Gálatas 2 – O apóstolo Pedro é repreendido

A dissimulação do apóstolo Pedro contagiou outros cristãos de origem judaica, de forma que até Barnabé se deixou levar e se afastou dos cristãos convertidos dentre os gentios.


As Origens do Apóstolo

1 DEPOIS, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé, levando também comigo Tito.

Somente após quatorze anos, o apóstolo Paulo deliberou ir a Jerusalém para novamente falar com os apóstolos que conviveram com Cristo.

Paulo foi a Jerusalém acompanhado de Barnabé e Tito.

 

2 E subi por uma revelação, e lhes expus o evangelho, que prego entre os gentios, e particularmente aos que estavam em estima; para que de maneira alguma não corresse ou não tivesse corrido em vão.

Paulo deixa claro que ‘subiu’ a Jerusalém motivado por uma revelação.

O apóstolo Paulo aproveitou a oportunidade, e fez uma exposição do evangelho que pregava aos gentios. A exposição foi direcionada àqueles que eram estimados pela igreja de Jerusalém.

Ele expôs o evangelho que estava sendo pregado aos gentios com o intuito de verificar se não havia nenhuma discrepância entre o evangelho que estava anunciando, comparando com o evangelho exposto pelos outros discípulos.

Paulo não queria correr em vão, e estava disposto até mesmo a corrigir qualquer desvio ou discrepância quanto ao que ele estava apregoando aos gentios. Esta exposição, ou verificação, foi realizada durante o concílio em Jerusalém.

A exposição de Paulo foi diante de alguns irmãos que ‘pareciam’ ter um maior destaque. Ele demonstra que ‘pareciam’ ser, porque diante do evangelho de Cristo, a aparência do homem não é levada em conta. O que tem valor diante de Deus, é a fé que opera pelo amor (v. 6).

 

3 Mas nem ainda Tito, que estava comigo, sendo grego, foi constrangido a circuncidar-se;

A atitude daqueles que ouviram a exposição do evangelho apregoado aos gentios, demonstrou que o anunciado por Paulo estava em conformidade com o evangelho apregoado pelos outros apóstolos de Cristo.

Aceitaram o apóstolo Paulo de bom grado, e nem mesmo recriminaram a Tito, seu companheiro grego a circuncidar-se. A atitude deles demonstrou de maneira clara que o evangelho proclamado por Paulo estava em conformidade com o evangelho anunciado pelos outros apóstolos e por Cristo.

A expressão ‘nem mesmo’ demonstra que, se algum cristão precisava cumprir com alguma determinação decorrente da lei, este alguém deveria ser Tito: ele era grego e incircunciso. Caso os apóstolos de Jerusalém estivessem apregoando a circuncisão, o primeiro a ser recriminado seria Tito, pois ele era grego e incircunciso.

 

4 E isto por causa dos falsos irmãos que se intrometeram, e secretamente entraram a espiar a nossa liberdade, que temos em Cristo Jesus, para nos porem em servidão;

A exposição do evangelho que Paulo pregava entre os gentios se fez necessário porque havia em Jerusalém falsos irmãos.

Os ‘falsos irmãos’ são caracterizados por tentarem levar os servos de Cristo à servidão da lei. Eles observavam a liberdade dos cristãos concedida por Cristo (não observância da lei mosaica), para tentarem levar cativo os cristãos incautos.

O objetivo de Paulo ao demonstrar que expôs o evangelho de Cristo aos outros apóstolos, e que em nada foi contestado, era dirimir qualquer dúvida dos cristãos quanto as falsas doutrinas dos judaizantes, e defender o seu apostolado.

 

5 Aos quais nem ainda por uma hora cedemos com sujeição, para que a verdade do evangelho permanecesse entre vós.

Paulo não se submeteu as determinações judaizantes, nem mesmo por um instantes, por ser aquele um momento estratégico e decisivo para a continuidade da verdade do evangelho ( At 15:2 -5).

Estrategicamente, para a propagação do evangelho entre os judeus, Paulo fez com que Timóteo fosse submetido à circuncisão. Não foi circuncidado para salvação, e sim para que eles obtivessem uma melhor abertura quanto à proclamação do evangelho ( At 16:3 ). Porém, quanto da visita a Jerusalém, Paulo demonstra que não devemos nos curvar, nem por uma hora, a ensinamentos errôneos.

Não podemos ser condescendestes a erros que comprometam a verdade do Evangelho.

 

6 E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram;

Ao interpretar as cartas de Paulo, o leitor deve ter em mente que várias vezes ele quebra a seqüência da narração principal, faz uma pequena abordagem em um aspecto secundário a esclarecer, e em seguida, volta a discorrer sobre o tema central.

Exemplos típicos de quebra na narração encontra-se neste capítulo: o verso dois deste capítulo é uma continuação da narração histórica das viagens que Paulo realizou, sendo que o verso três foi inserido somente para demonstrar que o evangelho por ele anunciado, foi confirmado pelos outros apóstolos.

O verso três aparece isolado no texto, e somente torna-se compreensível por causa do contexto geral da carta. Já o verso quatro explica o porquê dele ter exposto o evangelho anunciado aos gentios, aos cristãos de Jerusalém.

O verso cinco demonstra qual a atitude e posicionamento de Paulo frente aos judaizantes, e neste verso, ele volta a explicar porque classificou algumas pessoas da igreja de ‘parecer ser alguma coisa’.

Paulo procurou, dentre os cristãos de Jerusalém, aqueles que aparentemente detinham maior destaque, e expôs o evangelho (v. 2). Porém, a aparência que era tida em destaque no seio da igreja de Jerusalém, nada acrescentou a Paulo (v. 6).

A aparência destes cristãos, que eram tidos em destaque, teve o seu valor a seu devido tempo. Paulo refere-se a este ‘outro’ tempo como se dele nem se lembrasse mais.

Noutro tempo refere-se ao tempo em que os cristãos ainda eram trevas, ao tempo em que os cristãos eram considerados incircuncisos pelos da circuncisão. Noutro tempo refere-se ao passado dos cristãos, quando andavam segundo o curso deste mundo ( Ef 2:11 ; Ef 5:8 e Cl 1:21 ).

Aqueles que pareciam ter destaque na igreja através da aparência que detinham (aparência do homem), não tiveram nada a acrescentar à pregação de Paulo.

 

7 Antes, pelo contrário, quando viram que o evangelho da incircuncisão me estava confiado, como a Pedro o da circuncisão

A mesma autoridade que Pedro teve entre os judeus ao pregar o evangelho, os cristãos em Jerusalém reconheceram que Paulo detinha ao comunicar a graça de Deus entre os gentios.

A autoridade de Paulo tornou-se evidente aos irmãos de Jerusalém através da exposição.

 

8 (Porque aquele que operou eficazmente em Pedro para o apostolado da circuncisão, esse operou também em mim com eficácia para com os gentios),

Os irmãos reconheceram o apostolado de Paulo, e que Deus operava por intermédio de Paulo da mesma forma que operava com Pedro.

O serviço de Paulo e Pedro em prol do evangelho não se apoiou em homens, mais em Deus.

Deus operou eficazmente tanto com Paulo quanto com Pedro. A intrepidez de Pedro ao falar do evangelho aos da circuncisão foi semelhante à de Paulo quando anunciava a mensagem do evangelho aos gentios.

 

9 E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão;

O relato de Paulo aos cristãos da Galácia demonstra que o evangelho que ele anunciava nunca esteve divorciado do que era apregoado pelos outros apóstolos.

Pedro, João e Tiago eram considerados como colunas da igreja, e quando se inteiraram do serviço desenvolvido por Paulo entre os gentios, não o recriminaram. Antes, estenderam-lhe a mão demonstrando que estavam e plena comunhão.

Com isso, estava claro que Tiago, Pedro e João também aceitaram o serviço de Barnabé, que trouxe o apóstolo Paulo aos outros apóstolos ( At 9:27 ). A comunhão foi estabelecida e definiram duas frentes de evangelismo: os de Jerusalém iriam aos judeus e Paulo e Barnabé aos gentios.

 

10 Recomendando-nos somente que nos lembrássemos dos pobres, o que também procurei fazer com diligência.

A única recomendação a Paulo não se referia ao conteúdo do evangelho, mas a administração de alguns bens direcionados aos pobres. Com isso fica demonstrado que nenhum apóstolo de Jerusalém contestou o evangelho anunciado por Paulo.

Após receber a determinação dos pais da igreja com referência ao cuidado com os pobres, Paulo passou a cumpri-la a risca. Este cuidado fica demonstrado nas cartas aos Corintos, em que ele busca incessantemente a ‘sinceridade do amor’ dos irmãos ( 2Co 8:8 ).

Todas as vezes que Paulo vai tratar do cuidado que se deve ter com os pobres, ele interrompe a seqüência da narração e introduz o tema desta forma: “Ora, quanto a coleta para os santos…” ( 1Co 16:1 );“E agora, irmãos…” ( 2Co 8:1 ); “Ora, quanto a assistência…” ( 2Co 9:1 ).

Isto demonstra que as verdades do evangelho já havia sido anunciado pessoalmente, porém, havia a necessidade de se enfatizar em suas cartas a necessidade da contribuição para sustento dos pobres, conforme a recomendação que recebera.

 

11 E, chegando Pedro à Antioquia, lhe resisti na cara, porque era repreensível.

A chegada de Pedro a Antioquia deveria confirmar o evangelho pregado por Paulo, entretanto, o comportamento dele não condizia com a verdade do evangelho.

Como o comportamento de Pedro poderia influenciar o evangelho de Cristo, por ele ser uma das colunas da igreja, Paulo não se conteve, e o resistiu, ou seja, repreendeu.

Paulo levantou-se contra a atitude de Pedro, mesmo ele sendo uma das colunas da igreja. Aquele comportamento de Pedro, embora fosse normal para ele, poderia por em risco a essência do evangelho.

Paulo se posicionou contra a atitude que poderia trazer um entrave ao evangelho, e não contra a pessoa de Pedro. Em momento algum houve uma disputa por posição.

 

12 Porque, antes que alguns tivessem chegado da parte de Tiago, comia com os gentios; mas, depois que chegaram, se foi retirando, e se apartou deles, temendo os que eram da circuncisão.

Aqui está o motivo da repreensão de Paulo a Pedro.

Pedro estava comendo com os gentios, e quando percebeu que Tiago estava chegando com outros irmãos, e que estes irmãos eram da circuncisão, um sentimento de temor tomou o coração de Pedro, que o fez se apartar dos gentios, para se acomodar junto aos da circuncisão.

De maneira explicita, Pedro se retirou do meio dos cristãos ‘gentios’ por temer os da circuncisão.

 

 

13 E os outros judeus também dissimulavam com ele, de maneira que até Barnabé se deixou levar pela sua dissimulação.

A dissimulação de Pedro contagiou outros cristãos de origem judaica, de forma que até Barnabé se deixou levar.

Paulo toca em um assunto muito interessante: a questão comportamental. Não podemos assumir uma postura que vá contra os princípios bíblicos. Se Deus não faz acepção de pessoas, nós, como cristãos, devemos ter uma postura conforme os princípios da escritura.

Nada faz os homens diferentes diante de Deus, a não ser o novo nascimento.

 

14 Mas, quando vi que não andavam bem e direitamente conforme a verdade do evangelho, disse a Pedro na presença de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios, e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?

Aqui há vários exemplos a se seguir. Exemplos da parte de Paulo e da parte de Pedro:

  • Paulo saiu em defesa do evangelho, sem buscar uma posição ‘melhor’, ou de destaque na igreja;
  • A repreensão foi na frente de todos. Paulo não fez um comentário de cunho faccioso. Ele não queria um ambiente de fofocas;
  • A repreensão foi na presença de todos, para que nenhum dos cristãos que presenciaram a dissimulação saíssem com a idéia de que havia um distinção entre judeus e gentios após a conversão;
  • A palavra foi dirigida a Pedro, o responsável por aquele clima de dissimulação;
  • Pedro, um dos principais da igreja, foi bastante humilde para aceitar a correção;
  • Pedro não utilizou o seu prestígio para desculpar-se ou agir arrogantemente;
  • O erro de Pedro fixa-se em uma pequena questão comportamental, porém, se não fosse repreendida a tempo, tornar-se-ia um problema que acabaria por afetar a sua vida espiritual.

Há várias lições nestes versículos, mas a abordagem do apóstolo dos gentios demonstra que jamais um cristãos deve aceitar passivamente pensamentos e comportamentos de outros cristãos que não condizem com o a verdade do evangelho.

Os líderes precisam aprender com o apóstolo Pedro humildade, como servos de Cristo, e não serem senhores de si mesmso.

O apóstolo Paulo argumenta: O que motiva alguém que vive como gentil, exigir que os gentios vivessem como judeus?

 

A fé em Cristo

15 Nós somos judeus por natureza, e não pecadores dentre os gentios.

Paulo construiu aqui, uma frase que demonstra a falsa superioridade dos judeus.

Por natureza os da circuncisão eram judeus e pecadores. Sem contradição alguma, pois todos os homens pecaram em Adão.

A condição de judeu é determinada pela filiação em Abraão (natural), e não por Deus. Da mesma forma que a condição de pecadores não decorre de Deus, mas da natureza decaída herdada de Adão.

 

16 Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada.

Paulo enfatiza um saber comum a todos cristãos: o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Cristo!

Todos os cristãos creram em Cristo para serem justificados, uma vez que era de conhecimento que pelas obras da lei ninguém é justificado.

Como a lei não pôde justificar, é Cristo quem justifica.

 

 

17 Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é porventura Cristo ministro do pecado? De maneira nenhuma.

Todos os cristãos professavam que eram salvos (justificados) pela fé em Cristo (v. 16), o que leva a concluir que todos buscaram a Cristo para serem justificados.

Os cristãos estavam professando uma verdade, mas demonstravam que não entendiam o que era ser justificado em Cristo.

Como os cristãos haviam procurado justificação em Cristo por meio da fé, e não por intermédio das obras da lei, é certo que eles haviam deixado de ser pecadores. Não é razoável ser justificado em Cristo, e ao mesmo tempo permanecer sendo pecador.

Um judeu por natureza é pecador, e se permanecer separado da vida que há em Deus, será achado pecador. Mas, qualquer homem que se refugiar em Cristo, for ainda achado pecador, é o mesmo que dizer que Cristo está sendo ministro do pecado. Que contradição!

O apóstolo não está falando de comportamento, de condutas errôneas, mas da cadeia, ou da natureza que prende todos os homens que não tem a Cristo como Senhor.

Paulo é bem claro: Se após estar em Cristo, o cristão ainda permanecer sendo pecador, ou seja, de posse da velha natureza herdada em Adão, Cristo haveria de ser ministro do pecado.

Só em expor este raciocínio, Paulo interpõe uma ressalva: De maneira nenhuma! Ou seja, o cristão deixa de ser pecador.

Este fato é atestado também pelo apóstolo João: “Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado. Porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus” ( 1Jo 3:9 ). Por que o cristão não peca? Porque o homem que creu em Cristo compartilha da natureza divina ( 2Pe 1:4 ).

Se qualquer que é nascido de Deus não comete pecado, todos quantos não são nascidos de Deus cometem pecado.

Para ser nascido de Deus é preciso ter a semente de Deus, isto demonstra que aqueles que não tem a semente de Deus (a palavra do evangelho), são nascidos da vontade da carne, da vontade do varão e do sangue ( Jo 1:13 ).

Paulo queria que os cristãos compreendessem que, se mesmo após serem justificados em Cristo, ainda estivessem necessitados da lei para serem justificados, ainda estavam em pecado, e Cristo estaria assumindo o papel de ministro do pecado.

É certo que Cristo morreu pelos cristãos, sendo eles (nós) ainda pecadores. Quando o homem aceita a Cristo, ainda está na condição de pecador. Depois de aceitá-lo, porém, vive um novo tempo de paz, amor e justiça, pois é uma nova criatura em Cristo Jesus.

‘Noutro tempo’ éramos pecadores, hoje, estamos assentados nas regiões celestiais em Cristo. A condição do Cristão hoje difere totalmente em essência, da condição de outrora.

 

18 Porque, se torno a edificar aquilo que destruí, constituo-me a mim mesmo transgressor.

Este versículo é significativo para a compreensão da salvação.

Paulo estava alertando que, caso os cristãos voltassem a seguir a lei, estariam se constituindo transgressores.

Não era Cristo que estava lançando fora os cristãos, antes, eles mesmos estavam lançando mão de conceitos errôneos, que os levaria de volta a perdição.

O versículo evidencia que em momento algum a salvação de Deus deixa de ser efetiva na vida do crente. A salvação em Cristo é poderosa e eterna, e desde que permaneça em Cristo, o homem jamais se perderá. Porém, se este mesmo homem voltar a edificar o que antes havia destruído, voltará a ser transgressor diante de Deus.

O homem deve crer em Deus para ser salvo, porém, a fé tem uma obra: a perseverança, conforme disse Tiago.

Aqueles que estão perante o Pai, jamais serão lançados fora, mas se o homem recuar, há de trazer sobre si perdição.

Se a salvação fosse segundo a idéia da ‘predestinação’ anunciada pelos reformadores, ou decorresse de um destino previamente traçado, conforme a mentalidade humana atina, não haveria a necessidade de alertar os cristãos quanto aos possíveis desvios. Paulo não precisaria falar em perseverança na fé proposta, e nem mesmo haveria a necessidade de defender o evangelho.

O que foi destruído por meio da fé em Cristo, e que Paulo fala de sua reedificação? A carne do pecado por meio do corpo de Cristo. Como e quando ocorre a destruição da carne? Quando se morre com Cristo, conformando-se com o seu sofrimento, morte e sepultamento. Em outro lugar Paulo fala da circuncisão de Cristo, que é o despojar do corpo da carne. Que é o desfazer-se por completo da carne, e não só do prepúcio ( Cl 2:11 -13).

Paulo argumentou que, se torno a edificar o que destruí, acabo por tornar transgressor, ou seja, o homem volta a condição de antes, pecador e sob o domínio do pecado.

Quando se morre com Cristo e ressurge com ele, a inimizade com Deus é desfeita através da carne do seu corpo, isto é, pelo novo e vivo caminho ( Hb 10:20 ).

 

19 Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus.

Paulo demonstra que, perante a lei, ele estava morto, e que não possuía vínculo algum com ela, visto que o apóstolo já havia morrido com Cristo.

O objetivo de não mais cumprir a lei era o de viver para a Deus, e não para a lei.

Observe que a própria lei isentava o apóstolo quanto a sua submissão, visto que ele estava morto para a lei.

 

 

20 Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.

Paulo se considerava morto, uma vez que foi crucificado com Cristo. Observe que a nossa crucificação é com Cristo, ou seja, juntamente com ele, e não a parte dele.

Mesmo que milhares de pessoas morreram crucificados, a nossa morte não tem relação alguns com elas. Há argumentações que tentam demonstrar que a nossa morte é lenta, conforme a morte de algumas pessoas que foram crucificadas à época de Cristo. Outros tentam demonstrar que alguns cristãos ainda não morreram, devido ao fato de que alguns condenados pelo governo Romano eram tirados da cruz pelos seus familiares, permanecendo vivos, mas tidos como mortos.

Seja anátema tal ensinamento! Cristo diz: “…se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmo” ( Jo 6:53 ; 2Tm 2:11 ; 2Co 5:14 ; 1Co 15:36 ). É preciso ser participante da carne e do sangue, ou seja, morrer com Cristo, e não ‘aparte’ d’Ele.

Todos aqueles que crêem que Cristo morreu em favor dos pecadores, tornam-se participantes da morte de Cristo e recebem poder para serem feitos filhos de Deus: nascidos não da vontade da carne, do sangue ou da vontade do varão, mas de Deus.

A ideia de que a morte do cristão se dá aos moldes da crucificação Romana não é consistente, visto que a nossa morte é conforme a morte do Santo Cristo: “Para conhecê-lo, e a virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme a sua morte” ( Fl 3:10 ).

 

“Pois, se nós, que procuramos ser justificados em Cristo, nós mesmos também somos achados pecadores, é por ventura Cristo ministro do pecado? De maneira alguma” v. 17.

 

“Se procuramos ser justificados por Cristo é para que não sejamos pecadores, mas se fomos achados pecadores mesmo após estarmos com Cristo, Ele tornar-se-ia ministro do pecado. Visto que Cristo não é ministro do pecado, nós não podemos ser mais tido por pecadores”

Se estamos em Cristo e ainda continuamos sendo pecadores e necessitados da lei, só resta desesperança.

O ‘Eu’ que Paulo utiliza nos versos 19 e 20 é figurativo, ou seja, representa o velho homem de Paulo. ‘Eu’ pela lei estou morto, ou, ‘eu’ estou crucificado com Cristo. Quando Paulo fala da sua pessoa, ele enfatiza com a palavra ‘mesmo’, ou seja: “Eu mesmo” ( 2Co 8:13 ; Rm 9:3 ).

Paulo (eu) estava morto, e não mais vivia, ou seja, agora, Cristo vivia nele. Por se uma nova criatura, o que é o mesmo que estar em Cristo, segue-se que Cristo vivia em Paulo.

A vida que Paulo passou a viver na carne, apoiava-se em Deus, diferente da vida de outrora, que se apoiava na lei e nas tradições de seus pais.

 

21 Não aniquilo a graça de Deus; porque, se a justiça provém da lei, segue-se que Cristo morreu debalde.

Deus é fiel e jamais retira a sua salvação de sobre os seus servos A graça de Deus, de maneira alguma será retirada, visto que ele é fiel e poderoso para suster os seus servos ( Rm 8:31 -39). Em Deus a salvação é eterna! Deus jamais encolherá a sua mão quanto ao propósito de salvar.

Mas esta passagem é peculiar: Deus é fiel e poderoso para cumpri o que prometeu, mas é possível ao homem aniquilar a graça de Deus?

Paulo argumenta que Ele não aniquilaria a graça recebida, visto que não mais se utilizava da lei para se justificar. Se Paulo não anula a graça, verifica-se que o homem pode rejeitar a graça de Deus quando lança mão da lei para se justificar “…da graça tendes caído” ( Gl 5:4 ).

Paulo vai além: se alguém considerar que a justiça vem da lei, está dizendo que a morte de Cristo foi em vão.

O verso 21 soma-se ao 18: Se torno a edificar aquilo que destruí, anulo a graça de Deus!

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Colossenses 2 – Perfeitos em Cristo

Ao ser franco com os seus leitores, o apóstolo Paulo demonstra o seu cuidado. Os cristãos precisavam de conhecimento espiritual para não serem enganados com palavras persuasivas. A falta de conhecimento deixa os cristãos suscetíveis as inúmeras investidas dos falsos profetas, falsos apóstolos, falsos mestres, etc “Ninguém vos engane com palavras vãs, pois por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” ( Ef 5:6 ).


Falsas Doutrinas

1 Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodiceia, e por quantos não viram o meu rosto em carne;

O capítulo dois da carta de Paulo aos Colossenses demonstra a motivação do apóstolo ao escrever aos cristãos: grande empenho na batalha pelo evangelho, principalmente pelos que não o viram em pessoa.

O que motivou o escritor da carta não pode ficar em segundo plano, uma vez que a motivação mescla-se com a ideia geral da carta.

Paulo escreveu aos de Colossos para demonstrar o seu cuidado pela igreja de Deus ( Cl 1:24 ), principalmente àqueles que não tiveram um contato pessoal com o apóstolo.

O teor da carta também poderia ser exposta aos cristãos de Laodiceia, pelo mesmo motivo: eles ainda não tinham visto o rosto do apóstolo ( Cl 4:16 ).

 

2 Para que os seus corações sejam consolados, e estejam unidos em amor, e enriquecidos da plenitude da inteligência, para conhecimento do mistério de Deus e Pai, e de Cristo,

1- O combate do apóstolo visava consolar os corações dos cristãos! “Que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus” ( 2Co 1:4 ). A ideia que o apóstolo Paulo demonstra acerca da consolação é melhor compreendido quando se lê o versículo acima.

2- Fazê-los unidos em amor, e não através de vínculos consanguíneos, ou um código de leis – “Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco” ( 2Co 13:11 ).

3- O combate do apóstolo busca enriquecer os cristãos da plenitude da inteligência (mente de Cristo) “Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” ( Cl 1:9 ). Além de pedir a Deus que eles fossem cheios do conhecimento da sua vontade, Paulo também combatia para que eles fossem enriquecidos!

Em momento algum Paulo promete riquezas materiais aos cristãos, antes ele lutava para que os cristãos fossem abastados do conhecimento pleno da vontade de Deus.

O objetivo de Paulo também está expresso aos Filipenses “Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo, para que, quer vá e vos veja, quer esteja ausente, ouça acerca de vós que estais num mesmo espírito, combatendo juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho” ( Fl 1:27 ).

A carta foi escrita com o intuito de demonstrar que:

1. O apóstolo Paulo estava alegre em poder sofrer em prol dos cristãos ( Cl 1:24 );

2. Que ele foi feito ministro do evangelho segundo Deus ( Cl 1:5 );

3. O mistério de Deus possui riquezas ( Cl 1:7 );

4. O serviço do apóstolo era anunciar, admoestar e ensinar a todos os homens ( Cl 1:28 );

5. Paulo cumpria o seu ministério demonstrando Cristo aos homens, o mistério revelado, em quem está todos os tesouros.

 

3 Em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência.

Em Cristo está escondido todos os tesouros da sabedoria e da ciência, ou seja, se o cristão prosseguir em conhecer a Cristo, alcançará a plenitude da inteligência espiritual.

Enquanto muitos tinha a lei como um tipo de ‘ciência’ e de verdade, Cristo é quem revela todos os tesouros da sabedoria e ciência.

 

4 E digo isto, para que ninguém vos engane com palavras persuasivas.

Paulo demonstra o seu cuidado ao ser franco com os seus leitores. Eles precisavam de conhecimento espiritual para que ninguém pudesse enganá-los com palavras persuasivas.

Paulo aponta aos seus leitores que a falta de conhecimento pode deixar os cristãos suscetíveis a investidas dos falsos profetas, falsos apóstolos, falsos mestres, etc “Ninguém vos engane com palavras vãs, pois por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência” ( Ef 5:6 ).

 

5 Porque, ainda que esteja ausente quanto ao corpo, contudo, em espírito estou convosco, regozijando-me e vendo a vossa ordem e a firmeza da vossa fé em Cristo.

Mesmo não os tendo visto pessoalmente, Paulo demonstra que estava vinculado a eles em espírito, o que motivava o cuidado e a alegria do apóstolo ( 1Co 12:13 ). Paulo estava alegre em saber de Epafras que os irmãos de Colossos eram dedicados e firmes na fé em Cristo.

 

 

Viver e Andar em Espírito

6 Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele,

Este versículo arremata a idéia do versículo anterior e o complementa.

Para uma melhor interpretação dos escritos das cartas de Paulo, faz-se necessário que o leitor observe todos os pronomes, as conjunções, os conectivos, etc.

Observe este versículo como exemplo.

“Como, pois, recebestes….” ou, “Portanto, assim como recebestes…” refere-se a uma conjunção conclusiva. Com base em elementos apresentados no versículo anterior, Paulo conclui a ideia e apresenta um novo elemento:

Dados anteriores: “…da vossa fé em Cristo” – A fé é a maneira pela qual recebemos a Cristo, ou antes, somos recebidos por Ele.

Conclusão: “…recebestes o Senhor Jesus Cristo…” receberam a Cristo, ou antes, foram recebidos por Ele por meio da fé.

Nova ideia: “…assim também andai nele,…” O apóstolo concita aqueles que foram recebidos por Cristo a que andassem nele! Como? Por meio da fé!

Observe que ‘também’ é uma locução conjuntiva aditiva enfática, ou seja, o termo da oração ‘também’ refere-se a um elemento anterior: a fé. Da mesma forma que por meio da fé os cristãos haviam recebido a Cristo, também, por meio da fé, deveriam andar em Cristo ( Cl 1:10 ).

A ideia deste versículo ecoa por quase todas as carta de Paulo:

“Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele” (v. 6), contém a mesma ideia expressa aos Gálatas: “Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito” ( Gl 5:25 ).

Aquele que recebe a Cristo, passa a viver no Espírito, e quem recebeu a Cristo, deve andar nele ou andar no Espírito.

Um resumo claro desta verdade encontra-se na carta aos Efésios: “Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Andai como filhos da luz” ( Ef 5:8 ).

 

7 Arraigados e edificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, abundando em ação de graças.

Eles deveriam andar arraigados e edificados em Cristo.

Este versículo não apresenta todos os elementos sobre como andar em Cristo. Para isso necessitamos de outras cartas para melhor definir o que é andar em Cristo “Se vivemos em Espírito, andemos também em Espírito” ( Gl 5:25 ).

Enquanto ‘viver no Espírito’ fala da nova vida adquirida por meio de Cristo, o ‘andar em Espírito’ fala de questões comportamentais pertinentes àqueles que são recebidos por filhos de Deus. Este conceito é melhor abordado no comentário a Carta de Paulo aos Gálatas.

“Por isso não deixarei de exortar-vos sempre acerca destas coisas, ainda que bem as saibais, e estejais confirmados na presente verdade” ( 2Pd 1:12 ). Os cristãos deveriam estar confirmados na fé, ou seja, na presente verdade.

Eles não deveriam demover daquilo que foram ensinados, sendo sempre agradecidos a Deus.

 

8 Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;

O contexto muda para exortação.

‘Tende cuidado’ – Esta exortação tem muito a dizer! Por que há a necessidade de cuidado? O que ocorre se alguém for feito presa de outrem? Como o apóstolo apresenta um cuidado a ser observado, isto demonstra há riscos em um cristão tornar-se presa de outrem.

Paulo aponta dois tipos de argumentação que poderá levar os cristãos a serem presas se não tiverem o devido cuidado: filosofia e vãs sutilezas.

Para o apóstolo, a filosofia é segundo a tradição dos homens, ou segundo os princípios pertinentes ao mundo. Tais princípios poderiam ser introduzidos sutilmente no seio da igreja local, comprometendo os seus integrantes. Vemos este perigo quando falsos cristãos tentam conciliar filosofia oriental com o evangelho de Cristo.

Paulo procurou divisar ‘tradições dos homens’ de ‘rudimentos do mundo’ é que produzem a filosofia humana. Não há mal naquilo que a tradição humana produz, no entanto, se o homem pensa que conhecerá Deus ou que pode alcançar a salvação por meio dela, ai sim, estará completamente enfatuado em sua mente carnal.

Já com relação às coisas pertinentes a salvação, é segundo Cristo, mistério de Deus revelado aos homens. Só através da revelação divina podemos conhecer a Deus, e Cristo nos revelou o Pai.

 

9 Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade;

Paulo retoma a ideia do versículo seis “Como, pois, recebestes o Senhor Jesus (…) Porque nele habita corporalmente a plenitude da divindade”, conforme foi exposto nos versículos 15 a 22 do capitulo 1.

 

10 E estais perfeitos nele, que é a cabeça de todo o principado e potestade;

Por meio de filosofias e vãs sutilizas alguém estava prometendo aos cristãos algo que não era segundo Cristo. Mas Paulo demonstra que ‘em Cristo’ os cristãos já eram perfeitos. Eles estavam oferecendo algo, segundo a tradição dos homens e segundo os rudimentos do mundo que auxiliasse os cristãos a chegarem o mais próximo da perfeição.

Paulo demonstra que em Cristo eles já eram perfeitos, e, portanto, não precisavam daqueles ensinamentos.

 

11 No qual também estais circuncidados com a circuncisão não feita por mão no despojo do corpo da carne, a circuncisão de Cristo;

O apóstolo Paulo passa a demonstrar a perfeição alcançada em Cristo, que é a cabeça de todo principado e potestade.

O primeiro elemento da perfeição a se considerar: a circuncisão de Cristo.

Enquanto a circuncisão de Moisés era feita por meio de mãos de homens, a circuncisão de Cristo não é operada por mãos humanas.

Em Cristo eles foram circuncidados com uma circuncisão que despojou toda a carne, e não só o prepúcio. A circuncisão de Cristo é perfeita, pois se ocupa com toda a carne, e não só com aspectos cerimoniais da lei.

A circuncisão de Cristo é perfeita, pois pode alcançar tanto homens quanto as mulheres; gregos e romanos; escravos e livres, etc. Em Cristo podemos cumprir o que determina a lei:

“Circuncidai, pois, o prepúcio do vosso coração, e não mais endureçais a vossa cerviz” ( Dt 10:16 );

“Circuncidai-vos ao SENHOR, e tirai os prepúcios do vosso coração, ó homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que o meu furor não venha a sair como fogo, e arda de modo que não haja quem o apague, por causa da malícia das vossas obras” ( Jr 4:4 ).

12 Sepultados com ele no batismo, nele também ressuscitastes pela fé no poder de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.

O segundo elemento da perfeição em Cristo é: sepultados com Cristo no batismo, ou seja, o batismo representa aquilo que o cristão alcança pela fé. Da mesma forma que se é sepultado em Cristo, o cristão ressurge TAMBÉM nele, por meio da fé em Deus, que ressuscitou a Cristo dentre os mortos.

 

13 E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas,

O que Deus operou não podia ser ignorado. Quando se estava morto em pecado e na incircuncisão da carne, ou seja, a carne estava viva segundo o pecado, Deus vivificou os que creram na mensagem do evangelho juntamente com Cristo, e perdoou todas as ofensas.

Tudo o que Deus operou nos cristão deixou-os perfeitos como perfeito é o último Adão. Os cristãos passaram a ser participantes da natureza de Cristo ( 2Pe 1:4 ).

 

14 Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz.

Havia uma dívida que o homem não podia pagar, e Deus a riscou. Paulo refere-se a lei, que além de tornar evidente a condição pecaminosa do homem, também o deixou com uma dívida por não conseguir cumprir as ordenanças “…desfazendo na sua carne a lei dos mandamentos…” ( Ef 2:14 -15).

A lei é nomeada de ‘escrito de dívida’, isto por causa da obrigação de cumpri-la integralmente para que o homem pudesse viver por meio dela. A divida foi anulada quando cravada na cruz.

 

15 E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.

Por meio do ato descrito anteriormente, Deus tomou o que era de valor para os principados e potestades. Ao riscar a cédula, ou ao tirar a lei, Deus retirou, ou seja, despojou os principados e potestades daquilo que dava força ao pecado e a lei.

Os principados e potestades neste versículo referem-se as hostes espirituais da maldade, conforme a carta de Paulo aos Efésios “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais” ( Ef 6:12 ). Diferente do que é exposto em ( Tt 3:1 ).

 

16 Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados,

Conclui-se: se os cristãos eram perfeitos em Cristo, ninguém podia assumir a condição de juízes, ou seja, que ninguém vós julgue!

A ninguém é dada a autonomia de julgar o que os cristãos comem, bebem, festejam, comemoram, etc. A ninguém é dado julgar os servos e Deus por causa de dias de festas, ou dias de luas, ou de sábados.

A bíblia apresenta alguns motivos:

a) receberemos o louvor de Deus, e não de homem algum ( 1Co 4:5 );

b) Deus recebeu a todos ( Rm 14:3 );

c) Não se pode julgar o servo alheio ( Rm 14:4 );

d) Cada um deve estar seguro em sua própria mente ( Rm 14:5 ); etc.

 

17 Que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo.

Cada elemento que a lei apresentava acerca das comidas, das bebidas, das festas, dos dias, dos sábados e luas, apenas apontavam para elementos futuros, não sendo a imagem exata das coisas “Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam” ( Hb 10:1 ).

Os elementos que a lei apresenta são para cuidados do corpo (comer, beber, festas, descansos, etc), só que o corpo (igreja) pertence a Cristo.

Segue-se que o corpo de Cristo é prefeito, pois ele tem cuidado de todos vós ( 1Pe 5:7 ).

 

 

Regras de Homens

18 Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão,

O apósotlo Paulo ordena: ninguém vos domine! Quando o apóstolo Paulo disse ninguém, é ninguém mesmo. Não há exceção!

Qualquer um que venha com teorias e idéias que estabeleça algum domínio sobre o cristão, e o apóstolo dá exemplo, deve ser descartado. Os judaizantes se apresentavam sob a roupagem de uma pretensa humildade dizendo-se sujeitos a lei e mascaravam as suas doutrinas sob o pretexto de reverencia aos profetas (culto aos anjos); estabelecem o domínio sobre os outros alegando terem visões, no entanto, estes possuem uma mente carnal.

A compreensão destas pessoas que tende a dominar os outros cristãos é segundo um entendimento carnal, seguem enfatuado segundo os rudimentos do mundo e segundo as tradições dos homens.

Para estabelecer este tipo de domínio eles procuram demonstrar que ainda falta alguma coisa para se alcançar a perfeição. Para isso faz-se necessário privar o cristão daquilo que já possui, mas ninguém pode privar o cristão daquilo que já recebeu em Cristo: somos perfeitos, pois recebemos a plenitude em Cristo.

 

19 E não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus.

Aquele que está de posse de uma compreensão carnal não está ligado à cabeça, que é Cristo. De Cristo todo o corpo cresce em aumento de Deus. Observe que o corpo de Cristo cresce provido e organizado por juntas e ligaduras. Esta forma de ilustrar as verdades bíblicas é bem utilizada nesta carta e na carta de Efésios.

Enquanto a carta aos Gálatas possui várias citações do antigo testamento, esta não apresenta nenhuma citação direta.

 

20 Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como:

Paulo chama os cristãos à responsabilidade: estais mortos quanto aos rudimentos do mundo e por que ainda se submetiam a ordenanças da lei? Se eles estavam se submetendo a lei, isto significava que ainda se comportavam como se vivessem no mundo.

 

21 Não toques, não proves, não manuseies?

O cristão não pode ser sobrecarregado de ordenanças como se dependesse delas para viver para Deus. O homem vive para Deus segundo a sua palavra, e não segundo aquilo que pretensos juízes estipulam para a vida do próximo.

Se alguém acredita que terá vida em Deus simplesmente porque não toca certas coisas, ou porque não prova certos alimentos e prazeres, ou porque não manuseia certos objetos, está completamente enfatuado em sua mente carnal.

 

22 As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens;

A filosofia demonstra que tudo que há em baixo dos céus perece pelo uso, e por que alguns ainda estabelecem regras firmadas nestes princípios humanos?

 

23 As quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne.

As regras e as doutrinas dos homens possuem aparência, mas não são efetivas para o que se pretende. Parece sabedoria, apresenta uma devoção voluntária, aparenta humildade, parece que o homem está disciplinando o corpo, mas todas estas coisas só conseguem satisfazer a carne, o próprio ego humano.

Muitos querem por meio do jejum ‘alcançar’ uma ‘espiritualidade’, mas o ser espiritual só é possível em Cristo por meio da fé. Só é possível ser espiritual quando nascemos de Deus, e não da vontade do homem.

Alguns procuram disciplinar o corpo como forma de se crescer ‘espiritualmente’, como muitas religiões a pregoam: os espíritas afirmam que podemos alcançar a condição de espíritos elevados; os budistas acreditam que podem alcançar um estágio de perfeição espiritual; as religiões orientais apregoam que é possível ao homem, por meio de uma disciplina rígida e de meditações alcançar a ‘espiritualidade’.

Mas não é assim o evangelho de Cristo. Não adianta ter uma devoção voluntária, antes é necessário nascer de novo. Como exemplo temos Nadabe e Abiu que voluntariamente foram oferecer incenso “E os filhos de Arão, Nadabe e Abiú, tomaram cada um o seu incensário e puseram neles fogo, e colocaram incenso sobre ele, e ofereceram fogo estranho perante o SENHOR, o que não lhes ordenara” ( Lv 10:1 ).

Davi voluntariamente foi buscar a arca da aliança, e a forma com que estavam conduzindo a arca não foi aceito por Deus ( 2Sm 6:2 -9). Não é desta voluntariedade que Deus faz referência.

A voluntariedade do cristão é segundo o que pediu o salmista: “Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário” ( Sl 51:12 ). Um espírito voluntário depende de Deus, que o sustêm.

O crescimento que é factível ao cristão é o crescer na graça e no conhecimento conforme assevera o apóstolo Pedro “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” ( 2Pe 3:18 ).

A aparência de humildade, a disciplina com relação ao corpo físico, a devoção como o celibato, tem aparência de sabedoria, mas não satisfaz o que Jesus disse a Nicodemos: todo homem necessariamente precisa nascer de novo.

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