Os Sábados foram instituídos como sinal para Israel

Antes de instituir os Sábados, Deus deu maná para dois dias consecutivos. A provisão de Deus era essencial aos filhos de Israel para cumprirem a guarda do Sábado.


Os Sábados foram instituídos como sinal para Israel

“Guardarão, pois, o sábado os filhos de Israel, celebrando-o nas suas gerações por aliança perpétua.” (Êxodo 31:16).

Para responder a pergunta: ‘Os cristãos devem guardar os sábados instituídos por Deus na lei?’, primeiro temos que analisar o motivo pelo qual Deus estabeleceu os sábados.

 

A prova do Maná e o sábado

Deus instituiu, na lei, a celebração dos sábados para os filhos de Israel. As celebrações eram dias festivos, que deveriam ser comemorados pelos judeus, de geração em geração. A determinação para guardar os sábados recai, única e exclusivamente, à descendência segundo a carne de Abraão, Isaque e Jacó, ou seja, aos judeus.

Mas, por qual motivo Deus estabeleceu os sábados ao povo de Israel? Resposta: estabelecer um sinal! Ao determinar que os filhos de Israel guardassem os sábados, Deus estabeleceu um memorial (sinal), para que soubessem (e não se esquecessem), de que é Deus que santifica o seu povo.

“Tu, pois, fala aos filhos de Israel, dizendo: Certamente, guardareis meus sábados; porquanto, isso é um sinal entre mim e vós, nas vossas gerações; para que saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica (Ex 31:13).

O objetivo de Deus ter instituído os sábados é cristalino: ‘para que saibais que eu sou o Senhor, que vos santifica’!

Guardar os sábados ‘santificava’ os filhos de Israel? Não! Guardar os sábados era obedecer a determinação d’Aquele que já havia santificado a descendência de Abraão. Ao guardá-los, os filhos de Israel demonstrariam que estavam cônscios de que Deus santifica o homem, evidenciando que ninguém pode santificar a si mesmo.

Qualquer que acredita que os sábados tornam o homem santo diante de Deus se engana. Quem santifica é Deus e para os filhos de Israel não se esquecerem de tal verdade, foi instituído os sábados como sinal (memorial perpétuo).

“E também lhes dei os meus sábados, para que servissem de sinal entre mim e eles; para que soubessem que eu sou o SENHOR, que os santifica.” (Ezequiel 20:12);

Enquanto os dias dos sábados eram sem importância para as outras nações, para os filhos de Israel, em razão do mandamento, era importante, pois manteria na memória a mensagem de que é Deus que santifica (Êx 31:14).

O que distinguia os filhos de Israel dos povos em redor, era a promessa que Deus fez a Abraão, e não os dias sabáticos. A promessa de Deus a Abraão santificou o povo de Israel, de modo que foram escolhidos dentre todos os povos e todo bem que sobreveio sobre eles, apesar da rebeldia, era para guardar o juramento feito a Abraão, Isaque e Jacó.

“Porque povo santo és ao SENHOR teu Deus; o SENHOR teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra. O SENHOR não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos;  Mas, porque o SENHOR vos amava e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o SENHOR vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito” (Dt 7:6-8; 8:18 e 9:5).

Guardar o mandamento do Senhor é confiar n’Aquele que é fiel e não muda.

Abraão creu em Deus, quando lhe foi dada a promessa de que teria descendência numerosa como as estrelas dos céus, embora não tivesse filho e isto lhe foi imputado como justiça (Gn 15:5 -6). Quando Deus pediu o único filho de Abraão, em holocausto, Abraão não desfaleceu da sua crença, pois considerou que Deus era poderoso para recobrar o seu filho dentre os mortos, assim como, miraculosamente, sendo Sara estéril e de avançada idade, alcançou um varão.

Assim como cuidou do patriarca Abraão, Deus conduziu o povo de Israel pelo deserto para fazê-los se submeterem (humilharem) aos seus mandamentos, provando-os, assim, como fez com Abraão (Dt 8:3 e 16). Em lugar de requerer algo que lhes fosse caríssimo, como o era Isaque para Abraão, Deus deu o maná no deserto para prová-los, se obedeceriam aos Seus mandamentos e foram reprovados.

“Então, disse o SENHOR a Moisés: Eis que vos farei chover pão dos céus e o povo sairá, e colherá diariamente a porção para cada dia, para que eu o prove se anda em minha lei ou não (Ex 15:4).

Deus ordenou que ninguém deixasse para o outro dia o maná preparado, mas alguns do povo desobedeceram e, no outro dia, o que armazenaram criou bichos e apodreceu (Ex 16:20).

No sexto dia, aconteceu algo inusitado: todos colheram em dobro, o que chamou a atenção dos príncipes do povo. Por causa desse evento, todos foram a Moisés que lhes disse a palavra do Senhor:

“E aconteceu que ao sexto dia colheram pão em dobro, dois ômeres para cada um; e todos os príncipes da congregação vieram e contaram-no a Moisés. E ele disse-lhes: Isto é o que o SENHOR tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar, guardai para vós até amanhã” (Êx 16:22-23).

Como Deus estava provendo alimento para os filhos de Israel, deles exigiu que repousassem no sábado. No entanto, mesmo tendo alimento para o sábado, alguns dos filhos de Israel saíram no sábado de manhã para buscar maná e não encontraram (Ex 16:27), ao que Deus protestou:

Até quando recusareis guardar os meus mandamentos e as minhas leis? Vede, porquanto o SENHOR vos deu o sábado, portanto, Ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique no seu lugar, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia” (Ex 16:28-29).

Como foi o Senhor que deu provisão para dois dias, foi instituído o sábados, pois a provisão de Deus possibilitava aos filhos de Israel cumprir o mandamento de Deus. Mas, por causa da incredulidade, mesmo tendo o necessário para cumprirem a palavra do Senhor, se recusaram a dar ouvidos.

Perceba que o sábado foi dado em função dos filhos de Israel serem reprovados no deserto, na prova do maná. Deus queria ensiná-los que nem só de pão vive o homem, mas, de toda palavra que procede da boca de Deus (Dt 8:3).

 

O sábado

Devemos lembrar que o Sábado foi dado por causa da desobediência dos filhos de Israel. Assim, o sábado foi dado por causa do homem e não o homem por causa do sábados (Mc 2:27).

Apesar de terem sido reprovados, quando guardaram maná para o outro dia, Deus evidenciou o seu cuidado ao povo, quando deu pão em dobro. Mas, como os filhos de Israel eram esquecidos, Deus sublinhou o seu cuidado com um sinal, através de um mandamento de não fazer, para que compreendessem que, em descansar em Deus, está a salvação do homem.

Observe que, quando Deus separou os filhos de Israel para si, como propriedade peculiar, não lhes era necessário guardar os sábados. Antes mesmo de entrar no Egito, o povo de Israel já era propriedade de Deus, o que demonstra que o sábado não santifica (Lv 20:26).

No mês que foram resgatados do Egito, que se tornou o primeiro mês do calendário judaico, Deus instituiu a páscoa, que deveria se preparada, desde o décimo dia, com a separação do cordeiro de um ano sem mancha, devendo ser sacrificado ao décimo quarto dia (Ex 12:1-13).

Consecutivo ao memorial da páscoa, que deveria ser celebrado como festa ao Senhor, pelas gerações subsequentes (Ex 12:14), foi instituída a festa dos pães ázimos, de modo que, do décimo quarto dia à tarde ao vigésimo primeiro dia à tarde, não podiam cozer pão com fermento em Israel.

Tanto no primeiro, quanto no sétimo dia da festa dos pães ázimos, não podiam realizar nenhum trabalho em Israel (Êx 12:16). Como nada fizeram, quando o Senhor os tirou da terra do Egito, e a única provisão foram masseiras de pão sem levedar que levaram, a tira colo, por saírem apressadamente do Egito, Deus instituiu a festa dos pães ázimos como memorial (Ex 12:34).

Assim como a páscoa e a festa dos pães ázimos eram memoriais de que o povo de Israel foi resgatado do Egito, o sábado foi um memorial instituído, quando do tropeço do povo de Israel na prova do maná. Por cinco dias Deus deu maná no deserto, mas ao saírem no sexto dia, o povo colheu em dobro, ao que todos os príncipes da congregação vieram e contaram a novidade a Moisés, sendo, então, instituído o sábado de descanso:

“E ele disse-lhes: Isto é o que o SENHOR tem dito: Amanhã é repouso, o santo sábado do SENHOR; o que quiserdes cozer no forno, cozei-o, e o que quiserdes cozer em água, cozei-o em água; e tudo o que sobejar, guardai para vós até amanhã. E guardaram-no até o dia seguinte, como Moisés tinha ordenado; e não cheirou mal nem nele houve algum bicho. Então disse Moisés: Comei-o hoje, porquanto hoje é o sábado do SENHOR; hoje não o achareis no campo. Seis dias o colhereis, mas o sétimo dia é o sábado; nele não haverá” (Ex 16:23-26).

Carne e pão dos céus foi um sinal dado para que os filhos de Israel confiassem em Deus. No fato de Deus dar pão para dois dias é que se baseiam os sábados, de modo que a provisão de pão, para cada dia, demonstra o cuidado de Deus para com o seu povo.

Para quem entende o maná como um fenômeno natural que ocorreu aos filhos de Israel, através da providência em dobro do sexto dia, a ideia de coincidência ou, de fenômeno natural, é descartada.

“Vede, porquanto o SENHOR vos deu o sábado, portanto, Ele, no sexto dia, vos dá pão para dois dias; cada um fique no seu lugar, ninguém saia do seu lugar no sétimo dia” (Êx 16:29).

Ao prover as condições necessárias para cumprirem o mandamento do sábado, Deus estava dando a entender ao povo de Israel que os seus mandamentos não são penosos.

“Porque este mandamento, que hoje te ordeno, não te é difícil demais e tampouco está longe de ti” (Dt 30:11; 1 Jo 5:3).

 

Os judeus pedem sinal

O que se sabe acerca de sinais?

O salmista, pelo espirito, falou, acerca do seu descendente prometido – Cristo – como Aquele que pediu de Deus um sinal, mas que os seus acusadores veriam e seriam confundidos.

“Mostra-me um sinal para bem, para que o vejam aqueles que me odeiam e se confundam; porque tu, SENHOR, me ajudaste e me consolaste” (Sl 86:17).

Segundo o apóstolo Paulo, sinais são dados aos incrédulos e não aos crentes:

“De sorte que as línguas são um sinal, não para os fiéis, mas para os infiéis; e a profecia não é sinal para os infiéis, mas para os fiéis.” (I Coríntios 14:22).

Rogar por sinal é próprio dos judeus:

“Porque os judeus pedem sinal e os gregos buscam sabedoria;” (I Coríntios 1:22).

Certa feita, após a multiplicação dos pães, os judeus pediram um sinal para, então, acreditarem em Cristo, alegando que Moisés deu pão dos céus:

“Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos e creiamos em ti? Que operas tu? Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu.” (João 6:30-31).

Os escribas e fariseus, em outro momento, rogaram por um sinal e obtiveram a seguinte resposta de Jesus:

“Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas;” (Mateus 12:39);

“E saíram os fariseus e começaram a disputar com ele, pedindo-lhe, para o tentarem, um sinal do céu. E, suspirando, profundamente, em seu espírito, disse: Por que pede esta geração um sinal? Em verdade, vos digo, que a esta geração não se dará sinal algum” (Mc 8:11-12).

Os sinais operados por Cristo, representaram somente condenação para as cidades impenitentes:

“E tu, Cafarnaum, que te ergues até aos céus, serás abatida até aos infernos; porque, se em Sodoma tivessem sido feitos os prodígios que em ti se operaram, teria ela permanecido até hoje. Eu vos digo, porém, que haverá menos rigor para os de Sodoma, no dia do juízo, do que para ti” (Mt 11:23-24).

Quando Jesus diz que os seus interlocutores são geração má e adultera, fez referência às Escrituras, que, por intermédio de Moisés, foi dito aos filhos de Israel que eram geração perversa e não filhos.

“Corromperam-se contra ele; não são seus filhos, mas a sua mancha; geração perversa e distorcida é” (Dt 32:5).

Após serem reprovados na prova do maná, ao dar os sábados como sinal por aliança perpétua, Deus está declarando, implicitamente, que os filhos de Israel eram incrédulos, o que foi dito, abertamente, antes de adentrarem a terra de Canaã.

Geração má e adúltera é o mesmo que geração ‘perversa’ e ‘distorcida’, que, apesar de terem como sinais carne e pão a fartar, não estavam dispostos a obedecerem a Deus. Os judeus procuravam mais e mais sinais, sob o pretexto de que, só assim creriam.

“Entre mim e os filhos de Israel será um sinal para sempre; porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra e ao sétimo dia descansou e restaurou-se” (Êx 31:17).

Se Deus estabeleceu os sábados como sinal, tendo em vista que Deus, em seis dias, fez os céus e a terra e descansou no sétimo dia, os filhos de Israel deveriam entender que o Senhor, que criou todas as coisas, é quem dá descanso, provendo pão em dobro no sexto dia. No estarem quietos, estava a salvação.

“Porque o Egito os ajudará em vão e para nenhum fim; por isso, clamei acerca disto: No estarem quietos será a sua força.” (Isaías 30:7).

Aos filhos de Israel foi dada a ordenança dos sábados como memorial, para que entendessem que é Deus que santifica, no entanto, tomaram o sinal como elemento santificador e se esqueceram de se sujeitarem Àquele que santifica.

Os sábados eram ordenanças semelhantes às dadas a Abraão, que, ao receber a ordem divina, saiu do meio de sua parentela e ofereceu o seu único filho, em holocausto. Ao obedecer às ordenanças, Deus declarou Abraão justificado. Se os filhos de Isael queriam ser tido como descendência de Abraão, teriam que ter a mesma fé que o crente Abraão, que acatou a ordem divina.

Sair do meio da parentela ou, oferecer um filho em holocausto, não justifica ou, não santifica ninguém, mas, sim, obedecer à ordenança divina, faz com que Deus conceda o seu favor ao homem. Sem o mandamento, não há obediência, e sem a obediência não há justificação, de modo que o homem é justificado através do mandamento de Deus.

Sair do meio da parentela e oferecer o filho em holocausto foi um mandamento dado, especificamente, a Abraão. Qualquer que queira ser abençoado, fazendo as mesmas coisas que Abraão fez, não será justificado.

A ordem que Jesus deu ao jovem rico tinha por objetivo fazê-lo perfeito como o crente Abraão, no entanto, o jovem rico se retirou entristecido, pois não teve a mesma disposição que Abraão teve, em obedecer.

Semelhantemente, as ordenanças dos sábados foram dadas por Deus à nação de Israel, portanto, ninguém que busque guardar os sábados, pertencer à comunidade de Israel, alcançará o favor do Senhor.

Lembrando que os sábados não santificam, antes, que são um memorial, para lembrar os filhos de Israel que é Deus que santifica. Um sinal não santifica, antes, é Deus quem santifica. Daí, a premissa anunciada por Cristo, que, em resposta aos escribas e fariseus, que condenaram a atitude dos discípulos em colherem espigas de milho em um sábado para comerem, alertou que o sábado foi estabelecido por causa do homem e não o homem por causa do sábado.

“E aconteceu que, passando ele num sábado pelas searas, os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas. E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito? Mas ele disse-lhes: Nunca lestes o que fez Davi, quando estava em necessidade e teve fome, ele e os que com ele estavam? Como entrou na casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, e comeu os pães da proposição, dos quais não era lícito comer, senão aos sacerdotes, dando também aos que com ele estavam? E disse-lhes: O sábado foi feito por causa do homem e não o homem por causa do sábado. Assim, o Filho do homem, até do sábado é Senhor” (Marcos 2:23-28).

Ora, Jesus demonstrou que o homem é mais importante para Deus, que o dia de sábado, pois este foi instituído como sinal, por causa daquele. O sábado, como memorial, tem a relevância de lembrar ao homem que é Deus que santifica, sendo que, para preservar a vida do homem, o sábado poderia ser violado, sem o homem ser tido por culpado diante de Deus.

O sábado foi feito por causa do homem e o homem é mais importante, por ter sido em função do propósito eterno de Deus, que é tornar o Cristo o mais sublime dos reis da terra e o cabeça da Igreja, portanto, Cristo é superior ao sábado.

 

O crente deve guardar os dias de Sábado?

Categoricamente, não! Os sábados foram instituídos somente para os descendentes de Abraão, que, por sua vez, são aqueles que têm a circuncisão no prepúcio da carne, por sinal da aliança entre Deus e a descendência da carne de Abraão.

“E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós” (Gn 17:11).

A aliança dos crentes em Cristo não foi firmada no prepúcio da carne, mas, no sangue de Cristo, portanto, não compete ao crente a circuncisão do prepúcio da carne e nem a guarda dos sábados: “E a Jesus, o Mediador de uma nova aliança e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel” (Hb 12:24).

Guardar dias, luas e sábados, são rudimentos pobres e fracos, para aqueles que vivem no mundo. Já, os crentes em Cristo, não mais estão sujeitos ao rudimento do mundo (Cl 2:20) e precisam ter cuidado para com aqueles que julgam pelo comer, beber, dias de festas, luas e sábados, pois seguiam pela sombra dos bens que se alcança em Cristo (Cl 2:16-17).

“Mas, agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir? Guardais dias, meses, tempos e anos. Receio de vós, que não haja trabalhado em vão para convosco” (Gl 4:9-11).

Os filhos de Israel guardavam os sábados porque, a seu tempo, não entraram no descanso prometido pelo Senhor (Sl 95:10; Hb 4:3-9), diferentemente dos crentes em Cristo, que estão assentados nas regiões celestiais em Cristo (Ef 1:3; Ef 2:6), o que significa que já adentraram no descanso prometido.

“Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse: Assim jurei na minha ira Que não entrarão no meu repouso; embora as suas obras estivessem acabadas desde a fundação do mundo” (Hb 4:3).

Enquanto Deus estabelecia o sinal dos sábados, anunciando as suas palavras a Moisés (Êx 31:13-14), os filhos de Israel confeccionavam um bezerro de ouro (Êx 312:1-6). Pela dureza do coração deles, em não se sujeitarem ao Senhor, Deus não se agradava das festas solenes e dos sábados.

“Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação e as luas novas, os sábados e a convocação das assembleias; não posso suportar iniquidade, nem mesmo a reunião solene. As vossas luas novas e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer” (Is 1:13-14).

Os sábados, assim como as muitas outras ordenanças da lei, eram um jugo que os cristãos convertidos dentre os judeus queriam impor aos cristãos convertidos dentre os gentios, ao que ordenaram os apóstolos:

“Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais, nem nós, pudemos suportar? Mas, cremos que seremos salvos pela graça do Senhor Jesus Cristo, como eles também” (Atos 15:10-11).

Basta ao discípulo ser igual ao Mestre. Se Cristo quebrava o sábado, que dirá os seus seguidores, que estão à beira do caminho:

“E aconteceu que, passando ele num sábado pelas searas, os seus discípulos, caminhando, começaram a colher espigas. E os fariseus lhe disseram: Vês? Por que fazem no sábado o que não é lícito?” (Mc 2:23);

“Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas, também, dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (Jo 5:18);

“Respondeu Jesus e disse-lhes: Fiz uma só obra e todos vos maravilhais. Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), no sábado circuncidais um homem. Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque no sábado curei de todo um homem?” (Jo 7:21-23);

“E, tomando a palavra o príncipe da sinagoga, indignado porque Jesus curava no sábado, disse à multidão: Seis dias há em que é mister trabalhar; nestes, pois, vinde para serdes curados, não no dia de sábado. Respondeu-lhe, porém, o Senhor, e disse: Hipócrita, no sábado não desprende da manjedoura cada um de vós o seu boi, ou jumento e não o leva a beber? E não convinha soltar desta prisão, no dia de sábado, esta filha de Abraão, a qual há dezoito anos Satanás tinha presa? E, dizendo ele isto, todos os seus adversários ficaram envergonhados, e todo o povo se alegrava por todas as coisas gloriosas que eram feitas por ele” (Lc 13:14-17).

À época dos apóstolos, muitos cristãos convertidos, dentre os judeus, prosseguiam nas práticas dos seus pais, entretanto, o apóstolo Paulo orienta que, caso algum faça diferença entre dia e dia, ou entre comidas, que faça para o Senhor, e não que emita julgamento, acerca dos que não observam tais solenidades.

“Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio SENHOR ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar. Um faz diferença entre dia e dia, mas outro julga iguais todos os dias. Cada um esteja inteiramente seguro em sua própria mente. Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz e o que não faz caso do dia para o Senhor o não faz. O que come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e o que não come, para o SENHOR não come e dá graças a Deus” (Rm 14:4-6);

“Portanto, ninguém vos julgue pelo comer ou, pelo beber ou, por causa dos dias de festa ou, da lua nova ou, dos sábados, Que são sombras das coisas futuras, mas, o corpo é de Cristo” (Cl 2:16-17).

Os sábados, assim, como a circuncisão, pertencem ao fermento velho ou, vinho velho, que os cristãos, por serem uma nova massa e odres novos, não devem ser participantes.

“Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade” (1 Co 5:6-8).

 

Correção ortográfica: Pr. Carlos Gasparotto