Perdição e salvação estão atreladas aos caminhos, e não aos homens

O termo ‘conduz’ utilizado na parábola dos caminhos apresenta a função que o caminho desempenha, ou seja, conduzir a um destino àquele que entra pela porta. A perdição é o destino do caminho espaçoso, e a salvação é o destino do caminho estreito. Como são os caminhos que possuem destinos (salvação e perdição), através da parábola Jesus exclui qualquer conceito de sina, determinismo ou fatalismo quando ao futuro dos homens.


Após analisar a parábola das duas portas e dos dois caminhos, o leitor será capaz de dizer se verdadeiramente Deus predestinou alguns homens à salvação e o restante à danação eterna.

“Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem” ( Mt 7:13 -14)

 

Quando anunciou o reino dos céus no Sermão da montanha, Jesus instruiu os seus ouvintes a ‘entrarem pela porta estreita’ “Entrai pela porta estreita” ( Mt 7:13 ). Jesus é a porta estreita pela qual os justos haveriam de entrar, pois Ele mesmo disse: “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” ( Jo 10:9 ).

O salmo 118 é messiânico e apresenta Cristo como a porta dos justos, assim como Ele é a pedra angular, a pedra de esquina, o servo ferido, a destra do Altíssimo, a Luz que veio ao mundo, o Bendito que vem em nome do Senhor e a vítima da festa “Esta é a porta do SENHOR, pela qual os justos entrarão” ( Sl 118:15 -27 )

Mas, por que é necessário entrar por Cristo? Como entrar por Cristo?

Jesus apresentou três motivos pelos quais é imprescindível entrar pela porta estreita:

“… porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” ( Mt 7:13 )

  • A porta é larga;
  • Dá acesso ao caminho de perdição, e;
  • Muitos entram por ela.

 

Identificando a porta larga

A parábola apresenta somente duas portas e, com relação às portas, Jesus se apresenta como a porta estreita “Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão” ( Lc 13:24 -25; Jo 10:9 ).

A Bíblia não contém uma definição explícita da porta larga, porém através de Cristo, que é a porta estreita, é possível determinar o que é, ou quem é a porta larga.

Há várias concepções que apresentam alguns candidatos para ocupar o ‘cargo’ de porta larga, entretanto, devemos considerar que há uma justa posição entre a figura da porta larga e a figura da porta estreita, de modo que, há quesitos a serem satisfeitos para que um ‘candidato’ à porta larga se enquadre perfeitamente na figura.

Se a porta estreita, que é Cristo, é um homem, segue-se que a figura da porta larga deve fazer referência a um homem. Se a porta estreita é cabeça de uma nova geração, a porta larga também deve fazer referência à cabeça de uma geração.

Muitos indicam o diabo para o cargo de porta larga, entretanto, ele é um anjo caído (não é um homem), e como não pode trazer a existência seres semelhantes a ele, logo, não pode ser cabeça de uma geração. O diabo não se enquadra na justa posição que há entre as figuras da porta larga e da porta estreita ( Lc 20:35 -36).

O pecado, por sua vez, diz de uma condição a que o homem está sujeito, ou seja, alienado de Deus, portanto, não é um ser, não é anjo e nem homem. O pecado não se enquadra no cargo de porta larga, além de ser impossível o pecado assumir a posição de cabeça de uma geração ( Is 59:2 ).

As instituições humanas também são, muitas vezes, indicadas como porta larga, porém, uma instituição é composta de vários homens reunidos em torno de um objetivo. Não passa de uma assembleia de pessoas, de modo que não se ajusta à figura de porta larga.

O mundo não é a porta larga, visto que o mundo, na bíblia, diz dos homens alienados de Deus regidos por suas paixões, pela concupiscência da carne, concupiscência dos olhos e pela soberba da vida ( Ef 2:2 ; Cl 2:8 ). Logo, não podemos considerar que a porta larga é o diabo, o pecado, o mundo ou uma instituição religiosa.

Resta-nos considerar que, se a porta estreita é um homem, a porta larga necessariamente deve ser um homem. Como Cristo, a porta estreita, veio ao mundo sem pecado, o candidato à porta larga também deve ser um homem que veio ao mundo sem pecado. Como Cristo é a cabeça de uma nova geração de homens espiritais, a porta larga refere-se à cabeça de uma geração de homens. O único homem que se encaixa na figura da porta larga é Adão, pois veio ao mundo sem pecado e é a cabeça de uma geração de homens carnais.

Como pode ser isso? Ora, na bíblia a porta é figura que possui diversos significados, porém, as figuras das portas que Jesus apresentou no Sermão da montanha dizem de nascimento, de modo que Adão é a porta larga por quem todos os homens entram no mundo. Todos os homens quando vem ao mundo (abrem a madre) são gerados segundo a semente de Adão. Todos os homens, exceto Cristo, entraram no mundo através de Adão, que é a porta larga.

Cristo foi lançado pelo Espírito Santo no ventre de Maria, ou seja, desassociado da semente corruptível de Adão. Por ter sido introduzido no mundo por Deus, Cristo é o último Adão, a cabeça de uma geração de homens espirituais ( 1Co 15:45 ). Em outras palavras, Adão é o tipo e Cristo é o antítipo. Adão a figura e Cristo a realidade “… Adão, o qual é figura (tipo) daquele que havia de vir (antítipo)” ( Rm 5:14 ).

Para estar sujeito à paixão da morte, Cristo teve que vir ao mundo à semelhança dos homens (carne do pecado), porém, sem pecado ( Hb 2:9 ). Para isso foi introduzido pelo Espírito Santo no ventre de Maria, pois se fosse gerado segundo a carne, estaria sob a mesma condenação que se abateu sobre a humanidade ( Gl 4:4 ; 1Jo 3:9 ). Já no Éden foi anunciado que o descendente viria da descendência da mulher, em vista da oposição que haveria entre as duas sementes ( Gn 3:15 ).

Vale destacar que, quando Cristo criou o homem no Éden ( Hb 2:10 ), Adão foi criado à imagem e semelhança do Cristo-homem, e não à semelhança do Deus invisível e em glória ( Hb 2:9 ). Adão foi criado à imagem e semelhança do Cristo-homem que havia de vir ao mundo, sendo gerado no ventre de Maria ( Rm 5:14 ), ou seja, não a semelhança do Cristo glorificado, pois tal condição Cristo somente alçou após ressurgir dentre os mortos “Quanto a mim, contemplarei a tua face na justiça; eu me satisfarei da tua semelhança quando acordar” ( Sl 17:15 ).

 

A porta é larga

A porta é designada larga porque todos os homens, para virem ao mundo, necessariamente tem que entrar por Adão ( 1Co 15:46 ). Jesus deixa claro que são muitos que entram pela porta larga, e não todos, isto porque Cristo foi exceção à regra. Enquanto os homens naturais foram lançados na madre através de uma semente corruptível, Jesus foi lançado na madre através da operação sobrenatural do Espírito Santo ( Sl 22:10 ).

Antes de Adão não havia desobediência, pecado ou morte para a humanidade. Com a transgressão de Adão, entrou no mundo o pecado e a morte ( 1Co 15:21 -22 ). Por causa da ofensa de Adão todos os seus descendentes juntamente alienaram-se de Deus ( Sl 53:3 ).

A bíblia é clara quando demonstra que todos os homens juntamente se desviaram, alienaram de Deus. Como foi possível aos homens alienarem-se de Deus juntamente? Ora, existiu um único evento no qual todos os homens estavam ‘juntamente’ reunidos. Por interpretação ( Hb 7:2 ), no Éden todos os homens estavam reunidos na ‘coxa’ de Adão ( Hb 7:10 ). Quando Ele transgrediu, todos se tornaram transgressores. Quando Adão tornou-se imundo, contaminou toda a sua linhagem, pois do imundo não há como vir o puro ( Sl 53:3 ).

Quando os homens alienaram-se de Deus? Alienaram-se de Deus no Éden. Lá no Éden pereceu o homem piedoso e todos os seus descendentes tornaram-se imundos “Já pereceu da terra o homem piedoso, e não há entre os homens um que seja justo; todos armam ciladas para sangue; cada um caça a seu irmão com a rede” ( Mq 7:2 ). É em função da transgressão no Éden que os homens alienam-se de Deus desde a madre, são gerados de uma semente corruptível, a semente de Adão. Como consequência, andam errantes desde que nascem, pois estão em um caminho que os conduz à perdição ( Sl 58:3 ).

 

O caminho de perdição

Após abrir a madre (nascer), ou seja, ‘entrar pela porta larga’ o homem trilha um caminho específico atrelado à perdição. A parábola mostra que a figura do caminho é funcional, pois demonstra que o caminho leva, ou seja, conduz todos os homens que nele se encontram a um único lugar: perdição. De igual modo, a parábola demonstra que o caminho estreito conduz todos os homens que nele se encontram à vida, ou seja, o caminho estreito possui como destino um lugar específico: salvação ( M 7:13 -14).

O termo ‘conduz’ utilizado na parábola dos caminhos apresenta a função que o caminho desempenha, ou seja, conduzir a um destino àqueles que entram pelas portas. A perdição é o destino do caminho espaçoso, e a salvação é o destino do caminho estreito. Como são os caminhos que possuem destinos (salvação e perdição), através da parábola Jesus exclui qualquer conceito de sina, determinismo ou fatalismo quando ao futuro dos homens.

O termo ‘conduz’ evidência a função do caminho, e nada mais. O caminho conduz a um destino específico e certo. Por exemplo: a perdição é o destino do caminho espaçoso, e a vida é o destino do caminho estreito. Ora, a parábola não apresenta a salvação ou a perdição atreladas aos homens, antes a salvação e a perdição foram apresentadas atrelados aos caminhos.

Ninguém vem a Deus se não por Cristo, pois Ele é o caminho que conduz o homem a vida. De igual modo, ninguém vai à perdição se não pelo caminho espaçoso, que conduz à perdição. Enquanto os judeus e os gregos possuíam uma visão fatalista e determinista de mundo, Jesus demonstra que a sua doutrina não segue a concepção da humanidade. Jesus não apresenta a salvação e nem a perdição com destino dos homens, antes como destino dos caminhos, de modo que o evangelho não segue as bases de correntes filosóficas como o fatalismo e determinismo.

Por que é necessário evidenciar esta peculiaridade dos caminhos? Para desmistificar algumas concepções, pois em algumas civilizações antigas, como a dos gregos, o mundo e os seus eventos cotidianos eram regidos por uma sucessão de eventos inevitáveis e preordenados por uma determinada ordem cósmica ou divindade. Tal doutrina afirma que todos os acontecimentos ocorrem de acordo com um destino fixo e inexorável, sem que os homens não podem controla-los ou influenciá-los.

Na mitologia grega têm-se as Moiras, três irmãs que, através da Roda da Fortuna, determinavam o destino, tanto dos deuses, quanto dos seres humanos, portanto, o destino submetia os deuses, que por sua vez, deveriam resignar-se à sua sorte, sina, fado.

Além da cultura greco-romana, temos o fatalismo regendo o estoicismo romano e grego, que por fim, influenciou a doutrina dita cristã da Divina Providência. Divina Providência tornou-se um pensamento teológico que confere à onipotência de Deus controle absoluto sobre todos os eventos nas vidas das pessoas e na história da humanidade. Tal concepção afirma que Deus decidiu e preordenou todos os eventos e nada acontece sem que Deus permita.

Outra corrente filosófica, o determinismo, afirma que todo acontecimento (inclusive o mental) é explicado por relações de causalidade (causa e efeito).

Na bíblia tais pensamentos, sejam mitológicos ou filosóficos, não encontram eco, pois o ‘destino’ é apresentado única e especificamente como o local que se chegará após trilhar um caminho. Na bíblia o termo ‘destino’ é empregado no sentido de local, lugar, porém, não envolve a ideia de preordenação “Como também trezentos escudos de ouro batido; para cada escudo destinou trezentos siclos de ouro; e Salomão os pôs na casa do bosque do Líbano” ( 2Cr 9:16 ).

Quando se lê: “E eu vos destino o reino, como meu Pai mo destinou” ( Lc 22:29 ), não há nada de determinismo no sentido filosófico ou mitológico, antes Jesus indicou que, da mesma forma que Deus reservou o reino para o seu Filho, certo é que o reino pertence aos que creem, pois herdarão com Cristo todas as coisas.

Ora, os dois versos acima possuem o mesmo princípio: assim como o ouro foi preparado em função do escudo, o reino foi preparado para os que creem em Cristo. Isto não quer dizer que algumas pessoas foram destinadas ao reino, e outra não, antes que o reino foi preparado para os que creem. O equivoco de alguns se dá em função da linguagem, pois deixam de considerar que, na antiguidade, as coisas eram definidas pela sua função, serventia “Todas as coisas se definem pelas suas funções” (Aristóteles, A Política. Tradução Nestor Silveira Chaves. Rio de janeiro: Nova Fronteira, 2011, p. 22).

Quando lemos: “Porque Deus não nos destinou para a ira, mas para a aquisição da salvação, por nosso Senhor Jesus Cristo” ( 1Ts 5:9 ), temos que considerar que o apóstolo apresenta a figura do caminho estreito: ‘por nosso Senhor Jesus Cristo’. No verso em comento, o termo ‘destinar’ não foi empregado no sentido de preordenar, e sim, no sentido de reservar.

Como o apóstolo está tratando com os cristãos e trazendo a memória deles a atual condição em Cristo: filhos da luz ( 1Ts 5:5 ), recomenda que deveriam permanecer vigilantes e sóbrios ( 1Ts 5:7 ), revestindo-se do poder de Deus, que é o evangelho ( 1Ts 5:8 ). Pois agora, diferente do tempo em que estavam nas trevas e eram filhos da ira, os cristãos, em função do caminho que conduz à vida (Jesus Cristo nosso Senhor), alcançaram, adquiriram salvação. Ou seja, o apóstolo não diz que os cristãos foram predestinados a salvação, antes que, por estarem no caminho estreito, o destino agora é de salvação, diferente do caminho espaçoso, que é de ira.

Qual a função de um caminho? Conduzir a um lugar, ou seja, destino certo. O lugar vincula-se ao caminho sem qualquer conotação de ‘predestinação’, ‘previsão’, ‘preordenação’. O destino do caminho ligado à porta larga é de perdição, assim como o destino da Rodovia Presidente Dutra é o Rio de Janeiro para quem sai de São Paulo.

Devemos considerar que o Senhor Jesus afirmou que quem tem destino é o caminho ao exortar as pessoas que porfiassem por entrar pela porta estreita. Deste modo, Jesus demonstra que o viajante não está preordenado, predestinado, etc., à perdição, antes é o caminho que dá em um lugar de perdição.

Diante do alerta de Cristo, verifica-se que o viajante pode trocar de caminho, assim como é possível a alguém que está em São Paulo a caminho do Rio de Janeiro pela Rodovia Presidente Dutra pegar a Rodovia Raposo Tavares com destino ao estado do Paraná.

  • “Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” ( Mt 7:13 );
  • “Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando” ( Mt 23:13 );
  • “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” ( Jo 10:9 );

 

A porta é espaçosa porque muitos entram por Adão, e o caminho é espaçoso porque todos que são gerados de Adão são conduzidos à perdição. Jesus vinculou a perdição ao caminho, e não aos homens. Através da parábola fica evidente que o destino vincula-se ao caminho. O caminho e o destino são fixos e atrelados, porém, o homem é atrelado à porta (nascimento), o que significa que é possível deixar o caminho em que está e passar para o outro.

 

O caminho é espaçoso

A porta é espaçosa porque todos os homens, exceto Cristo, entram por Adão e o caminho é espaçoso porque muitos homens são conduzidos à perdição.

Na parábola dos dois caminhos Jesus vinculou a perdição ao caminho, e não aos homens. Através de uma leitura atenta da parábola é evidenciado que o destino está atrelado ao caminho.

O homem nasce pela primeira vez segundo a carne, o sangue e a vontade do varão, ou seja, nasce vinculado à porta larga. Não foi Deus quem estabeleceu que o homem seria gerado em pecado, antes quando Adão desobedeceu, sujeitou-se à condição de alienado de Deus (pecado) e arrastou todos os seus descendentes para a mesma condição. A porta larga surgiu em Adão, que pecou e vendeu todos os seus descendentes ao pecado, de modo que, ao vir ao mundo, nenhum homem é livre do pecado.

A entrada dos homens ao mundo pela porta larga ficou vinculada ao primeiro pai da humanidade, pois nascer da carne é o único meio de o homem entrar no mundo “Teu primeiro pai pecou, e os teus intérpretes prevaricaram contra mim” ( Is 43:27 ; Os 6:7 ). Para entrar pela porta larga o homem não exerce escolha, assim como os que descendiam (filhos) dos escravos não escolhiam a condição social quando viam ao mundo. Ou seja, ninguém que entra pela porta larga escolheu entrar por ela.

A figura é completa em si mesma, pois os caminhos possuem um destino certo e imutável, porém, os homens não estão atrelados a um destino, quer seja perdição ou salvação.

No dia a dia, se um homem quiser chegar a um destino, necessariamente terá que escolher qual caminho tomar, pois o destino está atrelado ao caminho. Se um viajante deseja sair de São Paulo com destino ao Rio de Janeiro, terá de percorrer a Rodovia Presidente Dutra.

Através da parábola dos dois caminhos é patente que Deus não predestinou ninguém à salvação eterna ou a danação eterna. Quando um novo homem vem ao mundo, necessariamente entra pela porta larga e estará em um caminho largo que o conduz á perdição.

Ninguém que entra no mundo por Adão está predestinado à perdição, pois é o caminho que conduz à perdição. O caminho espaçoso possui um destino, ou seja, está atrelado a um lugar. O lugar que o caminho espaçoso conduz é de perdição, diferente do caminho estreito, que conduz à salvação.

Semelhantemente, ninguém que entra por Adão está predestinado à salvação, visto que, por ter entrado no mundo através da porta larga, está em um caminho largo que o conduz à perdição. A concepção de que há homens que veem ao mundo predestinados à salvação deixa de considerar que todos são formados em iniquidade e concebidos em pecado, portanto, nascem pecadores e no caminho de perdição.

Ora, se houvesse predestinação para salvação, necessariamente o indivíduo predestinado não poderia vir ao mundo por Adão. Teria que entrar por outra porta, à parte de Cristo ou de Adão, porém, tal porta não existe. Para entrar por Cristo, primeiro o homem tem que entrar por Adão, e após entrar por Adão, somente é possível entrar no reino dos céus fazendo obra que exceda a dos escribas e fariseus: crer em Cristo, ou seja, nascendo de novo ( Mt 5:20 ; Jo 3:3 e Jo 6:29 ).

Quem nasce apenas uma vez permanece no caminho espaçoso, quem nasce de novo, ou seja, a segunda vez, sai do caminho de perdição e passa para o caminho que conduz à salvação, que é Cristo.

Salvação e perdição não são destinos preordenados aos homens antes de nascerem, pelo contrário, salvação e perdição estão vinculadas ao caminho que os homens trilham após entrarem pelas portas. Os homens acessam as portas uma por vez e na seguinte ordem: primeiro a porta larga, depois a estreita. Se entrar por Adão, estará em um caminho de perdição, se por Cristo, em um caminho de salvação.

 

Muitos entram pela porta larga

Quando nascem, os homens estão em um caminho de perdição (exceto Cristo), porém, lhes é concedido a oportunidade de entrarem pela porta estreita. Todos os homens entram pela porta larga e, para receber salvação, precisam entrar por mais uma porta, de modo que, para alcançar vida eterna, os homens devem passar por duas portas, ou seja, por dois nascimentos.

Como já afirmamos, o destino de um caminho é imutável, ou seja, se há alguma espécie de fatalismo ou determinismo expresso no cristianismo, ele recai única e exclusivamente sobre o caminho, jamais sobre os viajantes.

Todos os homens entram neste mundo por Adão, e nenhum deles está predestinado à salvação. O que a bíblia demonstra é que todos que entram por Adão percorrerem um caminho largo que os conduz à perdição. Os dois caminhos estão atrelados a lugares específicos (destinos) e imutáveis.

Como a perdição (destino, lugar) está atrelada ao caminho espaçoso, e não aos homens, Jesus faz um convite solene, verdadeiro e real a todos os homens nascidos de Adão: “Entrai pela porta estreita” ( Mt 7:13 ). Tal convite demonstra que é possível mudar do caminho com destino à perdição para o novo e vivo caminho cujo destino é a vida eterna.

A porta larga é figura de nascimento natural e a porta estreita do novo nascimento. A porta larga trás ao mundo almas viventes e a porta estreita trás homens espirituais. O novo nascimento diz de uma nova geração proveniente da semente incorruptível (palavra de Deus), diferente do nascimento natural, que é decorrente da semente corruptível ( 1Pe 1:23 ).

Nesta parábola, porta é o mesmo que nascimento, de modo que, todos quantos são nascidos de Adão, são carnais e seguem por um caminho que conduz à perdição. Semelhantemente, todos quantos entram por Cristo, nascem de novo, estão em um caminho estreito que os conduz a Deus.

Jesus disse: – “Eu sou a porta”! “Eu sou o caminho”! Primeiro o homem entra neste mundo por Adão, depois é necessário entrar por Cristo, nascendo de novo da água e do Espírito. Cristo é o caminho que conduz o homem a Deus. Cristo é o caminho que possui salvação como destino. Qualquer que entra por Ele está no caminho que o conduz única e especificamente a Deus.

O caminho é estreito porque poucos entram por Cristo, e o caminho é largo porque são muitos que entram por Ele. Não é comportamento, moral ou caráter que qualifica a largura do caminho, e sim a quantidade de acesso.

 

Mudança de caminho

Como sair do caminho largo e entrar no caminho estreito?

Para o homem nascer de novo, primeiro é necessário tomar sobre si a sua própria cruz e seguir após Cristo, ou seja, para nascer de novo primeiro é necessário morrer ( Cl 3:3 ). Sem morrer é impossível nascer de novo “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” ( Gl 2:20 ; Rm 6:6 ).

Fica evidente que dentre os nascidos de Adão não há ninguém predestinado à salvação, visto que, se não nascer de novo, não entrará no reino dos céus. Ora, quem entra nos céus é a nova criatura, porque a velha gerada em Adão é crucificada e morta, evidenciando que é impossível aos gerados em Adão herdarem a salvação.

Se alguém gerado da semente de Adão fosse predestinado à salvação, não necessitaria morrer com Cristo. Mas, se é necessário morrer com Cristo, evidentemente ninguém é predestinado à salvação. Se houvesse predestinação para salvação, certo é que o homem não seria sujeito à morte: nem a física, nem a morte com Cristo.

O homem que herda a salvação não é o mesmo que veio ao mundo, visto que do homem que veio ao mundo só é aproveitado o barro, a massa, porém, é dado um novo coração e um novo espírito. Quando o homem morre com Cristo, o vaso de desonra é quebrado e feito um novo vaso de honra da mesma massa. É por está peculiaridade que é impossível ao homem gerado de Adão ter sido predestinado à salvação, pois é necessário um novo nascimento, uma nova criação, um novo pai de família, um novo coração e um novo espírito “Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?” ( Rm 9:21 ).

O homem pode assumir duas condições: a de perdido, pois quando nasce segundo a carne é homem natural, velha criatura, velho homem, velho ‘eu’, carnal, terreno, etc., e: a de salvo, pois quando nasce de novo, crucificou a velha natureza e foi de novo criado em verdadeira justiça e santidade. Se a velha criatura é crucificada e morre, certo é que tal indivíduo não foi predestinado à salvação.

Volto a repetir, se o homem fosse predestinado à salvação não seria necessário morrer para ser gerado um novo homem.

O novo homem é criado em verdadeira justiça e santidade, diferente do velho homem que foi gerado em iniquidade e em pecado ( Sl 51:5 ). O novo homem possui um novo coração e um novo espírito, portanto, não possui vínculo com o velho homem que herdou um coração de pedra. O velho homem não foi predestinando à salvação, pois é necessário a todos que se salvam crucificarem a velha natureza com as suas concupiscências ( Gl 5:24 ).

A ideia de que Deus predestinou alguns homens à salvação e outros à danação eterna antes mesmo de virem ao mundo, não coaduna com o posicionamento da bíblia, pois se assim fosse, os homens gerados de Adão predestinados à salvação não teriam que ser crucificados “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” ( Gl 2:20 ). Como é imprescindível a crucificação com Cristo, certamente não há predestinação de indivíduos à salvação. Como é imprescindível morrer e renascer, certamente o homem salvo não é o mesmo que nasceu segundo a carne e o sangue ( Jo 1:12 -13).

A predestinação que a bíblia apresenta é para ser filho por adoção, difere muito da ideia de predestinação para salvação ( Ef 1:5 ).

O que isso significa ser predestinado para filho por adoção? Que qualquer que entrar por Cristo e perseverar n’Ele não terá outro destino: será um dos filhos de Deus ( Rm 8:29 ).

Todos que entram pela porta estreita, que é Cristo, conhecem a Deus, ou antes, foram conhecidos d’Ele (conhecer=tornar-se um só corpo, comunhão íntima). Para que Cristo fosse alçado à posição de primogênito entre muitos irmãos após morrer e ressurgir (uma vez que fora introduzido no mundo sendo o Unigênito de Deus), todos os que entraram por Cristo foram predestinados a serem filhos de Deus “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 ).

Sem a igreja, a assembleia dos primogênitos, não haveria como Jesus ser primogênito entre muitos irmãos. Em função do propósito de tornar Cristo preeminente em tudo, Deus criou uma nova categoria de homens semelhantes a Cristo, sendo Ele a cabeça. Para o primogênito ser preeminente, há a necessidade de irmãos semelhantes a Ele em tudo. Entre sublimes, Cristo é mui sublime. É neste sentido que Deus predestinou os que conheceram a Cristo para serem filhos por adoção, assunto diverso da ideia de predestinação para salvação ( Ef 1:5 ).

Todas as vezes que o apóstolo Paulo aborda a questão da predestinação, o faz em conexão com a filiação divina, de modo que, qualquer que entrar por Cristo, inexoravelmente será filho de Deus. Não há outro destino, ou destinação para aqueles que entram por Cristo: são filhos por adoção, portanto, santos e irrepreensíveis.

Uma má leitura das Escrituras que despreza o fato de que salvação não é o mesmo que filiação divina levará o leitor a considerar que o termo predestinação se aplica à salvação e à perdição, porém, o equivoco ocorre pode alcançar a salvação sem, contudo alcançar a condição de semelhante a Cristo, condição exclusiva para os que compõe o corpo de Cristo: a igreja.

Os homens salvos no milênio não farão parte da igreja, não serão filhos por adoção e nem serão semelhantes a Cristo. A bíblia demonstra que, além de serem salvos da condenação estabelecida em Adão, por ser o corpo de Cristo, os que creem alcançaram a posição de semelhantes a Cristo, filhos de Deus, participantes da assembleia dos primogênitos, para que Cristo seja o primogênito e tenha a preeminência entre muitos irmãos.

A condição dos membros do corpo de Cristo na plenitude dos tempos ( Gl 4:4 ), a igreja, é completamente distinta dos salvos em outras épocas. O grande diferencial está no quesito filiação. Enquanto os salvos à parte da igreja são contados como filhos de Israel, os cristãos são contados como filhos de Deus, pois assim como Cristo é, os cristãos hão de vê-Lo e serão semelhantes a Ele. Por causa desta condição, à saber: a de semelhantes a Cristo, será dado à igreja a autonomia de julgar os anjos ( 1Co 6:2 -3).

 

O equilíbrio entre as figuras

Há equilíbrio entre os elementos que compõem as figuras das duas portas e dos dois caminhos. Por exemplo: Como Cristo é a cabeça de uma geração de homens espirituais (servos da justiça), e é a porta estreita; a porta larga também se refere à cabeça de uma geração de homens, porém, de homens carnais, servos do pecado.

Para compreender melhor a figura das duas portas, é essencial compreender que em Cristo, Deus estabelece a sua justiça, de modo que, pela desobediência do primeiro Adão a penalidade da morte foi imposta e todos morreram e, pela obediência do último Adão, a ressurreição veio, portanto, todos que creem são vivificados ( 2Co 15:21 -22).

Ora, se a justiça está na obediência de Cristo e a injustiça na desobediência de Adão, a justiça de Deus é substituição de ato: obediência em lugar da desobediência.

Ora, os nascidos da desobediência são filhos da ira, da perdição; já os filhos da obediência são filhos de Deus.

A relação que há entre Jesus e Adão é nítida em Romanos 5, versos 14 à 19: “No entanto, a morte reinou desde Adão até Moisés, até sobre aqueles que não tinham pecado à semelhança da transgressão de Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir. Mas não é assim o dom gratuito como a ofensa. Porque, se pela ofensa de um morreram muitos, muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos. E não foi assim o dom como a ofensa, por um só que pecou. Porque o juízo veio de uma só ofensa, na verdade, para condenação, mas o dom gratuito veio de muitas ofensas para justificação. Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo. Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida. Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos”.

Quando observamos os homens: Adão e Cristo, respectivamente, temos a figura e a imagem exata. Enquanto este trouxe a morte, aquele a vida. Enquanto Adão é o primeiro homem, Jesus é o último Adão. Enquanto Adão, que estava vivo, trouxe a condenação na morte, Jesus morreu e trouxe a redenção ( 1Co 15:45 -47).

 

O destino é atrelado ao caminho, e não aos homens

Através das figuras dos dois caminhos, constata-se que os caminhos permanentemente estão atrelados a um lugar, um destino. Através da figura das duas portas, que os homens estão atrelados a uma condição decorrente do seu nascimento: terreno ou espiritual.

Deus não mudará o destino dos caminhos (salvação e perdição) e nem a condição decorrente do nascimento (pecado e justiça), ou seja, há lugar de perdição e lugar de descanso e, perdidos e salvos. Mas, como a condição de nascimento pode ser alterada, Deus roga, pelos seus embaixadores, que os homens porfiem por entrar pela porta estreita “Porfiai por entrar pela porta estreita; porque eu vos digo que muitos procurarão entrar, e não poderão” ( Lc 13:24 ); “De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. Rogamos-vos, pois, da parte de Cristo, que vos reconcilieis com Deus” ( 2Co 5:20 ).

A mensagem dos embaixadores de Cristo é de reconciliação ( 2Co 5:18 ). Na reconciliação há oportunidade, e não preordenação. Em Deus há liberdade, pois liberdade é pertinente ao Espírito de Deus. Se há liberdade diante do espírito que concede vida, certo é que nada foi preordenado quanto ao futuro dos homens, evidenciando assim a soberania e a justiça de Deus que a ninguém oprime “Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar; grande é em poder; porém a ninguém oprime em juízo e grandeza de justiça” ( Jó 37:23 ).

O homem sem Cristo está separado de Deus em função do caminho, e não em função de um destino, sina, fado, preordenação, etc. “Porque o SENHOR conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá” ( Sl 1:6 ); “E os teus ouvidos ouvirão a palavra do que está por detrás de ti, dizendo: Este é o caminho, andai nele, sem vos desviardes nem para a direita nem para a esquerda” ( Is 30:21 ).

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A luta entre a carne e o espírito

Não há no interior do homem uma luta entre a carne e o espírito ou, entre a alma e o espírito! As necessidades do corpo físico e os anseios da alma, são próprios à humanidade e não possuem relação com a ideia bíblica da ‘carne’ versus ‘espírito’.

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Por que Deus é bom?

Se o homem for infiel, Deus permanece fiel. Se o homem não o invocar, não será perdoado, porém, Deus permanece bom. Deus não pode negar-se a si mesmo, Ele é imutável. Como pode ser isto? Deus permanece ‘bom’ mesmo quando castiga os transgressores? Sim! A bíblia é categórica: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” ( Tg 1:17 ); “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” ( Ml 3:6 ).


“LOUVAI ao SENHOR, porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre” ( Sl 136:1 )

Introdução

Deus é bom! Este é o posicionamento das Escrituras.

Além do predicativo ‘bom’, Deus é descrito como aquele que é detentor do perdão e pleno de bondade para com todos os que O invocam “Pois tu, Senhor, és bom, e pronto a perdoar, e abundante em benignidade para todos os que te invocam” ( Sl 86:5 ).

E quanto aos que não invocam a Deus? Deus é bom? Sim, Deus é bom! A Bíblia demonstra que se o homem for infiel, Ele permanece fiel, portanto, Deus é bom, mesmo quando o homem não O invoca “Se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo” ( 2Tm 2:13 ).

Se o homem for infiel, Deus permanece fiel. Se o homem não o invocar, não será perdoado, porém, Deus permanece bom. Deus não pode negar-se a si mesmo, Ele é imutável. Como pode ser isto? Deus permanece ‘bom’ mesmo quando castiga os transgressores? Sim! A bíblia é categórica: “Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação” ( Tg 1:17 ); “Porque eu, o SENHOR, não mudo; por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” ( Ml 3:6 ).

Deus permanecerá ‘bom’ mesmo quando derramar o seu furor sobre os impenitentes? Como é possível haver tanto sofrimento na humanidade e Deus permanecer bom? É possível conciliar Deus ‘onipotente’ e ‘bom’ com o problema apresentado pela filosofia acerca da existência do mal?

Há quem considere estas questões como um problema teológico de grande magnitude, porém, o problema não está em Deus, e sim, quanto à compreensão de muitos que tentaram amalgamar filosofia com teologia.

 

Deus é bom

Deus é Deus, ou seja, onipotente, onisciente e onipresente. Também somos informados pela Bíblia que Deus é Senhor, Soberano, Pai, Rei, etc.

Mas, o que entender por ‘bom’ quando lemos: ‘Deus é bom’?

A primeira reação do leitor interessado em saber o significado verdadeiro do termo é buscar um dicionário e fazer a seguinte leitura:

“bom – adj. – 1. Que é como deve ser ou como convém que seja; 2. Que tem bondade; 3. Hábil, destro; 4. Trabalhador; 5. Favorável; 6. Lucrativo; 7. Espirituoso, engraçado; 8. Cumpridor dos seus deveres; 9. Seguro, sólido; 10. Regular, normal; 11. Adequado. – s. m. – 12. Homem bom”

Quais destes predicativos aplicam-se a Deus quando lemos ‘Deus é bom’? Os adjetivos elencados acima são todos pertinentes à visão de mundo do homem do nosso tempo, a visão do homem moderno. Para o homem moderno ‘bom’ refere-se a uma virtude pessoal, disposição permanente de uma pessoa em não fazer maldade, benevolente.

Mas, era esta a visão de mundo do salmista Davi quando afirmou: “Deus é bom”?

Embora o reinado de Davi seja classificado como teocrático, à sua época as sociedades se estruturavam e cultivavam uma cultura com princípio aristocrático, pois havia uma enorme distancia entre o rei e seus súditos. Nas relações sociais, havia uma distância enorme entre senhor e servo, fenômeno próprio às sociedades aristocráticas.

Em termos gerais aristocracia do grego αριστοκρατία, de άριστος (aristos), melhores; e κράτος (kratos), poder, Estado, se lê ‘poder dos melhores’, ou seja, diz de uma forma de governo em que um grupo elitista controla o poder político, sendo as cidades-estados dos Espartanos exemplo de estado governado por uma aristocracia.

Tal designação “poder dos melhores” nos faz recordar que, na antiguidade, os aristocratas eram designados ‘melhores’, ‘bons’, ‘senhores’, ‘distintos’, ‘escolhidos’.

Bons? Sim! O termo grego traduzido por ‘bom’ é ἀγαθούς (agathos), com origem em outra raiz correspondente ao substantivo Arete.

“… continha em si a conjugação de nobreza e bravura militar (…) quase nunca tem o sentido posterior de ‘bom’, como arete não tem o de virtude moral”  Jaeger, Werner, Paidéia, A Formação do homem Grego, tradução Artur M. Parreira, São Paulo: Ed. Martins Fontes, 2003. Pág. 27; “Senhorio e arete estavam inseparavelmente unidos. A raiz da palavra é a mesma: άριστος, superlativo de distinto e escolhido…” Idem, Pág. 26.

A condição de senhorio era perfeita do ponto de vista funcional, ou seja, ausente a nuance moral que a nossa sociedade está acostumada e louva, de modo que a condição senhor guardava relação intrínseca à ideia de bom.

Friedrich Nietzche em sua obra ‘A genealogia da moral’, fez a seguinte observação:

“… que significam exatamente, do ponto de vista etimológico, as designações para ‘bom’ cunhadas pelas diversas línguas? Descobri então que todas elas remetem à mesma transformação conceitual – que, em toda parte, ‘nobre’, ‘aristocrático’, no sentido social, é o conceito básico a partir do qual necessariamente se desenvolveu ‘bom’, no sentido de ‘espiritualmente nobre’, ‘aristocrático’, de ‘espiritualmente bem-nascido’, ‘espiritualmente privilegiado’: um desenvolvimento que sempre corre paralelo àquele outro que faz ‘plebeu’, ‘comum’, ‘baixo’ transmutar-se finalmente em ‘ruim’” Nietzche, Friedrich, Genealogia da moral – Uma polêmica, Tradução Paulo César de Souza, São Paulo: Companhia das Letras, 2009. Pág. 18.

Traduzir o termo grego agathos por ‘bom’ em virtude da transformação do significado ao longo dos séculos transtorna a ideia que a bíblia apresenta, pois a palavra grega ‘agathos’, em virtude do contexto bíblico onde está inserida, deveria ser traduzida por ‘nobre’, pois a raiz etimológica da palavra ‘agathos significa ‘alguém que é, que tem realidade, que é real, verdadeiro’. Com relação ao termo, Nietzche assevera que, mesmo com relação a uma mudança subjetiva, o termo significa ‘o verdadeiro enquanto veraz’. O termo era empregado para levar adiante o lema da nobreza, de modo a distinguir o nobre do homem comum, mentiroso (Jaeger, Paidéia, Pág. 19).

Qual o sentido de ‘verdadeiro’, quando se lê: “De maneira nenhuma; sempre seja Deus verdadeiro, e todo o homem mentiroso; como está escrito: Para que sejas justificado em tuas palavras, e venças quando fores julgado” ( Rm 3:4 ). Ou, qual o sentido de ‘mentiroso’? Neste verso, o significado de ‘verdadeiro’ e ‘mentiroso’ possui conotação moral? Refere-se ao caráter do indivíduo? Observe:

“E os servos, saindo pelos caminhos, ajuntaram todos quantos encontraram, tanto maus como bons; e a festa nupcial foi cheia de convidados” ( Mt 22:10 );

Como interpretar a parábola? Os maus e os bons que os escravos trouxeram a mando do seu senhor possui conotação moral? Não! No texto, maus e bons tem o sentido de ‘vis’ e ‘nobres’, ‘pequenos’ e ‘grandes’, pois o Senhor da parábola não faz acepção de pessoas.

“Porque faz que o seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva desça sobre justos e injustos” ( Mt 5:45 ).

No sermão da montanha, qual o sentido de maus e bons? Ora, sabemos que Deus não faz acepção de pessoas, e que o sol nasce sobre nobres e comuns, justos e injustos, portanto, o sentido das palavras ‘maus’ e ‘bons’ não podem ser interpretadas em sua acepção moral.

“A candeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso” ( Mt 6:22 -23).

Os olhos podem ser moralmente maus ou bons? Ou o sentido de ‘mau’ e ‘bom’ refere-se à ideia de simples, comum, contrastando com a ideia de bom, são, nobre? O comentarista Barclay recomenda traduzir ‘bom’ por generoso, porém, não é a tradução correta, pois a ideia de generoso refere-se à liberalidade dos nobres em fazerem o que quisessem com o que lhes pertencia.

“Para obter um texto mais fiel ao original devemos traduzir aqui generoso em lugar de bom ou simples. Jesus elogia o olho generoso” Barclay, Willian, Comentário do Novo Testamento. Pág. 264.

Daí, a seguinte passagem:

“Ou não me é lícito fazer o que quiser do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?” ( Mt 20:15 )

Diante da liberalidade que era próprio aos ‘bons’ fazerem o quem bem entendessem com o que lhes pertencia, o nobre em questão repreende os trabalhadores que censuraram o seu ato. Segundo a visão do homem do nosso tempo, a conduta do empregador é um despautério, pois ele iguala os trabalhadores ao conceder o mesmo salário a todos sem considerar o tempo de trabalho de cada um, porém, segundo a visão do homem à época de Cristo, o despautério surge quando o homem comum contesta a liberalidade do nobre “Por três coisas se alvoroça a terra; e por quatro que não pode suportar: Pelo servo, quando reina; e pelo tolo, quando vive na fartura; Pela mulher odiosa, quando é casada; e pela serva, quando fica herdeira da sua senhora” ( Pv 30:21 -23).

Jaeger analisando os poemas de Teógnis, registrou:

“O poeta aconselha a que se evite o trato com os maus (kakoi), em que o poeta engloba todos os que não pertencem a uma estirpe nobre; por outro lado, também, nobres (agathos) só se acham entre seus iguais” (Jaeger, Paidéia, 244).

Quando se faz análise dos textos bíblicos, não se deve limitar a fazer uso somente do significado que os termos possuem em nossos dias, fruto da concepção que a nossa sociedade imprimiu a certos termos.

Além disso, quando lemos certos termos nas Escrituras, devemos compreendê-los com os olhos da sociedade à época, e fugir da visão de mundo trabalhada pelos princípios filosóficos da época, pois a matéria que os filósofos da época especulavam não era afeta, nem mesmo ao homem daquela sociedade, antes era matéria de ordem ontológica, portanto, distante da concepção sociocultural dos escritores da bíblia.

Enquanto a sociedade definia as coisas de modo funcional, filósofos como Platão, passaram a formular questões acerca da natureza do ser, da realidade, da existência dos entes e das questões metafísicas, e o conhecimento que estavam produzindo à época, possuía uma carga moral e ética, o que ainda não era vivenciada pela sociedade.

Jaeger assevera que os termos ‘arete’ e ‘bom’, na Grécia antiga, não tinham conotação de virtude moral, daí a pergunta: quando estes termos passaram a ser utilizados com conotação moral? Quando filósofos como Sócrates e Platão, através da especulação do conhecimento e da ciência, concederam à filosofia um fim moral pelo fato de ser uma ciência que especula aspectos e problemas de ordem ontológica.

Enquanto em Sócrates a especulação limitava-se às questões ontológicas e moral, Platão enveredou-se pela estrada da metafísica e da cosmologia. Em Platão floresceu uma filosofia humanista, religiosa e moralista. Tem-se nas obras de Platão muito do que é anunciado pelos espíritas e pelos católicos, como a ideia da reencarnação e do purgatório.

O ‘bom’ que designava os nobres, passou a designar o bem, o mundo ideal, o mundo das ideias. A matéria de Platão trouxe uma revolução de conceitos, porém, o povo de sua época e as gerações seguintes, não mudou de imediato a sua práxis. Quando Jesus veio, tal concepção filosófica ainda não fazia parte do povo, principalmente daqueles que se utilizavam do grego Koine.

O maior problema surgiu com a filosofia elaborada pelos primeiros padres, a Patrística. Quando criaram liturgias, disciplinas, costumes, etc., amalgamando conceitos platônicos e socráticos à doutrina dita cristã. Já no primeiro século, vê-se na Didaquê forte tendência moralista e dogmática, influencia clara dos costumes ascéticos.

É possível piorar? Sim! Erasmo de Roterdam incluiu Sócrates como mártir pré-cristão, de modo que rogava: “Sancte Socrates, ora pro nobis!”  (Jaeger, Paidéia, 493). Jaeger aponta que, até o pietismo abrigou-se nos braços de Sócrates, pois viam nele certa afinidade espiritual (Idem, pág. 494). O que dizer de Agostinho, que se baseou no pensamento de Platão?

Enquanto Jesus ensinou ser Ele mesmo o caminho que conduz o homem a Deus, a cristandade viu na filosofia platônica a necessidade de refrearem os prazeres mundanos, propondo a pratica de um estilo de vida austero, perseguindo praticas tidas por virtuosas, afim de adquirir uma espiritualidade maior. Dai, que muitos padres aderiram ao ideal ascetico, acreditando que a purificação do corpo ajudaria na purificação da alma.

Daí por diante, todas as vezes que se faz referência a Deus como ‘bom’, o texto é impregnado com a ideia de perfeição moral, desprezando o fato de que Ele é Senhor. É neste ponto que, diversas questões surgem: se Deus é bom, por que existe o mal?

Tais questões tem o objetivo de cegar o homem para que não veja a verdade. Assim como a pergunta de Satanás no Éden enfatizou uma proibição exacerbada em detrimento da liberdade concedida ( Gn 3:1 ), a pergunta: ‘se Deus é bom, por que existe o mal?’, faz surgir paradoxos, que na realidade, não passam de pretensas contradições fruto de uma má leitura da bíblia e do seu contexto histórico.

O objetivo deste artigo é demonstrar que Deus é bom, independente do fato de ter polpado os homens de Nínive ou feito sucumbir Sodoma e Gomorra com milhares de crianças inocentes ( Gn 19:25 ; Jn 4:11 ). Tais eventos não descaracterizam e nem caracterizam o Deus da bíblia como ‘bom’ ou ‘mal’.

 

Ninguém há bom, senão um, que é Deus

“Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus” ( Lc 18:19 )

Quando Jesus afirma categoricamente: “Ninguém há bom, senão um, que é Deus”, estava focado em apresentar uma resposta ontológica ao problema do mal? A asserção “Ninguém, há bom, senão um, que é Deus” refere-se a alguma questão de ordem filosófica?

Digo que não! Jesus não estava tratando de questões filosóficas como a natureza do ser, a realidade, a existência dos entes e nem de questões metafísicas.

Porém, quando dizemos: “Deus é bom!”, a primeira questão levantada pelos acadêmicos é: ‘Se Deus é ‘onipotente’ e ‘bom’, por que permite a existência do mal e do sofrimento?’, e colocam tal questão em um pedestal como sendo a pergunta mais difícil da história da teologia cristã.

É aceitável que um não cristão apresente um paradoxo, como é o caso do paradoxo de Epicuro. Por que aceitável? Porque quem formulou o paradoxo desconhece a natureza de Deus!  Epicuro afirmou que Deus e o mal não podem coexistir caso Deus seja onisciente, onipotente e benevolente, porém, Deus mesmo afirma que é conhecedor do bem e do mal “Então disse o SENHOR Deus: Eis que o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal” ( Gn 3:22 ).

Deus é Senhor, nobre, ou seja, bom e, conhecedor do bem e do mal, pois Ele como Senhor recompensará todos os homens e, dará o bem a uns e o mal a outros, tudo em função do que procuraram “O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniquidade; Tribulação e angústia sobre toda a alma do homem que faz o mal; primeiramente do judeu e também do grego; Glória, porém, e honra e paz a qualquer que pratica o bem; primeiramente ao judeu e também ao grego; Porque, para com Deus, não há acepção de pessoas” ( Rm 2:6 -11).

Deus é Senhor, Deus é bom e, ao mesmo tempo, Ele é benigno e severo “Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado” ( Rm 11:22 ), ou seja, é Deus que instituiu o castigo para os transgressores, de modo que se diz: “Eu formo a luz, e crio as trevas; eu faço a paz, e crio o mal; eu, o SENHOR, faço todas estas coisas” ( Is 45:7 ).

Em que sentido Deus cria o mal? No sentido de retribuição, justiça, de modo que, retribui com benignidade os puros e com rigidez os perversos “E me retribuiu o SENHOR conforme a minha justiça, conforme a minha pureza diante dos seus olhos. Com o benigno, te mostras benigno; com o homem íntegro te mostras perfeito. Com o puro te mostras puro; mas com o perverso te mostras rígido” ( 2Sm 22:25 -27); “Com o benigno te mostrarás benigno; e com o homem sincero te mostrarás sincero” ( Sl 18:25 ).

Este era o posicionamento de um senhor: “Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabias que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei? Devias então ter dado o meu dinheiro aos banqueiros e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros” ( Mt 25:26 -27). Para com os servos bons, benevolência, para os maus, as trevas exteriores.

Este é o posicionamento de Cristo: “E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas (…) E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna” ( Mt 31-32 e 46).

Quando Jesus convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” ( Mt 11:28 -30), o leitor com a visão ampliada verá Cristo como ‘bom’, ‘senhor’, ‘nobre’ e, ao mesmo tempo, benevolente, pois aos que se sujeitam a Ele lhes é dado uma fardo leve.

No alerta: “Eu crio o mal”, temos referencia ao fato de Deus ter suscitado algumas nações visinhas como vara de correção, de modo a dar a entender ao povo de Israel a necessidade de se converterem ( Is 1:5 ), porém, a despeito do castigo aplicado ao povo de Israel, Deus é justo, e conforme alertou, aplicou o castigo antes da ira.

Em outra instância, além da salvação e da perdição, Deus retribuirá a cada um segundo as suas obras.

Quando Deus criou o homem deu-lhe o poder de decisão. Como os dons de Deus são irrevogáveis, mesmo após o pecado, o homem continuou de posse da sua liberdade de decidir, pois o domínio sobre a terra foi dado aos homens. Ora, quando Deus se fez homem e retornou vitorioso aos céus, conclamou: é me dado todo poder, nos céus e na terra!

Como os homens são livres e exercem domínio sobre a terra, podem fazer o quem bem entenderem. Há outro ponto, como o homem tornou-se como Deus, sabedor do bem e do mal, também tem a capacidade de analisar as ações dos seus semelhantes e comunicar o bem e o mal.

O problema do mal surge quando o homem deixa de lado o senso de justiça, e passa a praticar o mal por prazer. A ideia de retribuição é posta de lado, e o indivíduo por ser entenebrecido no entendimento se lança na pratica de maldades. Embora conheça as ações de tais indivíduos, Deus não intervém, pois todos os homens quando introduzidos no mundo estão sob condenação e como Deus, conhecedores do bem e do mal.

Ora, o bem e o mal foram apresentados no Éden através de um fruto, de modo que o bem e o mal são inseparáveis. O bem e o mal são composições que dá sabor ao fruto. São faces de uma mesma moeda.

Como compreender tal realidade? Quando um pai educa um filho e o corrige, a correção em certo aspecto tem aparência de mal, porém, o pai busca o bem. Já alguém que dá esmola parece estar fazendo o bem, porém, tal ato perpetua a miserabilidade de quem vive de esmolas, o que na realidade é um mal. Tais exemplos mostram que o bem e o mal são inseparáveis.

Segundo a bíblia, a justiça de Deus não tarda e nem falha, pois a justiça de Deus foi exercida na primeira transgressão e, de modo que todos os homens foram condenados, independente de suas ações. Porém, com relação às ações cotidianas, Deus há de pedir conta a cada homem, quer sejam justos ou injustos, e com relação a isto não haverá acepção de pessoas. Para os justos tal conta será acertada no Tribunal de Cristo, e para com os injustos, no Grande Trono Branco.

O apóstolo Paulo alertou os cristãos a que não se deixassem prender por questões de ordem filosóficas, porém, o que mais encontramos na teologia, seja contemporânea ou clássica, são questões segundo os rudimentos do mundo “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” ( Cl 2:8 ).

Por imiscuir-se na filosofia, muitos cristãos afirmam que estas questões são afetas a quem crê em Deus onipotente e amoroso.

“A rigor, a desgraça humana, ou o mal em todas as suas formas, é um problema somente para a pessoa que crê num Deus único, onipotente e todo amoroso” Anderson, Francis I. apud Luiz Sayão em ‘Se Deus é bom, por que existe o mal?’, artigo disponível na web.

O que se percebe é que há muitos teólogos que são defensores de Deus, mas desconhecem a sua palavra. E pior, enquanto as armas do cristão deve restringir-se a palavra de Deus, porque ela é poderosa para destruir fortalezas, tais estudiosos estão de posse das armas ofertadas pelo mundo “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas” ( 2Co 10:4 ; 2Co 6:7 ; Rm 13:12 ).

Com a visão turvada em função de impressões modernas, alguns tradutores foram compelidos a utilizar o termo ‘bom’ em lugar de ‘nobre’. Trocar ‘nobre’ por ‘bom’ transtornou a ideia do texto. Desprezar a raiz etimológica do termo ‘agathos’, que significa ‘alguém que é, que tem realidade, que é real, verdadeiro’, trouxe prejuízo a compreensão do texto.

Quando dizemos que Deus é Nobre, Senhor, Bom, estamos expressando o senhorio de Deus e a nossa submissão a Ele. Deus é o Eu sou, aquele que é, que tem realidade, que é real, verdadeiro, conceito superior ao que encontramos em nossos dicionários. Através deste conceito próprio ao termo ‘agathos’, a concepção, a ideia, proveniente da frase ‘Deus é bom’ transmuta-se e transmite um significado singular.

Quando consideramos que Deus é bom, nobre, distinto, Senhor, Pai, não há contradição alguma entre severidade e bondade “Considera, pois, a bondade e a severidade de Deus: para com os que caíram, severidade; mas para contigo, benignidade, se permaneceres na sua benignidade; de outra maneira também tu serás cortado” ( Rm 11:22 ).

Deus é severo e benigno em razão de ser nobre, superior, ou seja, bom, o que exclui qualquer tipo de paradoxo entre Deus ser bom e haver sofrimento no mundo.

Se os teólogos ao longo dos séculos vêm ignorando a raiz etimológica do termo ‘agathos’, resta-nos a seguinte pergunta: o que fizeram com o termo ‘agape’, palavra grega traduzida por amor?

 Claudio Crispim

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A doutrina da predestinação e a parábola dos dois caminhos

Sobre as duas portas e os dois caminhos escreveu o apóstolo Paulo: “Pois assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Pois assim como todos morreram em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” ( 1Co 15:21 -22). Adão é a porta larga pela qual todos os homens entram ao nascer. Todos eles ao nascer morrem em Adão. Porém, do mesmo modo que todos os homens morrem em Adão, assim também todos são vivificados em Cristo!

Duas Portas e Dois Caminhos

Jesus demonstrou haver ‘duas portas’ e ‘dois caminhos’ e que todos os homens que desejam salvação precisam entrar pela porta estreita, uma vez que trilham um caminho de perdição ( Mt 7:13 ).

Jesus é a ‘porta estreita’ pelo qual todos os homens necessitam entrar para que possam deixar de trilhar o caminho de perdição. Cristo é o ‘caminho apertado’ pelo qual somente os homens que creem têm acesso a Deus.

Cristo e Adão são dois personagens antagônicos (Adão conduz à morte e Cristo à vida). Cristo é o último Adão (espírito vivificante), diferente de Adão, que foi criado alma vivente ( 1Co 15:45 ). Enquanto este foi criado por Deus, aquele foi gerado de Deus. Por causa da transgressão de Adão todos os homens (que dele são gerados) tornaram-se escravos do pecado. Todos os homens são concebidos e gerados em pecado ( Sl 51:5 ).

Portanto, Adão é a ‘porta larga’ pelo qual todos os homens ao serem concebidos (segundo a vontade do varão, segundo a vontade da carne e do sangue) entram ao nascer. O nascimento natural segundo Adão é a porta larga que dá acesso ao caminho largo de perdição. Por causa desta realidade Jesus disse a Nicodemos: “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:7 ), ou ainda: ‘entrai pela porta estreita’. Sem Cristo o homem seguirá rumo a um destino de perdição, porém, tal destino não pode ser tido como um fado, um destino (fatum), fatalismo ou predestinação.

Em Adão ocorreu o juízo por causa da ofensa (pecado) para condenação. O juízo e a condenação foram estabelecidos em Adão e alcançaram todos os homens, por isso todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus ( Rm 5:18 ).

 

Destino e Predestinação

Ao nascer, por ser descendente de Adão, o homem entra por uma porta larga e segue por um caminho que fatalmente o levará à perdição ( 1Co 15:47 ). Isto significa que o homem está ‘destinado’ à perdição?

Antes de uma resposta afirmativa ou negativa, precisamos definir qual o significado das palavras ‘destino’ e ‘predestinação’.

Destino sm. 1. Sucessão de fatos que podem ou não ocorrer, e que constituem a vida do homem, considerados como resultantes de causas independentes de sua vontade; sorte; fado. 2. O futuro. 3. Aplicação, emprego. 4. Lugar aonde se dirige alguém ou algo; direção.

Dos quatro sentidos pertinentes a palavra destino, qual é o utilizado na parábola dos dois caminhos? A sucessão de fatos e eventos cotidianos determinará a sorte (fado) do homem sem Deus? Não! A parábola dos ‘dois caminhos’ definem o ‘lugar’ para onde se dirige alguém após trilhar o caminho largo ou estreito? Sim!

Por causa de algumas crendices geralmente as pessoas aplicam a palavra destino a ideia proveniente do conceito grego, a ‘moira’, ou do pensamento romano, o ‘fatum’. O fado, sina, sorte ou destino surge como uma ameaça implacável que determina a inexorável punição diante da falta cometida.

Segundo a mitologia, o ‘Destino’ nasceu da noite e do Caos. Ele estava acima das divindades, submetendo-as ao seu poder. Era descrito como cego e inexorável, exercia domínio sobre o universo.

Da filosofia estoica temos o ‘fatum’ ou ‘destino implacável’ que aparece também acima de todos os deuses e homens. O ‘fatum’ estabelecia as leis do universo, e ninguém podia furtar-se a seu alcance.

No evangelho não existe a ideia de um destino (sina, fado) implacável e inevitável como é o caso da mitologia grega ou da filosofia estoica.

Jesus apontou a existência de dois caminhos e a possibilidade de mudar para o caminho estreito;

A ideia de ‘destino’ que o evangelho contém aponta para um lugar especifico para onde o homem se dirige.

A parábola dos dois caminhos demonstra que os caminhos (largo e estreito) possuem destino, e não o viajante, por isso é factível ao homem que segue o caminho de perdição entrar pela porta estreita que dá acesso ao caminho que conduz à vida.

Quem está em um caminho que ‘conduz’ a uma determinada cidade tem a opção de mudar de caminho a qualquer momento, porém, tal pessoa não está predestinada a seguir para tal cidade, pois pode mudar de caminho. Todo caminho possui um destino, porém, quem segue pelo caminho não é predestinado.

Se houvesse predestinação para a salvação, ao nascer, alguns homens nasceriam trilhando o caminho apertado, porém, a bíblia demonstra que todos os homens nascem no caminho de perdição e são convidados a entrar por Cristo.

De igual modo, não há predestinação para perdição, visto que, todos os homens nascem no caminho de perdição. É o caminho que conduz à perdição, o que difere do argumento que diz que o homem (viajante) está predestinado à perdição “Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição…” ( Mt 7:13 ).

É possível ao homem mudar o seu ‘destino’, visto que ninguém nasce predestinado à perdição. Todos ao nascerem entram pela porta larga e trilham um caminho de perdição, mas ao decidir-se por Cristo, a porta estreita, obterá poder para alcançar a salvação. Esta verdade é evidente no alerta que Jesus apresenta a Nicodemos “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:3 ).

Existem dois caminhos bem definidos que conduzem a dois lugares distintos: perdição e salvação. O homem sem Cristo segue o caminho que conduz à perdição. Não é o homem que tem um destino, antes é o caminho que conduz, ou seja, há um lugar específico para onde o caminho conduz.

Do mesmo modo, todos que entrarem por Cristo terá um novo rumo, uma nova direção, que lhes conduz à vida. Cristo é o caminho que conduz à salvação. O homem não é predestinado à salvação, antes é Cristo, o caminho estreito que conduz à salvação “Mas estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz para a vida…” ( Mt 7:14 ).

Haveria predestinação para salvação se em qualquer das portas que o homem entrasse (Adão ou Cristo) alcançasse salvação. Porém, todos os homens nascem em um caminho que conduz à perdição, e precisam nascer de novo para que possam ver a Deus.

Entrar por Adão e seguir pelo caminho que conduz à perdição não é resultado de escolhas por parte da humanidade. Os homens gerados segundo Adão trilham o caminho de perdição por causa da escolha de Adão. É por isso que Jesus disse que muitos entram pelo caminho de perdição sem fazer qualquer alusão a uma escolha ou decisão por parte dos homens.

Entrar por Adão não depende da consciência, conhecimento, moral, comportamento (bem ou mal). Basta nascer! Em contra partida, para entrar pela porta estreita demanda conhecimento da verdade contida no evangelho tais como: a vontade de Deus, a oferta de salvação e decisão consciente tal qual a decisão de Adão no Éden “Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna” ( Jo 6:68 ).

Só escapará quem atentar para porta estreita “Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos depois confirmada pelos que a ouviram” ( Hb 2:3 ).

 

Salvação e Predestinação

Temos duas portas (Adão e Cristo), dois nascimentos (natural e espiritual), dois caminhos (largo e apertado) que conduzem a dois destinos (morte e vida). Onde a doutrina da predestinação se encaixa neste quadro?

Adão e Cristo são as duas portas apresentadas na da parábola dos dois caminhos, sendo que todos os homens obrigatoriamente entram por Adão quando nascem (exceto Cristo, porque ele foi gerado de Deus), porém, para todos que entram por Adão e estão caminhando para a perdição é anunciado o caminho de salvação.

O nascimento é o modo pelo qual o homem entra pelas portas (larga e estreita). Enquanto o nascimento natural faz com que o homem seja conduzido à perdição (caminho largo), através do novo nascimento o homem percorre o caminho (Jesus) que conduz a Deus.

Enquanto o homem percorre o caminho que conduz à perdição, não significa que ele está predestinado à perdição. Do mesmo modo, enquanto o homem percorre o caminho que conduz à salvação, não significa que ele foi predestinado à salvação. Perdição e salvação são destinos pertinentes aos caminhos, e não aos homens, pois cabe aos homens decidirem-se a trilhar o caminho do demonstrado no evangelho de Cristo.

Oferecer salvação a quem está predestinado a perdição é plausível? Caso não houvesse uma oportunidade para os perdidos através do evangelho de Cristo, o evangelho não seria de boas novas, antes seria um engodo. Enquanto há uma oportunidade para o homem deixar o caminho que está trilhando, não há o que se falar em predestinação.

  • Como Deus sendo justo e verdadeiro poderia oferecer salvação a quem nunca se perdeu?
  • Como Deus sendo justo e verdadeiro poderia oferecer salvação a quem não foi predestinado para ser salvo?
  • Como é possível Deus providenciar salvação poderosa a todos os homens, se ele mesmo predestinou àqueles que haveriam de ser salvos e perdidos?

Nenhum homem nasce predestinado à perdição porque não seria plausível ter que lhes anunciar o evangelho sem haver a possibilidade real de salvação ( 1Tm 2:4 ). Pelo fato de Jesus ter ordenado: “Entrai pela porta estreita” ( Mt 7:13 ), demonstra que não é possível rotular a condição da humanidade sem Cristo de predestinada à morte.

Não há predestinação para perdição porque há dois caminhos, porque todos os homens obrigatoriamente entram por Adão e segue pelo caminho que conduz a perdição. Todos os cristãos, necessariamente, foram de novo gerados pela semente incorruptível, o que demonstra que estavam efetivamente perdidos, contrastando com a ideia da predestinação para salvação.

Os homens sem Cristo entraram por uma ‘porta larga’ ao serem gerado segundo Adão e seguem um caminho que conduz à perdição, porém, Deus estabeleceu antes dos tempos eternos salvação poderosa o bastante para todos os homens, uma vez que o Cordeiro de Deus foi morto antes mesmo da fundação do mundo, o que demonstra que pecador algum foi destinado à morte.

 

Salvos e Predestinados

No que consiste a doutrina da predestinação?

Desde os reformadores alguns estudiosos apontam que a predestinação é para salvação. Porém, sabemos que a perdição se deu em Adão e a salvação está em Cristo “Entrai pela porta estreita” ( Mt 7:13 ). É provável que este pensamento tenha surgido por causa de distorções quanto ao entendimento acerca da porta larga e de como ter acesso a ela.

O propósito deste texto não é negar a doutrina da predestinação, e sim, corrigir erros quanto ao seu entendimento.

Sobre as duas portas e os dois caminhos escreveu o apóstolo Paulo: “Pois assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Pois assim como todos morreram em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” ( 1Co 15:21 -22).

Adão é a porta larga pela qual todos os homens entram ao nascer. Todos eles ao nascer morrem em Adão. Porém, do mesmo modo que todos os homens morrem em Adão, assim também todos são vivificados em Cristo!

Não há predestinação para salvação, visto que, assim como todos morrem ao entrar pela porta larga, todos quantos entrarem pela porta estreita serão vivificados. Ora, basta atender a ordem solene: “Entrai pela porta estreita” que serão vivificados.

Até este ponto falamos de salvação da perdição proveniente da queda de Adão. Agora, analisemos a predestinação.

Adão era terreno, e todos os seus descendentes terrenos. Todos os seus descendentes trouxeram a imagem exata de Adão ( 1Co 15:47 -49). Porém, o último Adão (Cristo) é do céu, e todos quantos foram gerados de Deus são semelhantes a Ele “… e qual o celestial, tais também os celestiais” ( 1Co 15:48 b).

Do mesmo modo que os homens gerados de Adão trouxeram a imagem do terreno, os gerados de Deus trarão a imagem do celestial (do último Adão). Ou seja, assim como Jesus foi feito as primícias dos que dormem ( 1Co 15:20 ), os que entram pela porta estreita são feitos primícias “Segundo a sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas” ( Tg 1:18 ).

Para entrar pela porta estreita e livrar-se do caminho que conduz à perdição é necessário nascer de novo. No novo nascimento, quando o homem é regenerado, ocorrem dois eventos simultaneamente: o homem livra-se da condenação de Adão (salvação) e adquire também a filiação divina (primícias das criaturas).

Em Adão o homem encontrou a morte, em Cristo (último Adão) a vida ( 1Co 15:45 ), porém, para obter a eterna redenção em Cristo (salvação), o homem tem que ser gerado pelo Espírito Eterno, o que concede aos homens (regenerados) a condição de ‘filhos de Deus’ semelhantes ao Altíssimo ( Hb 2:10 ).

No Antigo Testamento houve salvação, porém, os salvos do Antigo Testamento não foram gerados de novo pela fé em Cristo, portanto, não são herdeiros da esperança celestial: filhos de Deus e semelhantes a Cristo para que Ele seja primogênito entre muitos irmão. Quando da ressurreição os salvos do Antigo Testamento continuarão sendo homens, mas os salvos na plenitude dos gentios, a Igreja, serão glorificados e terão um corpo semelhante ao de Cristo glorificado.

Observe que os profetas do Antigo Testamento anunciavam grandezas inimagináveis, porém, essas grandezas não eram para eles, era para a igreja de Cristo ( 1Pe 1:12 ). Até mesmo os anjos queriam compreender (atentar) as grandezas que os profetas anunciavam, mas só puderam compreende-las com o advento da Igreja ( Ef 3:10 ).

Os homens de novo gerados, além de adquirirem salvação que os livra da condenação em Adão, são filhos de Deus. Cristo é o primogênito entre muitos irmãos (O Sublime entre sublimes), para que em tudo tenha a preeminência.

Predestinação significa ‘determinar de antemão’, ou seja, ‘preordenar’, estabelecer uma condição futura, o que é diferente de determinar eventos futuros. Ora, por causa da condenação em Adão, Deus providenciou em Cristo um novo e vivo caminho pelo qual os homens têm acesso a Deus ( Hb 10: 20 ). Porém, além da salvação dos homens em Cristo, o propósito eterno de Deus é a preeminência de Cristo sobre todas as coisas (primogênito dentre os mortos, e primogênito entre muitos irmãos).

Para levar a efeito o propósito eterno, Deus estabeleceu antes dos tempos eternos que, todos quantos entrassem pela porta estreita, que é Cristo, estariam predestinados a serem filhos do Altíssimo, conforme a imagem expressa do Cristo glorificado dentre os mortos ( 1Jo 3:2 ). Deus determinou de antemão que os de novo gerados (que entraram por Cristo), herdariam com Cristo todas as coisas.

Todos os versículos do Novo Testamento que fazem referência à ideia da predestinação apontam para a filiação divina:

“Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” ( Rm 8:29 );

“E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade” ( Ef 1:5 );

“Nele, digo, em quem também fomos feitos herança, havendo sido predestinados, conforme o propósito daquele que faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” ( Ef 1:11 ).

Qual elemento é comum aos versículos citados acima? Ora, o apóstolo Paulo demonstra que os cristãos foram predestinados para serem filhos, semelhantes a Cristo, ou seja, para que Cristo alcançasse a condição de primogênito precisaria de irmãos. Ao nascer de novo, o homem é gerado do Espírito. Cristo é o primogênito entre muitos irmãos porque na eternidade Deus estabeleceu (predestinou) que todos quantos fossem gerados de novo em Cristo serão filhos de Deus. Do mesmo modo que os homens gerados segundo Adão trouxeram a mesma imagem do homem terreno, os homens gerados de novo em Cristo trarão a imagem do celestial ( 1Co 15:49 ).

Quem pode receber herança se não os filhos? Por que os cristãos são co-herdeiros com Cristo? Quem são os herdeiros de Deus?

Ora, o beneplácito da vontade divina estabeleceu antes dos tempos eternos que Cristo haveria de ser mui sublime “Eis que o meu servo procederá com prudência; será exaltado, e elevado, e mui sublime” ( Is 52:13 ), e para levar a efeito ao seu propósito eterno, Deus constituiu dentre os homens filhos para si (não nascidos da vontade do varão, da vontade da carne e do sangue).

Verifica-se que, todos os que entram por Cristo alcançam salvação. Porém, além da salvação, não lhes resta outro ‘destino’, serão filhos por adoção. Resta que a predestinação é para alcançar a filiação divina, a expressa imagem de Cristo, e não para salvação.

Quem aceita a Cristo como salvador, além da salvação da condenação em Adão, receberá a filiação divina e será a imagem e a semelhança do Altíssimo conforme o que foi pré-estabelecido antes dos tempos eternos ( Gn 1:26 ).

O nascimento natural é a porta de entrada que dá acesso ao caminho que conduz à perdição. O novo nascimento (nascimento espiritual) é a porta de entrada que dá acesso ao Caminho que conduz à vida. Porém, além da salvação adquirida após entrar pela porta estreita, o homem de novo gerado alcança a filiação divina, pois para isso os de novo gerados foram predestinados.

A predestinação não é para salvação, antes é concernente a filiação divina. No Antigo Testamento, na grande tribulação e no milênio haverá homens salvos pela graça e misericórdia de Deus, porém, somente os salvos em Cristo, que hoje constituem o seu corpo, que é a igreja, alcançam a filiação divina.

É possível ser salvo sem ter sido predestinado à filiação divina, como foi o caso dos justos do Antigo Testamento.

Em última instância, quem não quiser ser um dos filhos de Deus tal qual Cristo é, que não entre pela porta estreita, que é Cristo; não deve nascer de novo; não deve beber da água que faz jorrar uma fonte que salta para a eternidade, visto que, todos quantos aceitarem a verdade do evangelho serão constituídos filhos de Deus, para que Cristo seja primogênito dentre muitos irmãos.

Para filhos por Adoção é que Deus predestinou todos quantos entrarem por Cristo.

A salvação é fato para todos quantos se refugiam em Deus. Desde o Antigo Testamento é possível aos homens alcançar salvação ofertada por Deus. Abel, Enoque, Noé, Abraão, Sara e muitos outros homens que alcançaram o testemunho de que agradaram a Deus, antes eram pecadores (desagradáveis), pois eram descendentes de Adão. Todos eles alcançaram o testemunho de que eram justos e agradáveis, porém, não são filhos por adoção; eles não são um corpo com Cristo; não são pedras espirituais; não fazem parte da igreja.

Há um grande diferencial entre os justos do Antigo Testamento e os justos do Novo Testamento. Enquanto estes são recebidos e nomeados filhos de Deus, feitos herança pela fé em Cristo, aqueles são somente salvos da condenação.

É por isso que o apóstolo João argumenta que os cristãos receberam ‘graça’ sobre ‘graça’, visto que foram salvos da condenação de Adão (graça), e ao mesmo tempo, por terem sido gerados de novo, receberam também a filiação divina (graça).

A salvação ofertada por Deus livra o homem da condenação proveniente da queda de Adão, ou seja, o homem deixa de ser conduzido à perdição e passa a ser conduzido a Deus. A bíblia demonstra que os que são conhecidos por Deus, salvos em Cristo, são os predestinados a serem filhos e herdeiros de Deus.

 

Perseverança e Salvação

É por isso que os apóstolos enfatizaram que, após crer na mensagem do evangelho (entrar pela porta que é Cristo e passar a percorrer o novo e vivo caminho), é preciso a perseverança: a obra perfeita da fé “Porque necessitais de perseverança, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa” ( Hb 10:36 ).

Qual a vontade de Deus que os cristãos fizeram? A resposta é clara: eles creram no enviado por Deus ( Jo 6:29 ). Somente aqueles que creem em Cristo, O enviado de Deus, permanecerão para sempre “E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” ( 1Jo 2:17 ).

Os cristãos haviam crido em Cristo, porém, necessitavam de perseverança para alcançar a promessa. Mas, de que tipo de perseverança os cristãos precisavam? Eles precisavam perseverar na esperança proposta “Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta” ( Hb 6:18 ).

Haveria necessidade de perseverança caso a salvação fosse pré-determinada? Não! Mas, como a salvação é segundo a promessa, após a confissão é necessário estar seguro em quem prometeu “Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança; porque fiel é o que prometeu” ( Hb 10:23 ); “E por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus” ( 1Pe 1:21 ).

Tiago falou acerca da perseverança, pois somente a perseverança termina a obra que teve inicio através da fé “… sabendo que a prova da vossa fé desenvolve a perseverança. Ora, a perseverança deve terminar a sua obra, para que sejais maduros e completos…” ( Tg 1:2 -3).

Qual a obra pela qual a fé é aperfeiçoada? ( Tg 2:22 ) Não é a perseverança?

As obras que Tiago faz referência não são boas ações. Interpretar o comparativo estabelecido nos versos 15 a 17 como sendo as obras exigíveis por Deus é um engodo. O comparativo “Assim também a fé…” ( Tg 2:17 ), demonstra que a fé sem a perseverança é semelhante a alguém que, mesmo após saber que o irmão tem fome, despede-o irmão sem dar-lhe mantimento.

Do mesmo modo, de que adianta professar a verdade do evangelho e não perseverar na verdade? Ora, a perseverança é a perfeita obra da fé! Sem perseverança a fé é morta. Sem a perseverança o cristão é incompleto e menino, podendo ser levado por vários ventos de doutrinas.

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O Evangelho anunciado

O eterno propósito de Deus é convergir em Cristo todas às coisas, para que em tudo Cristo seja preeminente. Ora, Deus revelou o mistério da sua vontade através da mensagem do evangelho. Mistério que estava oculto em Deus por causa do beneplácito (consentimento, aprovação) proposto em Cristo, o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo.

 


As ‘boas novas’ do evangelho anunciadas por Cristo aos homens é única. Qualquer outra mensagem que destoe da palavra anunciada por Cristo é anátema.

 

O Propósito Eterno

A mensagem do evangelho foi estabelecida antes dos tempos eternos (na eternidade), segundo o eterno propósito de Deus de fazer convergir em Cristo todas às coisas, para que em tudo Ele seja proeminente “Em esperança da vida eterna, a qual Deus, que não pode mentir, prometeu antes dos tempos dos séculos” ( Tt 1:2 ); “De tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra” ( Ef 1:10 ); “E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” ( Cl 1:18 ).

O eterno propósito de Deus é convergir em Cristo todas às coisas, para que em tudo Cristo seja preeminente. Ora, Deus revelou o mistério da sua vontade através da mensagem do evangelho. Mistério que estava oculto em Deus por causa do beneplácito (consentimento, aprovação) proposto em Cristo, o Cordeiro que foi morto antes da fundação do mundo.

Ao escrever aos cristãos em Éfeso, Paulo fala acerca deste evangelho: “A mim, o menor de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas insondáveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que a tudo criou” ( Ef 3:8 -9).

Deus é eterno. O Verbo encarnado é eterno. O propósito é eterno. A promessa é eterna. Assim que, todas as promessas de Deus cumprem-se em Cristo “Porque todas quantas promessas há de Deus, são nele sim, e por ele o Amém, para glória de Deus por nós” ( 2Co 1:20 ).

O propósito eterno de Deus não pode ser frustrado, visto que:

  1. O Verbo de Deus ao ser introduzido no mundo tornou-se o unigênito de Deus ( Jo 1:14 e 18) e o primogênito de toda a criação ( Cl 1:15 ; Hb 1:6 ) – O único Filho (unigênito) de Deus também é designado o ‘primeiro gerado’ (primogênito) de Deus, diferente dos outros seres, que foram criados;
  2. Ao ressurgir dentre os mortos, Cristo tornou-se o primogênito dentre os mortos ( Cl 1:18 ) – Primeiro gerado dentre os mortos; isto porque todos os que crêem no evangelho a semente incorruptível, são de novo gerados segundo Deus ( 1Pe 1:3 );
  3. Através de seu corpo, a igreja, Ele trouxe muitos filhos a Deus ( Hb 2:10 ), tornando-se primogênito entre muitos irmãos ( Rm 8:29 ).

Na eternidade, Deus (El Eloim) estabeleceu um propósito eterno: a preeminência de Cristo. Para isto, fizeram um acordo que, ao ser introduzido o Verbo de Deus no mundo, seria estabelecida a relação Pai e Filho, e por isso o profeta anunciou: “Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho” ( 2Sm 7:14 ). Ora, temos uma relação estabelecida entre as pessoas da divindade.

Quando o Verbo se fez carne soou o decreto: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” ( Sl 2:7 ). Embora feito menor que os anjos ( Hb 2:9 ), por causa da paixão da morte, foi dado ordem aos seres angelicais: “E todos os anjos de Deus o adorem” ( Hb 1:6 ).

Mas, para que Cristo em tudo tivesse preeminência, segundo o beneplácito da vontade de Deus, convinha que fosse consagrado através da aflição na morte, para aniquilar o que tinha o império da morte, o diabo ( Hb 2:14 ).

Hoje e sempre, Jesus é Senhor nos céus e na terra, para a glória de Deus Pai. Os anjos vêem no propósito eterno de Deus a sua multiforme sabedoria, e toda a criação está na expectativa da manifestação dos filhos de Deus que revelará a todos a condição de primogênito entre muitos irmãos que Cristo conquistou na cruz ( Rm 8:19 ).

Em resumo, o propósito de Deus é sujeitar todas as coisas a Cristo, e acima de todas as coisas que foram sujeitas, Ele foi constituído como a cabeça do corpo, que é a igreja – a plenitude de Cristo que enche tudo em todos ( Ef 1:22 -23).

Na ordem crescente: todas as coisas foram sujeitas a Cristo (principado, domínio, autoridade, poder, etc). Acima destas coisas foi dada a condição de cabeça da Igreja, que é o seu corpo. Ora, o seu corpo está acima de tudo o que foi posto abaixo dos seus pés.

 

Convergindo todas as Coisas

Ao implementar (por em prática, dar execução) o Propósito Eterno, temos: “Façamos o homem a nossa imagem e semelhança” ( Gn 1:26 ).

A imagem que foi dada ao homem é proveniente de Cristo “… Adão, o qual é a figura daquele que havia de vir” ( Rm 5:14 ), e a semelhança que foi concedida é o domínio sobre a terra “… domine ele sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre a terra, e sobre todos os répteis que se arrastam sobre a terra” ( Gn 1:26 ).

Tudo que há em Deus foi concedido ao homem por semelhança: domínio, liberdade e uma natureza perfeita. Porém, Adão não deu crédito à palavra de Deus e atentou contra a sua própria vida quando comeu da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Através da ofensa de Adão veio o juízo e a condenação para todos os homens (Romanos 5: 18). Adão tornou-se a porta larga que dá acesso ao caminho largo que conduz à perdição. Através do nascimento em Adão todos os homens tornaram-se destituídos da glória de Deus.

A Escritura demonstra que o homem é pecador, sem esperança no mundo, morto diante de Deus. Esta condição não é proveniente da moral ou do comportamento humano, antes da natureza herdada de Adão. É por isso que Paulo diz: “Pois assim como a morte veio por um homem (…) Pois assim como todos morreram em Adão…” ( 1Co 15:21 -22).

Sobre Adão Jesus disse: “Pois larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela” ( Mt 7:13 ). Adão é a porta larga que dá acesso ao caminho espaçoso que conduz à perdição, e muitos são os que entram por Adão, exceto Cristo, o unigênito de Deus. É por isso que Ele disse ‘muitos’, e não ‘todos’ que entram por ela.

Ora, se a porta estreita que é Cristo, o último Adão, por quem os homens são vivificados, o primeiro Adão é a porta larga por quem os homens entram no caminho de perdição ( 1Co 15:45 ).

Como Adão tornou-se pecador, destituído da vida que há em Deus, os seus filhos tornaram-se iguais a ele “Qual o terreno, tais são também os terrenos…” ( 1Co 15:48 ). É por isso que os homens são chamados de filhos da ira e filhos da desobediência.

Não importa a conduta, a moral, a religião, os sacrifícios, a origem dos homens nascido segundo Adão, todos entraram pela porta larga ao nascer e seguem para a perdição. Diante de Deus um homem com todas as qualidades morais e intelectuais como era o caso de Nicodemos é igual a alguém sem méritos, como era o caso da mulher samaritana.

Mas, em sua infinita graça e amor, Deus enviou o seu Filho Unigênito ao mundo para salvá-lo de condenação em Adão, que é anterior à sua vinda. É por isso que Ele disse: “E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo” ( Jo 12:47 ).

Isto demonstra que Jesus não veio julgar os homens porque todos já estavam sob condenação. Ele veio salvar porque todos entraram pela porta larga e trilhavam o caminho de perdição.

É por isso que Ele disse: “Entrai pela porta estreita” ( Mt 7:12 ), ou seja, entrar pela porta estreita é o mesmo que: “Necessário vos é nascer de novo” ( Jo 3:7 ). Entrar pela porta estreita é uma necessidade que só é possível através do novo nascimento.

Nicodemos perguntou: “Como pode um homem nascer sendo velho?” ( Jo 3:4 ). Ora, para o homem é impossível nascer de novo! É por isso que a bíblia demonstra que o homem é escravo do pecado, perdido, não pode salvar-se a si mesmo.

Mas, através do chamado do evangelho que diz: ‘Entrai pela porta estreita’ ou ‘Vinde a mim, vos que estais cansados e oprimidos’ é oferecido salvação poderosa a todos os homens. O convite é universal, pois Deus amou o mundo, e deseja que nenhum homem se perca ( Jo 3:16 ; 1Tm 2:5 ).

Cristo morreu em resgate por todos os homens ( 1Tm 2:6 ), e não por alguns. Deus amou a todos os homens, e não só por alguns. É por isso que Jesus disse: “Muitos são chamados, mas poucos escolhidos” ( Mt 22:14 ). Por que ‘muitos’ são chamados, e não ‘todos’? Porque nem todos ouviram a mensagem do evangelho.

O chamamento do evangelho é universal por destinar-se a todos os homens, porém, muitos não ouviram esta maravilhosa mensagem. Ex: os aborígenes, índios, povos da Ásia e da África, povos da America antes das grandes viagens, etc. Paulo mesmo diz: “Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, lhes pregamos a Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus” ( 1Co 1:24 ).

No momento da pregação do evangelho surgem os chamados, que são muitos, e pertencentes a todos os povos, porém, os escolhidos são poucos.

Quem são os escolhidos? Ora, como são poucos os escolhidos e poucos os que entram pela porta estreita, temos que os escolhidos são aqueles que nasceram de novo e entraram pela porta estreita, que é Cristo.

Há somente um evangelho que foi anunciado pelos apóstolos. Qualquer outro evangelho é anátema.

Esta mensagem de boas novas é direcionada a todos os homens, pois isto foi anunciado: “Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens” ( Lc 2:14 ). A boa vontade de Deus é para com todos os homens, e não somente alguns.

Qualquer evangelho que vete a graça de Deus para todos os homens indistintamente é anátema. Qualquer evangelho que estabelece diferentes níveis de graça é anátema. Qualquer evangelho que considere que Deus ama alguns homens em detrimento de outro é anátema. Qualquer evangelho que nega a universalidade e eficácia da mensagem do evangelho é anátema.

 

O Convite à Salvação

Ora, a bíblia demonstra a impossibilidade dos homens salvarem-se a si mesmo pelas suas obras ou méritos pessoais. Por mais regrado e cheio de méritos que o homem seja, ele entrou por Adão, a porta larga, e trilha um caminho de perdição.

Por mais que os homens criem regras, vivam despojados das coisas desta vida, reneguem os prazeres, façam justiça, estejam resignados a sofrerem a injustiça, etc. continuam trilhando um caminho de perdição.

É por isso que Paulo demonstra que através do seu poder, Deus pega o barro (homem) de uma mesma massa e faz vasos honra e desonra. Todos os homens (barro) são provenientes de uma mesma massa, mas em Adão são feitos vasos para desonra, e em Cristo, são feitos vasos para honra ( Rm 9:21 -24).

Paulo demonstra que os cristãos são vasos para honra para dar a conhecer as riquezas da sua misericórdia. Os cristãos foram chamados dentre todos os povos através da mensagem do evangelho, pois antes de ser feito vaso para honra, éramos todos vasos de desonra, vasos de ira, preparados para a perdição ( Ef 2:4 -7).

Antes os cristãos eram trevas (vasos de ira preparados para a perdição), agora são luz no Senhor (vasos para honra) “Pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor” ( Ef 5:8 ).

Que obra ou dignidade há da parte do homem em ser feito vaso para honra? Nenhuma! Da mesma forma que não há obra ou dignidade por parte daquele que foi feito vaso para desonra.

Ora, se quem nasce de Adão entra pela porta larga que dá acesso ao caminho largo que conduz a perdição, que obra, ação, bem ou mal fez quem foi feito vaso para ira destinado a destruição? Isto demonstra que, embora o homem não tenha nascido, nem feito bem ou mal, para que o propósito eterno de Deus segundo a eleição permaneça firme, os nascidos em Adão serão vasos para desonra.

De igual modo, os já nascidos de Adão precisam nascer de novo. E não importa a obra, mérito ou condição do homem, para que o propósito de Deus segundo a eleição continue firme, os nascidos em Cristo são vasos para honra.

Onde está a jactância? Onde há mérito? Onde há dignidade? Onde há obra?

O evangelho de Cristo é:

  • Boas novas de salvação – Mensagem de Deus a todos os homens perdidos por causa da condenação de Adão;
  • Gratuito – é um convite incondicional a todos os homens, independente das suas ações e condições morais;
  • Para os pecadores – o público alvo da mensagem do evangelho é todos os pecadores, pois Deus não faz acepção de pessoas; o amor de Deus é segundo a sua justiça, ou seja, ele não tem ninguém em preferência;
  • Oferecido – Deus oferece salvação, livre de qualquer imposição. A graça do evangelho é segundo a sua santidade, ou seja, Ele a ninguém oprime “O Todo Poderoso está além do nosso alcance, ele é exaltado em poder; em sua justiça e grande retidão ele ninguém oprime” ( Jó 37:23 ). Embora todo poder (soberania), Deus é justiça e retidão, ou seja, Ele não oprime a nenhuma de suas criaturas;
  • Incondicional – Deus não exige obras ou méritos por parte dos pecadores para salvá-los. Do mesmo modo que sem obra ou méritos os pecadores foram feitos vasos para desonra (vasos para ira e destruição), ao salvá-los, Ele faz vasos para honra aparte das obras ou dos méritos e utiliza a mesma massa;
  • É poder – A salvação decorre do poder criativo de Deus segundo a sua palavra (bara – só Deus ‘bara’ através da palavra). Ora, todos que recebem a Cristo, ou que creem na mensagem do evangelho, recebem poder para serem feitos (criados) filhos de Deus segundo a sua vontade ( Jo 1:12 -13); o homem não tem poder para operar a sua própria salvação. Somente o poder que faz paralítico andar é que pode dar vida ao novo homem “Ora, para que saibais que o Filho do homem tem sobre a terra poder de perdoar pecados (disse ao paralítico), a ti te digo: Levanta-te, toma a tua cama, e vai para tua casa” ( Lc 5:24 );
  • É graça – É um presente de Deus aos homens. Não é imposta aos homens a tal ‘graça irresistível’, pois ‘todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’ ( Jl 2:32 ). Somente invoca os necessitados, os pobres de espírito, os que necessitam de socorro, e não aqueles que têm algo a oferecer. Quem ouvir as boas novas e invocar a Deus será salvo, porém, Deus não obriga ninguém a invocá-lo para em seguida salvar.

Como invocarão a Deus? Ele sujeitará o homem subvertendo a sua vontade? Não! Se assim fosse, não haveria a necessidade de o homem esperar em Deus (confiar); não haveria a necessidade da pregação; pra que ouvir ou pregar? Por que Isaias questiona a Deus “Quem creu na nossa pregação?”, se Ele impõe a sua vontade?

O evangelho de Cristo não é um ramo do fatalismo, concepção filosófica que considera serem o mundo e os seus acontecimentos produzidos de modo irrevogáveis. Ora, a concepção calvinista e a arminianista, em última análise, são fatalistas, pois alguns homens estão fadados à perdição, e outros, mesmo que não invoquem a Deus, à salvação.

O fatalismo fazia parte da cultura grega antiga e do estoicismo grego romano. Certas idéias ‘pseudo’ cristãs fundam-se na ideia da ‘divina providência’ ou no ‘determinismo’, ramo equivalente ao fatalismo.

Ora, sabemos que se fé é impossível agradar a Deus. Agradá-lo ou aproximar-se dele constitui-se em mérito por parte do homem? ( Hb 11:6 ). É preciso ser salvo para depois invocar a Deus? A bíblia recomenda invocar para ser salvo, mas se o homem primeiro é salvo para depois invocar a Deus, já não é preciso invocá-lo ( Jl 2:32 ).

O evangelho da graça não é regeneração para crer (invocar), antes é invocar (crer) para regeneração (salvação).

 

Propósito Segundo a Eleição

Como os vasos para honra fazem parte do propósito eterno de Deus de fazer convergir em Cristo todas as coisas?

A preeminência de Cristo está em Ele ser o primogênito de toda a criação, primogênito dentre os mortos e primogênito entre muitos irmãos ( Cl 1:15 e 18; Rm 8:29 ).

Mas, para que Jesus fosse constituído por Deus primogênito entre muitos irmãos, fez-se necessário Deus constituir filhos para si. Para ele constituir filhos para si, fez-se necessário Cristo morrer e ressurgir, tornando-se primogênito dentre os mortos.

Para Cristo tornar-se primogênito dentre os mortos, fez-se necessário participar da carne e do sangue, tornando se o Unigênito de Deus, o primogênito de toda criação.

Para tornar-se o primogênito de toda criação, o Unigênito de Deus, o Verbo que se fez carne e que habitou entre nós teve que deixar a Sua glória.

Isto demonstra que, na eternidade, antes de virem à existência, os homens já eram alvos do eterno propósito de Deus, visto que, para Cristo ser primogênito entre muitos irmãos, Deus constituiu dentre os homens regenerados filhos para si. Ora, é impossível ser primogênito sem que haja outros irmãos.

Mas, como Deus constitui dentre os homens filhos para si? Todos que entrarem pela porta estreita, que é Cristo, são salvos da condenação anterior proveniente da queda de Adão, a porta larga por onde entram todos os homens. A todos que conhecem a Deus, ou antes, que são conhecidos dele através do evangelho ( Gl 4:9 ), além da salvação serão semelhantes a Cristo “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não é manifestado o que havemos de ser. Mas, sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos” ( 1Jo 3:2 ).

Ora, a salvação em Cristo é oferecida através da mensagem do evangelho a todos os homens “Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” ( At 2:39 ), porém, todos que são salvos em Cristo não têm outro destino: são filhos de Deus, herdeiros de Deus e co-herdeiros de Cristo, o primogênito entre muitos irmãos “E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo: se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” ( Rm 8:17 ).

É por isso que Paulo relata que Deus predestinou os cristãos. Ele demonstra que foi segundo a vontade e beneplácito de Deus que os cristão foram predestinados a serem filhos.

O erro surge quando alguém considera que Deus predestinou dentre não crentes alguns para salvação. O que Paulo nos demonstra é que Deus estabeleceu qual seria o destino eterno dos cristãos, uma vez que eles estavam em Cristo.

Paulo escreve a cristãos e não a incrédulos. Ele reafirma: em amor Deus nos (Paulo e os cristãos de Éfeso) predestinou para sermos filhos ( Ef 1:5 ). Ora, os santos que estavam em Éfeso é que se tornaram filhos, e não os descrentes.

Ora, muitos homens do passado foram salvos pela fé em Deus, porém, eles não fazem parte do corpo de Cristo. Somente os membros do corpo de Cristo, a igreja, que além da salvação não terão outro destino, a não ser, serem filhos de Deus. Este destino reservado por Deus antes dos tempos dos séculos à igreja é por causa do eterno propósito de Deus, pois os salvos em Cristo são filhos para que Cristo seja o primogênito entre muitos irmãos.

Não encontramos na bíblia predestinados à salvação, antes predestinados a serem filhos. Ao longo da história da humanidade encontramos salvos antes da lei, salvos dentre o povo de Israel, salvos na grande tribulação e salvos no milênio, porém, nenhum destes salvos é predestinado a serem filhos.

Todos os salvos ao longo dos séculos, os anjos, os principados, autoridades e poderes estão sujeitos a Cristo, ou seja, debaixo dos seus pés. Porém, acima de todas estas coisas temos a igreja, o corpo de Cristo, e Ele é a cabeça da igreja ( Ef 1:22 ).

É por isso que ao falar da predestinação e da eleição, Paulo estabelece a condição: ‘em Cristo’.

1º) ‘em Cristo’ é a condição de existência da nova criatura “Portanto, se alguém está em Cristo, nova criatura é” ( 2Co 5:17 );

2º) Somente a nova criatura é filho de Deus, santa e irrepreensível, e por isso todas as vezes que Paulo fala da predestinação ou da eleição ele estabelece: ‘em Cristo’, ‘no Amado’, ‘nele’, etc. ( Ef 1:3 -13);

3º) Deus determinou antes do séculos, que a nova criatura gerada segundo a sua vontade (Espírito) e palavra (água) seria filho por Adoção ( Jo 1:12 e Jo 3:5 ), por Cristo Jesus, e;

4º) Cristo torna-se primogênito entre muitos irmãos, segundo o propósito eterno de convergir em Cristo todas as coisas, quando Deus cria (bara) a nova criatura, concedendo ao homem um novo coração e um novo espírito ( Sl 51:10 ; Ef 4:24 ).

O evangelho demonstra que o homem precisa morrer com Cristo, para depois ressurgir um novo homem. Como Deus predestina e elege alguém que tem que morrer à salvação? Ora, se Deus predestinou e elegeu o pecador para ser salvo, ele não poderia morrer.

Mas, o evangelho demonstra que todos quantos crerem em Cristo morrem e ressurgem uma nova criatura. Antes de morrer era vaso para desonra, preparado para perdição. Após morrer e ressurgir, o homem é feito vaso para honra. Antes trevas, agora luz no Senhor.

Quando formularam o posicionamento doutrinário de que algumas pessoas perdidas foram predestinadas e escolhidas para serem salvas, esqueceram que é impossível nascer de novo sem antes morrer. Ora, se o homem precisa morrer com Cristo para depois renascer, percebe-se que os pecadores não são predestinados e nem eleitos, uma vez que não poderiam morrer com Cristo.

Mas, todos que morreram, foram sepultados e ressurgiram com Cristo, estes são feitos filhos de Deus. As novas criaturas foram predestinadas a serem filhos de Deus, para que Cristo seja primogênito dentre muitos irmãos.

Paulo é enfático: “É também nele que vós estais, depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da salvação…” ( Ef 1:13 ). Ora, aquele que está em Cristo, ou seja, que é uma nova criatura, é um dos escolhidos de Deus para ser santo e irrepreensível. ‘Em Cristo’ (no Amado) é que Deus predestinou para ser filho por Adoção.

Somente após ouvir a mensagem do evangelho da salvação e tendo nele crido é que se opera a regeneração (estar em Cristo, ou seja, ser uma nova criatura). Ser regenerado para crer é uma idéia descabia frente ao evangelho de Cristo. Como é possível alguém que não tem mais sede pedir água? Ora, segundo o pensamento calvinista e arminianista Deus forma no homem uma fonte que jorra para a vida eterna (regeneração), de modo que a pessoa não terá mais sede, e então, o homem está apto a pedir a água oferecida (crer)?

Cristo ofereceu água viva à samaritana, e caso ela bebesse a água fornecida gratuitamente, então seria feito nela uma fonte que jorra para a vida eterna, sem nunca mais ter sede ( Jo 4:14 ). Como ela pediria água, depois que não tivesse mais sede?

É anti-bíblico o argumento que apresenta a regeneração para crer. Ora, teríamos a regeneração, depois a pregação e por fim a fé. No entanto, o evangelho é a mensagem de Deus que traz fé, o homem crê e morre com Cristo. Ressurge dentre os mortos (regeneração) com Cristo, que é o primogênito dentre os mortos, e na condição de nova criatura herdamos com Cristo todas as coisas (filhos).

Ele é o primogênito entre muitos irmãos, e os que crêem co-herdeiros com Cristo, para que em tudo ele tenha a preeminência: Ele é a cabeça do corpo!

Se anunciarem outro evangelho, que seja anátema!

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Temor e tremor

Como é possível ao homem operar a salvação? Com temor e tremor, ou seja, o homem opera a salvação obedecendo (tremor) a palavra do Senhor (temor).

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A ideologia do cristão

Quero evidenciar a pretensão abominável de muitos lideres religiosos amantes de si mesmos que apoiam políticos e partidos com interesses exclusivamente financeiros, ou que promovem os seus próprios amigos na política esperando facilidades quanto as suas pretensões neste mundo. Estes líderes transformam seus seguidores em currais eleitorais, implantam o medo, satirizam e demonizam os seus opositores políticos, tudo com a intenção de direcionarem o voto dos seus fiéis. Dizem que ‘não cai uma folha de uma árvore se Deus não quiser’, ou ‘que toda autoridade foi constituída por Deus’, ou ‘que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus’, porém não creem no que dizem.


Ideologiatermo que possui diferentes significados e duas concepções: a) neutra – sinônimo ao termo ideário (em português), sentido neutro de conjunto de ideias, de pensamentos, de doutrinas ou de visões de mundo de um indivíduo ou de um grupo, orientado para suas pretensões; b) crítica – ideologia é um instrumento de dominação que age por meio de convencimento (persuasão ou dissuasão, mas não por meio da força física) de forma prescritiva, alienando a consciência humana.

Um cristão verdadeiro compreende e confessa que é peregrino neste mundo. Por quê? Porque um cristão verdadeiro tem a mesma fé, ou seja, possui a mesma crença que o crente Abraão ( Gl 3:9 ), o patriarca de quem a Bíblia diz que o evangelho lhe foi primeiramente anunciado ( Gl 3:8 ).

O cristão verdadeiro é estrangeiro e peregrino neste mundo ( Hb 11:13 ), porque deseja uma pátria melhor, a celestial. Espera habitar uma cidade que têm fundamentos, cujo artífice e arquiteto é Deus ( Hb 11:10 -16 ).

Por ser peregrino um verdadeiro cristão age da mesma forma que o crente Abraão, pois mesmo estando na terra que lhe foi prometida habitou em tendas, ou seja, não construiu casa para fixar residência, não construiu uma cidadela, o que demonstra o seu interesse por outra cidade ( Hb 11:9 ).

O verdadeiro cristão compreende que condições socioeconômicas não se constituem em empecilho para o homem ser um dos filhos de Deus ( 1Co 12:13 ), pois sabe que não há distinção entre os membros do corpo de Cristo.

Compreende que através do evangelho anunciado a Abraão, diante de Deus não há servo ou livre, judeu ou grego, macho ou fêmea, pois todos são descendentes de Abraão, ou seja, coerdeiros do Descendente, um dos filhos de Deus ( Gl 3:26 -29).

Um verdadeiro cristão sabe que evangelho de Cristo não serve de trampolim social, pois o apóstolo Paulo demonstra que a condição de servo não desclassifica o homem da sua posição de um dos filhos de Deus, mas se surgir a oportunidade de ser livre, que deve aproveitá-la ( 1Co 7:21 ).

Um verdadeiro cristão compreende que sistemas políticos, econômicos e sociais não são obstes a salvação em Cristo. Compreende que deve orar pelas autoridades constituídas, não importando qual regime político que seja: se império, democracia, monarquia, militarismo, presidencialismo, socialismo, comunismo, etc., pois todas as autoridades foram estabelecidas por Deus ( Rm 13:1 -7).

Um cristão verdadeiro entende que toda autoridade é outorgada por Deus. Por quê? Porque tem a mesma compreensão que o Descendente prometido a Abraão, que é Cristo. Compreende que a autoridade que os governantes deste mundo possuem sobre os filhos de Deus foi estabelecida por Ele ( Jo 19:11 ; Rm 13:1 ).

Em decorrência desta compreensão, um verdadeiro cristão sabe que deve rogar a Deus por todos os homens, inclusive pelos que exercem autoridade, para que possa ter uma existência tranquila neste mundo ( 1Tm 2:2 ).

Um verdadeiro cristão é cônscio de que Deus não lhe favorecerá em demandas judiciais, pois não foi por causa de questões jurídicas que Cristo veio ao mundo ( Lc 12:14 ). Também sabe que não possui uma sorte maior que a dos não cristãos (em questões deste mundo), pois a bíblia é clara: tudo sucede igualmente a todos ( Ec 9:2 ).

Um cristão verdadeiro vive neste mundo porque foi enviado ao mundo ( Jo 17:18 ) e faz uso dele sem exagero, porque sabe que a aparência deste mundo passa ( 1Co 7:31 ).

Um verdadeiro cristão não luta contra a carne e o sangue, pois a sua luta é contra as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais ( Ef 6:12 ). A batalha de um verdadeiro cristão é em defesa da verdade do evangelho, para que as boas novas do evangelho seja anunciado tal qual foi anunciado por Cristo e seus apóstolos “Amados, procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela fé que uma vez foi dada aos santos” ( Jd 1:3 ).

Este é o ideário, o pensamento, a doutrina, ou seja, a ideologia do cristão verdadeiro, pois pensa nas coisas que são de cima, onde Cristo está assentado a destra de Deus ( Cl 3:2 ), e cuja esperança não reside neste mundo “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” ( 1Co 15:19 ).

Porém, o apóstolo Paulo alertou os verdadeiros cristãos acerca de algumas ideologias (persuasão, dissuasão) que poderiam alienar o cristão do ideário proposto por Cristo “Esta persuasão não vem daquele que vos chamou” ( Gl 5:8 ).

O cristão verdadeiro deve ter cuidado com o que é proposto pelas filosofias humanas, ou qualquer outro instrumento de dominação que age através do convencimento que não seja segundo Cristo “Tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo” ( Cl 2:8 ; Rm 16:17 -18; Ef 5:6 ).

A bíblia é clara: o homem só é salvo por intermédio de Cristo ( At 4:12 ), porém, como os tempos são trabalhosos, muitos que se dizem cristãos já não anunciam a cruz de Cristo, ou seja, a ‘loucura’ para os que perecem ( 1Co 1:18 ). Estes convertem em dissolução a graça de Deus, pois os temas dos seus discursos são a política, o aborto, o homossexualismo, a eutanásia, a pedofilia, a droga, etc.

Um verdadeiro cristão anuncia a verdade do evangelho, que é Cristo: poder de Deus e sabedoria de Deus, ou seja, não é ativista político, social, humanista, naturalista, feminista, religioso, legalista, formalista, etc.

Por que um cristão não é um ativista em nome de Deus? Ou por que um cristão não é na essência um moralista?

Para chegar a uma resposta segura, responda as seguintes perguntas: Abandonar o homossexualismo trás salvação? Determinados partidos políticos facilitam a compreensão do evangelho de Cristo? Falar contra o aborto faz com que haja alegria nos céus? Se um ateu passa a acreditar que Deus existe torna-se um salvo?

Por que não seguir o que a bíblia recomenda? “Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda” ( Ap 22:11 ), ou melhor: “Jesus, porém, disse-lhe: Segue-me, e deixa os mortos sepultar os seus mortos” ( Mt 8:22 ).

Será porque se esqueceram de que o mundo jaz no maligno?

Se o melhor dos homens é comparável a um espinho, e o mais reto dos homens comparável a uma sebe de espinhos, por que muitos pretensos cristãos querem limpar somente o exterior dos homens? ( Mq 7:4 ) Por que julgar somente os homens que não andam honestamente, se sobre ambos, honestos e desonestos, já pesa sobre eles uma mesma condenação? Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo” ( Jo 8:15 ).

Qual é a condenação que pesa sobre os homens, quer sejam honestos ou desonestos? Virtuosos ou cheios de vícios? “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” ( Jo 3:18 ).

Se ambos, o melhor e o mais reto dos homens, são abomináveis diante de Deus, que alegria haverá diante dos anjos se os homens somente abandonarem suas práticas abomináveis? ( Lc 15:10 ) Abandonar algumas práticas amorais ou ilegais seria o mesmo que ter justiça superior a dos escribas e fariseus? Seria o mesmo que nascer de novo?

Em decorrência de suas práticas religiosas os escribas e fariseus eram considerados como sendo justos “Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade” ( Mt 23:28 ), porém, a ação deles resumia-se em aspectos pertinente ao exterior do copo ( Mt 23:25 ).

Qual deve ser a ideologia do cristão?

A bíblia é clara: não devemos lutar contra a carne e o sangue, mas o que mais se vê em nossos dias são cristãos empunhando estandartes de partidos políticos. Lutaram contra o Inácio e apoiaram o Fernando. Lutaram contra a Dilma e apoiaram o José, e fazem tudo em nome de Deus.

Embora Cristo tenha dito que o seu reino não é deste mundo, muitos cristãos têm lutado contra alguns personagens políticos como se isto fosse implantar o reino de Deus entre os homens. Outros batalham contra diversas ideologias, contra diversos tipos de comportamentos, contra diversos tipos de sistemas políticos, etc.

Quero deixar bem claro o meu posicionamento: não estou dizendo que um cristão não deva interagir com as pessoas deste mundo, ou que não deve ter uma consciência política, social e comportamental.

O que busco evidenciar é a pretensão abominável de muitos lideres religiosos amantes de si mesmos, que apoiam políticos e partidos com interesses exclusivamente financeiros, ou que promovem os seus próprios amigos na política esperando facilidades quanto as suas pretensões neste mundo.

Estes líderes transformam seus seguidores em currais eleitorais, implantam o medo, satirizam e demonizam os seus opositores políticos, tudo com a intenção de direcionarem o voto dos seus fiéis. Dizem que ‘não cai uma folha de uma árvore se Deus não quiser’, ou ‘que toda autoridade foi constituída por Deus’, ou ‘que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus’, porém não creem no que dizem.

Para os pseudocrístãos fica a pergunta: Se votar na Dilma era uma decisão contrária à vontade de Deus, agora, como autoridade que ela é, a presidenta foi constituída por Deus, ou não? ( Rm 13:1 )

Porém, os verdadeiros cristãos sabem que a vontade Deus é esta: Que os homens creiam naquele que ele enviou! ( Jo 6:29 ; 1Jo 3:23 ) Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? Como crerão naquele de quem não ouviram? Como ouvirão, se não há quem pregue? ( Rm 10:14 )

O que um cristão deve pregar? O ideário de Cristo! A palavra da cruz! A loucura para os que perecem! O escândalo para os judeus! O poder de Deus! O evangelho do qual o apóstolo Paulo não se envergonhou ( 1Co 1:18 ; Rm 1:18 ).

Quando o mundo faz ecoar a mesma mensagem daqueles que se dizem cristão, é porque a mensagem não é a mesma de Cristo. Se o mundo os ouve, ou se o mundo anuncia a mesma mensagem dos cristãos, segue-se que são do mundo “Do mundo são, por isso falam do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro” ( 1Jo 4:5 -6).

Jesus mesmo disse que não veio trazer paz, mas espada e por em dissensão os membros da família ( Mt 10:34 -37). Não se ouve mais anunciarem que a carne de Cristo é verdadeiramente comida, e o seu sangue verdadeiramente bebida ( Jo 6:55 ), ou pior, não se ouve em nossos dias o mundo dizer: ‘Duro é este discurso’ ( Jo 6:60 ).

Se entendermos ideologia como sendo ideário, nos comportaremos como o apóstolo Pedro: “Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente” ( Jo 6:68 -69). Cristo é a palavra eterna, e temos crido porque Ele se revelou a nós! Preservemos e anunciemos a nossa fé (evangelho) conforme nos foi entregue “Porque primeiramente vos entreguei o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras” ( 1Co 15:3 ).

Resta aos verdadeiros Cristãos, ou seja, aqueles que ainda apregoam que Cristo virá como ladrão de noite e que os céus e a terra passarão, e todas as obras que há nela se queimarão ( 2Pe 3:10 ), atentar para o que predisse o apóstolo Pedro: “Vós, portanto, amados, sabendo isto de antemão, guardai-vos de que, pelo engano dos homens abomináveis, sejais juntamente arrebatados, e descaiais da vossa firmeza” ( 2Pe 3:17 ).

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