Os que pertencem à fé são benditos como o crente Abraão

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A ordem que Deus deu a Abraão é personalíssima, ou seja, Deus jamais exigirá de qualquer outra pessoa que ofereça o filho em holocausto, antes Deus exige de todos os homens é a obediência, a essência da prova dada a Abraão.


Os que pertencem à fé são benditos como o crente Abraão

“De sorte que os que são da fé são benditos com o crente Abraão.” (Gálatas 3.9).

 

Segundo a fé

A proposição grega ἐκ[1] (ek) e o substantivo grego πίστις (pistis), feminino, no singular e no genitivo, nos remetem a ideia de origem, causa, o que emoldura a ideia de existir, ou de pertencer a fé.

Só é bendito como o crente Abraão os que tem a sua origem na fé, cuja causa última é a fé, portanto, os que são segundo a fé são de fato benditos. ‘Fé’ na asserção que acabamos de fazer significa a palavra de Deus, o firme fundamento do que se espera e prova das coisas que nãos se veem (Hebreus 11.1).

“Sabei, pois, que os que são da fé são filhos de Abraão.” (Gálatas 3.7).

Ao dar a promessa a Abraão, Deus evidenciou que Abraão teria duas posteridades: a posteridade segundo a lei e a posteridade segundo a fé.

“Portanto, é pela fé, para que seja segundo a graça, a fim de que a promessa seja firme a toda a posteridade, não somente à que é da lei, mas também à que é da fé que teve Abraão, o qual é pai de todos nós,” (Romanos 4.16).

Mas, para que a promessa fosse firme tanto à posteridade que é da lei (judeus), quanto à posteridade que é da fé que teve Abraão (igreja), a promessa feita a Abraão decorre da graça.

Na promessa: “… e em ti serão benditas todas as famílias da terra.” (Gênesis 12.3), temos o prenúncio da igreja, o corpo de Cristo, que é formado de pessoas de todas as línguas, povos e nações (Gálatas 3.8). Na mesma promessa, Deus anunciou que os que descenderiam de Abraão seriam como o pó da terra, donde temos a posteridade que é segundo a lei, os judeus.

“E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra;” (Gênesis 28.14; 26.4);

“Visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra?” (Gênesis 18.18).

A fé de Abraão não diz do que ele quis acreditar acerca de Deus, antes a fé de Abraão é o que foi dito por Deus, como está escrito:

“ (Como está escrito: Por pai de muitas nações te constituí) perante aquele no qual creu, a saber, Deus, o qual vivifica os mortos, e chama as coisas que não são como se já fossem. O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência. ” (Romanos 4.17-18).

Havia vários empecilhos ao cumprimento da promessa de Deus, e essas diversas questões humanas poderia fomentar a incredulidade em Abraão, como o fato dele ser velho, o seu corpo amortecido e Sara ser estéril. Abraão não reputou que Deus respeita as limitações humanas quanto a gerar e conceber um filho, antes rejeitou a incredulidade e a própria palavra de Deus o fortificou, e deu glória a Deus quando esteve cônscio de que Deus era poderoso para fazer o que prometera.

“E não enfraquecendo na fé, não atentou para o seu próprio corpo já amortecido, pois era já de quase cem anos, nem tampouco para o amortecimento do ventre de Sara. E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus, e estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer. ” (Romanos 4.19-21).

Como Deus disse que Abraão seria pai de muitas nações, Abraão creu em Deus, pois foi Deus quem o constituiu (Gênesis 17.4-5). Com base na palavra que disse: “porque por pai de muitas nações te tenho posto” (Gênesis 17.5), ao ser requerido o sacrifício de Isaque, Abraão considerou que Deus vivificava os mortos e chama a existência as coisas que ainda não existem como se já existisse.

Daí é dito que, a esperança de Abraão era a palavra de Deus, e por ela ofereceu Isaque em sacrifício, pela segurança que havia na esperança de que seria pai de nações (creu contra a esperança), e dessa forma tornou-se pai de muitas nações.

“O qual, em esperança, creu contra a esperança, tanto que ele tornou-se pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: Assim será a tua descendência.” (Romanos 4.18).

Abraão creu em Deus segundo a sua palavra, que é firme e imutável, e não à sua maneira. Nesse contexto, Abraão não se escuda nas suas próprias convicções, nem escolhe no que acreditar ou decide o que obedecer.

Ao ser requisitado o seu único filho, Abraão não objetou dizendo: – ‘Não consigo acreditar que Deus faria algo assim. ’, antes reputou que Deus era poderoso para fazer o seu único filho ressurgir dentre os mortos, pois Deus, que não pode mentir, havia dito que ele seria pai de muitas nações, cuja descendência seria chamada em Isaque.

Quando é dito pela fé, leia-se: ‘pela palavra de Deus’, que é firme e imutável:

“Pela fé ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado; sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito. Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar; E daí também em figura ele o recobrou. ” (Hebreus 11.17-19).

Mas, por que Deus exigiu o sacrifício de Isaque a Abraão? Primeiro, para provar o crente Abraão, e, em segundo lugar, para que, pelas Escrituras, que revelam que o Deus todo Poderoso é imutável e não pode mentir, no tempo presente tenhamos firme consolação.

“E ACONTECEU depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi. ” (Gênesis 22.1-2);

“Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta;” (Hebreus 6.18).

A passagem bíblica que registra a provação de Abraão, como muitas outras, serve de aviso para nós, pois tudo que sobreveio aos pais são como figuras, de modo que, Deus jamais exigirá dos homens o sacrifício de seus filhos como em figura exigiu de Abraão.

“Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. ” (1 Coríntios 10.11-13).

 

Prova da vossa fé

Abraão foi obediente quando Deus ordenou:

“Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai da tua terra, da tua parentela, e da casa do teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gênesis 12.1).

Abraão foi provado quando Deus ordenou:

“E ACONTECEU depois destas coisas, que provou Deus a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi. ” (Gênesis 22.1-2).

Deus pode provar o homem de diversas maneiras! Ao ordenar que Abraão saísse do meio da sua parentela, Deus estava requerendo que Abraão abrisse mão de seu direito de herdeiro na casa de seu pai. Abrir mão de bens, possessões, terras, casas, etc., decorrente do fato de ser herdeiro de seu pai, Terá, deixou de ser uma das esperanças de Abraão (Gênesis 11.31-32).

Isto significa que Deus exige que para sermos salvos é necessário rejeitar a nossa condição de filhos de um pai terreno? Claro que não! O que foi feito a Abraão sobreveio como figura, de modo que os que são segundo a fé, tem a seguinte perspectiva:

“Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.” (Mateus 10.37).

Jesus não está requerendo que os seus seguidores façam uma pira e sacrifiquem os seus filhos como fez Abraão, antes requer que os homens admitam perante os seus parentes que Jesus é o enviado de Deus, pois se não o faze-lo, não tem a mesma fé que o crente Abraão. Jesus não estava requerendo que os seus seguidores abandonassem pais e filhos, antes que tivessem a mesma disposição que Abraão em obedecer.

“Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei também diante de meu Pai, que está nos céus. ” (Mateus 10.32-33).

Nesse sentido, por amor aos seus irmãos segundo a carne, o apóstolo Paulo poderia desejar ser separado de Jesus, mas por amor a Cristo, confessava-O diante dos homens, ou seja, dos seus irmãos segundo a carne, os judeus, e nele se cumpria a profecia que dizia:

“Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; E assim os inimigos do homem serão os seus familiares. ” (Mateus 10.35-36).

“EM Cristo digo a verdade, não minto (dando-me testemunho a minha consciência no Espírito Santo): Que tenho grande tristeza e contínua dor no meu coração. Porque eu mesmo poderia desejar ser anátema de Cristo, por amor de meus irmãos, que são meus parentes segundo a carne; ” (Romanos 9.1-3).

Para um judeu, ser separado da comunidade de Israel por causa de Jesus Cristo, era doloroso, dor semelhante à de Abraão ao oferecer o seu único filho. Confessar a Cristo, mesmo que seja necessário abdicar dos seus concidadãos, era o modo de Deus provar os judeus à época de Cristo, assim como provou Abraão. Embora essa seja a maneira de Deus provar o homem hoje, a história de Abraão não poderia ser omitida da Bíblia, pois por ela temos a firme consolação de que Deus é fiel a sua palavra.

De Abraão Deus pediu o seu único filho e, do povo de Israel, Deus pediu que colhessem o maná no deserto segundo a sua palavra, e mesmo assim, o povo foi reprovado.

“E disse-lhes Moisés: Ninguém deixe dele para amanhã. Eles, porém, não deram ouvidos a Moisés, antes alguns deles deixaram dele para o dia seguinte; e criou bichos, e cheirava mal; por isso indignou-se Moisés contra eles. (…) E aconteceu ao sétimo dia, que alguns do povo saíram para colher, mas não o acharam. Então disse o SENHOR a Moisés: Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis? ” (Êxodo 16.19-20 e 27-28).

É um equívoco pensar que Deus só prova o homem com coisas difíceis ou impossíveis de serem realizadas. Observe:

“Então disse o SENHOR a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus, e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não.” (Êxodo 16.4).

Como é possível Deus provar um povo fazendo chover pão dos céus? O que isso prova? Que Deus tem muitas maneiras para provar os homens, e que o maior problema não está no fato de ter sido deixado registrado nas Escrituras provas como a exigência de Isaque a Abraão, e sim, que o problema está na má leitura que se faz de tais provas.

 

Deus exige sacrifícios?

Um dos grandes erros da atualidade consiste em acreditar que Deus exige dos homens sacrifícios. Por má leitura de passagens bíblicas como a de Abraão que foi concitado a apresentar o seu filho em holocausto, muitos pastores apregoam aos seus seguidores que Deus exige dos cristãos que sacrifiquem o seu ‘Isaque’, e ao final da argumentação geralmente redunda em um apelo a ofertas, contribuições e doações.

Quando se evidencia aos cristãos dos nossos dias que Deus jamais requereu sacrifício dos filhos de Israel, e que não requer sacrifícios dos membros do corpo de Cristo, muitos ficam pasmos, e a maioria não acredita.

Observe:

“Porque nunca falei a vossos pais, no dia em que os tirei da terra do Egito, nem lhes ordenei coisa alguma acerca de holocaustos ou sacrifícios.” (Jeremias 7.22).

Desde a primeira oferta narrada na Bíblia, envolvendo Caim e Abel, é a voluntariedade do homem que caracteriza um sacrifício. Deus nada exigiu de Caim e Abel, mas ambos, por vontade própria, se propuseram a oferecer algo a Deus.

A diferença entre as ofertas de Caim e Abel e a prova de Abraão está na ordem personalíssima e inegociável de Deus:

“E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.” (Gênesis 22.2).

Qualquer pessoa pode tomar a iniciativa que Caim e Abel tiveram e oferecer a Deus o que bem entender. É o que se denomina sacrifício.

De outra banda, Abraão não ofereceu um sacrifício, tendo em vista que Deus exigiu algo mais caro: a obediência! Abraão não tinha a intenção de oferecer um sacrifício quando foi provado, e a ordem foi direta e personalíssima, de modo que só Abraão podia cumpri-la. O que foi exigido também era único, de inestimável valor sentimental e insubstituível: único filho a quem amas, Isaque. E o modo a ser ofertado era específico: em holocausto.

O que Deus exigiu de Abraão foi obediência, e é essa mesma obediência que Deus requer de todos os homens, o que é diferente de oferecer sacrifícios. Se Abraão ordenasse que um dos seus servos oferecesse o seu filho, ou se ele pegasse um filho de outra pessoa, ou se tentasse envenenar Isaque evitando um evento macabro, não estraria obedecendo a Deus.

Em todo o tempo Deus pontuou ao povo de Israel que queria obediência, mas o povo era obstinado e de dura cerviz, pois eram dados a sacrificar e tardios em obedecer.

“Portanto obedecerás à voz do SENHOR teu Deus, e cumprirás os seus mandamentos e os seus estatutos que hoje te ordeno.” (Deuteronômio 27.10).

“E que todos os homens que viram a minha glória e os meus sinais, que fiz no Egito e no deserto, e me tentaram estas dez vezes, e não obedeceram à minha voz,” (Números 14.22).

Com base no exarado no Pentateuco, a lição dada a Saul já deveria ser de conhecimento geral, mas ignoravam-na.

“Porém Samuel disse: Tem porventura o SENHOR tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do SENHOR? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar; e o atender melhor é do que a gordura de carneiros.” (1 Samuel 15.22).

Os maus mestres são ávidos em instar que os seus seguidores ofereçam sacrifícios, e alertam que o que vai ser ofertado deve ser o melhor, sob pretexto de que Deus exige o melhor. Mas, com base no que Deus disse por intermédio do profeta Samuel, o melhor é a obediência, pois no sacrifício não há como agradar a Deus.

Deus tem prazer em que se obedeça a sua palavra, mas o comportamento dos israelitas era como se Deus tivesse dito que tinha prazer em holocausto, pois sacrifício era o que eles se predispunham fazer continuamente.

“De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o SENHOR? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes. Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios? Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer. Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue. ” (Isaías 1.11-15).

O que Deus ordenou a Abraão era extremamente difícil, e Abraão se apressou em obedecer, mas os filhos de Jacó, apesar de se dizerem filhos de Abraão, de tudo que Deus ordenou nada obedeceram.

“E entraram nela, e a possuíram, mas não obedeceram à tua voz, nem andaram na tua lei; tudo o que lhes mandaste que fizessem, eles não o fizeram; por isso ordenaste lhes sucedesse todo este mal.” (Jeremias 32.23).

Os filhos de Israel não obedeceram quando Deus deu o maná no deserto, e não obedeceram quando o Pai lhes enviou o pão vivo dos céus.

“Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu. Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.” (João 6.32-33).

Da mesma forma que Deus deu uma ordem a Abraão, e por obedecer, Abraão foi contado como amigo de Deus (escravo ladino), hoje Deus dá por intermédio de Cristo uma ordem a todos os homens: crer que Jesus de Nazaré é o Cristo, o enviado de Deus, e que por Ele os homens alcançam vida eterna.

Os que creem em Cristo são obedientes como o crente Abraão, e por isso são bem-aventurados. Os que creem no enviado de Deus andam nas pisadas daquela fé que Abraão teve:

“E fosse pai da circuncisão, daqueles que não somente são da circuncisão, mas que também andam nas pisadas daquela fé que teve nosso pai Abraão, que tivera na incircuncisão.” (Romanos 4.12).

 

É possível escolhendo no que crer?

Enquanto o apóstolo Paulo postulou que tudo o que foi registrado na Antiga Aliança sobreveio aos pais como figuras, objetivando alertar os cristãos, várias correntes teológicas que rejeitam o Antigo Testamento, parcialmente ou por completo, têm surgido.

“Ora, tudo isto lhes sobreveio como figuras, e estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. ” (1 Coríntios 10.11).

Outros, por desconhecer que o anunciado pelos apóstolos nada mais era do que o anunciado pelos profetas e Moisés, alegam que enfatizam o Novo Testamento sob pretexto de que a Antiga Aliança é sem valor.

“Mas, alcançando socorro de Deus, ainda até ao dia de hoje permaneço dando testemunho tanto a pequenos como a grandes, não dizendo nada mais do que o que os profetas e Moisés disseram que devia acontecer,” (Atos 26.22).

Vale destacar que, sem a Antiga Aliança não existiria a Nova Aliança, pois esta decorre daquela. A graça revelada na Nova Aliança foi anunciada de antemão pelos profetas e Moisés na Antiga Aliança, sendo que o Novo Testamento é cumprimento da Velha Aliança.

“O qual antes prometeu pelos seus profetas nas santas Escrituras,” (Romanos 1.2);

“Para que vos lembreis das palavras que primeiramente foram ditas pelos santos profetas, e do nosso mandamento, como apóstolos do Senhor e Salvador.” (2 Pedro 3.2).

Mas há quem rejeite textos específicos do Antigo Testamento como a provação de Abraão, o incesto das filhas de Ló, o estupro de Tamar, meia-irmã de Amnom, filha de Davi, Judá ter pago por sexo, Tamar se fingir de prostituta e enganar o sogro, etc., por ler fatos históricos segundo o viés moral da atualidade.

Interessante é que tais pessoas querem crer em Cristo, mas deixa bem patente que é à sua maneira. Esquecem que Jesus enfatizou que só correrá rios de água viva no ventre daqueles que crerem n’Ele conforme as Escrituras.

“Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre. ” (João 7.38).

É imprescindível acreditar que Deus exigiu de Abraão o seu único filho, e que Abraão, por sua vez, obedeceu, pois igualmente Deus não exigiu do seu Filho sacrifício, e sim, obediência.

Sacrifício e oferta não quiseste; os meus ouvidos abriste; holocausto e expiação pelo pecado não reclamaste. Então disse: Eis aqui venho; no rolo do livro de mim está escrito. Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração. ” (Salmo 40.6-8);

“Como acima diz: Sacrifício e oferta, e holocaustos e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram (os quais se oferecem segundo a lei). Então disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo. ” (Hebreus 10.8-9).

Tudo o que foi escrito na Antiga Aliança tinha por objetivo anunciar o Descendente de Abraão, Cristo. Por isso o salmista profetiza dizendo que ‘no rolo do livro de mim está escrito’, e Jesus, por sua vez, alertou os judeus que as Escrituras testificavam d’Ele.

“Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;” (João 5.39).

Deus exigiu a obediência de Abraão e não sacrifício, pois os sacrifícios se oferecem segundo a lei e não por exigência de Deus. Como o povo era voluntarioso em oferecer sacrifícios, no Livro dos Levíticos disciplinou como deveriam ser oferecidos, o que é diferente de exigi-los.

“Fala aos filhos de Israel, e dize-lhes: Quando algum de vós oferecer oferta ao SENHOR, oferecerá a sua oferta de gado, isto é, de gado vacum e de ovelha. ” (Levítico 1.2).

Ao disciplinar os sacrifícios, Deus não se agradava dos sacrifícios, mas daqueles que obedeciam às regras de como ofertar, ou seja, que eram obedientes.

A obediência de Cristo é a causa de eterna salvação aos que obedecem ao evangelho, pois na obediência se descobre as pisadas daquela fé que teve Abraão, e pela obediência Cristo é o autor e consumador da fé.

“Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de uns muitos serão feitos justos. ” (Romanos 5.19).

A ordem que Deus deu a Abraão é personalíssima, ou seja, Deus jamais exigirá de qualquer outra pessoa que ofereça o filho em holocausto, antes Deus exige de todos os homens é a obediência, a essência da prova dada a Abraão.

“Assim não farás ao SENHOR teu Deus; porque tudo o que é abominável ao SENHOR, e que ele odeia, fizeram eles a seus deuses; pois até seus filhos e suas filhas queimaram no fogo aos seus deuses. ” (Deuteronômio 12.31).

Desde a Antiga Aliança Deus requer obediência:

“Agora, pois, ó Israel, que é que o SENHOR teu Deus pede de ti, senão que temas o SENHOR teu Deus, que andes em todos os seus caminhos, e o ames, e sirvas ao SENHOR teu Deus com todo o teu coração e com toda a tua alma,” (Deuteronômio 10.12);

Olha as considerações do profeta Miqueias:

“Com que me apresentarei ao SENHOR, e me inclinarei diante do Deus altíssimo? Apresentar-me-ei diante dele com holocaustos, com bezerros de um ano? Agradar-se-á o SENHOR de milhares de carneiros, ou de dez mil ribeiros de azeite? Darei o meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma? Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus? ” (Miqueias 6.6-8).

É por isso que Jesus ordenou aos escribas e fariseus a aprenderem o significado de misericórdia quero, pois, a misericórdia de Deus só é concedida aos que O obedecem.

“Porque eu quero a misericórdia, e não o sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos. ” (Oseias 6.6);

“Ide, porém, e aprendei o que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício. Porque eu não vim a chamar os justos, mas os pecadores, ao arrependimento.” (Mateus 9.13).

Ao dizer misericórdia quero, temos um trocadilho que remete a seguinte ordem:

“Saberás, pois, que o SENHOR teu Deus, ele é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia até mil gerações aos que o amam e guardam os seus mandamentos.” (Deuteronômio 7.9).

Sem obediência não há misericórdia, pois na desobediência só há expectação terrível de vingança.

“E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem;” (Hebreus 5.9);

“Como labareda de fogo, tomando vingança dos que não conhecem a Deus e dos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo;” (2 Tessalonicenses 1.8).

Alguém pode contra argumentar dizendo: – “Mas, Deus é amor. Vingança nesses termos é desumano”. Embora Deus respeite o livre arbítrio do homem, visto que Ele a ninguém oprime, todavia Ele se mostra indomável com o perverso.

“Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; porém a ninguém oprime em juízo e grandeza de justiça.” (Jó 37.23);

“Com o puro te mostrarás puro; e com o perverso te mostrarás indomável.” (Salmos 18.26).

Deus considera as limitações humanas, e se alguém se diz tentado, considera que Deus a ninguém tenta.

“Bem-aventurado o homem que suporta a tentação; porque, quando for provado, receberá a coroa da vida, a qual o Senhor tem prometido aos que o amam. Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta. Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.”  (Tiago 1.12-14);

Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.” (1 Coríntios 10.13).

Quando o apóstolo Pedro diz: “Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo;” (1 Pedro 1.6), as tentações que provam a fé do cristão não diz de sacrifícios ou de prova semelhante à prova de Abraão, antes remete a perseguição dos judeus. É na perseguição que a fé do cristão é provada, e não na exigência de sacrifícios.

“Servindo ao Senhor com toda a humildade, e com muitas lágrimas e tentações, que pelas ciladas dos judeus me sobrevieram;” (Atos 20.19).

 

[1] “1537 εκ ek ou εξ ex preposição primária denotando origem (o ponto de onde ação ou movimento procede), de, de dentro de (de lugar, tempo ou causa; literal ou figurativo); prep. 1) de dentro de, de, por, fora de” Dicionário Bíblico Strong.

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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