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Não há outro evangelho, isto porque Deus concedeu somente um evangelho, no qual tornou conhecida a sua graça através da oferta do seu Filho Unigênito Jesus Cristo.


Apresentação Pessoal e Destinatários

1 PAULO, apóstolo (não da parte dos homens, nem por homem algum, mas por Jesus Cristo, e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos),

O apóstolo Paulo além de identificar-se, demonstra que o seu apostolado não foi adquirido por esforço ou mérito próprio. Ele enfatiza que o seu apostolado foi confiado por Jesus, ou seja, o seu serviço a favor dos cristãos não se constitui uma conquista pessoal, e nem mesmo foi entregue por homens.

Quando ele afirma que não foi por intermédio de ‘homem algum’, fica demonstrado que o seu apostolado não foi uma nomeação dada pelos outros apóstolos, como foi o caso de Matias, mas por Jesus Cristo.

Quando da nomeação dos outros apóstolos, Jesus ainda não havia padecido e subido ao Pai. Lucas, ao falar da nomeação de Matias para o apostolado, demonstra que uma das exigências para exercer o apostolado era ter vivido com Cristo, ou seja, que tivesse visto a Cristo em carne ( At 1:21 ).

A nomeação de Paulo para o apostolado é interessante, pois foi concedida por Cristo, e este já glorificado. Diferente dos outros apóstolos que haviam visto Jesus em carne, Paulo viu a Jesus glorificado ( 2Co 5:16 ).

O apóstolo aproveita para fazer uma pequena defesa de seu apostolado em sua saudação, mas que, por outro lado, é uma grande defesa pela grandeza do argumento utilizado. Se Cristo o nomeou, que homem poderia contestar?

Observe a diferença de introdução desta carta com a carta aos Efésios.

 

2 E todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia:

Possivelmente haviam vários irmãos junto a Paulo quando esta carta foi escrita, o que tornou impossível nomeá-los um a um.

Há muita discussão sobre qual o local, ou onde se situava a região da galácia, mas estes questionamentos não são o foco deste estudo. O que importa para a nossa abordagem é a certeza sobre quem escreveu esta epístola.

 

Saudação

3 Graça e paz da parte de Deus Pai e do nosso Senhor Jesus Cristo,

Graça refere-se ao favor imerecido de Deus que alcança a todos os homens, que em todo lugar invocam a Cristo como Senhor. Esta saudação visa revigorar a esperança comum aos cristãos.

A paz refere-se ao fim da inimizade que havia entre Deus e os homens. Deus em Cristo reconciliou consigo mesmo o mundo, e é daí que advém a paz que excede todo entendimento. O cristão adquire paz com Deus e paz de espírito, pois ela foi estabelecida em Cristo. Esta paz não é fruto de uma conquista pessoal, ou seja, através de méritos humanos, o que a tornaria instável.

A graça e a paz que recebemos da parte de Deus é certeza que Deus recebeu os cristãos por filhos. O cristão é filho de Deus, e propriedade de nosso Senhor e Rei, Jesus Cristo.

 

4 O qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de Deus nosso Pai,

Cristo se entregou, ou seja, não foi conquistado. Ele mesmo disse: “Por isso o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém a tira de mim, mas Eu espontaneamente a dou. Eu tenho autoridade…” ( Jo 10:17 -18).

Por causa dos pecados dos homens Cristo doou-se. Os pecados da humanidade foi a causa da necessidade de Cristo entregar-se na morte.

O cristão é livre do presente século mau, e passou a participar dos bens pertinentes ao século vindouro, na qual o reino de Deus será estabelecido. No entanto, hoje, o cristão já é de novo criado em Cristo, e também idôneos para participar da herança dos santos na luz.

Desde o momento que o homem é Regenerado, lhe é concedida ampla entrada a esta graça.

Cristo homem, na condição de servo, se deu, segundo a vontade de Deus Pai, com a finalidade específica de livrar os homens do presente século mau, porque o curso deste mundo é morte decorrente da inimizade estabelecida com Deus lá no Éden, em Adão. O mundo jaz no maligno (morto), pois está separado da vida que há em Deus.

Qual a vontade de Deus? Que fossemos santificados pela oferta do corpo de Cristo ( Hb 10:10 e 14). Cristo se deu a si mesmo para a santificação dos que creem em seu nome, segundo a vontade de Deus Pai.

 

5 Ao qual seja dada glória para todo o sempre. Amém.

Diante de tudo que foi concedido aos cristãos, segundo a vontade de Deus, o apóstolo rende adoração: a Deus, glória pelos tempos eternos.

 

Encerra-se a saudação, e o apóstolo tem urgência em tratar do tema que se segue: a inconstância dos gálatas.

 

A Inconstância dos Gálatas

6 Maravilho-me de que tão depressa passásseis daquele que vos chamou à graça de Cristo para outro evangelho;

Causou admiração, e até mesmo espanto ao apóstolo, a rapidez com que os irmãos da galácia estavam se afastando da graça de Cristo revelada no evangelho.

Foi Deus quem chamou os cristãos à graça de Cristo, e se eles estavam se afastando do verdadeiro evangelho, estavam rejeitando o chamado de Deus.

A graça de Cristo é revelada através do evangelho, e é nesta maravilhosa graça que Deus convoca os homens à salvação. Deus convoca sem distinção os homens à graça de Cristo por meio do evangelho, que é poder para todos aqueles que creem, fazendo-os filhos de Deus ( Jo 1:12 ; Rm 1:16 ).

O evangelho é chamado de Deus a todos os homens. Por ser um ‘convite’ a todos os homens, sem distinção de raça, língua ou condição social, demonstra que a graça de Deus é universal, anunciada a todos os homens ( Lc 2:14 ).

Deus quer o bem de todos os homens, e por isso, amou o mundo de uma maneira tal que enviou o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê, não pereça, mas tenha a vida eterna ( Jo 3:16 ).

Paulo é claro: Deus chama os homens à salvação por meio do evangelho, sem fazer qualquer tipo de seleção dentre os perdidos.

 

7 O qual não é outro, mas há alguns que vos inquietam e querem transtornar o evangelho de Cristo.

Não há outro evangelho, isto porque Deus concedeu somente um evangelho, no qual tornou conhecida a sua graça através da oferta do seu Filho Unigênito Jesus Cristo.

O apóstolo Paulo Paulo demonstra que havia entre os cristãos pessoas que ‘transtornavam’ a mensagem do evangelho de Cristo, algumas vezes tentando amalgamar evangelho com práticas judaicas, outras tentando implantar filosofias e tradições de homens. Estas pessoas estavam incomodando os cristãos com um pseudo-evangelho, e tentavam transtornar a mensagem de salvação.

 

8 Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.

Mesmo após se surpreender com a inconstância de alguns cristãos da galácia, o apóstolo dos gentios se lança em defesa do evangelho.

A defesa é tão veemente que o apóstolo Paulo se inclui no rol daqueles que poderiam aparecer aos cristãos anunciando outra mensagem, porém, qualquer outra mensagem é anátema. Nem mesmo a pessoa do apóstolo Paulo ou de quem quer que fosse teria autoridade para dar autenticidade a qualquer mensagem diferente da do evangelho.

O alerta do apóstolo demonstra que até mesmo uma mensagem transmitida por algum ser angelical, é igualmente maldita.

 

9 Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema.

O apóstolo demonstra o quão séria é a questão repetindo com veemência o que fora dito: qualquer outra doutrina que tente se passar pelo evangelho, é considerada anátema.

 

10 Porque, persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo.

Paulo demonstra que não está interessado em agradar os homens, mas somente a Deus. Caso ele fizesse diferente, não seria servo de Cristo.

 

11 Mas faço-vos saber, irmãos, que o evangelho que por mim foi anunciado não é segundo os homens.

Uma carta geralmente faz referência a um fato passado ou traz informação sobre algo possível no futuro. Esta característica de uma carta não se perde nas epístolas do apóstolo, pois demonstra que o evangelho já havia sido anunciado aos irmãos da galácia.

Eles já haviam recebido a verdade do evangelho, e, portanto, a carta de Paulo não é de cunho evangelístico. A carta somente demonstra aspectos do evangelho, fazendo com que os leitores da carta lembrem o que fora dito anteriormente.

Devemos ter em mente que o apóstolo não apresenta conceitos acerca do evangelho em suas cartas (isto ele já havia feito pessoalmente), antes aponta princípios gerais que devem ser analisados em conjunto com o A. T., e com o anunciado por Cristo.

 

12 Porque não o recebi, nem aprendi de homem algum, mas pela revelação de Jesus Cristo.

O apóstolo Paulo evidencia que o evangelho não é recebido e nem aprendido de homens, quais quer que sejam. O evangelho é proveniente de judeus ou gregos, pois não é segundo os homens. Nenhum homem pode lançar luz a qualquer nuance do evangelho de si mesmo, antes o evangelho tornou-se conhecido por Cristo ser manifesto ao mundo.

Cristo encarnado é a revelação do evangelho ao mundo.

 

 

O Passado do Apóstolo

13 Porque já ouvistes qual foi antigamente a minha conduta no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Deus e a assolava.

Paulo relembra o seu passado sombrio e que trouxe amargura aos primeiros cristãos. Por possuir uma posição de destaque em meio ao judaísmo, Paulo perseguia com afinco a igreja ( At 26:5 ).

Seu zelo era reforçado pela ignorância acerca de Deus. Paulo fala que os Judeus serviam a Deus sem entendimento, e esta era a sua conduta no judaísmo ( Rm 10:2 ).

 

14 E na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais.

Antes de se tornar cristão, o apóstolo Paulo possuía um vínculo estreito com a religião de sua nação. Este vínculo foi estabelecido por meio de um sistema religioso rígido, o judaísmo, aliado a tradição de seus pais.

Paulo lembra que a sua devoção era tamanha, que em muitos aspectos era notável o seu serviço, pois excedia o comportamento daqueles que tinha a sua idade.

 

15 Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça,

Paulo faz referência a dois eventos: separação e chamado.

O chamado de Paulo deu-se por meio da graça de Deus: graça é favor imerecido de Deus anunciado por meio do evangelho a todos os homens, o que demonstra não haver uma escolha dentre os perdidos para que recebam a salvação de Deus (v. 6). O chamado de Paulo é idêntico a de qualquer outro cristão, deu-se por meio do evangelho.

Paulo foi separado desde o ventre de sua mãe sob a aprovação de Deus, mas, para que? Para pregar o evangelho entre aos gentios.

Já seu chamado se dá por meio do evangelho, e é por graça, como ele mesmo afirma. Mas o serviço de apóstolo do evangelho se dá por escolha, dentre os que aceitaram a Cristo.

 

16 Revelar seu Filho em mim, para que o pregasse entre os gentios, não consultei a carne nem o sangue,

Deus separou Paulo para uma missão específica: pregar o evangelho, revelando Cristo aos gentios! Cristo é revelado em Paulo, pela decisão que tomou em seguir a Cristo, e após, foi comissionado para anunciar o evangelho.

Paulo foi escolhido, separado para ser apóstolo, porém, para ser salvo precisou crer da mesma forma que todos os outros homens. Não há uma graça ‘melhor’ revelada somente a algumas pessoas, como muitos alegam.

O serviço para Deus pode ser através da onipotência e onisciência de Deus. A salvação jamais. Ela é concedida graciosamente, e o homem precisa aceita-la pela fé. Gideão, Ciro e Faraó são exemplo de como a onipotência e onisciência de Deus colocaram estes dois homens a serviço d’Ele, porém, não alcançaram a salvação.

Paulo nasceu com uma missão desde o ventre de sua mãe. A escolha de Deus para que alguém desempenhe uma missão especifica é soberana, porém, ele não predestina ninguém à salvação. Missão é missão, já a salvação é por graça e se alcança por meio da fé!

‘…não consultei a carne…’: refere-se aos homens e ao sistema religioso na qual Paulo se encontrava: o judaísmo.
‘…nem o sangue’: refere-se a sua descendência, que é proveniente de sua nação e de seus pais.

 

17 Nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia, e voltei outra vez a Damasco.

Da mesma forma que o apóstolo não se apoiou em suas origens ao receber o evangelho, também não se apoiou naqueles que já eram apóstolos bem antes de Paulo ser comissionado.

Os outros apóstolos estavam em Jerusalém, e Paulo seguiu para a Arábia e posteriormente voltou para o local onde se deu a sua conversão.

O apóstolo Paulo passa a fazer um pequeno resumo histórico de como ele agiu após ter recebido a revelação do evangelho e os caminhos pelas quais seguiu e com quem andou, para posteriormente se lançar em defesa do evangelho.

 

18 Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias. 19 E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor.

Após a sua conversão, Paulo só teve contato com Pedro e Tiago nesta visita de quinze dias a Jerusalém, e isto, após três anos de conversão.

 

20 Ora, acerca do que vos escrevo, eis que diante de Deus testifico que não minto. 21 Depois fui para as partes da Síria e da Cilícia. 22 E não era conhecido de vista das igrejas da Judeia, que estavam em Cristo; 23 Mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que já nos perseguiu anuncia agora a fé que antes destruía. 24 E glorificavam a Deus a respeito de mim.

Os judaizantes não aceitavam o testemunho de uma única pessoa como válido, e, por isso, Paulo evoca o testemunho de Deus.

Por questionarem o apostolado de Paulo, ele demonstra que o evangelho proclamado por ele em nada difere do que os outros apóstolos anunciavam.

Claudio Crispim

Nasceu em Mato Grosso do Sul, Nova Andradina, em 1973. Aos 2 anos, sua família mudou-se para São Paulo, onde vive até hoje. O pai ‘in memória’ exerceu o oficio de motorista de ônibus coletivo e a mãe comerciante, ambos evangélicos. Claudio Crispim cursou o Bacharelado em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública na Academia de Policia Militar do Barro Branco e, atualmente exerce a função de Capitão da Policia Militar do Estado de São Paulo. É casado com Jussara e é pai de dois filhos, Larissa e Vinícius. É articulista do Portal Estudo Bíblico (www.estudosbiblicos.org), com mais de 360 artigos publicados e distribuídos gratuitamente na web.

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