Colossenses 1 – Idôneos em Cristo

Deus fez os cristãos idôneos em Cristo, isto é, após o novo nascimento, eles já desfrutam da prerrogativa de herdeiros. Quando creram na mensagem do evangelho, receberam poder para serem feitos filhos de Deus (João 1:12). Ao serem criados em Cristo, foram formados em verdadeira justiça e santidade (Efésios 4:24), de modo que Deus constituiu, n’Ele, um novo homem. Assim, as novas criaturas vieram à existência já com pleno direito à herança reservada nos céus, não necessitando permanecer sob tutores ou curadores, como ocorria no regime da lei (Gálatas 4:1–2).
Idôneos em Cristo
“Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz;” (Colossenses 1:12).
1 PAULO, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo,
2 Aos santos e irmãos fiéis em Cristo, que estão em Colossos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.
Agradecimentos a Deus
3 Graças damos a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vós,
A confiança dos cristãos
4 Porquanto ouvimos da vossa fé em Cristo Jesus, e do amor que tendes para com todos os santos;
Jesus Cristo é a temática central do evangelho e a essência da crença dos cristãos; por isso, Ele é a própria πίστις anunciada aos santos (Judas 1:3; Gálatas 3:23; Filipenses 1:27). Nesse sentido, a πίστις não se limita ao ato subjetivo de crer, mas designa também o conteúdo objetivo da fé: a verdade revelada em Cristo, a justiça de Deus manifesta no evangelho e a doutrina entregue aos santos.
O versículo 6 trata dessa πίστις enquanto mensagem do evangelho, isto é, a palavra da verdade que chegou aos colossenses, frutificando e crescendo entre eles. Já o versículo 4 destaca a confiança dos cristãos em Cristo Jesus, ou seja, a resposta dos colossenses à πίστις que lhes foi anunciada. Assim, há uma distinção importante: no versículo 4, evidencia-se a confiança dos cristãos em Cristo; no versículo 6, destaca-se a πίστις como conteúdo anunciado — o evangelho, a verdade, a justiça de Deus e o próprio Cristo.
Paulo e Timóteo oravam em favor dos colossenses porque ouviram acerca da confiança que depositavam em Cristo. Essa confiança, muitas vezes designada como fé (πίστις), não deve ser confundida com o dom de Deus, que é Cristo, conforme exposto em Efésios 2:8–9. A fé enquanto obra de Deus não se identifica meramente com a disposição subjetiva de confiar, mas com Cristo e com o evangelho — a palavra fiel e digna de toda aceitação (1 Timóteo 1:15; 4:9).
Nesse sentido, o homem não pode produzir fé por si mesmo, nem inventá-la à vontade, pois ela está vinculada à palavra revelada. A fé é dada quando Cristo é manifesto, isto é, quando a verdade do evangelho é anunciada aos homens. Portanto, a fé não é infundida de modo abstrato no indivíduo; antes, é anunciada por meio da revelação contida no evangelho: Jesus Cristo-homem.
Quando o homem crê no evangelho, fé e crença tornam-se congruentes. Contudo, fé e crença não são exatamente a mesma coisa quando a fé não é compreendida como Cristo manifesto, ou quando a crença não tem por objeto o evangelho. Por fim, não há mérito no homem quando crê; o mérito está na palavra anunciada, que é fiel e digna, elementos essenciais à persuasão.
A persuasão deriva da palavra fiel e digna, jamais da própria pessoa do crente. O crente só é crente porque ouviu a palavra fiel e digna e, por isso, creu; jamais porque sua imaginação ou capacidade interior teria alcançado essa confiança por si mesma.
A palavra da verdade do evangelho
5 Por causa da esperança que vos está reservada nos céus, da qual já antes ouvistes pela palavra da verdade do evangelho,
A oração se dá por causa do que Paulo e Timóteo ouviram acerca dos cristãos (v. 4), enquanto o agradecimento a Deus está relacionado à esperança reservada nos céus para aqueles que creem em Cristo.
Essa esperança dos cristãos está guardada nos céus, e eles já haviam tomado conhecimento dela por meio da palavra da verdade do evangelho, que anteriormente lhes fora anunciada (Colossenses 1:23,27).
6 Que já chegou a vós, como também está em todo o mundo; e já vai frutificando, como também entre vós, desde o dia em que ouvistes e conhecestes a graça de Deus em verdade.
“Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos; E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.” (João 8:31-32);
“Mas agora, conhecendo a Deus, ou, antes, sendo conhecidos por Deus, como tornais outra vez a esses rudimentos fracos e pobres, aos quais de novo quereis servir?” (Gálatas 4 : 9).
Epafras, um fiel ministro de Cristo
7 Como aprendestes de Epafras, nosso amado conservo, que para vós é um fiel ministro de Cristo,
Para melhor compreender as cartas paulinas, é necessário observar uma característica recorrente em sua estrutura: o apóstolo Paulo agradece a Deus por aquilo que os cristãos já receberam em Cristo e, quando ora por eles, solicita a Deus aquilo que ainda deveriam alcançar em sua experiência cristã.
Essa característica se repete em diversas epístolas, como Efésios, Filipenses e Tessalonicenses:
“… não cesso de dar graças a Deus por vós, lembrando-me de vós nas minhas orações…” (Efésios 1:16);
“Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós (…) E esta é a minha oração: que o vosso amor aumente…” (Filipenses 1:3–11);
“Sempre damos graças a Deus por vós todos, fazendo menção de vós em nossas orações.” (1 Tessalonicenses 1:2).
Quando Paulo agradece a Deus, geralmente o faz por elementos já concedidos aos cristãos, pertencentes à esperança proposta em Cristo, tais como regeneração, justificação, santificação, eleição, predestinação e herança celestial. É nesse sentido que ele declara:
“Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz…” (Colossenses 1:12).
Por outro lado, quando Paulo ora pelos cristãos, seus pedidos geralmente se referem àquilo que eles ainda deveriam desenvolver, compreender ou experimentar de modo mais pleno. Observando esta e outras cartas, verifica-se que suas súplicas frequentemente dizem respeito ao conhecimento, discernimento e crescimento espiritual:
“… para que sejais cheios do conhecimento da sua vontade…” (Colossenses 1:9);
“… para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo (…) vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação.” (Efésios 1:17);
“E peço isto: que o vosso amor aumente mais e mais em ciência e em todo o conhecimento.” (Filipenses 1:9).
Assim, nas cartas paulinas, a ação de graças volta-se para a obra já realizada por Deus em Cristo, enquanto a intercessão aponta para a necessidade de crescimento dos cristãos na compreensão, na maturidade e na prática decorrente dessa nova condição.
O que pedir em oração?
9 Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual;
Epafras anunciou a Paulo e Timóteo que os cristãos de Colossos haviam obedecido a Cristo, pois receberam a palavra da verdade do evangelho e confiaram n’Ele (Colossenses 1:4). Essa notícia motivou Paulo a orar continuamente em favor deles.
“E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem;” (Hebreus 5:9).
Desde que recebeu notícias acerca dos cristãos de Colossos, Paulo não cessou de orar a Deus por eles. Nessa intercessão, percebe-se claramente a preocupação do apóstolo com aquilo que ainda lhes faltava: crescimento no conhecimento da vontade de Deus.
Na oração, Paulo pede que fossem cheios do conhecimento da vontade divina, em toda sabedoria e inteligência espiritual. Esse pedido levanta algumas questões importantes: por que Paulo ora para que sejam cheios desse conhecimento? Qual o objetivo de conhecerem a vontade de Deus? E por que essa sabedoria e essa inteligência devem ser espirituais?
Estar cheio do conhecimento da vontade de Deus daria aos cristãos as condições necessárias para:
a) andar dignamente diante do Senhor;
b) agradar a Deus em tudo;
c) frutificar em toda boa obra;
d) crescer no conhecimento de Deus.
Esses são os objetivos pelos quais Paulo ora, pois representam aquilo que os cristãos precisavam desenvolver na nova condição recebida em Cristo.
Só é possível conhecer a vontade de Deus mediante sabedoria e inteligência espiritual. Paulo emprega o adjetivo “espiritual” para distinguir essa sabedoria e essa inteligência da sabedoria meramente humana ou secular. Trata-se do conhecimento proveniente do evangelho, ensinado pelo Espírito, e não de especulações humanas.
Essa distinção aparece claramente em 1 Coríntios 2:1–16. Paulo evangelizava consciente de que anunciava o poder de Deus para os que cressem, e não uma mensagem fundamentada em sabedoria humana:
“…não fui com sublimidade de palavras ou de sabedoria (…) a minha palavra, e a minha pregação, não consistiu em palavras persuasivas de sabedoria humana (…) Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens… ” (1 Coríntios 2:1 -5).
A mensagem apostólica era anunciada com sabedoria e inteligência espirituais, segundo aquilo que o Espírito Santo ensinava:
“As quais também falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina…” (1 Coríntios 2:13).
Portanto, Paulo classifica a sabedoria e a inteligência como espirituais para diferenciá-las da sabedoria humana. Essa sabedoria espiritual está vinculada ao evangelho e à renovação do entendimento.
Essa relação aparece em outros textos paulinos:
“… e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou” (Colossenses 3:10); compare com:
“ … que sejais cheios do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” (Colossenses 1:9); compare com:
“E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e prefeita vontade de Deus” (Romanos 12:2).
Renovar, transformar e ser cheio do conhecimento dizem respeito ao mesmo processo: o novo homem deve ser revestido daquilo que é próprio de sua nova condição. Aquele que foi criado em Cristo precisa experimentar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus, para andar dignamente diante do Senhor e agradá-lo em tudo.
Agradando a Deus
10 Para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda a boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus;
Os elementos apresentados neste versículo são introdutórios e serão retomados, de modo mais desenvolvido, no capítulo 3, especialmente nos versículos 8 a 11.
O versículo trata do porte do cristão, sem reduzir a questão a um sistema moral ou legal. Os cristãos foram criados em Cristo e feitos idôneos para participar da herança dos santos; contudo, deveriam conformar sua maneira de viver à verdade do evangelho. Andar dignamente é andar como filhos da luz, uma vez que já são filhos da luz (Efésios 5:8). Não é o andar que torna alguém filho da luz, nem é ele que garante tal condição; antes, essa condição decorre do fato de o cristão ter sido gerado de Deus.
Desde que ouviu de Epafras que havia cristãos em Colossos, Paulo passou a agradecer a Deus por eles também serem participantes da esperança reservada nos céus. Contudo, o apóstolo também passou a orar para que adquirissem uma nova maneira de viver, isto é, para que andassem dignamente diante do Senhor.
Essa mesma preocupação aparece em outras cartas:
“Assim como bem sabeis de que modo vos exortamos e consolamos, a cada um de vós, como o pai a filhos; Para que vos conduzísseis dignamente para com Deus, que vos chama para o seu reino e glória” (1 Tessalnicenses 2:11 -12);
“Somente deveis portar-vos dignamente conforme o evangelho de Cristo…” (Filipenses 1:27).
A preocupação de Paulo era que os cristãos agradassem a Deus em tudo e frutificassem em toda boa obra. O escritor aos Hebreus expressa essa mesma ideia em uma única frase:
“Vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Jesus Cristo…” (Hebreus 13:21).
Por meio do conhecimento da vontade de Deus, os cristãos poderiam andar de modo digno do evangelho, agradar a Deus e frutificar em toda boa obra (Efésios 2:10), além de crescer no conhecimento de Deus. Esse crescimento no conhecimento os preservaria de desvios como formalismo, legalismo, moralismo e ascetismo, questões que geralmente emergem da religiosidade e que são enfrentadas ao longo da carta.
Observe-se, portanto, que o crescimento do cristão ocorre no conhecimento, pois, quanto à posição em Cristo, ele já alcançou a maioridade: já é participante da herança dos santos na luz.
O poder de Deus
11 Corroborados em toda a fortaleza, segundo a força da sua glória, em toda a paciência, e longanimidade com gozo;
Para alcançar o que foi exposto no versículo anterior — andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus — os cristãos deviam contar com “toda a fortaleza” concedida por Deus. Essa fortaleza não procede do homem, mas é “segundo a força da sua glória”, isto é, segundo o poder que procede de Deus e se manifesta em Cristo.
Essa mesma ideia aparece na carta aos Efésios:
“Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior;” (Efésios 3:16).
O Espírito que corrobora o homem interior diz respeito à ação da palavra do evangelho, pela qual o cristão é fortalecido e conduzido ao conhecimento de Deus. Por isso, Paulo também exorta os cristãos a serem cheios do Espírito (Efésios 5:18), isto é, cheios da palavra que é espírito e vida.
É nesse sentido que Paulo define o evangelho como poder de Deus:
“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê…” (Romanos 1:16).
E também como evangelho da glória de Deus:
“Conforme o evangelho da glória de Deus bem-aventurado, que me foi confiado.” (I Timóteo 1:11).
A “força da sua glória”, portanto, não é uma energia abstrata, mas o poder de Deus revelado no evangelho, cuja essência é Cristo. É por meio dessa força que o cristão é corroborado no homem interior, permanecendo firme na nova condição recebida.
Somada a essa fortaleza, os cristãos contam com a paciência e a longanimidade de Deus, acompanhadas de gozo. Deus é paciente e longânime para com aqueles que recebeu por filhos, conduzindo-os ao crescimento e à maturidade. O que ainda lhes falta não é idoneidade para a herança, pois isso já receberam em Cristo, mas crescimento até a perfeita varonilidade, “à medida da estatura completa de Cristo”.
Deus criou o homem com capacidade de aprender e compreender; por meio dessas faculdades, deseja preenchê-lo do conhecimento da sua vontade, em toda sabedoria e inteligência espiritual. Sendo Deus paciente e longânime, o cristão deve andar dignamente diante d’Ele, pois dispõe de toda fortaleza segundo a força da sua glória.
Na carta aos Efésios, Paulo também faz referência a esse poder divino operando nos que creem:
“E qual a sobre-excelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder” ( Efésios 1:19 ).
Essa força é inseparável da mensagem da cruz, pois o evangelho é o poder de Deus para os que são salvos:
“Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus.” (1 Coríntios 1:18);
“Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus.” (1 Coríntios 1:24).
Assim, ser “corroborado em toda fortaleza” é ser fortalecido por Deus mediante o evangelho de Cristo, para permanecer firme, crescer no conhecimento, suportar com paciência e longanimidade as adversidades, e fazê-lo com gozo.
Bendizendo por Bênçãos Eternas
12 Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz;
Paulo deixa de falar a partir da primeira pessoa do plural restrita a ele e Timóteo — “graças damos a Deus…” (Colossenses 1:3–11) — e passa a empregar a primeira pessoa do plural em sentido inclusivo: “dando graças ao Pai que nos fez idôneos…” (Colossenses 1:12–14). Agora, o “nos” inclui Paulo, Timóteo e todos os cristãos.
Essa é uma observação importante na interpretação das cartas: é preciso identificar quando o escritor se inclui ou se exclui da ação descrita. Quando Paulo diz “damos graças a Deus”, ele demonstra que ele e Timóteo agradeciam a Deus; nessa ação, os cristãos de Colossos são o motivo da gratidão, mas não os sujeitos que a praticam. Do versículo 3 ao 11, o apóstolo descreve suas ações e as de Timóteo em favor dos colossenses.
A partir do versículo 12, porém, Paulo passa a descrever a ação de Deus em benefício de todos os cristãos. Por isso, inclui na narrativa os colossenses, Timóteo e a si mesmo, demonstrando aquilo que Deus concedeu a todos os irmãos em Cristo (Colossenses 1:12–14).
Deus fez os cristãos idôneos, isto é, concedeu-lhes plena capacidade para participarem da herança dos santos. Quando creram na mensagem do evangelho, receberam poder para serem feitos filhos de Deus (João 1:12). E, ao serem criados em Cristo, foram criados em verdadeira justiça e santidade (Efésios 4:24). Desse modo, Deus forma, em Cristo, um novo homem — uma nova criatura — em uma nova condição: as coisas velhas passaram, e tudo se fez novo.
Essa idoneidade própria dos santos lhes confere direito à herança; contudo, isso não significa que o cristão já tenha alcançado a “medida da estatura completa de Cristo” (Efésios 4:13). Essa estatura demanda crescimento e aperfeiçoamento, razão pela qual Paulo ora para que os cristãos sejam plenos “do conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e inteligência espiritual” (Colossenses 1:9).
Alcançar a medida da estatura completa de Cristo requer desenvolvimento espiritual, o que se dá por meio do alimento adequado à maturidade de cada cristão: o leite racional para os recém-nascidos e o alimento sólido para os exercitados.
“Desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo.” (1 Pedro 2:2)
“Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.” (Hebreus 5:14)
As novas criaturas vêm à existência com pleno direito à herança reservada nos céus, não necessitando permanecer debaixo de tutores ou curadores, como ocorria sob a lei (Gálatas 4:1–2). Participar da herança dos santos na luz é, portanto, uma forma de descrever a nova condição concedida por Deus aos que estão em Cristo.
Como filhos da luz, os cristãos passaram a ser herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo (Efésios 5:8; Romanos 8:17). Sendo filhos de Deus, possuem herança em Deus, isto é, na luz.
A condição de “santos” decorre da nova natureza recebida na regeneração. Os cristãos, por crerem em Cristo, receberam de Deus o poder de serem feitos filhos, nascidos de semente incorruptível. Por serem novas criaturas em Cristo, tornaram-se participantes da natureza divina (2 Pedro 1:4), receberam a plenitude em Cristo (Colossenses 2:10) e, por isso, são designados eleitos de Deus para serem santos e irrepreensíveis (Efésios 1:4).
