, e amanhã tu e teus filhos estareis comigo; e o arraial de Israel o SENHOR entregará na mão dos filisteus.” (1 Samuel 28:19).

“E perguntou Saul ao Senhor, porém o Senhor lhe não respondeu, nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas.” (1 Samuel 28:6)

A feiticeira anunciou que no outro dia Saul seria entregue juntamente com Israel nas mãos dos filisteus, o que não ocorreu, pois Saul se suicidou temendo ser capturado e supliciado pelos seus inimigos. Nem todos os filhos de Saul morreram, pois ficaram vivos três filhos de Saul: Is-Bosete (2 Samuel 2:8-10), Armoni e Mefibosete (2 Samuel 21:8).

A morte de Saul ocorreu após 18 dias e ele não teve o mesmo destino que Samuel, pois este após morrer abriu os olhos antes de iniciar o milênio para reinar cm Cristo, e aquele, abriu os olhos diante do Grande Trono Branco.

Presumir é próprio do ser humano, e a Bíblia contém vários registros acerca das impressões humanas;

“E os discípulos, vendo-o andando sobre o mar, assustaram-se, dizendo: É um fantasma. E gritaram com medo.” (Mateus 14:26);

“E disseram-lhe: Estás fora de ti. Mas ela afirmava que assim era. E diziam: É o seu anjo.” (Atos 12:15).

Não é porque os discípulos acharam que fosse um fantasma Jesus andando sobre as águas, ou que fosse o anjo do apóstolo Pedro batendo e chamando à porta quando foi solto do cárcere, que de fato existe fantasma, ou que os anjos façam o que presumiram.

Também não se deve presumir que o evento da transfiguração de Jesus é um vislumbre do paraíso, antes o fato de aparecerem aos discípulos Moisés e Elias conversando com Jesus remete a um vislumbre da glória do reino futuro do Cristo, quando todos os santos da Antiga Aliança serão ressuscitados e reinarão com Ele.

Esse vislumbre deixou os discípulos aterrorizados, tanto que Jesus teve que tocar neles para despertá-los da visão grandiosa.

“E transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz.” (Mateus 17:2).

 

Descida ao inferno?

Nessa perspectiva de uma região específica para os mortos, o evangelho apócrifo de Nicodemus narra a descida de Cristo ao inferno, o que entendo ser uma espécie de texto teatral espúrio, que um tal José se propõe explicar a ressureição de Cristo aos judeus, que por sua vez se postam incrédulos. Esse José conduz os judeus incrédulos aos dois filhos de Simeão que foram ressuscitados quando Cristo estava sendo crucificado.

Ao serem entrevistados, esses ressurretos resolveram escrever acerca dos eventos pós-morte, e narraram a existência de um inferno, lugar de trevas onde todos os grandes homens do Antigo Testamento estavam. Em dado momento resplandeceu uma luz no inferno, e todos que ali estavam ficaram regozijados, momento que o profeta Isaías que também estava no inferno afirmou que aquele evento de grande esplendor no inferno era o cumprimento do que ele havia profetizado, e o tal profeta Isaias cita, de forma incompleta e intercalando partes do texto, o que havia escrito em vida: “Terra de Abulão e terra de Neftali, o povo que estava sumido nas trevas viu uma grande luz”.

“MAS a terra, que foi angustiada, não será entenebrecida; envileceu nos primeiros tempos, a terra de Zebulom, e a terra de Naftali; mas nos últimos tempos a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, na Galiléia das nações. O povo que andava em trevas, viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra da morte resplandeceu a luz.” (Isaías 9:2).

Enquanto o evangelista Mateus informa que a passagem de Isaias se cumpriu quando Jesus deixou a cidade de Nazaré e foi morar em Cafarnaum, uma cidade marítima, o evangelho apócrifo de Nicodemus interpreta a passagem como se fosse a chegada de Jesus no inferno.

“E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali; Para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: A terra de Zebulom, e a terra de Naftali, Junto ao caminho do mar, além do Jordão, A Galiléia das nações;” (Mateus 4:13-15).

O texto apócrifo vai além, e descreve que Cristo, ao chegar no inferno, foi anunciado por uma voz que citou o Salmo 24.

“Levantai, ó portas, as vossas cabeças; levantai-vos, ó entradas eternas, e entrará o Rei da Glória.” (Salmos 24:7).

O evangelho de Nicodemus não passa de um outro evangelho, ou seja, é anátema.

A concepção plantonista do ‘limbo’ e da ‘reencarnação’ influenciou muitos teólogos, que ao lerem que Jesus ‘desceu as partes mais baixas da terra’, correlacionaram o texto ao que consta na mitologia grega ou nos ensinamentos de Platão, e, por isso, introduziram a ideia de que há ‘regiões’ no interior da terra que pertencem aos mortos.

“Quanto às outras almas, terminada a primeira vida, passam por um julgamento. Umas vão para lugares de penitência, abaixo da terra, para sofrerem o castigo; outras sobem, por sentença, a um lugar do céu onde desfrutam as recompensas das virtudes que praticaram na vida terrestre. No milésimo ano, cada alma destas duas espécies tira a sorte e escolhe uma segunda vida, obtendo o que merece! Assim, uma alma humana pode entrar em corpo de animal, e a alma de um animal pode ir animar um corpo de homem, desde que já uma vez tenha sido homem” Platão, Fédon.

Para os gregos, o Hades, o lugar onde os mortos ficam, era subdividido em dois setores: o Elísio (lugar dos bons) e o Tártaro (lugar dos maus). Por causa da expressão “desceu as partes mais baixas da terra”, e com base em alguns credos datados do primeiro século da história do cristianismo, surgiu a ideia de um mundo dos mortos com a seguinte composição: Paraíso e Hades.

Vale destacar aqui, que João Calvino, por causa da questão ‘desceu ao inferno’ positivada no Credo Apostólico, argumentou que Cristo teve que sofrer as agruras do inferno para salvar o homem.

“Mas, além do Credo, devemos buscar uma exposição mais segura da descida de Cristo ao inferno: e a Palavra de Deus nos fornece uma não somente piedosa e santa, mas repleta de excelente consolo. Nada teria sido feito se Cristo tivesse suportado somente a morte corpórea. A fim de Se interpor entre nós e a ira de Deus e satisfazer o Seu juízo justo, era necessário que Ele sentisse o peso da vingança divina. Por isso, também foi necessário que Ele se engajasse, por assim dizer, de perto com os poderes do inferno e os horrores da morte eterna. Nós recentemente citamos a partir do Profeta, que “o castigo que nos traz a paz sobre Ele, e pelas Suas pisaduras fomos sarados”, que “Ele foi moído por causa das nossas iniquidades”, que “Ele tomou sobre Si as nossas enfermidades”, que intimam que, como um patrocinador e fiador dos culpados e, por assim dizer, sujeito à condenação, Ele assumiu e pagou todas as penalidades que deviam ter sido exigidas deles, excetuando-se apenas que as dores da morte não O puderam conter. Por isso, não há nada estranho em ser dito que Ele desceu ao inferno, visto que Ele suportou a morte que é infligida aos ímpios por um Deus irado. É frívolo e ridículo objetar que desta forma a ordem é pervertida, sendo absurdo que um acontecimento que precedeu o sepultamento deva ser colocado depois dele. Mas, depois de explicar o que Cristo suportou à vista do homem, o Credo adequadamente acrescenta o julgamento invisível e incompreensível que ele suportou diante de Deus, para nos ensinar que não só o corpo de Cristo foi dado como o preço da redenção, mas que havia um preço maior e mais excelente – que Ele suportou em Sua alma as torturas de um homem condenado e arruinado.” (Calvin, Institutas 6:10, < https://www.ccel.org/ccel/calvin/institutes.iv.xvii.html > (Grifo nosso).

Por causa de dois verbos que constam dos itens 4 e 5 do suposto Credo Apostólico: ‘sepultado’ e ‘desceu’, que seriam verbos evidenciando o mesmo evento, Calvino e muitos outros concluíram que após colocarem o corpo de Jesus na sepultura, Ele desceu ao inferno.

“… foi crucificado, morto e sepultado; Desceu aos infernos, ressuscitou ao terceiro dia.” Credo dos Apóstolos[3].

Além do erro que consta no Credo dos Apóstolos[4] e do evangelho de Nicodemus, há uma má leitura da passagem bíblica que diz:

“Ora, isto: ‘Ele subiu…’, que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra?” (Efésios 4:9).

O erro se agrava quando complementam a passagem de Efésios com uma outra passagem que está na carta do apostolo Pedro:

“Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito; No qual também foi, e pregou aos espíritos em prisão;” (1 Pedro 3:18-20).

O apóstolo Paulo arguiu que Jesus desceu à parte mais baixa (κατώτερος) da terra (μέρη τῆς γῆς), ao interpretar o verso 18, do Salmo 68, que diz:

“Tu subiste ao alto, levaste cativo o cativeiro, recebeste dons para os homens, e até para os rebeldes, para que o SENHOR Deus habitasse entre eles.” (Salmo 68:18).

O apóstolo explicou que quando é dito que Cristo ‘subiu ao alto’, significava que Ele havia descido. E onde Ele desceu? Desceu à sepultura, pois ao ressurgir subiu ao alto e se assentou a destra da Majestade nas alturas.

O apóstolo Paulo desvenda o enigma que há no verso 18, do Salmo 68, apontando Cristo como aquele que ‘subiu ao alto’.  O apóstolo explica que Cristo subiu ao alto, mas que, antes de subir, teve que descer às partes mais baixas da terra, que é a sepultura.

Em resumo, Cristo subiu da sepultura (as partes mais baixas da terra) para se assentar à destra da Majestade nas alturas (Salmo 110:1). Vale destacar que ‘as partes mais baixas da terra’ não se referem a um lugar como o ‘limbo’, ‘purgatório’, ou ‘inferno’, conforme está posto no pensamento grego.

Nesse sentido, o Salmo 30 faz referência à ressurreição de Cristo, como Aquele que subiu da sepultura e que teve a vida preservada, um destino diferente de todos homens quando descem à cova. Sepultura na parte ‘a’ do versículo é o mesmo que ‘abismo’ na parte ‘b’, pois o paralelismo, elemento própria a estrutura da poesia hebraica não permite outra leitura.

“SENHOR, fizeste subir a minha alma da sepultura; conservaste-me a vida para que não descesse ao abismo (Salmo 30:3).

Quando o apóstolo Pedro diz que Jesus foi pelo espírito pregar aos espíritos em prisão, não disse que Jesus desceu até o inferno. O apóstolo estava demonstrando que, como o espírito de Deus estava sobre Ele para evangelizar, também foi e pregou aos judeus descrentes, os ‘espíritos em prisão’ (Salmo 73:18; 103:20).

“E muitos entre eles tropeçarão, e cairão, e serão quebrantados, e enlaçados, e presos.” (Isaías 8:15);

“Mas este é um povo roubado e saqueado; todos estão enlaçados em cavernas, e escondidos em cárceres; são postos por presa, e ninguém há que os livre; por despojo, e ninguém diz: Restitui.” (Isaías 42:22);

“Assim, pois, a palavra do SENHOR lhes será mandamento sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para trás, e se quebrantem e se enlacem, e sejam presos.” (Isaías 28:13);

“Para dizeres aos presos: Saí; e aos que estão em trevas: Aparecei. Eles pastarão nos caminhos, e em todos os lugares altos haverá o seu pasto.” (Isaías 49:9);

“Os sábios são envergonhados, espantados e presos; eis que rejeitaram a palavra do SENHOR; que sabedoria, pois, têm eles?” (Jeremias 8:9);

“Portanto o seu caminho lhes será como lugares escorregadios na escuridão; serão empurrados, e cairão nele; porque trarei sobre eles mal, no ano da sua visitação, diz o SENHOR.” (Jeremias 23:12).

Como os judeus descrentes são descritos como enlaçados e presos, pois foram postos em lugares escorregadios na escuridão, certo é que eles são os ‘espíritos em prisão’.

 

O rico e Lázaro

Outra passagem na Bíblia que causa um entendimento equivocado é a passagem do rico e Lázaro[5], vez que o texto apresentada uma realidade além-túmulo que desperta a curiosidade das pessoas.

Analisado a passagem do rico e Lázaro, o texto tem características de uma interpolação, pois não se encaixa na narrativa do evangelista (Lucas 16:19-31). Parece ocorrer no evangelho de Lucas o que ocorreu no evangelho de João com relação à mulher pecadora (João 7:53 e 8:1-11).

A estória da mulher adultera não consta dos manuscritos mais antigos de João, como os códices P66 e o P75 do século III, ou o Codex Sinaiticus e o Condex Vaticanus, ambos datados do século IV. A estória da mulher adultera só foi aparecer no Codex Bezae, que é do século V[6][7][8]. Além de não constar nos manuscritos mais antigos, o texto da mulher adultera tem um desfecho diferente de outas passagens de Jesus, que geralmente Ele apela para as Escrituras quando tentam pegá-lo nalguma contradição, o que não ocorre nessa estória, visto que há um apelo à consciência dos escribas fariseus.

“Quando ouviram isto, redarguidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio.” (João 8:9).

O texto diz que Jesus apelou justamente para a consciência de pessoas que achavam que eram justas, ou seja, que entendiam que não tinham pecado por serem descendentes de Abraão.

“Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado. Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” (João 8:31-36);

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” (1 João 1:8-10);

“Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece.” (João 9:41).

Já o texto do rico e Lázaro está presente em todos os manuscritos que se tem conhecimento do evangelho de Lucas, sendo o mais antigo que se tem conhecimento o manuscrito pn (papiro Bodmer XIV)[9], possivelmente do século III. O manuscrito grego do evangelho de Lucas mais antigo é o códice bilíngue Bezae (D)[10], do século VI, escrito em duas línguas: grego e latim.

A estória do rico e Lázaro[11] remonta ao século II d.C., e aparece nos escritos apócrifos Atos de João[12], o que demonstra que ela surgiu bem antes dos manuscritos dos evangelhos de Lucas que foram descobertos.

A estória fala de dois homens, da cidade de Éfeso, que seguindo o exemplo de duas outras pessoas venderam todas as suas herdades e deram aos pobres, mas que, com o passar do tempo se arrependeram de serem generosos. O tal apóstolo de nome João percebeu a tristeza dos dois homens e operou um milagre, transformando gravetos de paus em ouro e pedras em pedras preciosas, devolvendo assim o valor que haviam doado aos pobres, e são repreendidos severamente por terem ficado tristes ao verem os seus servos ricos, enquanto eles, estavam pobres.

Nesse ponto, a estória do rico e Lázaro é contada pelo tal apóstolo como se o próprio Cristo houvesse contado pessoalmente uma história ou parábola.

Em linhas gerais, a estória do evangelho apócrifo contrapõe um homem rico que, por possuir muito ouro e purpura, festejava todos os dias, a um pobre, Lázaro, um mendigo que desejava comer das migalhas que caiam da mesa do rico, mas ninguém lhe dava nada.

Ambos morreram, o pobre e o rico, sendo este lançado no fogo, e aquele, levado a um lugar de descanso, o seio de Abraão. O restante da estória é um diálogo entre Abraão e o rico, sendo que este pede ao mendigo que, com o dedo, após mergulhar na água, viesse e lhe refrescasse a língua. Abraão se adianta e responde que, em razão de ter recebido coisas boas na vida, o rico agora devia ser atormentado, e Lázaro, como só recebeu coisas ruins em vida, e por isso agora era consolado. Abraão continua e destaca a impossibilidade de atendê-lo face um abismo entre os dois locais que ambos estavam. O rico pede para que avisassem os seus parentes através de alguém ressurreto, mas Abraão argumenta que se não ouviam Moisés ou os profetas, que tão pouco ouviriam alguém que ressuscitasse.

Por fim, o tal apóstolo João argumenta que, ao final da sua exposição, as pessoas questionaram Jesus sobre quem havia retornado dos mortos para testemunhar que as coisas de fato eram daquela forma, e Jesus, para dar provas do seu testemunho, pediu que trouxessem alguns mortos, e após ressuscita-los, as pessoas ressuscitadas confirmaram as palavras anunciadas por Cristo.

Analisando essa estória do livro apócrifo Atos de João, verifica-se que ela não segue os preceitos bíblicos e nem possui correlação com a maneira que Cristo conduziu o seu ministério.

Primeiro, Jesus jamais promoveria seu ministério tendo por base o testemunho de homens, pois se não creem nas Escrituras, ou seja, no testemunho que o Pai deu acerca do Filho, crer no testemunho de homens, ressurretos ou não, não produz salvação.

Cristo quando curava alguém, geralmente ordenava que a ninguém contasse, pois Ele não queria apoiar o seu ministério em sinais miraculosas, e sim na palavra de Deus, que é firme e permanente.

“E, advertindo-o severamente, logo o despediu. E disse-lhe: Olha, não digas nada a ninguém…” (Marcos 1:43 -44);

“E ordenou-lhes que a ninguém o dissessem; mas, quanto mais lhos proibia, tanto mais o divulgavam” (Marcos 7:36).

A abordagem que se faz na estória acerca do rico e do pobre não coaduna com as Escrituras, pois ninguém será salvo por ser paupérrimo, e ninguém será condenado por ser rico. Na Bíblia rico e podre são figuras que possuem significados bem definidos, e que não tem relação com condição socioeconômica. A Bíblia faz alusão ao pobre como aquele que é necessitado da justiça de Deus, diferente do rico que possui uma justiça própria, sendo esses ricos os judeus impenitentes.

“EIA, pois, agora vós, ricos, chorai e pranteai, por vossas misérias, que sobre vós hão de vir. (…) Condenastes e matastes o justo; ele não vos resistiu.” (Tiago 5:1 e 6).

A estória coloca Abraão com autoridade além tumulo, algo mais próximo de estória artificialmente criadas pelo judaísmo, do que algo pertinente ao cristianismo, sendo que em nenhum lugar nas Escrituras é dada essa autoridade a Abraão.

Abraão somente obedeceu a Deus em tudo, e foi anunciado a ele a promessa do descendente, portanto, em nada difere dos demais santos da Antiga Aliança.

Além do mais, a estória tem parte da narrativa extraída da parábola do filho pródigo, quando tenta destacar a fome do mendigo Lázaro.

A cisão entre os locais apresentados na estória, um local de tormento e um local nomeado ‘seio de Abraão’, se assemelha em muito com o Hades grego, sendo que a Bíblia em nenhuma outra passagem apresenta uma descrição do além-túmulo, o que contraria regras elementares da hermenêutica e exegese bíblica.

Possivelmente no século II depois de Cristo surgiu a estória do rico e do Lázaro e, nas décadas que se seguiram, anotações de roda pé acabaram sendo inseridas no evangelho de Lucas, tanto que pais da igreja do século I, como é o caso de Inácio[13] (68 e 100 ou 107 d. C), bispo de Antioquia da Síria, desconhecia tal estória.

Se um bispo de 68 e 100 anos após Cristo desconhecia a estória do rico e Lázaro, e a estória aparece em um escrito apócrifo datado do século II d. C, e a cópia mais antiga do evangelho de Lucas que se tem conhecimento é datado do século III, é bem provável que a estória tenha sido inseria no evangelho de Lucas por um copista, já que a estória do rico e Lázaro não aparece nos outros evangelhos.

Como a estória apócrifa tem a narrativa de que Jesus ressuscitou um homem para que confirmasse a sua palavra por causa do questionamento dos seus interlocutores, possivelmente a pessoa que introduziu a estória no evangelho de Lucas tenha presumido que a pessoa ressuscitada se tratava de Lázaro, irmão de Marta e Maria, e descreve Lázaro como mendigo, e utiliza a descrição do filho pródigo quando desejava comer o que era destinado aos porcos.

 

A alma dos santos debaixo do altar

Outra questão a se considerar encontra-se no Livro do Apocalipse, especificamente nos versos 8 a 11, do capítulo 6:

“E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra. E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram.” (Apocalipse 6:8-11).

O apóstolo João ao ver o quarto selo do livro ser aberto, visualizou um cavalo amarelo cujo cavaleiro tinha o nome Morte, e após o cavaleiro e o cavalo seguia o inferno, ou seja, a sepultura (ᾍδης), o hades. O que seguia o cavaleiro cujo nome era morte é o local onde os corpos são depositados, a sepultura, e não uma ‘morada dos espíritos’ dos mortos, algo próximo ao pensamento dos gregos. A visão do profeta, imagino pela descrição, que a ‘sepultura’ que seguia o cavaleiro do cavalo amarelo se assemelhava a um elemento gráfico comum em vídeo games que acompanha o personagem do jogo.

Com a abertura do quinto selo, o evangelista vê sob o altar pessoas (almas) que foram mortas por causa da palavra de Deus e por testemunharem em nome de Deus. E todos choravam em alta voz dizendo: – ‘Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?’ E cada um deles possuíam vestes brancas, e foi dito que aguardassem um pouco, pois ainda muitas outras testemunhas de Deus seriam igualmente mortas.

Seria essa uma descrição do que os salvos ficam fazendo além vida? Esse seria o seio de Abraão, ou o paraíso? Evidente que não se trata do seio de Abraão conforme a estória do rico e Lázaro, ou o que se trate de um lugar como o paraíso.

A visão do evangelista João não tem relação com o estado ou local que as pessoas ficam quando estão mortas, antes trata de vindicação. A visão ilustra o que foi dito de Abel:

“Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra.” (Gênesis 4:10).

“Desde o sangue de Abel, até ao sangue de Zacarias, que foi morto entre o altar e o templo; assim, vos digo, será requerido desta geração.” (Lucas 11:51);

“Pela fé Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e por ela, depois de morto, ainda fala.” (Hebreus 11:4);

“E a Jesus, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel.” (Hebreus 12:24).

A visão de pessoas clamando debaixo do altar ilustra o fato que Deus não se esquecerá de vindicar o sangue dos seus servos. Não significa que existe um altar de sacrifícios em um local paradisíaco e que inúmeras pessoas salvas permanecem debaixo do altar clamando por justiça, até porque Deus não se esquece dos seus servos.

A concepção de paraíso e inferno para aqueles que morreram é pensamento derivado da mitologia grega, como é o caso do purgatório e do limbo, diferente da ideia bíblica do Lago de Fogo, que é a segunda morte.

“E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.” (Apocalipse 20:14);

“E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre.” (Apocalipse 20:10).

Por fim, outro ponto a ser destacado é o posicionamento equivocado das Testemunhas de Jeová e do Adventista do Sétimo Dia sobre o sono da alma, visto que o sono é algo pertinente ao corpo físico, à matéria, e não a alma ou espírito. Enquanto o homem estiver vivo, o corpo necessita de sono. Após a morte, a alma e o espírito, que na morte são indissociáveis, não precisam de sono, portanto, é uma doutrina equivocada apregoar a conjectura do sono da alma.

A Bíblia não contém a doutrina do sono da alma, e nem apresenta a ideia da inconsciência após a morte até a ressurreição. Não é porque afirmamos que até a ressurreição não existe um céu temporário chamado de “Paraíso”, tão pouco um inferno temporário chamado no grego de “Hades”, que apoiamos a doutrina do Mortalismo cristão, designação dada à crença de que a alma morre e que o “sono” da morte é inconsciente, pensamento ligado ao aniquilacionismo.

Cremos que, após a morte, a questão espaço/tempo inexiste, e por isso mesmo é descrito o Tribunal do Grande Trono Branco como uma singularidade sem algo que dê referência de espaço, pois inexistem terra e céus e nem os seus luminares.

“E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles.” (Apocalipse 20:11).

Ao morrer não há espera, ou local de espera, pois todos que morrem, de imediato abrem os olhos em uma nova realidade e receberá o que lhe é próprio, se salvo ou perdido.

 

[1] Pensamento filosófico que afirma que todos os eventos são fixos e inexoráveis, portanto, não determinado, controlado ou influenciado pela vontade humana. Essa filosofia influenciou pensadores entre os antigos hebreus e alguns pensadores gregos, ao entenderem que os destinos das pessoas foram determinados por um poder superior ou por simples necessidade lógica. (Wikipédia)

[2] Teorias filosóficas que afirma que todo acontecimento (inclusive o mental) se explica pela determinação, ou seja, por relações de causalidade, e cada linha desse pensamento é definido pelo modo como se conceitua determinação e causalidade, como: pré-determinismo, pós-determinismo e co-determinismo.

[3] Credo dos Apóstolos:

  1. Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do céu e da terra;
  2. E em Jesus Cristo, um só seu Filho (seu único Filho), Nosso Senhor,
  3. Que foi concebido pelo poder do Espírito Santo, nasceu de Maria Virgem;
  4. Padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado;
  5. Desceu aos infernos, ressuscitou ao terceiro dia;
  6. Subiu ao Céu, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso,
  7. De onde há de vir a julgar os vivos e os mortos.
  8. Creio no Espírito Santo,
  9. Na Santa Igreja Católica, na comunhão dos Santos,
  10. Na remissão dos pecados,
  11. Na ressurreição da carne,
  12. Na vida eterna. Amém.

[4] Credo dos Apóstolos < https://pt.wikipedia.org/wiki/Credo_dos_Ap%C3%B3stolos >

[5] Gressmann, Hugo, Vom reichen Mann e armen Lazarus. Eine literargeschichtliche Studie. Mit ägyptologischen Beiträgen von G. Möller. – 90 pp., 1 pl. [começa a pág. 491 do arquivo pdf] Abhandlungen der Königlich Preussischen Akademie der Wissenschaften, Philosophisch-historische Classe (APAW, philos.-hist. Kl.) … Jahrgang 1918, Berlim, 1918 < https://archive.org/details/abhandlungenderk1918akad/page/n493/mode/2up >

[6] https://pt.wikipedia.org/wiki/Per%C3%ADcopa_da_Ad%C3%BAltera

[7] https://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Sinaiticus

[8] https://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Vaticanus

[9] https://pt.wikipedia.org/wiki/Papiros_de_Bodmer

[10] https://pt.wikipedia.org/wiki/Codex_Bezae

[11] https://www.interfaith.org/christianity/apocrypha-acts-of-john/, e https://www.interfaith.org/christianity/apocrypha-nicodemus/

[12] https://en.wikipedia.org/wiki/Acts_of_John

[13] https://pt.wikipedia.org/wiki/In%C3%A1cio_de_Antioquia

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