O erro na definição de presciência de João Calvino

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A presciência a que o apóstolo Pedro fez referência é intrínseca ao propósito, pois o propósito de Deus era entregar o seu Filho em resgate de muitos, e por isso, anunciou de antemão, através dos profetas.


O erro na definição de presciência de João Calvino

O Substantivo προγνωσις (prognosis) – presciência

É celebre o primeiro discurso do apóstolo Pedro aos seus concidadãos no dia em que se comemorava em Jerusalém a festa judaica do Pentecostes, conforme registrado pelo evangelista Lucas.

A primeira parte do discurso do apóstolo Pedro constitui explicação à zombaria de alguns judeus que pensavam que os discípulos estavam embriagados à terceira hora do dia (Atos 2:13 -15).

Para explicar o fato de que cada judeu que se ajuntou em Jerusalém de várias partes do mundo, e que ouviram homens galileus, que nunca saíram daquela região, falando em suas línguas nativas, o apóstolo Pedro negou a especulação e que estavam embriagados e lançou mão da profecia de Joel que previa sinais e prodígios quando fosse dado do espírito de Deus a toda carne (Atos 2:15 -21).

Em seguida, o apóstolo continua o seu discurso onde é utilizado o termo que mais causa controvérsia nos últimos 500 anos de cristianismo: o substantivo προγνωσις (prognosis), comumente traduzido por ‘presciência’.

“Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós mesmos bem sabeis; A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;” (Atos 2:22-23).

Qual o significado desta palavra em função do contexto? A resposta encontra-se na oração que Pedro e João fizeram após o terceiro discurso do apóstolo Pedro perante o Sinédrio, a suprema corte judia legislativa e judicial de Jerusalém, associação de 20 ou 23 juízes (Atos 4:5 -6).

“E, ouvindo eles isto, unânimes levantaram a voz a Deus, e disseram: Senhor, tu és o Deus que fizeste o céu, e a terra, e o mar e tudo o que neles há; Que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram os gentios, e os povos pensaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, E os príncipes se ajuntaram à uma, Contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.” (Atos 4:24 -28).

No verso 24, do capítulo 4, de Atos, temos referência ao conselho de Deus, isto conforme o verso 23, do capítulo 2 de Atos:

“Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho[1]…” (At 4:28).

“A este que vos foi entregue pelo determinado conselho…” (Atos 2:23).

Ora, é certo que em ambos os textos Jesus Cristo é o tema central. O Senhor Jesus Cristo foi entregue pelo determinado conselho de Deus a homens ímpios (Atos 2:23), para fazerem tudo o que a mão e o conselho de Deus havia estabelecido (Atos 4:28).

Que ‘conselho’ é esse? A própria vontade de Deus! Deus faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade (Efésios 1:11), e foi da vontade do Pai faze-lo enfermar (Isaías 53:10), e é nesta vontade que temos sido santificados (Hebreus 10:10).

E o que o determinado conselho de Deus estabeleceu?

“Para fazerem tudo o que (…), anteriormente, determinado que se havia de fazer” (At 4:28).

E o que ‘anteriormente, determinado que se fizesse com’ o Cristo? Ele seria preso, crucificado e morto pelas mãos de injustos. Ser preso, crucificado e morto era tudo o que estava anteriormente determinado que se fizesse ao Cristo!

Comparando a exposição do apóstolo Pedro com a oração que os apóstolos Pedro e João fizeram, chega-se à conclusão que o termo ‘presciência’ se refere ao que ‘tinha anteriormente determinado’.

A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos;” (Atos 2:23).

Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.” (Atos 4:28).

Se amalgamar os versos, certo é que Cristo foi entregue aos judeus ímpios, para fazerem tudo o que a mão e o determinado conselho de Deus tinham anteriormente determinado (presciência) que se havia de fazer: prender, crucificar e matar, pelas mãos de injustos!

Isto significa dizer que ‘presciência’ não diz de um atributo ou ato divino concernente às coisas futuras, antes se refere a um conhecimento dado de antemão por Deus aos homens por intermédio dos seus santos profetas.

Observe o segundo discurso do apóstolo Pedro, quando ele faz referência ao predito nas Escrituras acerca do Cristo:

“Mas, Deus, assim cumpriu o que já dantes pela boca de todos os seus profetas havia anunciado; que o Cristo havia de padecer…” (Atos 3:18);

“E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado…” (Atos 3:20;

“Sim e todos os profetas, desde Samuel, todos quantos depois falaram, também, predisseram estes dias.” (Atos 3:24). 18, 20

A esse conhecimento acerca do Cristo, anunciado de antemão pelos profetas, o apóstolo resumiu com o termo ‘presciência’.

“Para que vos lembreis das palavras que, primeiramente, foram ditas pelos santos profetas e do nosso mandamento, como apóstolos do Senhor e Salvador.” (2 Pedro 3:2).

‘Presciência’ refere-se as vozes dos profetas que anunciaram de antemão um conhecimento acerca da vinda, sofrimento, morte e ressurreição de Cristo.

“Por não terem conhecido a este, os que habitavam em Jerusalém, e os seus príncipes, condenaram-no, cumprindo assim as vozes dos profetas que se leem todos os sábados.” (Atos 13:27);

“A qual dos profetas não perseguiram vossos pais? Até mataram os que anteriormente anunciaram a vinda do Justo, do qual vós agora fostes traidores e homicidas;” (Atos 7:52).

Ao escrever a sua primeira epístola, novamente o apóstolo Pedro utilizou o substantivo ‘presciência’, e aqui destaco o texto introdutório da epístola:

“PEDRO, apóstolo de Jesus Cristo, aos estrangeiros dispersos no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia; eleitos segundo a presciência de Deus Pai, em santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.” (1 Pedro 1:1 -2).

O apóstolo Pedro inicia a sua exposição através de uma calorosa saudação aos cristãos convertidos dentre os judeus, que naquele momento da escrita da carta estavam dispersos como forasteiros nas regiões do Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia.

Mas, apesar da condição de dispersos como estrangeiros, foram saudados como eleitos, condição decorrente de serem salvos em Cristo Jesus. O que representa a condição e/ou posição de eleito?

Não estamos analisando um processo ou critérios de escolha, antes a condição e/ou posição deque está de posse algo.

Segundo o apóstolo Paulo, os cristãos foram eleitos em Cristo para serem santos e irrepreensíveis diante de Deus (Efésios 1:4). Isto significa que o apóstolo Pedro estava escrevendo a santos e irrepreensíveis diante de Deus, apesar de estarem dispersos como estrangeiros.

A saudação do apóstolo Pedro não difere da saudação paulina:

“A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.” (Romanos 1:7);

“Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos.” (Romanos 15:25);

“À igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de nosso SENHOR Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:” (1 Coríntios 1:2);

Aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.” (Colossenses 1:2);

“No corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis,” (Colossenses 1:22);

“Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória,” (Judas 1:24).

A condição de eleito decorre de nascimento, pois, todos que creem em Cristo são de novos gerados por Deus em verdadeira justiça e santidade (Efésios 4:24), portanto, pertencentes a uma nova geração de homens santos, irrepreensíveis e inculpáveis diante de Deus (1 Pedro 2:9).

Jesus Cristo-homem é o eleito que Deus elegeu, e os que são gerados de novo, de semente incorruptível, que á a palavra de Deus, alcançaram a mesma condição de Cristo, Aquele aquém Deus elegeu antes da fundação do mundo, portanto, como membros de uma geração eleita por Deus, são santos e irrepreensíveis.

Ora, os cristãos alcançaram tão ditosa condição e/ou posição segundo o conhecimento de Deus que foi anunciado de antemão (presciência) pelos seus santos profetas:

“Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada,” (1 Pedro 1:10).

O Substantivo προγνωσις (prognosis) comumente traduzido por ‘presciência’, novamente foi utilizado pelo apóstolo da circuncisão para fazer referência ao conhecimento que os profetas profetizaram acerca da graça que foi dada aos cristãos por meio de Cristo, pela qual alcançaram a condição de eleitos: santos e irrepreensíveis.

A base da mensagem dos apóstolos era Cristo, porém, era essencial atestarem que o Cristo que mataram e que ressurgiu é o mesmo Cristo anunciado nas Escrituras pelos profetas:

“E, havendo-lhe eles assinalado um dia, muitos foram ter com ele à pousada, aos quais declarava com bom testemunho o reino de Deus, e procurava persuadi-los à fé em Jesus, tanto pela lei de Moisés como pelos profetas, desde a manhã até à tarde.” (Atos 28:23);

“Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer,” (Atos 26:22);

“Mas confesso-te isto que, conforme aquele caminho que chamam seita, assim sirvo ao Deus de nossos pais, crendo tudo quanto está escrito na lei e nos profetas.” (Atos 24:14).

Com essa exposição, conclui-se que o substantivo προγνωσις (prognosis) – presciência – diferentemente do uso que o apóstolo Paulo faz do verbo προγινώσκω (proginóskó), é um termo utilizado tão somente para destacar o conhecimento que os profetas anunciavam de antemão aos homens acerca do Cristo.

 

Presciência segundo João Calvino

João Calvino, ao falar da presciência, conforme consta no capítulo 21, do livro III, As institutas da Religião Cristã, no subtítulo ‘Predestinação e Presciência’, disse o seguinte:

“Ninguém que queira ser tido por homem de bem e temente a Deus se atreverá a negar simplesmente a predestinação, pela qual Deus adota a uns para a esperança da vida, a outros destina à morte eterna, porém, a envolvem em muitas cavilações, sobretudo os que fazem da presciência sua causa. E nós, com efeito, admitimos que a ambas estão em Deus, porém o que agora afirmamos é que é totalmente infundado fazer uma depender da outra. Quando atribuímos presciência a Deus, queremos dizer que ele tem sempre e perpetuamente permanente sob as vistas, de sorte que, ao seu conhecimento, nada é futuro ou pretérito; ao contrário, todas as coisas estão presentes, e de fato tão presentes que não as imagina como meras idéias – da maneira como imaginamos aquelas coisas das quais nossa mente retém a lembrança –, mas as visualiza e discerne como se estivessem verdadeiramente diante dele. E esta presciência se estende a todo o âmbito do mundo e a todas as criaturas.” Calvino, João, As Institutas da Religião Cristã, Livro III, Capítulo 21, Parágrafo 5 – Editora Cultura Cristã. 2º Edição, 1984. Pág. 388.

Questões arminianistas à parte, neste parágrafo, João Calvino dá ao termo ‘presciência’ definição que é própria à onisciência de Deus.

Deus como pessoa é singularidade não sujeita ao tempo, de modo que tudo para Ele se assemelha ao nosso presente, porém, sem qualquer transição para evento que lhe seja passado ou que se nomeie futuro. Os termos ‘já’, ‘agora’, melhor descrevem a existência de Deus, ao que se dá o nome de eternidade, singularidade não vinculada a espaço/tempo.

Entretanto, na teologia já há um nome que se dá a quem é detentor de todo conhecimento/saber, quer sejam passados, presentes e futuros, ou até mesmo pensamentos e intensões do coração de todos os seres, ou eventos físicos, químicos, estelares, celulares, moleculares, etc., que é onisciência.

Embora o termo onisciência não conste nas Escrituras, quando o apóstolo Pedro fez uso do substantivo προγνωσις (prognosis), e não do verbo προγινώσκω (proginóskó), assim o fez em um contexto que não descreve a natureza de Deus, antes para fazer alusão a um conhecimento dado aos homens de antemão através dos seus santos profetas.

Em outro lugar, Calvino assim diz com relação a Atos 2, verso 23, especificamente com relação a ‘presciência’:

Ora, na verdade, quando em Lucas Pedro diz que Cristo fora entregue à morte pelo determinado conselho e presciência de Deus [At 2.23], não está insinuando um Deus meramente espectador, ao contrário, o Autor de nossa salvação. Assim também o mesmo Pedro, dizendo que os fiéis, a quem escreve, foram eleitos segundo a presciência de Deus, exprime precisamente essa predestinação secreta pela qual Deus selou para si como filhos aqueles aos quais assim quis. E a palavra propósito, a qual associa à guisa de sinônimo, uma vez que, exprimindo por toda parte, em linguagem comum, como determinação fixa, não ensina que Deus sai de si mesmo em busca incerta de nossa salvação. Neste sentido ele diz, no mesmo capítulo, que Cristo foi o Cordeiro conhecido antes da criação do mundo [1Pe 1.19, 20].” (Idem). Pág. 400.

Ao termo ‘conselho’, que conta do verso 23, de Atos 2, Calvino associa o sinônimo ‘propósito’, ou ‘determinação fixa’. E ao termo ‘presciência’, após fazer uma releitura de que ‘Cristo fora entregue à morte pelo determinado conselho e presciência de Deus’, de que a ‘presciência’ de Deus, que em termos teológicos segundo a definição de Calvino seria ‘onisciência’, tem atos de Deus como autor.

Para Calvino, Deus, ao antever o futuro, determinar o futuro, como se o termo ‘presciência’, no verso em comento, se referisse a Deus, e não a um conhecimento anunciado aos homens através de mensageiros antes que soubessem ou que viesse a existência.

Já no Vol. I, Calvino amalgama ‘propósito’ ao seu conceito de ‘presciência’:

“Ora, quando Abraão dizia ao filho: “Deus proverá” (Gn 22.8), nem com isso ele queria apenas afirmar que Deus era presciente de um evento futuro, mas também queria lançar sobre a vontade daquele que costuma dar solução às coisas perplexas e confusas o cuidado de um fato que lhe era desconhecido. Do quê se segue que a providência está situada no ato. E os que admitem uma mera presciência sem qualquer propósito, nada fazem senão divagar em néscios devaneios”. (Idem) Pág. 106, vol. I.

Notemos no texto de Gênesis 22, verso 8, que Abraão não fez qualquer referência à ‘presciência’ ou ‘onisciência’ de Deus, antes ele expressa a sua confiança em Deus ao seu filho Isaque, sem ter que revelar o seu intento: obedecer a ordem divina.

“E disse Abraão: Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos.” (Gênesis 22:8).

Ora, a presciência a que o apóstolo Pedro fez referência é intrínseca ao propósito, pois o propósito de Deus era entregar o seu Filho em resgate de muitos, e por isso, anunciou de antemão, através dos profetas, oque haveria de acontecer ao seu Único Filho.

Mas, na questão de Abraão, não se tem um propósito revelado ao patriarca, somente uma ordem a qual Abraão teve que submeter-se como servo, não tendo o seu Filho por precioso.

Em outro lugar, na sua obra, Calvino faz uma interpretação de Atos 2, verso 23:

“Propõem-se os judeus eliminar a Cristo; Pilatos e seus soldados condescendem a seu perverso anseio. Entretanto, os discípulos confessam em solene oração que todos esses ímpios nada fizeram senão o que a mão e o plano de Deus haviam decretado [At 2.28]. Como já antes Pedro pregara que “Cristo fora entregue pelo determinado desígnio e presciência de Deus”, para que fosse morto [At 2.23], como e dissesse que Deus, a quem desde o começo nada foi oculto, cônscia e deliberadamente determinara o que os judeus vieram a executar, como, aliás, o reafirma em outra passagem [At 3.18]: “Deus, que predisse através de todos os seus profetas que Cristo haveria de sofrer, assim o cumpriu.” (Idem). Vol. I.

Ora, Deus terminou que o Cristo haveria de padecer, o justo pelos injustos, pois esta era a vontade de Deus, que pela oblação de Cristo os crentes fossem santificados (Hebreus 10:10).

Mas, isto não foi determinado no sentido de ‘predestinado’, ‘preordenado’, antes a vontade de Deus foi apresentada a Cristo, que ciente da vontade do Pai, voluntariamente teve que obedecer, sendo obediente até a morte e morte de cruz.

“E, indo um pouco mais para diante, prostrou-se sobre o seu rosto, orando e dizendo: Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice; todavia, não seja como eu quero, mas como tu queres.” (Mateus 26:39).

Cristo tinha opção, se não, não oraria ao Pai rogando para que passasse dele o cálice, demonstrando haver claro conflito de interesse entre a vontade do Filho e a vontade do Pai, mesmo que ao final, Jesus demonstra aquiescer à vontade do Pai.

Os judeus, homens ímpios que julgaram e condenaram um inocente à morte, fizeram tudo o que foi anunciado de antemão (presciência) pelos profetas, mas nenhum deles nasceu predestinado a fazer o que fizeram. O que fizeram, fizeram por inveja, movidos de maus pensamentos, e não porque Deus preordenou que fizessem.

“Porque ele bem sabia que por inveja os principais dos sacerdotes o tinham entregado.” (Marcos 15:10).

 

O verbo προγινώσκω (proginóskó) – presciência

Não é nossa proposta analisar o uso que o apóstolo dos gentios faz do verbo προγινώσκω (proginóskó) em suas epístolas, que também é traduzido no Novo Testamento por ‘presciência’.

O verbo προγινώσκω (proginóskó) é utilizado pelo apóstolo Paulo no sentido de ‘comunhão íntima’, ‘propriedade’, ‘ser conhecido de antemão’, o que é próprio somente aos que amam a Deus.

“Mas, quando não conhecíeis a Deusservíeis aos que por natureza não são deuses. Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” (Gálatas 4:8 -9);

“Mas, se alguém ama a Deus, esse é conhecido dele.” (1 Coríntios 8:3);

Aquele que não ama não conhece a Deus; porque Deus é amor.” (1 João 4:8);

“O Senhor conhece os que são seus.” (2 Timóteo 2:19).

Sem antes amar a Deus é impossível ao homem conhecer a Deus, ou antes, ser conhecido d’Ele, pois Deus só ama aqueles que O amam, ou seja, tem misericórdia somente dos que o amam, guardando os seus mandamentos.

“E faço misericórdia a milhares dos que me amam e aos que guardam os meus mandamentos.” (Êxodo 20:6);

“Eu amo aos que me amam, e os que cedo me buscarem, me acharão.” (Provérbios 8:17).

 

[1] “1012 βουλ η boule de 1014; TDNT – 1:633,108; n f 1) conselho, propósito” Dicionário Bíblico Strong.

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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